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Notícia

Brasil e Estados Unidos firmam parceria para promover inovação no setor de saúde

Pesquisa e desenvolvimento

Comitiva brasileira debate em Washington cooperação por meio de projetos que envolvem a iniciativa privada
por Portal Planalto publicado: 28/05/2015 19h23 última modificação: 28/05/2015 19h23

Apresentar os desafios e oportunidades de investimentos em pesquisa, promover a inovação no setor de saúde, e oficializar acordos de cooperação bilateral com os Estados Unidos foram alguns dos compromissos do ministro da Ciência Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, em Washington.

Desde terça-feira (26) na capital norte-americana, o ministro integra comitiva brasileira em eventos e debates com os setores público e empresarial. Os compromissos seguem até esta sexta-feira (29).

Na quarta-feira (27), o ministro brasileiro e John Holdren, diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia, ligado à Casa Branca (OSTP, na sigla em inglês), órgão norte-americano correspondente ao ministério brasileiro, abriram o Fórum de Inovação Brasil-Estados Unidos. 

Representantes dos governos e empresários discutiram os investimentos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil: obstáculos e benefícios; cooperação para inovação em biomedicina e saúde; tecnologias da informação; e cooperação na área da inovação. 

Para o ministro Rebelo, Brasil e Estados Unidos têm "uma história em comum". "Essa cooperação pode ser relançada com muito mais ousadia, rigor e ambição, nos campos científico, tecnológico, de inovação e na indústria para atender às exigências importantes das nossas sociedades, países e da humanidade", afirmou. 

Aldo Rebelo também ressaltou prioridade definida pela presidenta Dilma Rousseff para que todos os representantes de seu governo se empenhem em eliminar obstáculos para facilitar uma aliança mais dinâmica entre os dois países.

Desafios

O presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luis Fernandes, falou sobre as diversas oportunidades de cooperação entre o Brasil e os EUA em pesquisa e desenvolvimento e reafirmou o compromisso da instituição em continuar a apoiar pesquisas que levem a mais avanços científicos e tecnológicos, além de um maior compartilhamento de informações nessas áreas entre os dois países.

"Há um tremendo potencial para os dois países trabalharem juntos em inovação", disse Chad Evans, vice-presidente executivo do Conselho em Competitividade.

Os especialistas também falaram nos desafios de ajustes fiscais, como conseguir mais investimentos em inovação e usá-los de modo mais eficiente.

Integração vantajosa

Para o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, do Ministério de Ciência e Tecnologia, Armando Milioni, o Brasil dispõe de instrumentos semelhantes àqueles existentes em muitos países onde o processo de inovação já atingiu níveis avançados, indicando um potencial favorável ao País com respeito a tecnologia e inovação.

Holdren apontou que um dos principais pilares da estratégia de inovação do Governo Obama é desenvolver parcerias com outros países em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, sigla em inglês) e fortalecer a educação, desde o ensino primário até o nível de doutorado, nessas áreas.

O ministro disse a Holdren que veio a Washington para antecipar, a pedido da presidenta Dilma Rousseff, a preparação da visita dela a capital americana programada para junho, e mostrar a alta valorização da agenda de ciência, tecnologia e inovação do governo brasileiro. 

Saúde e tecnologia

Aldo Rebelo apontou também que a parceria entre o Brasil e os EUA também deve continuar avançando no setor farmacêutico e focando na saúde pública, ao combater doenças epidêmicas, como no recente caso do ebola.

O diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, abordou a parceira de sua organização com o órgão do departamento de saúde e serviços humanos americano, Institutos Nacionais de Saúde (NIH, sigla em inglês), assim como com a empresa farmacêutica Merck para desenvolver uma vacina contra dengue.

Roslyn Doktor, diretora de relações governamentais e políticas da IBM, salientou a importância de compartilhar com médicos e pesquisadores brasileiros e americanos dados sobre saúde em uma tecnologia de computação na nuvem, sem comprometer a privacidade de dados pessoais. 

Segundo Pat Keran, diretor sênior de inovação, pesquisa e desenvolvimento do United Health Group, a análise de dados oferece uma oportunidade de estudar a prevalência de doenças como diabete e asma em determinadas comunidades, e agir de acordo com essas informações para combater problemas de saúde e educar a população.

Pesquisadores brasileiros no exterior

Ainda no final da tarde de quarta (27), Aldo Rebelo participou de um encontro com o grupo de pesquisadores e empresários Brazilian Expert Network – Washington DC (BEN-DC), na Embaixada do Brasil, na capital dos Estados Unidos.

Segundo o titular do ministério, reforçar o apoio aos estudantes e jovens pesquisadores do Brasil é uma forma de contribuição importante realizada pela Rede Diáspora Brasil, criada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). "Vocês podem apoiar o esforço do País no desenvolvimento da pesquisa e da ciência e contribuir para programas de inovação, oferecendo ao Brasil o que aprenderam no exterior", disse Aldo.

O ministro Aldo afirmou que o Brasil ampliou as condições para melhorar o ambiente para a produção de pesquisas. Como um dos programas com tal objetivo, citou o Proinfra, que busca a implantação, modernização e recuperação de infraestrutura física de pesquisa nas instituições públicas. "Estamos melhorando a infraestrutura das universidades com investimentos em prédios e aquisição de equipamentos."

Segundo o pesquisador Eliseu de Oliveira, cofundador do BEN-DC, o grupo está aberto à maior cooperação com o Brasil. "O grande capital que temos é o capital humano e a experiência acumulada em pesquisas realizadas em centros muito estratégicos. Queremos que vocês tragam problemas para a gente resolver", afirmou Oliveira.

Sobre a rede e o grupo

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) estabeleceu, em 2013, a Rede Diáspora Brasil, programa para identificar e conectar a diáspora brasileira nas áreas de ciência, tecnologia e inovação a fim de gerar novas oportunidades de parcerias e negócios, seguindo os moldes de políticas públicas para as diásporas adotadas por outros países.

Naquele ano, brasileiros residentes na região de Washington decidiram estabelecer o grupo Brazilian Expert Network – Greater Washington.

O escopo do BEN-DC não se limita às áreas científicas e tecnológicas. O agrupamento está aberto à participação de profissionais brasileiros com educação superior com atuação em outros domínios.

O BEN-DC foi lançado oficialmente em evento em março de 2014. Dois de seus membros – a astrofísica Duilia de Mello, da agência espacial norte-americana (Nasa), e o pesquisador Eliseu Oliveira, da Universidade de Georgetown – foram agraciados com prêmios para a diáspora brasileira concedidos pela ABDI, com apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE). 

Biblioteca Oliveira Lima

Na manhã de terça-feira (26), o ministro Aldo visitou ainda a Biblioteca Oliveira Lima, que possui o maior acervo de livros luso-brasileiro nos Estados Unidos. Localizado no campus da Universidade Católica da América, o espaço possui mais de 60 mil obras, incluindo livros, manuscritos, panfletos, mapas, fotografias e obras de arte, dedicadas à história e cultura de Portugal e do Brasil, que faziam parte da biblioteca pessoal de Oliveira Lima. O legado deixado pelo brasileiro foi incorporado à Universidade Católica da América em 1920.

Aldo ressaltou a importância da Biblioteca Oliveira Lima para a produção de pesquisas, acrescentando que o acervo também simboliza a relevância das relações existentes entre o Brasil e os Estados Unidos.

 

Fontes:
Portal Planalto, com informações do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação