Entrevista exclusiva concedida pelo Presidente da República, Michel Temer, ao programa 3em1 da Rádio Jovem Pan - Brasília/DF

Palácio do Planalto/DF, 28 de fevereiro de 2018

Jornalista: Boa tarde a todos vocês aí, do estúdio, boa tarde presidente Michel Temer. Queria agradecer o senhor em nome da Jovem Pan por essa entrevista. Aqui diretamente da sala de reuniões do Palácio do Planalto.

 

Presidente: Eu que agradeço a gentileza de vocês me entrevistarem. É uma oportunidade para eu me comunicar não só com vocês, mas certa e seguramente, com milhares e milhares de ouvido e telespectadores da internet, não é verdade? Então eu agradeço muito a gentileza que a Jovem Pan tem comigo.

 

Jornalista: Obrigada presidente. Bom, vamos começar falando do tema do momento presidente: segurança pública. O ministro Raul Jungmann assumiu ontem, e, de cara, já destituiu o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, que tinha sido recém nomeado.

            Eu pergunto ao senhor: o que é o recado que se tenta passar com essa mudança no comando da PF e, a seu ver, o Segovia atravessou o samba ao tentar interferir em um inquérito em andamento?

 

Presidente: Olha ele fez um trabalho muito correto, muito adequado, ao longo desses praticamente três meses. Mas, o que eu quis evidenciar, foi exatamente o que o ministro da Segurança montaria sua equipe.

            Então, é evidente que chegando lá outro, enfim, o ministro, o ministério é novo, ele haveria de montar a sua equipe, e eu dei autonomia ao Jungmann. Ele conversou, naturalmente, comigo para que isso fosse feito.

E, ademais disso, não houve exatamente uma dispensa, houve um ajustamento, de modo a que o Segovia vai acabar indo para Roma em uma (incompreensível) especial, lá na Itália, logo creio em julho ou agosto, uma coisa mais ou menos assim. De modo que é uma coisa ajustada pelo novo ministro, e o ministro tem que ter realmente a sua equipe. Daí, a mudança em relação ao diretor do Departamento da Polícia Federal.

 

Jornalista: A PF ganhou muito protagonismo nos últimos anos, e ela é muito ciosa da sua autonomia. Houve um ruído com ex-diretor-geral quando ele deu declarações acerca do inquérito em andamento, e esse inquérito tinha o senhor entre os investigados. Como o senhor viu esse episódio? E para esclarecer aqui de uma vez por todas: a nomeação teve conotação política? porque se dizia muito que ele era ligado ao nomes do MDB.

 

Presidente: Zero de conotação política. Você sabe Vera, que  o  nome dele foi trazido, até, convenhamos que foi trazido por cinco ou seis associações da Polícia Federal. Vários setores da Polícia Federal apoiando seu nome, e mais dois nomes. Eu acabei optando pelo o nome dele, não é?

E depois disseram que houve influência de A, de B, de C, não houve influência nenhuma. Como agora na nomeação do delegado Galloro também não houve nenhuma espécie de influência, a questão é meramente profissional.

 

Jornalista: Então, como eu disse no início da entrevista, a segurança tem ganhado relevo nas últimas semanas. O senhor decretou uma  intervenção  federal, não militar, no Rio de Janeiro, algo inédito na vigência da atual Constituição.

Eu queria saber, o senhor acha que essa saída ela é suficiente para resolver, ou pelo menos encaminhar uma solução para questão da segurança pública no Rio, e se essa prática vai se repetir também em outros estados da federação?

 

Presidente: Olha, em primeiro lugar, no caso do Rio de Janeiro, você sabe que o Rio de Janeiro é uma espécie de vitrine de tudo que acontece no Brasil. Não só no plano interno, como no plano internacional. E os últimos acontecimentos estava indicando uma necessidade de intervenção, que, como você registrou, uma intervenção civil, e sobre ser civil, prevista na Constituição para casos dessa natureza. E nós tomamos todas as cautelas ao decretar essa intervenção.

A primeira delas é que sua amplitude se restringe à questão da segurança pública e do sistema penitenciário. Portanto, o governador Pezão continua governando as demais áreas do estado, primeiro ponto.

