Entrevista exclusiva concedida pelo senhor Presidente da República, Michel Temer, ao programa Poder em Foco, do SBT

São Paulo/SP, 07 de maio de 2018

Jornalista: Boa noite. Eu sou Débora Bergamasco e esta é a primeira edição do Poder em Foco, o programa de entrevistas do SBT nas noites de domingo. E o nosso convidado de estreia é o presidente da República, Michel Temer.

Presidente, muito obrigada pela presença. Ao meu lado, jornalistas convidados: Bruno Bogossian, colunista de política do jornal Folha de São Paulo; Fernando Rodrigues, diretor de redação do site poder 360; e meu colega de SBT, Carlos Nascimento, do SBT Brasil. Obrigada pela presença.

 Presidente, o assunto da semana: a reforma na casa da sua filha Maristela. Queria saber o seguinte, ela prestou depoimento para Polícia Federal como testemunha e ela admitiu que alguns pagamentos foram feitos pela arquiteta Maria Rita, que é a esposa do Coronel Lima. O senhor tem como garantir a licitude desses recursos da arquiteta?

 

Presidente: Não seria que eu respondesse negativamente, Débora. Em primeiro lugar, pela absoluta licitude de tudo que foi feito. Eu até, ao longo do tempo, eu acompanhei muito de longe essa reforma, uma pequena reforma que ela fez. Você sabe que ela fez uma reforma e se iniciou inauguralmente em 2011, quando ela morava até em Ibiúna, ela fez uma pequena reforma para alugar até o imóvel, ela havia vendido o imóvel por um valor superior e sobrou uma parte do dinheiro. Ela fez uma pequena reforma e, depois quando resolveu voltar para São Paulo, 2 anos depois, fez uma nova reforma. E nesse momento, realmente ela teve este auxílio. Mas foi uma reforma regularmente paga, regularmente esclarecida. Eu não tenho os dados do depoimento que ela prestou ao delegado da Polícia Federal, mas soube que foi tudo pelas melhores. Na verdade, ela esclareceu todos os pontos e nenhum ponto deixou de ser esclarecido.

 

Jornalista: Bruno.

Presidente, essa relação, as investigações da polícia em relação a essas reformas, essas obras, compra de móveis, elas tocam e margeiam sempre  um personagem que o coronel aposentado da Polícia Militar, João Batista Lima Filho, o personagem que ainda não se explicou à polícia. A polícia que tem muitas perguntas para fazer ele. Ele está quase há um ano sendo convidado e chamado para prestar depoimento e ainda não prestou depoimento. Como é que o senhor descreve a sua relação com ele? O senhor mantém contato com ele ainda? O senhor conversa com ele? Já conversou com ele sobre as Investigações?

 

Presidente: Você sabe que não conversei com ele sobre as investigações. Agora vou dizer uma coisa claramente que eu tenho dito ao longo do tempo. Eu o conheço desde 1984 e nunca neguei essa relação e vou explicar. Em [19]84, eu fui secretário da Segurança Pública, no governo Montoro. E ele era na época major e ajudante de ordens lá na Secretaria da Segurança Pública e fez comigo a melhor das relações. Tanto que, quando terminou lá o meu, enfim, a minha presença na Secretaria da Segurança, eu era candidato a deputado constituinte, e ele até fez uma coisa extremamente útil na ocasião, porque ele tinha boa relação com o Coronel Viana, que era comandante da PM naquela época, e ele logo fez uma conexão, uma espécie de dobradinha: eu, deputado federal, e o coronel Viana, candidato a deputado estadual. Ao longo do tempo, o coronel Viana acabou desistindo da candidatura, e eu segui à frente e fui eleito para a constituinte naquele primeiro momento. Desde então, ele estabeleceu uma relação de muita fraternidade, muita amizade comigo, eu nunca neguei este fato. Como ele era extremamente organizado, já na época, ele era arquiteto, logo em seguida, aposentou-se, montou um escritório de arquitetura com outros sócios. Mas em cada campanha que havia, ele vinha com dois ou três servidores, enfim, servidores lá no escritório, e organizava administrativamente a minha campanha. Isto foi em [19]90, [19]94, [19]98, 2002, enfim, em todas as campanhas.

Então mantinha uma relação muito especial com ele. Aliás, com ele e um  outro coronel da PM já aposentado, que era o Júlio Bono, que era da mesma época. Ambos me acompanharam. O Júlio Bono até tinha uma relação funcional comigo, com as funções que ocupei, mas ele, João Batista Lima Filho, não teve relação funcional, que tinha atividade empresarial dele. Então, tinha um ótimo contato com ele, jamais neguei isso. Lamento muito que esteja acontecendo com ele. Vou dizer a você, a empresa dele tem uma fazenda no interior, você sabe quantas vezes foi invadida a fazenda dele pelo MST, esses movimentos todos? Cerca de cinco vezes. E sobre ter sido invadida, ainda praticamente destruída. A cada momento que entram lá, a notícia que eu tenho é que levam tudo que tem dentro. E sobre levarem tudo, ainda matam lá bois etc. E também fazem outras coisas que aqui são, digamos assim, não contáveis, não se pode contar certas barbaridades que fazem na sede da sua fazenda. Então, coitado, ele acabou sendo vítima dessa relação que teve comigo ao longo do tempo. Foi  isso que aconteceu.

 

Jornalista: Presidente, ainda correlato a esse caso, tem um amigo seu, o advogado José Yunes, que foi personagem de um episódio em que recebeu um envelope, que ele disse que não sabe o que tinha dentro. Quem entregou disse que tinha dinheiro no envelope. O senhor é amigo de José Yunes há muito tempo? Ele comentou com o senhor sobre o porquê não teve a curiosidade de saber o que tinha dentro do envelope?

 

Presidente: Em primeiro lugar, eu sou amigo do José Yunes há mais de 50 anos. Nós fomos colegas na faculdade, são coisas que eu não nego, ao contrário, enalteço, que  são amizades antigas, aí muito, muito sólidas, muito prósperas. E referentemente a esse episódio, você sabe que o José Yunes foi deputado federal, foi deputado estadual primeiro, depois foi deputado federal. E sempre me acompanhou depois nas campanhas que eu andei fazendo. Porque ele tem uma inclinação política muito acentuada. Mas este episódio, ele me contou depois, que haviam solicitado a ele que recebesse um envelope. Eu até vou fazer um parêntese, um corte, eu lamento que nós estejamos conversando isso, ao invés de sobre o Brasil.

 

Jornalista: Mas nós vamos conversar sobre o Brasil.

 

Presidente: Mas vamos voltar ao Brasil. Mas só para esclarecer esse ponto, você sabe que tempos depois ele me contou esse episódio da pessoa que levou lá um envelope e, aliás, foi entregue à secretária dele, e alguém passou lá depois e pegou esse envelope. Este foi o fato, mas antes ele não me contou absolutamente nada deste fato.

