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Brasil e Líbano: o futuro promissor de países irmãos

por Portal do Planalto publicado 31/12/2012 00h00, última modificação 07/07/2014 12h14

Michel Temer

A memória mais viva que carrego de minha visita ao Líbano é a do reencontro com minhas origens. Foi a ocasião de minha volta à vila de Btaaboura, na região do Khoura, no norte do Líbano, com a beleza que era recitada pelos meus pais: montanhas altas à beira do Mediterrâneo, vilarejos incrustados nas encostas, neve nos cumes. O cenário que eles viram ao se despedir do país e o qual eu encarei na minha chegada. Impossível não vir à memória o esforço empreendido pelos milhares de imigrantes libaneses para se estabelecerem no Brasil. E na maneira bem sucedida com que conseguiram prosperar em uma terra que os recebeu de mãos estendidas. Sem dúvida, a amabilidade do povo brasileiro tornou a mudança menos dolorosa. Como fosse uma retribuição, na volta ao lugar onde meus pais nasceram, casaram-se e de onde partiram para a América, fui recebido pelo entusiasmo de tambores, flautas, danças e de parentes que lá permaneceram. Ao lado de meus primos, celebramos o bom momento da relação entre Brasil e Líbano.

Voltei ao país como vice-presidente brasileiro e, assim, com obrigações redobradas. Se minha origem poderia me conduzir ao enternecimento, meu papel institucional me trazia enormes obrigações que já estamos a cumprir. Devemos, como brasileiros, fortalecer cada vez mais os laços com nossos irmãos libaneses. As oportunidades se colocam à nossa frente pelo papel que cada país carrega. O Líbano, um histórico entreposto comercial, que sempre conectou Ocidente e Oriente, desde o tempo do fenícios. O Brasil, um grande produtor agropecuário, de minérios e de artigos industrializados. Como nos lembrou o presidente da Assembléia Nacional, Nabih Berry, engatinhamos no intercâmbio de comércio, muito aquém de nossas reais e enormes possibilidades. Concordo, mas estou certo de ele que tem crescido, por iniciativa não apenas governamental, mas também do empresariado brasileiro. De outro lado, temos um tradicional e crescente interesse por produtos de origem libanesa. Em oito anos, quadruplicamos o volume de trocas comerciais, chegando a US$ 230 milhões anuais. Por isso, não foi por acaso, que participei da inauguração de um centro comercial no Vale do Bekaa, na cidade de Chtoura. O maior empreendimento da região, que vai levar diversas marcas brasileiras à população libanesa.

A intenção de desenvolver o comércio pôde se constatar em todos encontros com as mais altas autoridades daquele país. Na reunião com o presidente Michel Sleiman, recebi o pedido para instalação de nossas empresas, estatais e privadas. Levei adiante a viabilidade destes investimentos, que aproximariam ainda mais nossos países. Por exemplo, uma agência do Banco do Brasil teria um papel imprescindível para o fluxo financeiro entre os milhares de brasileiros e parentes que vivem lá e os que residem no Brasil. Também foi-me requisitada a possibilidade da Petrobrás fazer a prospecção e a exploração de petróleo e gás em áreas ainda inexploradas do Líbano. E o primeiro-ministro Najib Mikati afirmou que a demanda do mercado regional por aviões executivos justifica a futura presença de um escritório da Embraer em Beirute.

Um dos pontos altos da visita oficial ocorreu no âmbito militar. Reforçamos a presença brasileira no Líbano com o ingresso de nossa fragata União nas forças de paz da ONU. É a primeira vez que lideramos navios de diversas nacionalidades. O componente naval faz o patrulhamento da fronteira marítima com Israel e nossos oficiais de Marinha iniciaram treinamento de militares libaneses.

Ainda neste campo, acompanhei a parada militar que celebrava a Independência do Líbano, que representa não apenas a soberania nacional e a autonomia político-administrativa, mas a união entre as diversas correntes religiosas, todas representadas nas divisões das Forças Armadas Libanesas.

Também tive o prazer de inaugurar o Centro Cultural Brasil-Líbano, em Beirute. Um expressivo esforço do Estado Brasileiro para promover nossa cultura e difundir a língua portuguesa ao povo libanês.

Em minha bagagem, trouxe o compromisso por todo trabalho que devemos fazer para garantir o incremento desta relação. E as memórias de momentos mágicos que vivenciei de uma cultura magnífica que aprendi a apreciar ainda mais. Voltei com a certeza de que os laços que nos unem nos levarão a um futuro de extrema proximidade e de grandes oportunidades.