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Encontro entre empresários brasileiros e chineses amplia negócios bilaterais

Cooperação empresarial

Cerca de 120 empresários chineses vieram ao Brasil para debater investimentos durante a Cúpula Empresarial Brasil-China. Em 2014, trocas comerciais entre os dois países alcançaram US$ 77,9 bilhões
por Portal Planalto publicado: 19/05/2015 20h19 última modificação: 20/05/2015 17h08
Felipe Rossi/PR Empresários brasileiros e chineses se reúnem durante a Cúpula Empresarial Brasil-China

Empresários brasileiros e chineses se reúnem durante a Cúpula Empresarial Brasil-China

Cerca de 250 empresários chineses e brasileiros se reuniram nesta terça-feira (19) na Cúpula Empresarial Brasil- China. O evento faz parte da agenda da visita oficial do primeiro- ministro da China, Li Keqiang, ao Brasil, que veio ao país acompanhado de 120 empresários chineses.

O encontro do setor privado aconteceu no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, enquanto a presidenta Dilma Rousseff se reunia com Li Keqiang no Palácio do Planalto.

A programação da Cúpula Empresarial contou com três painéis sobre cooperação empresarial, cooperação em infraestrutura, e cooperação financeira. De acordo com o presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, embaixador Sérgio Amaral, a relação comercial entre os dois países já se consolidou como uma parceria, pois as empresas chinesas já estão integradas ao tecido econômico brasileiro.

Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil. Em 2014, as trocas comerciais bilaterais alcançaram US$ 77,9 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 3,3 bilhões. 

 Agronegócio

O vice-presidente da empresa alimentícia Brasil Foods (BRF), José Roberto Rodrigues, salientou que a produção de carne brasileira é mundialmente reconhecida pela alta qualidade e que há grandes oportunidades de negócios entre os dois países neste setor. A BRF é responsável por 20% do comércio mundial de aves, o que a torna a maior exportadora deste tipo de carne em âmbito internacional.

“Na parcela das exportações do agronegócio brasileiro para a China, a proteína animal representa apenas 1,3%. Isto significa uma enorme oportunidade e um grande potencial para a ampliação dos negócios no setor”, avaliou.

Entre os atos de cooperação assinados pela presidenta Dilma e o primeiro-ministro chinês nesta terça (19) está o acordo sanitário que pôs fim ao embargo chinês à carne bovina brasileira, em vigência desde 2002.

 “A partir deste acordo sanitário cria-se uma nova forma de relacionamento entre as autoridades chinesas, as autoridades sanitárias brasileiras e o Ministério da Agricultura", afirmou a presidenta Dilma.

 O Brasil deverá ter 26 plantas frigoríficas habilitadas a exportar para a China até junho deste ano, o que pode representar cerca de US$ 520 milhões em vendas para o país oriental. Do total de plantas habilitadas, nove frigoríficos (oito de bovinos e um de aves) tiveram a habilitação oficializada hoje.

 Transporte Marítimo

O empresário brasileiro Luciano Siani, diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, afirmou que há um desejo grande dos empresários brasileiros e chineses no fortalecimento das relações comerciais.

“Talvez, pela primeira vez na história, a China esteja se lançando ao mundo de maneira compatível com seu poder econômico. Há muito interesse, muita vontade. Vamos identificar oportunidades específicas e levá-las adiante”, ressaltou.

Na ocasião, Siani anunciou que a Vale finalizou a venda de quatro navios de grande porte (VLOCs) para a empresa China Ocean Shipping Company (Cosco), transação que envolverá um montante de R$ 445 milhões. Além disso, a empresa brasileira prorrogou com a China Merchants Group um acordo para o transporte marítimo de minério de ferro.

Nesta terça, a Vale assinou ainda dois memorandos de entendimento com o Export-Import Bank of China (Eximbank da China) para futura cooperação financeira, envolvendo a Cosco e o China Merchants Group. Assim, o Eximbank chinês poderá fornecer uma linha de crédito de até US$ 1,2 bilhão para a Cosco e China Merchants para facilitar a prestação de serviços de transporte marítimo de minério de ferro pelas duas empresas à Vale.

 Embraer vende 22 aeronaves para a China

Em outra frente de cooperação comercial, a brasileira Embraer assinou com a chinesa Tianjin Airlines nesta terça-feira o acordo final para a venda de 22 aeronaves da linha E-Jets. O contrato tem valor estimado de 1,1 bilhão de dólares. A Embraer aguarda ainda a aprovação das autoridades chinesas para a venda de mais 18 jatos.

 Infraestrutura

 O diretor de Rodovias, Ferrovias e Hidrovias do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MP), Felipe Borin, destacou que o governo brasileiro vem investindo fortemente em infraestrutura, primeiro com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e depois com o Programa de Investimentos em Logística (PIL).

 Além disso, o governo prepara um programa para impulsionar investimentos privados no setor por meio de concessões. “Investimentos em infraestrutura são estratégicos ao desenvolvimento do Brasil e para impulsionar a retomada de crescimento econômico”, afirmou.

Borin ressaltou ainda que o investimento conjunto do Brasil e da China no projeto da Ferrovia Transcontinental vai ampliar e melhorar o comércio com diversos países da América Latina e da região do Pacífico. A previsão é de que a obra tenha 4,4 mil quilômetros de extensão em território brasileiro.

Já o diretor-geral da China State Grid International Development, Zhu Guangchao, anunciou que a empresa continuará atuando no Brasil para melhorar o processo de ultra transmissão de energia elétrica de alta tensão (UHV). Em julho de 2014, a empresa assinou termo de cooperação com a Eletrobrás para o Projeto de Transmissão UHV Belo Monte

 

Fonte:

Portal Planalto, com informações do Ministério das Relações Exteriores; Ministério da Agricultura; e Ministério do Planejamento