 

Jornalista: Ele não teve curiosidade de saber o que tinha dentro?

 

Presidente: Não, pelo menos na conversa que ele disse, não teve curiosidade nenhuma. Disse que era até um pacote, um envelope. Ficou com a secretária dele como lhe disse e, horas depois, passou alguém que pegou o envelope.

 

Jornalista: Senhor presidente, a Procuradoria-Geral da República pediu a prorrogação deste inquérito por mais 60 dias, e não é impossível que o Ministério Público apresente uma terceira denúncia contra o senhor. O que atrapalharia bastante, acredito, o fim do seu governo. O senhor considera essa possibilidade?

 

Presidente: Não. Não considero por uma razão singela. Em primeiro lugar, convém  esclarecer a vocês e a todos que estão nos vendo ou ouvindo que qualquer denúncia nesse sentido será tão pífia como as anteriores. Todas fruto de uma atividade equivocada do ex-procurador-geral da República, tanto é verdade que o Congresso Nacional, no particular, a Câmara dos Deputados, negou seguimento a essas denúncias, mas essa particularmente, e aqui vai o esclarecimento muito adequado, é interessante, Nascimento, este inquérito nasceu do seguinte fato: eu cheguei ao governo há quase dois anos e, desde então, eu dediquei todo meu espírito, meu coração, meu raciocínio, minha alma, minha administração para chegar ao ponto de um dia expedir um decreto que beneficiasse uma empresa do porto. Esta é a história. Muito bem, este decreto dos portos foi a regulamentação de uma lei produzida em 2013. Era a modernização do sistema portuário. Quando chegou o momento de assinar o decreto, decreto que foi discutido durante seis meses, seis meses pela Casa Civil, pelo Ministério do Transporte, pela Antaq, pela Associação Brasileira dos Terminais Portuários, enfim, longas discussões que o resultaram em mais de 800 páginas de relatórios, atas de reuniões etc.

Quando se chegou a esse ponto, um dia me trouxeram o decreto, para dizer, ali havia dois problemas. Um, uns projetos anteriores, os contratos anteriores a [19]93 e os projetos e contratos posteriores a [19]93. O que é que o decreto disse? Eu me inteirei disso naquele momento. O decreto disse: “olhe, os posteriores à lei de [19]93 são prorrogáveis. Porque eles foram objeto pela licitação. Os anteriores a [19]93 não são prorrogáveis, porque não foram objeto de licitação. Pois muito bem, a partir daí, o eminentíssimo senhor ex-procurador-geral da República resolveu abrir o inquérito para saber se eu tinha, na verdade, beneficiado esta empresa. Não vou rotular a empresa aqui, porque ela já, seguramente, teve muitos prejuízos em face dessa, digamos, irresponsabilidade. Mas em face dessa empresa, abriu-se o inquérito ao fundamento, volto a dizer, de que eu me dediquei toda a minha vida para chegar a beneficiar essa empresa.

Qual foi o primeiro resultado? Então, objetivo do inquérito, e veja em que mundo nós estamos, objetivo do inquérito: presidente da República assinou um decreto para beneficiar uma empresa. Logo de saída, juntou-se ou juntaram seus autos, certidões do Ministério dos Transportes, dizendo: olhe, das cento e tantas empresas que, em princípio, teriam acolhida por esse decreto, esta empresa  não  preenche as condições legais, porque  é contrato anterior a [19]93.

Sobre mais, os depoimentos que se verificaram, todos foram na mesma direção. Então qual seria a conclusão geral? Pelo menos o tempo que eu advogava, porque  hoje as coisas, eu vejo que estão mudando. No tempo que eu advogava, a coisa era o seguinte: você entra, como entrou o meu advogado, uma petição dizendo: “olhe, não se provou nada no inquérito, ao contrário, está provado que o objeto inaugural do inquérito não pode prosperar”. Porque a empresa não foi beneficiada, mas a investigação não  parou aí. Daí começaram a investigar outras coisas, para verificar onde é que pega isso, pega aquilo, chegaram a quebrar meu sigilo bancário e meu sigilo fiscal. Eu não recorri na quebra do sigilo bancário, porque, na verdade, eles iam dizer: “ele está com medo de apresentar alguma coisa”. Não tenho a menor preocupação com isso, sequer poderia recorrer, porque é uma violação enorme a um direito individual estabelecido no artigo 5° da Constituição, não recorri.

Mas, apesar disso, o inquérito não para. Acabaria, antes foram 90 dias, depois mais 30, depois mais 60. O que significa isso? Que os investigadores, quem está investigando, não tem dados suficientes com mais de 150 dias de apuração, digamos, feroz. 150 dias não conseguiu apurar nenhum dado que lhe permitisse um relatório completo para dizer: “olhe, o presidente está incriminado”. Então o que acontece? Ele pede mais 60 dias. Pede mais 60. Posso antever uma coisa, daqui a 60, vai-se pedir mais 60. Qual é o objetivo? É manter o presidente da República inteiramente sujeito a um inquérito que não tem a menor significação. É isto que eu quero dizer em relação à possibilidade da eventual terceira denúncia.

 

Jornalista: Presidente, o senhor mencionou algumas vezes, ao longo dessa última semana, que existe uma campanha deliberada para enfraquecer o governo, enfim, passando exatamente por esse processo. Esse processo é conduzido atualmente, o senhor citou o ex-procurador Rodrigo Janot como um dos personagens, isso até alguns meses atrás desse processo.

 

Presidente: Aliás, não mencionei o nome dele não. Você que está mencionando.

 

Jornalista: Estou explicando talvez aos telespectadores. Mas, atualmente ele é conduzido pela Polícia Federal, cujo chefe o senhor nomeou. A procuradora-geral da República foi nomeada pelo senhor, aprovada no Congresso, e existe um Ministro do Supremo Tribunal Federal que recebeu muitas críticas de integrantes do seu governo, que autoriza, enfim, as ações que são necessárias, as diligências que são necessárias. Essa campanha que existe para enfraquecer o governo, o senhor atribui também a eles? A quem o senhor atribui e qual o objetivo dessa campanha?

 

Presidente: Você sabe que você está dizendo uma coisa curiosa? Porque a primeira afirmação que eu posso fazer a respeito da sua questão é que as instituições do Brasil estão funcionando regularmente. A sua pergunta poderia induzir a seguinte ideia: se eu nomeei o ministro da Segurança Pública, é subordinado ao ministro da Segurança Pública, se eu nomeei a procuradora-geral da República, ela não poderia fazer nada contra mim, e não é assim. Você nomeia em função de um imperativo constitucional, mas quem assume o cargo tem que cumprir suas tarefas. Aí nenhuma crítica. Agora, eu quando faço uma insurgência em relação a isso, eu faço sob o foco do mérito. Eu não faço do foco da função institucional. Aliás, eu apenaria um delegado da Polícia Federal que não cumprisse os seus deveres.

