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Declaração à imprensa da Presidenta da República, Dilma Rousseff, após cerimônia de assinatura de atos com o Presidente do Egito, Mohamed Morsi - Brasília/DF

por Portal do Planalto publicado 08/05/2013 14h10, última modificação 07/07/2014 12h20
Transcrição do Áudio

 

Palácio do Planalto, 08 de maio de 2013

 

Excelentíssimo senhor Mohamed Morsi, presidente da República Árabe do Egito.

Senhoras e senhores ministros de Estado e integrantes das delegações do Egito e do Brasil.

Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

Senhoras e senhores,

 

Tenho muita satisfação em receber o presidente Morsi na sua histórica visita de Estado ao Brasil, a primeira de um mandatário desse grande país amigo que é o Egito. Escolhido pela voz majoritária das urnas, o governo do presidente Morsi busca dar expressão às legítimas aspirações do povo egípcio por liberdade, justiça social e desenvolvimento. Todos nós acompanhamos com emoção e sentimento de solidariedade o desenrolar do processo transformador desencadeado pelas manifestações da Praça Tahrir. Vivemos no Brasil processo similar de redemocratização a partir dos anos 80, compreendemos os desafios e a importância do esforço de construção institucional e de promoção da cidadania, dos direitos humanos, do desenvolvimento e da justiça social.

Eu tenho convicção de que no Egito, como no Brasil, os ventos da redemocratização vão ser os precursores de um projeto econômico renovado, tanto do ponto de vista social, quanto do ponto de vista político, quanto no que se refere à afirmação da soberania no Egito. Nesse contexto auspicioso, o presidente Morsi e eu decidimos impulsionar a cooperação entre o Brasil e o Egito em todos os níveis, priorizando as áreas econômica, social e cultural.

Hoje à tarde haverá uma apresentação sobre políticas públicas brasileiras para que possamos trocar informações e experiências em matéria de inclusão social e eliminação da pobreza.  Questões como o Bolsa Família, os programas relativos à agricultura familiar, programas de aquisição de alimento, programas também relativos à geração de ciência e tecnologia, à ampliação do comércio, a toda a questão relativa a investimentos do Brasil no Egito e vice-versa, serão tratados também ao longo de toda a nossa atividade.

O presidente Morsi afirmou o seu desejo de fortalecer a produção agrícola de seu país, de estreitar as relações comerciais, de levar investimentos para o Egito, de promover um processo de ampliação do uso do biocombustível e, também, de contemplar a questão da sustentabilidade através daquele princípio “crescer, incluir, proteger e conservar”. Aliás, a experiência brasileira em biocombustível está colocada à disposição do Egito em seu esforço para ampliar a presença de fontes renováveis na sua matriz energética. Eu considero importante toda a parceria na área de ciência e tecnologia que permita ao Brasil e ao Egito desenvolver de forma a agregar valor à sua produção nos seus próprios países.

Foi assinado também, como vocês viram, um acordo entre a Biblioteca Nacional do Brasil e a Biblioteca de Alexandria, que é uma instituição lendária, uma instituição que se origina nos primórdios da história, de prestígio internacional e que desenvolve programas avançados na área de digitalização de livros. Nós também identificamos grande potencial de cooperação na área de defesa, da aviação civil e militar.

O Egito é o principal destino de nossas exportações na África – isso, desde 2009 – e o terceiro maior parceiro tanto no continente africano quanto no mundo árabe. Nosso comércio bilateral já alcançou alguns bilhões de dólares, nós temos de ampliá-lo e torná-lo mais equilibrado. O acordo de livre comércio assinado entre o Mercosul e o Egito também vai abrir possibilidades e oportunidades para um intercâmbio cada vez mais diversificado.

Manifestei ao presidente Morsi a intenção do Brasil de organizar missões empresariais ao Egito, ainda neste ano de 2013. Amanhã, eu tenho certeza, o presidente Morsi encontrará, de forma muito produtiva, empresários brasileiros em São Paulo. O estreitamento das nossas relações comerciais e das nossas parcerias em investimento devem e são estratégicas para a qualidade da nossa cooperação.

Nós tratamos também de importantes questões birregionais e multilaterais. Do ponto de vista birregional, tanto a ASPA quanto a ASA, que são organizações da América Latina com os países árabes e com os países africanos, deve merecer a nossa atenção e a nossa preocupação. Concordamos em manter uma coordenação nos fóruns multilaterais e, também, desenvolver as nossas relações no âmbito dos Brics e dos demais órgãos.

Conversamos sobre paz e sobre segurança no Oriente Médio e coincidimos em que a questão palestina é chave neste particular. O Brasil reconhece a importância do Estado Palestino para que se construa a paz naquela região. No que se refere à Síria, a gravíssima escalada do conflito continua a trazer uma grande preocupação, e convergimos em nossa condenação a todo ato de violência contra os civis e, ao mesmo tempo, que o diálogo é o melhor método para que se estabeleça a paz em definitivo naquela região. Defendemos um cessar fogo imediato efetivo e defendemos, também, o início de um processo político liderado pelos sírios, com o apoio da comunidade internacional.

O Brasil defende a realização da Conferência para a criação de uma zona livre de armas nucleares e de todas as outras armas de destruição de massa no Oriente Médio, a exemplo do que já existe aqui na nossa região, na América Latina. Nós apoiamos a reforma da ONU, em particular de seu Conselho de Segurança, e enfatizamos a importância da representação de árabes e africanos neste órgão multilateral.

No plano econômico, nós temos de lutar contra as assimetrias existentes, ainda, nas instituições financeiras internacionais. A implementação da reforma do sistema de cotas e do sistema de votação no FMI está entre as iniciativas urgentes.

Eu quero, aqui, reiterar o meu agradecimento pelo apoio do Egito, que muito valorizamos, ao candidato brasileiro Roberto Azevêdo ao cargo de diretor-geral da OMC.

O presidente Morsi e eu concordamos que uma cooperação Sul-Sul entre nossos países é estratégica para que se estabeleça, de fato, a multipolaridade no mundo.

Finalmente, temos a convicção que nossos países e povos têm pela frente um grande futuro e um imenso caminho de cooperação. Queremos construí-lo juntos.

Muito obrigada ao presidente Morsi, agradeço também à sua comitiva. E reitero a importância para o Brasil da relação entre o Brasil e o Egito, países que têm papéis importantes, não só a desenvolver na sua região, mas também para a paz, o desenvolvimento e o bem-estar das populações do nosso mundo.

Muito obrigada.

 

 

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