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“BNDES é exemplo de aplicação do retorno de investimentos em inovação”, afirma economista

Economia da inovação

Em visita ao Brasil, italiana Mariana Mazzucato foi recebida no Palácio do Planalto e no Ministério da CT&I. Na ocasião, defendeu a realização de “missões” para definir investimentos e a preocupação com a inclusão na atividade inovadora
por Portal Planalto publicado: 04/09/2015 09h06 última modificação: 04/09/2015 09h06

A economista italiana Mariana Mazzucato citou o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como exemplo de aplicação do retorno de investimentos em inovação. “É interessante, no caso do Brasil, a atuação de um banco público, o BNDES. Por definição, quando há um retorno do investimento por ele feito, vamos dizer, de 20%, o Tesouro vai retomar 80% disso e pode reinvestir na economia. Uma parte do dinheiro que se ganha com inovação pode ser destinada a urbanização de favelas, saneamento, Bolsa Família, o que for.”

Mariana Mazzucato, uma das mais acatadas acadêmicas do mundo econômico internacional, foi recebida na Esplanada dos Ministérios, nesta sexta-feira (15), em Brasília. Após reunião com o ministro Aldo Rebelo, no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), seguiu para encontro com a presidenta Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.  

Em entrevista exclusiva ao Ministério da CT&I, defendeu a definição de missões – grandes problemas a resolver – para orientar investimentos e mobilizar esforço e a preocupação inclusiva na atividade inovadora. “Como chegar à Lua: um problema concreto, mas aberto, porque envolve 15 setores. Quais poderiam ser as novas missões? O problema demográfico – alguns países que têm a população muito velha –, o problema climático... A Alemanha mudou toda sua economia – produção, distribuição, consumo – por meio da missão verde”, explicou.

Segundo ela, não se pode ajudar o todo [o conjunto dos setores econômicos], é preciso priorizar. “Mas uma missão pode colocar muitos setores para trabalhar juntos. É também um modo de dinamizar, catalisar e provocar. E, se são públicas, têm que ter um valor público. Alguns países que estão atraindo capital – como China, Dinamarca e Alemanha – mostram às empresas que têm uma visão de transformação, e as empresas reagem a isso.”

Ainda de acordo com especialista em “Economia da Inovação”,  o governo brasileiro tem mostrado que é “possível investir e crescer sem deixar de lado a mitigação da pobreza, por exemplo”. E, apesar do momento de esfriamento econômico no Brasil, considera “excessivas as críticas que se fazem a tudo que se refere ao governo”.

“Há, sem dúvida, vários problemas a serem contornados no Brasil, mas que é importantíssimo que se compreenda a dimensão do Estado como empreendedor ativo, o que realmente é”, disse. Ainda, segundo Mazzucato, o momento requer “conversas com agendas positivas e pensar criativamente para realizar reformas no setor público.”

Como teórica, ela defende que o Estado é um dos maiores investidores em inovação em países desenvolvidos, diferente da imagem que o senso comum tem, e que a “ação prática da inovação só aconteceria no setor privado”. No caso brasileiro, além do exemplo do BNDES, destacou a importância da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Na quarta-feira (13), Mariana Mazzucato participou do painel de estreia do 6º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, em São Paulo. Italiana radicada em Londres, atualmente é professora da Universidade de Sussex, em Brighton, no Reino Unido. Seu livro O Estado empreendedor – Desmascarando o mito do setor público vs. Privado é um best seller no mundo da economia e dos negócios. 

Investimentos em inovação
A Finep encerrou 2014 com R$ 8,6 bilhões somente na modalidade crédito com empresas. Em 2013, as contratações somaram R$ 6,27 bilhões. O quadriênio 2011-2014 a liberação de recursos totalizou R$ 18,2 bilhões, representando o crescimento de 250% nos últimos quatro anos. 

No conjunto de instrumentos financeiros, que envolvem créditos, subvenção e liberação de recursos não reembolsáveis, a Financiadora estima que os investimentos totais foram de R$ 12 bilhões em 2014, contra apenas R$ 1,2 bilhão em 2010.

“A Finep é a instituição-chave no enfrentamento desse desafio de atender a toda a cadeia que reúne a CT&I, combinando desde a produção da ciência básica até a inovação de um novo processo ou produto que fortaleça a competitividade das nossas empresas", afirmou Aldo Rebelo.

Desde 2011, a Finep, o BNDES e outros órgãos públicos, participam do Plano Inova Empresa. A iniciativa do governo federal fomenta projetos de apoio à inovação em diversos setores considerados estratégicos para o País. Lançado em março de 2013, teve demanda inicial de R$ 98,7 bilhões, frente a um orçamento de R$ 32,9 bi.  


Fonte:
Portal Planalto com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Finep e Blog do Planalto