O que me parece é o seguinte: eu vou dizer a você, Bruno. A defesa, o meu advogado de defesa, muitas vezes entra nos autos para pedir vista dos autos ou vista dos documentos. Sabe qual é a resposta? A resposta é que não pode dar vistas, porque o processo está sob sigilo. Portanto, ninguém pode ter acesso ao inquérito. Não há processo ainda. Pois bem, quando há esse despacho, no dia seguinte está na imprensa os dados do inquérito. Então, digo eu, o vazamento é uma coisa criminosa, porque evidentemente que o repórter não entrou lá de madrugada para verificar o inquérito sem que as pessoas soubessem. Alguém vazou. E porque vazou, este é um gesto administrativo incompatível com a função digna que, na verdade, cabe à Polícia Federal.

 

Jornalista:  A propósito, o senhor reclamou disso e incumbiu o ministro da Segurança de descobrir que fez o vazamento. O senhor já sabe?

 

Presidente: Eu não incubi não, eu sugeri. Porque ficou a critério do ministro Jungmann. E o ministro Jungmann não teve a menor dúvida, mandou abrir um inquérito para verificar de onde saem esses vazamentos. Que não é este o único vazamento. Ao longo do tempo, tem havido vazamento que não se sabe se é da Polícia Federal ou de outro setor eventualmente conhecedor do inquérito. Acho que é uma atitude administrativa comum. Eu fui secretário da Segurança Pública aqui em São Paulo duas vezes, quando havia desajustamentos administrativos, eu mandava indicar e apurar.  O Jungmann não fez nada mais do que isso, era o seu dever funcional.

 

Jornalista: Presidente, a gente tem uma pergunta gravada do jornalista de Economia do Estadão, Celso Ming. Vamos ver.

A pior consequência do tráfico de drogas é o aparecimento de focos de governo paralelo, e esses focos acabam sabotando o governo, assim como aconteceu com a liberação dos negócios com bebidas alcoólicas nos Estados Unidos, a liberação da droga não seria um solução para isso?

 

Presidente: Olhe, eu sei que é um tema extremamente debatido. Em primeiro lugar, eu quero consideração em relação à parte inicial do professor Celso Ming. É interessante, essa coisa de um direito paralelo ao Estado. Quando eu estava na faculdade de direito, um professor apresentou uma tese com o seguinte título “Pode haver direito sem o Estado”, ele fazia a demonstração de que estas organizações criminosas têm o direito próprio à margem do Estado, na época citava (...) (...) Italiana. E hoje, no Brasil, estas organizações criminosas têm regras próprias, que funcionam à parte do Estado.

E agora, particularmente, no tocante à questão das drogas, eu sei que é um tema muito debatido, eu, pessoalmente, tendo em vista exemplos de fora, vou dar o exemplo aqui da Holanda, que me disseram, sempre me dizem e eu leio, que houve essa tentativa, mas que não deu resultado. Eu tenho muita preocupação em relação à liberação das drogas, aliás, na própria fala do professor Ming, o que existe exatamente isso, ele diz: “olhe, quando se liberou o álcool, liberar o álcool não foi uma coisa boa”, porque evidentemente que se embebedam etc., cria os maiores problemas.

Ora bem, a partir dessa premissa, o consumo da droga pode criar problemas sérios, não só na atuação social, mas até para a saúde das pessoas, está comprovado de utilização pelo menos indiscriminada das drogas causa maiores malefícios de natureza física.

Então, se eu tivesse que responder, como estou respondendo agora, aí eu diria: “olhe, não acho útil que neste momento liberem as drogas”. É possível, veja bem, como há uma graduação das drogas, se tem maconha, que hoje é até usada para fins medicinais, quem sabe você poderia examinar esse aspecto medicinal para a liberação, não é? Mas outras drogas mais pesadas, eu acho extremamente preocupante a sua liberação.

 

Jornalista: Presidente, por falar em poder paralelo, eu queria saber se o senhor ficou surpreso em saber essa tragédia que aconteceu no prédio em São Paulo, que era um prédio da União e que acontecia lá um tipo de poder paralelo, um movimento, tido movimento social, que ocupa e cobra até R$ 350 de aluguel ou de R$ 400 de aluguel desses sem teto. Isso é uma espécie de poder paralelo, a gente pode dizer. Quero saber o seguinte: a União já vem discutindo a questão de vender imóveis? Eu queria saber como é, em que pé que está essa discussão? Vai ter a venda ainda no seu governo? Como é que vai ser isso? E também uma análise crítica de como que há tantos anos essas pessoas estão vivendo em um prédio da União e a gente não tem controle sobre isso?

 

Presidente: Neste episódio do prédio, você sabe que a União tem muitos prédios aqui em São Paulo. Mas exatamente em função deste prédio, o que houve no passado, foi 2013/2014, foi uma reintegração de posse proposta pela União e bem-sucedida. Tanto que se fez naquele período, 2014/2015, 2014, penso eu, recebi essa informação da advogada-geral da União, houve a reintegração de posse deste prédio. Depois eu vi contatos do município de São Paulo com a União Federal, de modo, digamos assim, não houve uma cessão formal, mas que o município pudesse utilizar esse prédio. E depois, talvez em 2015 ou 2016, houve nova ocupação do prédio. Veja que a essa altura, já não sob o comando direto da União federal. E quando aconteceu esta tragédia, o que se pode fazer e está se fazendo na União federal é colocar a Defesa Civil, está o Ministério da Integração Nacional, em contato com a Defesa Civil do estado, com a  Defesa Civil do município, para amparar aqueles que foram vítimas dessa tragédia.

 

Jornalista: Só complementando a pergunta, vai haver a venda de vários imóveis no Brasil? Eu lembro que eu li recentemente notícias de que está havendo essa discussão até para reforçar o caixa?

 

Presidente: Esse é um tema recorrente, viu, Débora? A todo momento se fala nisso A venda dos imóveis da União. Evidentemente que este fato vai, digamos assim, aguçar mais ainda a administração pública, no particular o Ministério do Planejamento, que cuida disso, para tentar a venda desses imóveis. Porque há imóveis da União ou que estão desocupados ou os que já estão superados. Eu acho que isso vai ser incentivado nesses últimos tempos.

 

Jornalista: Está certo, a gente vai ter que fazer um intervalo rápido, mas daqui a pouquinho a gente volta com presidente da República, Michel Temer.

Presidente da República, Michel Temer. Presidente,  o senhor acha que vai dar tempo de aprovar o Cadastro Positivo no Congresso?

 

Presidente: Olhe, Débora, o presidente Rodrigo Maia, ele está empenhadíssimo  em aprovar o Cadastro Positivo. Me disse que seguramente na semana vai ser possível votar o Cadastro Positivo. E, além disso, eu devo acrescentar que nós conversamos sobre outros tantos temas.

