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Entrevista exclusiva concedida pelo Presidente da República, Michel Temer, à Rádio BandNews

por Portal Planalto publicado 03/07/2017 20h09, última modificação 03/07/2017 20h10

Brasília-DF, 03 de julho de 2017

 

 

Reinaldo Azevedo: Presidente Temer?

 

Presidente: Diga Reinaldo, tudo bem com você?

 

Reinaldo Azevedo: Presidente, é o presidente mesmo, é?

 

Presidente: Já estou te dando um abraço aqui, para começar a conversar com você.

 

Reinaldo Azevedo: Olha, deixa dizer, presidente, boa noite. Fico feliz que o senhor está ligando, mas é que fica parecendo combinação e realmente não é.

 

Presidente: Não é. É que eu soube...

 

Reinaldo Azevedo: O presidente decidiu ligar para cá.

 

Presidente: Você sabe que eu soube que você deu umas informações aí, minha assessoria me falou, aí eu disse: olhe, deixa eu dar um abraço no Reinaldo e nos seu ouvintes e trocar umas ideias.

 

Reinaldo Azevedo: Presidente, eu comentei sobre o senhor hoje e antes que comecem as vozes, o que eu chamo, um poeta chama : “Vanguarda do não”: “Não vai perguntar para o presidente sobre a prisão do Geddel?” Não! Porque eu não vou perguntar para o presidente sobre a prisão do Geddel, porque o presidente não é do Ministério Público, o presidente não é da Justiça e o presidente não tem nem obrigação, nem dever de ficar respondendo essas questões.

O que eu quero saber do presidente sim, é que história é essa do senhor estar meio desanimado, tal que eu falei hoje aqui, e eu quero saber. Porque a semana passada parece que foi boa, presidente?

 

Presidente: Foi boa viu, Reinaldo? E você sabe que eu estou animadíssimo. Aliás, essas coisas, já tive a oportunidade de dizer, penso que, até no seu programa, essas coisas que acontece me vitalizam.

          Eu até li, realmente, em uma coluna que eu estaria abatido, que a minha família estaria abatida. Até pensei, nós temos um cachorro lá, eu falei: será que o cachorro também está abatido? Uma coisa realmente irreal.

          E eu digo isso com muita tranquilidade - viu, Reinaldo? -, porque eu estou cada vez mais animado e especialmente animado porque, na verdade, nós estamos indo muito bem. As reformas estão indo adiante, a inflação está caindo. Aliás - viu, Reinaldo? -, me permita dizer, hoje mesmo nós temos dados novos, por exemplo, a Confederação Nacional da Indústria divulgou hoje uma pesquisa, que mostra que as vendas das fábricas brasileiras aumentaram 5,5% em maio.

Por outro lado, também dado que eu recebi hoje, a capacidade instalada na indústria também melhorou, está em 77.4%. E na área do comércio exterior, me permita fazer esse breve relato a você, nós tivemos em junho o melhor resultado para o mês da série histórica, ou seja, desde 1989.

 

Reinaldo Azevedo: Falamos disso há pouco, quer dizer, existe uma balança comercial aí, em recuperação, há sinais bastante importantes na economia.

          Agora, não obstante presidente, eu acho que, essa história de que o senhor poderia estar um pouco desanimado deriva também dos levantamentos que se faz: “ah os deputados da base estão recalcitrantes, não declaram votos”. O senhor tem  confiança de que o senhor tem o apoio do Congresso? O senhor disse, não faz tempo que o seu governo é um governo meio semiparlamentarista. O senhor tem confiança de que a base do Congresso estará com o senhor?

 

Presidente: Eu tenho, viu, Reinaldo? Você sabe que eu estarei muito obediente àquilo que a Câmara dos Deputados decidir. Mas você, eu dou um dado interessante para você: há cerca de 363 indecisos. Você sabe que os indecisos, Reinaldo, são aqueles que vão dar o seu voto no último momento. Os que são contra dizem logo que são contra.

 

Reinaldo Azevedo: Sim.

 

Presidente: Então, eu tenho a esperança, no sentido de quase certeza, digamos assim, absoluta, de que nós vamos ter sucesso na Câmara dos Deputados. Até por uma razão, viu, Reinaldo? Quando você examina a tal da denúncia, você vê desde logo a sua inépcia, quer dizer, uma denúncia frágil, inconsistente e capaz de, digamos assim, quando a Câmara dos Deputados tomar conhecimento da defesa que será feita, defesa que serão meras explicações, você verá que a votação necessária para processar a denúncia não se dará. Isso eu tenho quase absoluta certeza. Ainda mais - viu, Reinaldo? - quando eu disser que só neste período, agora em junho, nós tivemos… as exportações cresceram quase 24%, em comparação com junho do ano passado.

Então, nós temos isso: o Brasil não para, o Brasil continua, e nós temos certeza daquilo que estamos fazendo. Não só no plano governamental como, naturalmente, no plano ético e no plano moral.

 

Reinaldo Azevedo: Muito bom. Presidente, muito obrigado. Fico honrado, sim, do senhor ter ligado. E, claro, eu sou eu, falo o que eu quero. Sobre a denúncia, eu quero lembrar, de novo, que - e aí o presidente não precisa falar nada, falo eu - o Procurador-Geral da República foi a um congresso de jornalistas e deixou claro que  não existe prova na sua denúncia. Tanto é que ele disse, que ele comparou a prova com prova diabólica, numa linguagem inclusive imprópria para o Direito Penal. Então, eu espero que os deputados vejam isso também e coloquem fim a essa aventura que, o presidente pode achar outra coisa, eu digo com todas as letras: acho de caráter golpista.

 

Presidente: É, eu não vou dizer nada a você…

 

Reinaldo Azevedo: Por favor, não.

 

Presidente: Apenas dou um grande abraço a você. E cumprimento mais uma vez você pelo sucesso do seu programa. E um abraço aos seus ouvintes, Reinaldo. Obrigado.

 

Reinaldo Azevedo: Muito obrigado, presidente. É isso aí, obrigado. Olha aí, o presidente ligando para nós.

 

 

Ouça a íntegra (05min35s) da entrevista concedida pelo Presidente Temer