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Países do Mercosul e da União Europeia voltarão a debater acordo de livre comércio neste ano

Relações comerciais

Setor industrial demonstra otimismo com possível acordo com europeus. Abertura comercial ampliaria volume de exportações de produtos agrícolas e alimentos
por Portal Planalto publicado: 12/06/2015 10h22 última modificação: 12/06/2015 10h22
Roberto Stuckert Filho/PR "Acredito que é muito importante o Mercosul sinalizar que vai unido", declarou a presidenta em Bruxelas, na Bélgica

"Acredito que é muito importante o Mercosul sinalizar que vai unido", declarou a presidenta em Bruxelas, na Bélgica

Representantes do Mercosul e da União Europeia anunciaram, nesta quinta-feira (11), um entendimento para que a apresentação das propostas comerciais seja feita até o último trimestre de 2015, como divulgou em nota o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que representou o bloco sul-americano nas reuniões. 

Até dezembro, os dois lados devem se reunir para montar uma lista de quais produtos poderão ter as tarifas zeradas. A apresentação de propostas é condição essencial para que seja finalizado o acordo para abertura comercial entre os dois blocos econômicos. 

"Nós (Mercosul) fazemos a proposta, aí eles têm de olhar as condições deles e fazer a mesma proposta. Acredito que é muito importante o Mercosul sinalizar que vai unido, acho que eles também vão ter de sinalizar porque, apesar de a Comissão Europeia ter o poder de firmar um acordo, esse acordo tem de ser de todos os países que compõem o bloco, não é trivial”, declarou a presidenta Dilma Rousseff em entrevista realizada ao fim do encontro, nesta quinta-feira (11). 

A União Europeia é a terceira principal compradora de produtos nacionais. Em 2014, o intercâmbio comercial entre o Brasil e os países da UE alcançou US$ 88,7 bilhões, o que correspondeu a 19,5% do comércio exterior brasileiro. "A gente vê o acordo com muitas bons olhos. Principalmente do ponto de vista da agricultura", declarou a gerente de estratégia de mercado da Apex-Brasil, Ana Paula Repezza, em entrevista ao Portal Planalto.

Além do setor agrícola, produtos de valor agregado na área de alimentos, moda e cosméticos e mobiliário estariam entre os beneficiados em caso de acordo com os países europeus.

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"O mercado da União Europeia é importante para o Brasil? É, sim. O Mercosul interessa para a União Europeia? Muito", avalia o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, que demonstrou otimismo quanto à possibilidade de conclusão de acordo entre os blocos econômicos.

"O conjunto de atividades que está acontecendo nesta semana em Bruxelas demonstra que é um ano positivo. O mundo todo está percebendo que barreiras ao comércio não interessam a ninguém. Podem estar impedindo o crescimento de regiões e mercados", segundo Repezza. 

Investimento Estrangeiro Direto

Ampliar negócios com o Mercosul para transferência de conhecimento na área de tecnologia, bem como em serviço estaria entre os objetivos dos países do UE, com potencial para ampliar o fluxo de investimentos no território brasileiro. Atualmente, o bloco econômico responde pelo maior volume de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil, na América Latina e CaribeEm 2011, o estoque de recursos da União Europeia no Brasil era de US$ 303 bilhões. 

"Por que não criamos um mercado digital com o Brasil? Esse é o futuro. E esse futuro poderia criar benefícios mútuos", afirmou Luigi Gambardella, presidente da EU Brasil, associação criada com o objetivo de apoiar o desenvolvimento das relações comerciais entre os países europeus e o Brasil. Os setor nacionais de energia renovável, biotecnologia e petróleo e gás estão entre os interessados. 

Cenário macroeconômico

Em Bruxelas, a presidenta Dilma Rousseff alertou que a economia global passará ainda por outro processo difícil, que será a elevação prevista nos juros americanos, mas disse que o Brasil já está pronto para enfrentar essa situação. “Nós estamos extremamente preparados para isso. Então, acredito que houve esse movimento da inflação, que ele se estabilize e nós estamos agora tomando todas as medidas para derrubá-la”, reafirmou. Para a presidenta, não há razão para pessimismo no momento e a população deve manter seu nível de consumo.

Fonte:
Portal Planalto, com informações da Agência Brasil, do Ministério das Relações Exteriores e do Blog do Planalto