Por exemplo, a reoneração da folha. Há um projeto, há um relatório muito adequado que depois eu posso vetar ou não vetar. Mas há um relatório muito adequado, feito pelo deputado Orlando Silva, se não me engano, que está para ser aprovado. Então falamos sobre isso, falamos sobre a reoneração, falamos sobre duplicata eletrônica, falamos sobre Eletrobras, que ainda está na comissão, a capitalização da Eletrobras, são temas que ele pretende levar adiante nestas próximas semanas. Até por uma razão, nós temos agora uma parte do mês de maio e uma parte do mês de junho, porque especialmente depois do dia 20, você tem as chamadas festas juninas lá no Nordeste, cai muito o quórum. Então, digamos, tem esse período de um tempo de maio, um tempo de junho para estas aprovações. O entusiasmo do Rodrigo Maia, do presidente Rodrigo Maia, é muito grande. E eu acho, como ele fará  reunião de líderes, e eu farei também, aliás, eu devo registrar que, no caso do débito do fundo garantidor, que era um empréstimo feito no passado à Venezuela, aliás, perdão, era uma garantia de empréstimo de exportação feita à Venezuela e Moçambique, nós temos que aprovar esta matéria, Nascimento, até até o dia 8, porque no dia 8, se não pagarmos, o Brasil torna-se inadimplente, chama-se (...). E o que aconteceu? As pessoas diziam: “não, não vai conseguir. O Temer não vai conseguir ter quórum na quarta-feira, porque é logo depois do feriado”. Tivemos quórum e tivemos a provação.

Interessante, isto eu vejo que não se registra. É um fato, digamos, comum, mas tido como extraordinário, porque ninguém acreditava que daria (...). Deu quórum e aprovou.

 

Jornalista: E está registrado.

Jornalista: Presidente, na verdade, o senhor vai pagar essa dívida para o Brasil não ficar mal aí no cenário internacional, mas está pagando 1 bilhão com um dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador. Como é possível isso?

 

Presidente: É possível porque, vou explicar a você. Porque é um excesso do Fundo de Amparo ao Trabalhador, sabe que não prejudica nada em relação ao trabalhador. É uma, claro que são aspectos econômicos, mas eu chamei exatamente com essa sua preocupação, eu chamei a área econômica e disse: “como é que é isso?” Mas esta é uma demasia, um excesso do Fundo de Amparo ao Trabalhador, portanto, não vai causar prejuízo nenhum para o Fundo.

 

Jornalista: Com detalhe que a obra ou as obras não foram feitas no Brasil, não é?

 

Presidente: Sim, coisa dos governos passados.

 

Jornalista: Presidente, já que o senhor está falando de economia, nos últimos dias, nas últimas semanas, alguns indicadores econômicos não foram tão positivos como alguns analistas esperavam. O desemprego continua alto, o dólar agora inclusive valorizado por conta do cenário externo, inclusive. Muitos elementos indicam que o PIB talvez não cresça 3% como era previsto. Gostaria que o senhor falasse sobre isso e também, aproveito já que o senhor mencionou, para falar da Eletrobras.

Vamos cortar a pergunta, ele responde essa, e depois a gente volta para você. E você pergunta de Eletrobras. Só para a gente não se alongar.

 

Presidente: Eu vou tratar dessa questão do emprego, é uma coisa curiosa. Veja bem, o emprego com carteira registrada em janeiro chegou a cerca de 79 mil carteiras registradas, mais ou menos por aí. No mês de fevereiro, 66 mil, 67 mil; no mês de março, 57, 58 mil carteiras assinadas, estou falando de empregos formais.

Agora, neste mesmo período, ou seja, nestes quatro, cinco meses, o que houve de abertura de postos de trabalho, postos de trabalho significa emprego informal, ou atividade retomada, como, por exemplo: venda de hambúrguer, cabeleireira etc. não é? Que as pessoas começaram a retomar, porque houve consumo, porque se não houver consumo, ninguém compra hambúrguer, ninguém vai ao cabeleireiro etc.

Pois, muito bem, neste tópico dos postos de trabalho, nestes cinco meses, houve uma retomada cerca de 1 milhão e 500 mil postos de trabalho, primeiro ponto. Segundo ponto, esses dados que eu acabei de apontar são dados do chamado Caged, que é um órgão do Ministério do Trabalho. Agora, o IBGE, quando faz o levantamento e indica “o desemprego aumentou”, sabe porque aumentou? Por um dado positivo, é que como a economia cresceu, as pessoas desalentadas, que não procuravam emprego, começaram, alentadas que ficaram, começaram a procurar emprego, e como não há, agora sim eu reconheço, como não há ainda emprego suficiente, quando a pessoa procura emprego e não encontra, ele entra na margem de desempregados. Veja, eu estou dando dados concretos, números efetivos do Ministério do Trabalho e a mesma conclusão do IBGE. Tanto que, interessante, essa sua preocupação foi a minha, porque eu não sou economista, mas a essa altura tem algumas luzes em função da atividade que exerço. Chamei a área econômica e a área do trabalho, e eles me deram exatamente essa explicação, ou seja, ah, e outro ponto, se me permite, é interessante, as pessoas diziam assim, quando nós pegamos o governo, nós tínhamos um índice negativo do PIB de menos 3.6, você sabe disso, no primeiro ano aumentou 1.1, ou seja, subiu 4.7 para o positivamente. Depois, diz: “bom, agora neste ano a previsão é de 2.5 a 3%”, como agora se fala em 2.75, “meu Deus, a economia está um desastre, porque vai aumentar apenas 2.75”, isso não é um desastre, Fernando. Na verdade, talvez não dê os 3%, mas vai dar o aumento de 2.75, ou seja, aumentando de 1.1 para 2.75.

Eu, com devida vênia, eu tomo a liberdade de dizer que estas concepções, elas desestimulam porque elas acabam criando uma coisa negativa, no sentido de que, “meu Deus do céu, a economia vai indo mal”, ela não vai indo mal, ela está se recuperando pouco a pouco. Você veja, eu não tenho dois anos de governo. Em 12 de maio, e se eu quisesse relatar aqui, o que nós fizemos ao longo do tempo, porque aqueles que criticam, ou que querem, ou que não querem, não querem a inflação, como ela está, inflação pequena, não querem os juros de 6.5, com tendência à queda, não querem o teto dos gastos, porque querem gastar à vontade, não querem a reforma do Ensino Médio, não querem a moralização das estatais. Veja o que aconteceu com a Petrobras, veja o que aconteceu com Banco do Brasil. O Banco do Brasil recentemente, Débora, o Caffarelli me ligou e disse: “presidente, quero lhe dar uma boa notícia, quando nós chegamos aqui, a ação do Banco do Brasil valia R$ 15,00, hoje vale R$ 45,00”, ou seja, o patrimônio público referente ao Banco do Brasil estava em R$ 35 bilhões, hoje está em R$ 125 bilhões.

Eu não estou falando de um governo de quatro anos ou de oito anos, eu estou falando de um governo de dois anos, com uma oposição ferocíssimo.

