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Discurso do vice-presidente no encerramento do grupo de trabalho sobre comércio e investimentos e do Seminário Empresarial Espanha-Brasil

publicado: 22/04/2015 12h28 última modificação: 22/04/2015 12h36

TEXTO BASE DO PRONUNCIAMENTO DO SENHOR VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA NO ENCERRAMENTO DO GRUPO DE TRABALHO SOBRE COMÉRCIO E INVESTIMENTOS E DO SEMINÁRIO EMPRESARIAL BRASIL-ESPANHA

(Madri, 22 de abril de 2015)

 

[NOMINATA]

É com muita satisfação que participo do encerramento deste Seminário Empresarial Brasil-Espanha e da reunião do Grupo de Trabalho bilateral sobre Comércio e Investimentos. Este evento cumpre o objetivo de efetivar aproximação adicional entre nossas comunidades empresariais e autoridades da área econômico-comercial, promovendo maior diálogo, cooperação e negócios entre atores de lado a lado cujas decisões têm peso.  

A visita da Senhora Presidenta da República à Espanha, em novembro de 2012, foi marcante e gerou uma série compromissos. Esta missão que ora presido dá seguimento e concretude à implementação desses compromissos, tais como (i) avançar formas de incrementar os investimentos mútuos; (ii) encorajar empresários do Brasil e da Espanha a aproveitar oportunidades de cooperação em terceiros mercados; (iii) fortalecer colaboração na área de logística; (iv) elevar intercâmbio comercial bilateral; (v) estimular a internacionalização de micro, pequenas e médias empresas (PMEs); e (vi) impulsionar, sempre, linhas de ação concretas de cooperação no âmbito econômico-comercial.

É por isso que nos reunimos hoje, neste Seminário Empresarial, para dar um firme passo adiante no fortalecimento do nosso relacionamento econômico-comercial, mediante elaboração de sólida agenda de iniciativas e medidas que hão de contribuir para o desenvolvimento sustentável de nossas economias, sem prescindir da consolidação dos ganhos sociais.

Ressalto a confiança que temos nas economias espanhola e na brasileira. A exemplo de outros países, a economia espanhola enfrentou desafios recentemente, mas já voltou a apresentar dados positivos, com perspectivas de crescimento maduro para este ano. Com o Brasil, vislumbramos cenário semelhante. Estamos promovendo um reequilíbrio fiscal, que está sendo implementado de forma gradual, de forma a permitir a recuperação do crescimento econômico, em respaldo à geração de empregos de qualidade e de renda para a população brasileira. Acredito na capacidade de resposta da economia brasileira ao ajuste fiscal ora em curso.

Devemos estar atentos ao desempenho econômico e à produtividade de setores industriais, sem que isso implique abrir mão das conquistas na área social. Depois de 12 anos de políticas de inclusão social, o Brasil é, hoje, um país melhor. Um país no qual 40 milhões de brasileiros ascenderam à classe média, consolidando mercado consumidor de classe média de mais de 100 milhões de pessoas. Um país com milhões de novos estudantes do ensino fundamental à universidade. Um país com milhões de novas pequenas empresas e empreendedores individuais. Um país com milhões de novos trabalhadores no mercado formal, com melhoria constante em seu nível qualificação. Um país com mais crédito tanto para as empresas quanto para os consumidores. É importante pôr em evidência essas conquistas - sem ignorar as dificuldades -, pois sei o quanto os avanços sociais, o crescimento do emprego, o aumento da renda no Brasil têm tido impacto direto e positivo sobre o comércio e os investimentos.

O Brasil continua sendo uma economia continental, uma economia diversificada, um grande mercado interno, com empresas e trabalhadores habilidosos, versáteis, e nós estamos habilitados a aproveitar as oportunidades que temos diante de nós. Só lembrando alguns números para que a gente tenha noção do tamanho do Brasil: somos hoje a 7ª economia do mundo, o 2º maior produtor e exportador agrícola, o 3º maior produtor e exportador de minérios, o 5º que mais atrai investimentos estrangeiros, o 7º em acúmulo de reservas cambiais e o 3º maior usuário de internet. Por isso, o Brasil continua sendo um país com grandes oportunidades de negócios. O Brasil continua sendo um país com instituições sólidas, com regras estáveis, uma sociedade livre e democrática.

Os números do comércio entre nossos países confirmam a grandeza, mas também o potencial inexplorado que ainda existe no intercâmbio de produtos e serviços entre nossas empresas. Nossa corrente de comércio é da ordem de U$ 7,2 bilhões, tendo dobrado nos últimos 10 anos. O Brasil é hoje o 7º destino das exportações espanholas e o 18º fornecedor de produtos e serviços para a Espanha. Com base nesses números, gostaria de propor um desafio. Gostaria de contar com o apoio dos brasileiros e dos espanhóis para dobrar mais uma vez o valor do nosso intercâmbio comercial até 2025, elevando o nosso comércio bilateral a um novo patamar não só em termos de quantidade, mas também em termos de equilíbrio e de qualidade. Há espaço para a diversificação dos produtos da pauta exportadora. Setores como aeronáutica, alimentos, energia renováveis, química, tecnologia da informação e comunicação, combustíveis, maquinário e indústria criativa são especialmente promissores.

