Você está aqui: Página Inicial > Notícias > 2015 > 04 > Nível de obesidade no Brasil é estável, mas excesso de peso aumenta

Notícia

Nível de obesidade no Brasil é estável, mas excesso de peso aumenta

Saúde

“O mais importante para o Brasil neste momento é deter o crescimento da obesidade. E nós conseguimos segurar esse aumento. Isso já é um grande ganho para a sociedade brasileira", afirma ministro da Saúde, Arthur Chioro
por Portal Planalto publicado: 15/04/2015 18h49 última modificação: 15/04/2015 18h49

Há três anos, o Brasil mantém o nível de obesidade da população estável. É o que mostra a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2014), divulgada nesta quarta-feira (15) pelo Ministério da Saúde. Contudo, a pesquisa constatou que 52,5% dos brasileiros estão com excesso de peso.

Em 2012, a parcela da população obesa era 17,4% em 2012, passou para 17,5% em 2013 e chegou a 17,9% em 2014. Apesar do pequeno acréscimo, pode-se considerar o nível estável.  Já o excesso de peso atinge 52,5% dos brasileiros, número que aumentou 23% nos últimos nove anos, quando a taxa era de 43%.

O sobrepeso é uma das principais preocupações do Ministério da Saúde, pois é um fator de risco para doenças crônicas, como as do coração, hipertensão e diabetes, responsáveis por 72% dos óbitos no Brasil.

“O mais importante para o Brasil neste momento é deter o crescimento da obesidade. E nós conseguimos segurar esse aumento. Isso já é um grande ganho para a sociedade brasileira. Em relação ao sobrepeso, não temos o mesmo impacto da obesidade, de estabilização, mas também não temos nenhuma tendência de crescimento disparando”, salientou o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Em comparação a países vizinhos, o índice de obesidade é menor que o de países como Argentina (20,5%), Paraguai (22,8%) e Chile (25,1%).

A obesidade entre os homens (18,2%) é levemente maior que entre as mulheres (17,6%). Já na população com sobrepeso, os brasileiros são maioria, com 56,5% do total, enquanto as brasileiras representam 49,1%.

São consideradas obesas pessoas com índice de massa corporal maior, igual ou maior que 30 kg/m². Os cidadãos com índice de massa corporal maior ou igual a 25 kg/m² são considerados com sobrepeso.

Escolaridade

A Vigitel 2014 revelou que quanto menor a escolaridade, maior é o índice de pessoas com excesso de peso.  Entre aqueles que estudaram 12 ou mais anos, o percentual de pessoas obesas é 12,3%; com excesso de peso, 45%.

Quando o nível de escolaridade varia entre zero e oito anos de estudo, período suficiente para concluir o ensino fundamental, a quantidade de pessoas obesas e com sobrepeso passa para 22,7% e 58,9%, respectivamente. 

De modo geral, os jovens apresentam menor frequência de sobrepeso e obesidade, sobretudo na fração que possui entre 18 e 24 anos de idade, para a qual os índices de obesidade e sobrepeso são 8,5% e 31,5%, respectivamente.

Colesterol Alto

Durante as entrevistas, 20% dos participantes afirmaram já terem sido diagnosticados com colesterol alto, entre os quais 17,6% são homens e 22,2% são mulheres. Quanto maior a idade, maior é a incidência de altas taxas de colesterol. 

Rotina mais saudável

Apesar do avanço de fatores de risco, como excesso de peso e colesterol alto, a população brasileira está mais atenta aos hábitos saudáveis, com crescimento do número de pessoas que se exercitam regularmente e daquelas que mantêm uma alimentação adequada, com maior presença de frutas e hortaliças e menos gordura.

Atualmente, 35% da população são consideradas ativas. Isto é, esta parcela executa mais de 150 minutos de atividades físicas semanais no tempo livre (média de 30 minutos por dia). Os homens (42%) são mais assíduos que as mulheres (30%).

O percentual de pessoas ativas aumentou 18% nos últimos seis anos. Novamente, os dados mostram que quanto mais alto o nível de escolaridade, maior é o conjunto de cidadãos que pratica o tempo recomendado de exercícios físicos. Enquanto 47,8% das pessoas que têm 12 anos ou mais de estudo praticam exercícios no tempo livre, entre os de escolaridade menor (até oito anos de estudo) o índice é 22,9%.