 

Jornalista: Presidente, só para recapitular aqui, estamos em um domingo à noite, um tema árido como a economia. Mas o senhor disse, eu estou entendo que a previsão agora para o PIB neste ano é de 2.75, mais ou menos, é isso?  

 

Presidente: Deixa eu dizer a você, porque se eu disser isso tão afirmativamente, Fernando, quando der 2.68, vão dizer a economia vai mal, porque, ao invés de 2.75, deu 2.78, está em torno de 2.5 a 3.0% essa é a ideia que tem sido lançada pela área econômica.

 

Jornalista: O senhor citou 2.75, deve ser esse centro aí mais ou menos?

 

Presidente: Que é o que está se falando hoje, talvez por aí.

 

Jornalista: O senhor vai ser candidato à presidência, à reeleição? Está ajudando a compor uma chapa de centro, e se isso for verdade, quem é o candidato? Quem seria?

 

Presidente: Pois é. Olha aqui, Nascimento, você fez uma pergunta muito interessante. É o seguinte: em primeiro lugar, acho que o tema central é o tema da continuidade, porque, se houver descontinuidade, nós não vamos nem aprovar a reforma da Previdência, não é? Porque nós tivemos que paralisar a reforma da Previdência, que ao lado dessas todas que eu mencionei, é uma reforma fundamental para o País, que poderá ser feita eventualmente ainda neste ano ou será feita no ano que vem, porque, volto a dizer: eu coloquei a reforma da Previdência na pauta política do País, ela pode ter saído da pauta legislativa, mas não saiu da pauta política do País, primeiro ponto. Segundo ponto, a questão da candidatura é uma questão que pode ser definida até o mês de julho. Terceiro ponto, você tocou no fundamental que… Veja bem, eu sou muito avesso a rótulos, não gosto de rótulos, extrema esquerda, extrema direita, centro, eu acho o que as pessoa deveriam fazer era cumprir a ordem jurídica brasileira, cumprir a Constituição, o que diz a Constituição. Mas as pessoas ficam extremando. E, veja, eu vejo uma certa irresponsabilidade em certas coisas que são ditas por alguns candidatos, porque não são coisas responsáveis.

Então, digo eu, se nós quisermos usar o centro, nós temos que, não podemos ter sete ou oito candidatos naquilo que se chama centro, o ideal dos ideais é que haja uma conjugação de diálogo político, conversas, afinal a classe política precisa se mobilizar para que escolha um nome de centro. Aqui nós produzimos dois efeitos. Em primeiro lugar, nós teríamos um candidato de centro fortalecido, primeiro ponto. Segundo ponto, nós teremos uma coisa melhor para o eleitor, porque, se nós quisermos nos prender a rótulos, nós, olha: “bom, tem um candidato que é de extrema direita, tem um candidato que é de extrema esquerda e tem o candidato de centro”. Fica muito mais fácil para o eleitor decidir o que ele quer para o País.

 

Jornalista: Presidente, o senhor pretende liderar esse processo de unificação? Pretende dar sinais de que pode abrir mão da sua candidatura para construir uma …?

 

Presidente: Se for necessário, eu abro com a maior tranquilidade, porque o que está em pauta é o País, não são as candidaturas. Agora, se você me perguntar como se vai conseguir isso com os vários candidatos, eu não sei. Não é uma coisa fácil. Eu reconheço que não é fácil. Mas ela é racional.

 

Jornalista: Mas, presidente, o Senhor apoiaria, por exemplo, a candidatura de Geraldo, do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que foi contra o PSDB permanecer no seu governo?

 

Presidente: Eu não teria dificuldade não. Sabe porque, Débora? Me perdoe dizer isso, mas as pessoas no Brasil pensam de maneira muito pequena. Então, veja, ele realmente saiu do governo em um dado momento, embora tivesse participado ativamente do governo. Você sabe que eu dei um dos principais ministérios do governo, que é o Ministério das Cidades, um dos mais poderosos para o PSDB. E o PSDB, naturalmente, desfrutou desta possibilidade. Mas, é interessante, as pessoas chegam e dizem: “olha, agora, como ele saiu do governo, você não apoiaria?” Por que não apoiar? Se houver uma conjugação política nestes termos que eu estou dizendo.   Se houver algo que seja útil para o País, e daí a história da união de todos os candidatos de centro. Por que não apoiar? Não vejo razão para não apoiar. Mas não quero dizer que venha a ser ele o candidato, pode ser que não seja. Pode ser que seja outro, eu ou outro candidato.

 

Jornalista: Não pretendo aqui que o senhor se autoexclua, mas além do seu nome, que eu acho que o senhor considera, quem são esses seis ou sete nomes de centro que o senhor considera conceptivos?

 

Presidente: Naturalmente o ex-governador Geraldo Alckmin, Meirelles, o Flávio, Flávio Rocha, o Afif Domingos, que são candidatos, o Rabello, Paulo Rabello de Castro, são tantos que fica até difícil.

Jornalista: O senhor esqueceu o Rodrigo Maia.

 

Presidente: Rodrigo Maia, com toda certeza. Ele tem postura para isso.

 

Jornalista: E acredita-se que se o ex-presidente do Supremo Tribunal, o ministro Joaquim Barbosa, viesse a concorrer à presidência, alteraria-se muito esse quadro que é conhecido hoje, não é? Por ser, é um negro pela primeira vez se candidatando à presidência, com chances de ser eleito, ter sido presidente do Supremo, por ter tido uma infância pobre, depois venceu na vida e tal. O senhor concorda com isso? Que seria tudo diferente?

 

Presidente: Em primeiro lugar, se você me permite, eu não concordo com o fato de ele ser presidente porque é negro. Nem ser presidente porque foi pobre. Pobre eu também fui. Eu tive uma infância, parece que não, mas eu para ir à escola andava 6 Km diariamente, para ir para voltar. Eu morava naquilo que no interior se chamava sítio. Ou seja, algo que estava fora do perímetro urbano. O Lula foi pobre, não é verdade? Não é esta a razão que vai fazer com que fulano seja ou não seja presidente. O que deve fazer de alguém presidente, e isto o eleitor vai meditar, eu tenho absoluta convicção disso, Nascimento, ele vai entrar e vai dizer: “eu confio nesse sujeito, porque eu sei que ele vai fazer o melhor para o País”, primeiro ponto. Segundo ponto, “eu confio nesse sujeito, porque eu sei que ele não vai radicalizar”. Porque a história do nós contra eles é muito prejudicial para o País. Eu, desde o primeiro momento, tenho pregado a pacificação do Brasil. Não é possível acontecer mais isso, está acontecendo no Brasil uma, vamos dizer assim, vou usar um neologismo talvez, mas verdadeiro, uma raivosidade que toma conta das pessoas, do tipo “nós queremos vingança”. E não é isso que o Brasil precisa. O Brasil precisa de harmonia. Eu acho que o eleitor vai olhar para isso e pode olhar para o Joaquim Barbosa, que tem esses atributos todos que você mencionou, especialmente ter sido presidente do Supremo Tribunal Federal, e dizer: “ele cumpre ou vai cumprir estas funções. Um sujeito equilibrado, moderado, sensato e portanto pode-se votar nele”, ou no outro que seja equilibrado, moderado, sensato, mas especialmente dirá o eleitor: “eu posso não gostar desse governo que hoje está aí”, que é o meu governo, “mas quero que continue aquilo que o governo tá fazendo”.