Em relação aos investimentos, a Espanha é, pelo estoque de investimentos diretos, o segundo maior investidor estrangeiro no Brasil. Com investimentos da ordem de US$ 71,2 bilhões, a presença espanhola na economia brasileira é diversificada, atuando em diversos setores estratégicos e envolvendo empresas de todos os portes. Vejo com muita satisfação que as empresas espanholas têm demonstrado confiança em seguir investindo no Brasil e pretendem se tornar o principal investidor estrangeiro em nosso país.

A presença de empresas espanholas no Brasil é extremamente importante. Desde a década de 1990, contamos com vultosos investimentos na área de energia, infraestrutura, logística, transporte, telecomunicações, entre outras áreas; investimentos que contribuíram para o desenvolvimento do nosso país. Gostaria de destacar, apenas para citar algumas empresas, os investimentos da OHL nas rodovias federais; a presença da REPSOL na exploração de petróleo e gás no Pré-Sal brasileiro e a contribuição da GAS NATURAL FENOSA para a organização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

Neste contexto, quero reiterar, mais uma vez, o convite para que as empresas espanholas sigam investindo no Brasil, principalmente naqueles setores capazes de melhorar estruturalmente a economia brasileira e de fortalecer nossa competividade, a exemplo da área de logística, energias renováveis e inovação. As empresas espanholas podem aproveitar as oportunidades oferecidas pelo Programa de Investimentos em Logística (PIL), nas áreas de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e aeroportos regionais. Destaco, igualmente, as oportunidades na área de saúde, tendo em vista a mudança recente na legislação brasileira, que passou a permitir que empresas estrangeiras prestem serviços de saúde, e os esforços do Governo brasileiro em consolidar uma indústria competitiva na produção de equipamentos médicos, hospitalares, princípios ativos e medicamentos, por meio da criação do Complexo Industrial da Saúde.

O Brasil é e continuará a ser uma opção segura e atraente para o investidor, pois se trata de um país que oferece grandes oportunidades de negócios, que está aberto ao investimento, que respeita contratos e que tem um marco regulatório estável e previsível, assentado na solidez da Carta Magna de 1988.

No sentido inverso, sabemos que várias empresas brasileiras mantêm presença na Espanha como estratégia de internacionalização de seus produtos e serviços. Cito, como exemplo, as inversões da GERDAU, WEG, VOROTANTIM, BRF e STEFANINI em território espanhol. Vejo com muita satisfação que os investimentos brasileiros, da ordem de US$ 15 bilhões em termos de estoque, apresentaram expressiva elevação nos últimos anos e fizeram do Brasil um dos principais investidores na Espanha, entre os países emergentes. Ainda há espaço para ampliar os investimentos brasileiros na Espanha e, por isso, daremos continuidade ao esforço de estimular as empresas brasileiras a ter a Espanha como base privilegiada para operar nos mercados da Europa, do Mediterrâneo e da África. Daremos prioridade ao estímulo da internacionalização de nossas micro, pequenas e médias empresas com destino à Espanha.

Nossas empresas também estão realizando investimentos em parceria. O principal projeto atualmente em curso é o do cabo submarino de fibra ótica que irá estabelecer uma conexão direta entre a América Latina e Europa. O projeto deverá revolucionar a transmissão de dados, sobretudo os dados científicos para pesquisa, não apenas entre o Brasil e a Espanha, mas entre a Europa e América Latina como um todo.

Iniciativas como essa, de trabalho conjunto, devem ser estimuladas pelos nossos Governos, em benefício de nossos respectivos mercados ou de terceiros mercados. Temos casos de sucesso de parceria entre empresas brasileiras e espanholas na construção do metrô da Cidade do Panamá, do gasoduto sul-peruano e do terminal do Porto de Pisco, também no Peru. Acredito que investimentos conjuntos podem contribuir para impulsionar a internacionalização de nossas empresas.

O relacionamento econômico-comercial é bastante expressivo e dinâmico. Constitui ponto fundamental do Plano de Ação da Parceria Estratégica Brasil-Espanha, adotado em novembro de 2003 e reforçado durante a visita da Senhora Presidenta da República a Madri, e queremos que contribua, cada vez mais, para o adensamento dos laços entre nossos países.  É, neste espírito de confiança e de alto interesse e respeito mútuo, que as comunidades empresariais do Brasil e da Espanha devem contribuir, de maneira decisiva, para o adensamento da amizade entre nossos países, trazendo a dimensão econômica e empresarial para o centro da agenda bilateral, assim como engajando mulheres e homens de negócios no desenvolvimento de projetos estratégicos nas áreas comerciais e de investimentos.

Muito obrigado.