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'Parceria com EUA vai auxiliar no debate sobre o Plano Nacional de Educação', afirma ministro

Relações Internacionais

Memorando assinado entre Dilma e Obama permitirá cooperação em educação técnica e profissionalizante e na construção de uma base curricular comum para o país, destacou Renato Janine
por Portal Planalto publicado: 08/07/2015 00h00 última modificação: 08/07/2015 15h28

A visita de trabalho da presidenta Dilma Rousseff aos Estados Unidos, no período de 29 de junho a 1 de julho, resultou em 22 acordos em prol do novo ciclo de crescimento do Brasil. Um dos documentos assinados visa a cooperação entre os países em educação técnica e profissionalizante, tipo de formação que, no Brasil, cresceu bastante nos últimos anos e tem sido uma das prioridades do governo da presidenta Dilma. Somente com o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), de 2011 a 2014, foram realizadas mais de 8 milhões de matrículas, entre cursos técnicos e de formação inicial e continuada. 

Em entrevista ao Portal Planalto, o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, explicou quais as expectativas em relação ao memorando e falou sobre a importância da visita para a construção de uma base curricular comum para o ensino fundamental e médio do Brasil, tema que está em debate no país. "Os EUA e Austrália são países que desenvolveram bases nacionais comuns muito boas. Então, a cooperação nesse ponto é importante porque acaba ligando também com a gestão e a formação de diretores das escolas", destacou Janine. 


Confira a íntegra da entrevista com o ministro da Educação:

Um dos documentos assinados durante a viagem da presidenta Dilma aos EUA foi um memorando de entendimento para cooperação em educação técnica e profissionalizante. O que está previsto no documento? 

Ministro Renato Janine Ribeiro: O Brasil tem muito a aprender com experiências estrangeiras em ensino técnico e profissionalizante. O interessante nos EUA é que o vice-presidente, Biden, dirigiu uma força-tarefa para pensar como melhorar o ensino técnico profissional lá.  Ele até comentou o seguinte: eles adotavam como lema train and pray: treine, forme, e reze para encontrar um emprego. E eles conseguiram avançar para train and plays: treine, forme e arrume uma colocação. Então, esse ponto para nós é crucial. Como você consegue articular a montagem de um curso técnico-profisionalizante, atendendo as necessidades da sociedade da região, etc., de modo que a colocação profissional posterior à formatura não seja matéria de reza - como diz a brincadeira norte-americana -, mas de expertise, de capacidade, de ter uma boa colocação. Então, esse é um dos pontos de diálogo que acabam incorporados no memorando que a gente assinou nos EUA.

Outro debate iniciado foi em relação à formação de gestores para escolas brasileiras. O que temos de novidade em relação a este tema?

Os EUA têm uma experiência boa na constituição do que nós chamamos de Base Nacional Comum, quer dizer, aquilo que os currículos das diferentes disciplinas na educação fundamental e no ensino médio tem que ter, ou seja, o que cada um tem que saber de história, de matemática, etc. Os EUA e Austrália são países que desenvolveram bases nacionais comuns muito boas. Então, a cooperação nesse ponto é importante porque acaba ligando também com a gestão e a formação de diretores das escolas, que é um projeto do MEC que está em fase avançada de definição e para o qual a gente também quer conversar com os EUA e combinamos que haverá conversas a respeito.

 O senhor acha que essa discussão pode ajudar na construção do Plano Nacional de Educação (PNE) ?

Isso é essencial para o PNE. O Plano Nacional de Educação, essencialmente, consiste em definir, antes de mais nada, essa base comum, de modo que as pessoas possam saber exatamente qual o horizonte de educação, de formação do país. E em função disso, você sabe como deve ser a formação de professores, a produção de material didáticos, livros, audiovisuais, etc. Então, a base comum virou mais ou menos estratégica para pensar isso. Por isso, a cooperação com os EUA e outros países é bem vinda e um começo disso aconteceu nesta visita.

 Um dos pontos altos da viagem foi a visita da presidenta ao Vale do Silício. Ela visitou diversos importantes centros de pesquisa, como Standford e o Complexo Google. O que a presidenta foi tratar nesses locais? 

Houve uma ênfase da presidenta em engenharia de algoritmos, o que significaria, mais ou menos, como se lida com big data,  ou seja, com grandes massas de dados. Você tem condições hoje, pela internet, de saber dados em uma quantidade gigantesca. Por exemplo, o trânsito na cidade grande. Há vários aplicativos que pegam o trânsito numa cidade grande, que mostram o caminho mais adequado. Então, está operando em dezena de milhares, talvez centenas de milhares, ou milhões de usuários e vendo como tudo isso funciona e certos padrões disso emergem. Por exemplo, você quer lidar com mobilidade urbana... é muito importante saber quais itinerários os usuários fazem para saber onde investir mais no transporte coletivo, de modo geral, a longo-prazo, mas também hoje, a tais horas, se está havendo ou não um problema que atrapalha o trânsito, que exige soluções imediatas para liberar o trânsito. No caso da mobilidade urbana e da saúde pública, esses pontos são fundamentais.

Com quem esses pontos foram discutidos?

Foram discutidos pela presidenta no Google, discutidos em uma reunião com líderes de várias dessas empresas de internet, bem desenvolvidas, bem científicas, onde estavam presentes Mark Zuckerberg e dirigentes de várias outras empresas, inclusive uma moça, Elizabeth Holmes, que ficou famosa, pois em torno dos 20 anos, ela largou a faculdade sem nem concluir o mestrado, porque ela tinha desenvolvido um sistema de fazer testes laboratoriais muito barato, portátil.  Com isso, ela virou bilionária. Mas sobretudo, o que importa, é que ela produziu algo que ajuda muito na detecção rápida de doenças em condições até fora de um hospital, com urgência. Então, todo esse tipo de alta-tecnologia, tecnologia de ponta, foi um dos destaques principais da visita presidencial ao Vale do Silício, onde ela [a presidenta Dilma] foi aliás muito bem recebida. Foi um diálogo de boa qualidade, muito voltado ao futuro.

Fonte: Portal Planalto