De de vez em quando, eu ouço deputados que me dizem: “é interessante, Temer, eu vou às localidades, muita gente diz assim: ‘olhe, se não for o Temer, nós não queremos o Temer’”, muito bem, até pode dizer isso. “Mas nós queremos um novo governo Temer. Nós queremos que continue.” Então, a tese da continuidade é uma coisa fundamental.

 

Jornalista: Mas qual o impacto terá a entrada de Joaquim Barbosa na disputa na sua opinião?

 

Presidente: No momento atual, um impacto de pesquisa. Pesquisa de hoje, não é pesquisa de amanhã. Mas o impacto na pesquisa de hoje de que o nome dele é bem recebido.

 

Jornalista: Presidente, eu vou chamar mais uma pergunta, dessa vez do Alexandre Shweitzer, colunista da Folha de São Paulo. Vamos ver.

O que a gente vê é que depois de um longo período de certa estabilidade, os gastos com funcionalismo voltaram a crescer. E voltaram a crescer no seu governo. Que as decisões que foram tomadas lá em maio de 2016, de dar esse reajuste salarial, estão nos custando muito caro agora. Eu quero saber como é que o senhor avalia essa decisão à luz do que nós sabemos hoje ?

 

Presidente: De duas maneiras, Shweitzer, de duas maneiras. Em primeiro lugar, quando eu assumi, vocês se recordam, eu assumi em função da determinação constitucional. Vocês sabem quanta oposição houve, a história do golpista etc. etc., como se alardeou a história de que sequer se estava cumprindo a Constituição Federal, primeiro ponto. Segundo ponto, quando eu cheguei lá, eu verifiquei que a senhora presidente anterior havia assinado vários acordos, com várias categorias e não era promessa verbal, oral, era um documento escrito. Então, eu disse: “meu Deus do céu, como que eu vou fazer para não cumprir, neste momento que eu assumo, um documento escrito pelo governo anterior, escrito pelas categorias e pelo governo anterior?” Então, o que é que eu fiz? Eu tive que cumprir aquele compromisso. Mas, efetivamente, ao longo do tempo, não houve mais aumento, ao longo desse período todo não houve aumento, no ano passado não houve aumento, e neste ano, eu resolvi até suspender um aumento, uma nova parcela, que seria paga neste ano.

Mas, legitimamente, o Supremo Tribunal Federal reuniu-se pela voz e pelo despacho de um eminente ministro do Supremo Tribunal Federal, suspendeu-se a medida provisória que eu havia editado, suspendendo esses pagamentos.

Então, eu tenho que aguardar agora, Shweitzer, a decisão do Supremo Tribunal Federal, que, na verdade, volto a dizer, suspendeu a suspensão do aumento.

 

Jornalista: Presidente, a gente vai fazer mais um intervalo. E daqui a pouquinho a gente volta com o presidente da República, Michel Temer.

Estamos de volta com a entrevista com o presidente da República, Michel Temer.

Presidente, vai ter anúncio de diminuição de preço de combustível e energia?

 

Presidente: Olha, eu vou dizer a você, o Moreira Franco assumiu agora o Ministério de Minas e Energia, está empenhado nessa tarefa, eu não tenho naturalmente ainda os resultados. Mas, evidentemente, se for possível reduzir o preço, nós o faremos.

 

Jornalista: Presidente, um pouco de medo, porque, a última vez que um presidente da República anunciou a diminuição do preço da energia, acabou sendo um desastre.

 

Presidente: Por isso que eu não anuncio. Exatamente para não causar o desastre. Mas há estudos nessa direção, nós sabemos quanto o custo da energia muitas vezes alcança especialmente os mais vulneráveis, os mais pobres.

 

Jornalista: Seria por redução de tributos?

 

Presidente: Eu ainda confesso, viu, Bruno, não sei ainda. Eu sei que o Moreira está dedicado a esse tema, verificar qual é o caminho, se houver um caminho, nós faremos isso.

 

Jornalista:  Mas, se acontecer, deve ser neste semestre ainda?

 

Presidente: Olhe, se acontecer, tem que acontecer neste semestre, ou dá neste semestre ou não dá mais.

 

Jornalista: Ou não dá mais.

Eu queria retomar a pergunta sobre a Eletrobras, que é uma estatal federal muito grande de energia, está no processo de receber capitalização, enfim, aumentar o capital privado alí dentro. Mas há dúvidas. As distribuidoras da Eletrobras estão endividadas, precisam ser vendidas antes para preparar o terreno. Teve um caso agora no Amazonas em que a Eletrobras tentou solucionar, está tentando lá, a dívida é de R$ 17 bilhões da Eletrobras com a Petrobras. O TCU ainda não disse como resolver tudo isso. O senhor acha que há tempo e como será feito para que haja tempo e seja aprovado no seu governo?

 

Presidente: Bom, em primeiro lugar, antes da capitalização da Petrobras, da Eletrobras, aliás, é preciso realmente fazer a transferência, leilão, dessas distribuidoras de energia. Isto já foi objeto de um ato normativo, está sendo tratado. Há embaraços, como você disse, no Tribunal de Contas, aí nesse particular nós precisamos esperar a decisão do Tribunal de Contas. E quanto a esse débito da Eletrobras com a Petrobras, ela já está sempre equacionada. Sabe caminharam muito…

 

Jornalista: Mas de onde vai vir tanto dinheiro?

 

Presidente: Perdão…

 

Jornalista: De onde virá tanto dinheiro? Porque a Eletrobras pagar 17 bilhões…

 

Presidente: É, mas haverá um meio de parcelar, alguma coisa dessa natureza. Eles estão trabalhando para equacionar esse débito. Agora particularmente no tocante a Eletrobras, na verdade você usou bem a expressão, não é exatamente uma privatização, é uma capitalização, conservando à União a chamada (...), quer dizer, qualquer modificação que venha a ser feita, dependerá sempre da vontade da União. Mas esta capitalização é fundamental, que, em primeiro lugar, ela trará recursos para a União. E, seguramente, uma administração bem-sucedida, como foi o caso da Vale e outras empresas, primeiro ponto. Segundo ponto,  Se você não conseguir capitalizar a Eletrobras, será a União que terá que colocar dinheiro na Eletrobras. Então causa um prejuízo brutal para o Estado brasileiro.