Cerca de 50% dos entrevistados afirmaram não cumprir o tempo recomendado para a prática de exercícios e 16% não praticam atividades deste tipo.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 3,2 milhões de pessoas morrem no mundo, por ano, em decorrência da insuficiência na prática de atividades físicas. O sedentarismo é o quarto maior fator de risco da mortalidade global.

A meta do Ministério da Saúde é reduzir para 10%, até 2025, a taxa de pessoas insuficientemente ativas.

Outra boa notícia é que os brasileiros estão consumindo mais frutas e hortaliças: 42,5% dos entrevistados declararam consumir regularmente este tipo de alimento e 24,1% ingerem a quantidade recomendada pela OMS (cinco ou mais porções diárias, 400g). Além disso, o consumo de carnes com excesso de gordura, refrigerantes e doces caiu.

Entre 2007 e 2014, o percentual de entrevistados que declarou consumir carnes gordurosas passou de 32,3% para 29,4%. O índice de cidadãos que bebem refrigerantes cinco ou mais vezes por semana é 20,8%, menor taxa desde 2007 (30,9%). Já os alimentos doces estão na rotina: cinco ou mais dias da semana de 18,1% da população.

Práticas não recomendadas

A Vigitel 2014 detectou que o consumo médio de sal no Brasil é de 12g por dia, quantidade duas vezes superior à recomendada pela OMS, que é de 5g por dia. O objetivo do Ministério da Saúde é chegar ao patamar recomendado até 2022.

A frequência de adultos que consideram seu consumo de sal muito alto ou alto foi de 15,6%, sendo maior entre os homens (17,4%). Esse percentual cai com a idade, mas aumenta com os anos de escolaridade.

A pesquisa mostrou ainda mudanças na alimentação relacionadas às rotinas mais modernas das famílias. Do total, 16,2% da população substitui o almoço ou a janta por lanche sete ou mais vezes na semana. 

A Vigitel 2014 entrevistou, por telefone, 40.853 pessoas com mais de 18 anos, no período de fevereiro a dezembro de 2014.

Políticas de promoção da saúde

O monitoramento dos dados orienta as ações do Ministério da Saúde, que tem priorizado a promoção da saúde e a prevenção de doenças. Uma das metas do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT), lançado em 2011, é deter o crescimento da obesidade e o excesso de peso no país, bem como incentivar a adoção de hábitos saudáveis entre a população.

As doenças crônicas são responsáveis por 72,4% dos óbitos dos brasileiros. O Ministério quer diminuir em 2% ao ano o número de mortes por estas doenças até 2022.

O investimento no Sistema Único de Saúde em Atenção Básica, responsável por resolver até 80% dos problemas de saúde, cresceu 106% em quatro anos, chegando a R$ 20 bilhões em 2014. São quase 40 mil equipes de Saúde da Família, cobrindo 60% da população. As equipes contam com o apoio de profissionais, como nutricionistas, fisioterapeutas e de educação física que ficam nos 3.923 Núcleos de Apoio à Saúde da Família.

Por meio do Programa Saúde na Escola, desenvolvido em parceria com o MEC, são realizadas ações de promoção à saúde com mais de 18 milhões de alunos do ensino fundamental, que contam com o apoio de 32 mil equipes de Saúda da Família.

"Todo trabalho feito na saúde escolar tem a clara intenção de formar uma nova geração mais saudável", afirmou o Ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Em relação ao incentivo da prática de atividade física, destaca-se o Programa Academia da Saúde, que já conta com 1.568 polos com equipamentos e profissionais qualificados. Além disso, o novo Guia Alimentar para a População Brasileira e o livro Alimentos Regionais Brasileiros do Ministério da Saúde orientam as famílias a optarem por refeições caseiras e evitarem a alimentação  fast food

O Ministério da Saúde apresenta também a campanha “Da Saúde se Cuida Todos os Dias”, com foco na Política Nacional de Promoção da Saúde, cujo objetivo é incentivar mudanças individuais e de comportamento da população. As informações serão divulgadas por meio de peças publicitárias e pelo portal www.saude.gov.br/promocaodasaude.

 

Fonte: 
Portal Planalto, com informações do Ministério da Saúde