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Notícia

Discurso de abertura da 4ª Aliança das Civilizações

Discurso proferido pelo vice-presidente da República, Michel Temer, na solenidade de abertura do 4º Fórum da Aliança das Civilizações, em Doha, capital do Catar.
por Portal Planalto publicado: 11/12/2011 15h18 última modificação: 16/05/2012 16h23
Aluizio de Assis

Aluizio de Assis

Sua Alteza, Xeque Hamad Bin Khalifa Al-Thani, Emir do Catar, e

Sua Alteza, Xeica Mozah bint Nasser Al Missned,

Exmo. Senhor Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon,

Senhores Chefes de Estado e de Governo,

 

Senhoras e Senhores,

 

Minhas primeiras palavras são de agradecimento ao Povo e ao Governo do Catar por hospedar o Quarto Fórum Internacional da Aliança das Civilizações. O comprometimento deste país com a Aliança já fora manifestado com eloqüência no discurso da Sheika Mozah bint Nasser Missned na sessão de abertura do Terceiro Fórum da Aliança, realizado no Rio de Janeiro, em 2010. Expresso aqui minha firme esperança de que esta nova edição da Aliança das Civilizações produza resultados significativos para a convivência de diferentes crenças religiosas e etnias.

Vivemos um momento histórico de grandes turbulências e profundas transformações. A globalização e a agilidade dos meios de comunicação expõem governos e sociedades a fenômenos que outrora tinham impacto apenas localizado e, assim, impõem desafios a toda a comunidade internacional.

Nos tempos recentes, multiplicaram-se as possibilidades de conflito e de discórdia.  O estabelecimento de um Estado palestino livre e soberano, capaz de viver em paz e segurança ao lado de Israel, diminui a intolerância e a violência, alimentando a paz no Oriente Médio.

A crise econômica nos países desenvolvidos requer de todos os Governos decisões rápidas sobre mecanismos de ajuste na economia. Requer, da mesma forma, o reforço de nossos programas sociais de forma a evitar que as populações menos favorecidas sejam suas maiores vítimas. Sabemos que a crise econômica tem o potencial de exacerbar a intolerância e a xenofobia; redobrar a vigilância é um dever de todos os países engajados no espírito de uma verdadeira Aliança das Civilizações.

 

Senhoras e Senhores,

 

No Conselho de Segurança da ONU temos insistido que desenvolvimento e segurança são elementos essenciais para a paz sustentável. Não pode haver segurança e paz em uma sociedade em que não estejam atendidas as necessidades básicas de seu povo. Com base nessa convicção, o Governo brasileiro lançou, há anos, programas sociais baseados em recomendações da sociedade civil, que vêm gerando benefícios importantes no campo social e repercussões positivas na economia.

Assistimos, hoje, no mundo a uma sucessão de manifestações populares por mudança, as quais produziram novo cenário político que ainda está em evolução. O desafio do momento é encontrar forma legítima e eficaz de ajudar os países que clamam por reforma. Deve-se fortalecer a aliança entre Estado e cidadãos para avançar o processo de estabilização e estabelecer os fundamentos de uma governança aperfeiçoada. Ao mesmo tempo, é imperioso cessar a violência onde quer que se manifeste. Só assim será possível implementar as reformas políticas necessárias. A Liga dos Estados Árabes e o Conselho de Cooperação do Golfo desempenham papel importante para encaminhar soluções para o retorno à Paz nesta região. A Aliança das Civilizações, com seu chamado ao diálogo, desempenha papel fundamental nesse contexto.

A violência contra a população civil deve ser repudiada onde quer que ocorra. Mas temos também de estar conscientes das possíveis conseqüências indesejáveis de ações da comunidade internacional com base em preocupações legítimas com as populações ameaçadas. Essa é a razão pela qual o Brasil propôs, no Conselho de Segurança,novo debate sobre um conceito complementar e essencial à Responsabilidade de Proteger: a “Responsabilidade AO Proteger”. Os dois conceitos devem caminhar juntos, de forma a evitar maiores danosàs populações civis. Importante é ressaltar que sua aplicação no terreno deve ser monitorada pelo Conselho de Segurança em nome de uma responsabilidade coletiva comprometida com a proteção de civis na promoção da paz.

Não nos esqueçamos, ao mesmo tempo, de que as ameaças potencialmente mais desestabilizadoras vêm de países que acumulam grande poderio militar, o que nos obriga a persistir nos esforços pelo desarmamento e não-proliferação de armas de destruição em massa.

 

Senhoras e Senhores,

 

Ao promover o diálogo, a Aliança é fonte de apoio para projetos caros à Política Externa Brasileira, como a Cúpula ASPA (América do Sul e Países Árabes), ASA (América do Sul e África) e o Fórum IBAS (Índia, Brasil e África do Sul). Esses são foros que reúnem países diversos entre si e que coordenam programas de ação em benefício de seus povos.

Os participantes do III Foro Internacional da Aliança das Civilizações testemunharam que o Brasil é um país multicultural, plurireligioso e multiétnico, que se orgulha desses traços e está engajado na promoção do desenvolvimento humano não apenas em suas fronteiras, mas também nos países em desenvolvimento. Cito um fato de forte simbolismo contra o preconceito: o Brasil tem hoje como Chefe de Estado uma mulher, revelando a igualdade de gêneros.

Encerro com uma frase de Gandhi: “nenhuma cultura floresce se ela se fecha a outras culturas”.  O Brasil partilha dessa convicção e, inspirado por ela, reafirma aqui seu compromisso de levar adiante a agenda da Aliança das Civilizações.

Muito obrigado.

Assunto(s): Governo federal