 

Jornalista: Presidente, eu não tenho dúvida de que todos os assuntos que estamos  tratando aqui são extremamente relevantes, mas como jornalista e como cidadão também não tenho dúvidas de que o grande problema hoje no Brasil é a insegurança pública. As pessoas têm muito medo de fazer qualquer coisa. Ainda esta semana o nosso jornal SBT Brasil mostrou cenas no Rio de Janeiro de famílias tendo que se deitar debaixo do carro para se proteger de tiros na linha amarela. Já são decorridos quase três meses da intervenção federal na segurança do Rio. O que é que está faltando para essa intervenção ter resultados mais concretos?

 

Presidente: Não falta absolutamente nada, Nascimento. Vou dizer a você, em primeiro lugar, nós acabamos decretando a intervenção federal parcial. Como você sabe, apenas um sistema da Segurança Pública e no sistema penitenciário. Aliás, eu chamo essa intervenção de internação cooperativa, porque, na verdade, o próprio governador Luiz Fernando Pezão esteve comigo solicitando essa intervenção. E, é interessante, viu, Nascimento, porque, ao longo do tempo, nós colocamos lá as Forças federais. Não só a Polícia Federal, Força Nacional mas também as Forças Armadas. Mas qual era o problema? O problema era de administração da Segurança Pública no Rio de Janeiro. Por isso que o governador Pezão acabou não só concordando, mas até solicitando a intervenção  federal. Então quando se fez a intervenção federal, tomou-se conta da administração. E a primeira reação, eu devo dizer, isto é mais do que natural, eu falo com a experiência, eu tomo a liberdade de repetir, de quem presidiu a Segurança Pública em São Paulo duas vezes. A primeira consequência é a reação da criminalidade. Você sabe que a criminalidade reage violentamente. Agora, houve resultados muito positivos.

 A primeira coisa é que a presença lá das forças federais, causa – segurança também é sensação – começa a causar uma sensação de segurança, primeiro ponto. Segundo ponto, houve lá no morro Vila Kennedy, por exemplo, as Forças de segurança, quando eu digo as Forças de segurança, eu estou dizendo as Forças federais, a Polícia Militar e a Polícia Civil, está tudo, eles estão todos trabalhando conjugadamente. Lá na Vila Kennedy eles estão pacificando aquela região.

Outro fato, em vários outros morros, você sabe que as milícias ou a criminalidade colocava barras de acesso, barras de concreto até para impedir o acesso, porque fazia-se a cobrança de aluguel. Contou-me até há poucos dias alguém  que está na Segurança Pública que um sujeito lá colocou uma lan, computadores, em um barraquinho lá etc., chegou alguém lá e disse: “olha aqui, você precisa pagar R$ 400,00 por mês. Se não, nós vamos destruir isso daí”,”mas, poxa, isto aqui é para minha sobrevivência”, “não tem conversa, ou você faz isso” – veja a que ponto chega a criminalidade.

Estas questões todas estão sendo enfrentadas pela Segurança Pública. Agora, quando você toma atitudes dessa natureza, e eu falo por experiência própria, você não imagina que a simples tomada de decisão por escrito já resolve o problema da Segurança Pública. Você precisa levar algum tempo para obter os resultados. Agora, eu não fiquei apenas, Nascimento, na questão do Rio de Janeiro, eu verifiquei que no País todo a insegurança pública é muito grande. Aliás, nós havíamos já providenciado a presença das Forças Armadas em onze estados brasileiros por causa do pedido da chamada GLO, a chamada Garantia da Lei e da Ordem que os governadores nos solicitavam.

Então, diante desta realidade, o que que eu fiz, eu fiz algo que há muito tempo se pede, há muito tempo se cogita e que ninguém teve coragem de fazer, criar um Ministério da Segurança Pública. Para quê? Para invadir as competências dos estados? Não, não podemos fazê-lo. Para coordenar e integrar a Segurança Pública em todo o Brasil. E é o que está fazendo com muito sucesso já o nosso ministro Raul Jungmann. Então nós resolvemos enfrentar este tema, ou seja, colocar frente a frente esse tema com o Governo Federal.

 

Jornalista: Até porque, se são 11 estados que precisam das Forças Armadas na Segurança Pública…

 

Presidente: Precisaram, né…

 

Jornalista: Quase a metade do País. Isso significa que a Polícia, o sistema prisional, está tudo errado, não é, presidente? Tem que mudar alguma coisa aí para melhorar não é?

 

Presidente: Você sabe, Nascimento, que é uma coisa curiosa, os serviços de inteligência do Brasil, que é fundamental para o combate à criminalidade, especialmente hoje, que a criminalidade é muito organizada. Nós falávamos aqui até do direito paralelo ao Estado.

Quando eu cheguei no governo, eu verifiquei que a própria inteligência da Segurança Pública não se comunicava entre si, tanto que o general Etchegoyen, que comanda hoje o Gabinete de Segurança Institucional, falou comigo e ele começou a tratar da integração da inteligência na área federal, o que nós estamos fazendo inauguralmente, inicialmente é integrar as inteligências  dos vários estados brasileiros com União Federal, porque se não, não basta apenas ter soldado na rua ou policial civil investigando, é preciso uma coordenação da inteligência para combater a criminalidade.

 

Jornalista: Uma questão prática, dia 31 de dezembro deste ano termina a intervenção da Segurança Pública no Rio. No dia 1° de janeiro de 2019, toma posse o novo governador eleito no Rio. O senhor está disposto a discutir antes da posse desse governador eventualmente prorrogar um pouco para que ele não tome posse com as Forças Armadas se retirando?

 

Presidente: Disposto a discutir, eu estou, viu, Fernando.

 

Jornalista: O senhor acha que isso vai ser necessário?

 

Presidente: Não, não creio que venha a ser necessário. Mas, você sabe que o diálogo é um dos fundamentos do meu governo. Aliás, tudo que nós conseguimos ao longo do tempo, dialogando com o Congresso Nacional, dialogando com a sociedade, nós conseguimos por meio desse diálogo. Então, necessariamente, nós vamos fazer esse diálogo, agora, evidentemente, que eu preferia deixar isso para um eventual novo presidente, um novo presidente verifica, e um novo governador, verificam o que devem fazer. E é interessante, até vou aproveitar a sua pergunta para contar um fato curioso. Eu estive recentemente na Cúpula das Américas, onde eu tive contato com mais de 16, 15 ou 16 chefes de Estados, e lá eu percebi, Fernando, a admiração, o otimismo com o que os chefes dessas ações estrangeiras olham o Brasil nestes últimos dois anos, dois anos na Argentina, na Argentina o presidente Macri me disse: “Temer, como você conseguiu chegar a uma inflação inferior a 3%, nós estamos com inflação lá na Argentina de 25% ao ano”, agora ontem ainda os juros chegaram 40% ao ano, não é verdade? Ele disse: “como que você conseguiu tudo isso?” Eu disse: “Macri, foi com diálogo, eu dialoguei com o Congresso, dialoguei com a sociedade para fazer por exemplo a modernização trabalhista”. Ele disse: “mas lá eu tento diálogo, é complicado, etc.” O que eu quero dizer: as pessoas lá fora veem o Brasil com maior otimismo do que nós nos vemos aqui no Brasil.

 

Jornalista: Presidente, o senhor está prestes a completar dois anos de governo, qual que é a avaliação honesta que o senhor faz, sincera desse governo?

 

Presidente: Muito positiva, muito positiva. Você sabe que, é interessante, foram tempos viu, Debora, de muito, digamos assim, de sofrimento pessoal, porque o ataque sob o ângulo moral, veja bem, não é o ângulo político, no ângulo político eu estou acostumado. As brigas políticas são mais do que necessárias, mas houve um ataque de natureza moral, o que me, e olha que eu tive uma vida, graças a Deus, uma vida universitária, uma vida profissional, uma vida política de muita exação, de muita higidez profissional.

Mas, entretanto, quando cheguei à Presidência da República, não sei o que aconteceu que resolveram me desmoralizar. Tem campanhas montadas aí a mãos cheias, com uma força, com uma crueldade, com uma, com um entusiasmo para derrubar o presidente da República, para desmoralizar o presidente da República. E eu digo, eu só resisto, eu resisto, precisamente, porque se eu não resistir, eu estou me declarando autoculpado.

 Então, eu digo a você, eu tenho muito gosto de ter sido, estar como presidente da República pelo que eu fiz, muitas das coisas eu já relatei aqui. Das várias reformas institucionais que nós fizemos ao longo do tempo, que ninguém teve coragem de fazer. Até o princípio federativo eu levei em conta.

Vejam que, viu, Nascimento, você sabe que os estados, há muito tempo, estavam pleiteando a repactuação da dívida dos estado com a União. Eu cheguei lá três meses depois, chamei os governadores, Fernando, Bruno, repactuei a dívida dos estados brasileiros. Os municípios estavam à míngua. Primeiro, estavam todos inadimplentes, porque não pagavam a Previdência Social. Eu editei uma Medida Provisória autorizando o parcelamento em 240 meses, e os municípios que eram inadimplentes tornaram-se adimplentes. Não tinham dinheiro para fechar balanço em 2016 e 2017. Eu, em primeiro lugar, em 2016, eu partilhei a multa da repatriação para que os municípios pudessem fechar o seu balanço.

Neste ano, eu entreguei R$ 2 bilhões pelo Fundo de Participação dos Municípios para, mais uma vez, fecharem e completarem o fechamento de suas contas. Então eu tenho, viu, Débora, muito gosto de ser presidente, especialmente também pelo que fiz na área social. Você veja no caso do Bolsa Família, e uma coisa que eu registro, interessante, quando chega um governo, ele quer mudar o nome dos programas, “ah, vou mudar o nome do Bolsa Família para Bolsa Dignidade”, ou então “eu vou mudar o nome do Minha Casa Minha Vida para Casa Legal”, eu não fiz isso não, eu não tenho esses complexos que permeiam a cabeça da cultura política brasileira.

Bolsa Família é útil? Útil. Minha Casa Minha Vida é útil? Útil. O que que nós fizemos? Nós retomamos estes programas com maior intensidade. Veja que nós entregamos cerca de 40 mil casas por mês, e uma previsão, neste ano, de um projeto que eu estou cuidando com a área econômica, de entregar mais 150 mil casas ainda neste ano. Primeiro Ponto. Segundo ponto, no Bolsa Família, eu fiz dois aumentos. Você sabe que quando cheguei lá, há mais de dois anos, dois anos e meio não se fazia aumento no Bolsa Família. Eu fiz um primeiro aumento e agora, recentemente, um novo aumento.

Então, digo eu, tanto na área, digamos assim, do emprego, do desenvolvimento, como na área social, o nosso governo fez muito. Então eu tenho muito orgulho de tudo que eu fiz no governo.

Agora, só lamento que, moralmente, a tentativa de desmoralização é uma coisa fantástica. Eu vejo, eu leio jornais, claro que eu tenho muito apreço por tudo que eu leio e, até eu digo o seguinte, de vez em quando dizem “ah, Temer, você toda hora defende a liberdade de imprensa”. Defendo mesmo. Sabe por que? Porque nós passaremos, mas a instituição fica. E quem está nas instituições hoje acha que não vai passar nunca. As pessoas passam, mas as instituições têm que ser preservadas.

 

Jornalista: Um pouco antes de ser preso, o ex-presidente Lula disse que o senhor tinha sido vítima de uma tentativa de golpe pela mídia, pela JBS, pelo ex-procurador Rodrigo Janot. O senhor retribui essa solidariedade a ele? Acha que a prisão dele foi injusta?

 

Presidente: Eu acho o seguinte: claro que me agrada ouvir isso, mas eu acho que isso eriçou uma parte da mídia contra mim. Porque quando ele disse isso, as pessoas “ah é? Então eu vou mostrar”, e veio mais em cima de mim. Aliás, foi exatamente depois dessa, são dois fatores: um primeiro, quando eu anunciei a possibilidade de uma pré-candidatura, a campanha contra mim ficou feroz.

E o segundo ponto, foi quando ele disse isso, que eu derrotei A, derrotei B, derrotei C. Eu acho que a violência, até de natureza moral contra mim, aumentou muito.

 

Jornalista: A prisão dele foi justa? O senhor acredita?

 

Presidente: Perdão?

 

Jornalista: A prisão dele foi justa? Do ex-presidente Lula?

 

Presidente: Ah, isto é uma questão do Judiciário. Eu não conheço os autos. Eu confesso a você, eu sou muito cuidadoso nisso porque eu sou da área jurídica. Qualquer palpite que eu der seria um palpite de natureza política e não jurídica. Se eu, para dizer se é justo ou injusto, eu teria que examinar os autos.

 

Jornalista: E a Lava Jato, presidente? Acabou?

 

Jornalista: Presidente. Agora a gente precisa encerrar.

 

Jornalista: Puxa vida, na melhor resposta.

         

Jornalista: Desculpa. Então vai.

 

Jornalista: Para frente ou para trás a Lava Jato?

 

Presidente: Para frente. Sem dúvida alguma. Com todas as cautelas que a Ordem Jurídica determina. Porque quando você ultrapassa os limites da lei, você está abusando da autoridade. Aliás, quando se fala em abuso da autoridade, as pessoas pensam que é abuso em relação ao presidente da República, em relação ao presidente do Senado, em relação a não sei quem. Não é isto não.

O abuso de autoridade significa ultrapassar os limites da lei. Quem tem autoridade no nosso país é a lei, é a Constituição, não é a autoridade constituída.

 

Jornalista: Presidente, muito obrigada pela sua presença, muito obrigada pelas informações, pelos esclarecimentos. Nossos convidados, muito obrigada pelas perguntas, pela contribuição.

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