Segundo ponto, eu fiz as mais variadas consultas em dois dias para verificar a viabilidade desse intervenção. Inclusive, na área financeira. E, em terceiro lugar, eu pedi emissários meus que fossem ao governador Pezão, porque nós já estamos lá com a chamada GLO, que é Garantia da Lei da Ordem, com as Forças Armadas, há muito tempo lá, mas elas não tinham a administração da segurança pública. Portanto, era apenas uma presença, mas uma presença não, não capaz de comandar toda a área da segurança pública.

 

Jornalista: Nem de sanear eventualmente a corporação?

 

Presidente: Claro, exatamente isso. Então, quando nós resolvemos fazer a intervenção, foi para dar administração da segurança pública e do setor penitenciário para o interventor. E isto foi de comum acordo, porque o governador Pezão veio aqui na noite de quinta-feira, esteve comigo, e até disse: “Olhe presidente, eu peço que decrete a intervenção, porque esta área realmente está muito tumultuada e seria extremamente útil que houvesse essa intervenção”.

Por isso que, ao longo do tempo, tenho chamado intervenção cooperativa. Mas eu quero dizer uma coisa muito importante, viu Vera, é que não é, aliás, duas coisas importantes: uma delas é que, ao lado da segurança pública, do combate à criminalidade, que lá se verifica, também nós queremos ter programas de natureza social. Porque você tem que conectar o combate à criminalidade com programas de natureza social, primeiro ponto.

Segundo ponto. Isso eu disse logo em seguida quando eu estive em uma reunião lá no Rio de Janeiro: esta é uma tarefa que cabe a todos. Por exemplo, lá na reunião que fizemos  no Rio de Janeiro, estava o presidente do Tribunal de Justiça, o procurador-geral de Justiça, o defensor público-geral, o presidente da Assembleia Legislativa, e a sociedade civil representada por vários diretores, de vários segmentos da sociedade do Rio de Janeiro. Eu disse: “Olhe esta é uma tarefa conjunta, não pensem que é apenas vir aqui à interventoria, e isso será suficiente. Precisamos da colaboração de todos”. É um segundo ponto. E permita-me acrescentar um terceiro.

Você sabe que as coisas que acontecem no Rio, elas repercutem muito nos outros estados, e disse eu lá: “Se as coisas desandaram no Rio de Janeiro, será também um exemplo muito negativo para os demais estados da Federação”.

E eu não fiquei apenas a intervenção. Você veja que eu criei o Ministério Extraordinário da Segurança Pública para coordenar e fazer a integração de toda a segurança pública em todo o território nacional.

Então esses pontos são fundamentais, devem serem esclarecidos, para ajudar a dar certo essa intervenção do Rio de Janeiro e, naturalmente, o combate que agora se fará.

Aliás, digo a você, já se sabe, mas eu digo mais uma vez a você: amanhã eu chamei uma reunião dos governadores dos estados brasileiros, para que todos se integrem nessa tarefa. Acho que é um ponto fundamental para o País.

Você sabe que nós, ao longo do tempo, eu acho que a essa altura nós já conseguimos um relativo progresso na economia, na educação, na saúde, em várias áreas. E nós agora precisamos de ordem. Aliás, é o lema do nosso governo, que é o lema da bandeira.

 

Jornalista: Da bandeira.

 

Presidente: Precisamos de ordem. E ordem significa cumprir rigorosamente a lei. Portanto, combater a criminalidade.

 

Jornalista: Presidente essa exortação à ordem combina muito com uma certa proeminência que as forças armadas vem adquirindo no governo nesses últimos dias. Além do interventor ser um militar, o senhor nomeou pela a primeira vez um militar  para comandar o Ministério da Defesa, ainda que interinamente.

Ontem, em um seminário em São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que: “Governo fraco recorre aos militares”. Como o senhor vê essa afirmação, e de que natureza é esta proeminência das Forças Armadas no seu governo?

 

Presidente: Eu acho que foi um exagero da linguagem. Porque eu me recordo bem que eu acompanhei muito o governo do Fernando Henrique, e ajudei muito o governo do Fernando Henrique, como líder do PMDB, presidente da Câmara dos Deputados, eu tenho impressão que o presidente se pautou por um critério dele. Pode ser que, num dado momento, o governo dele tenha se enfraquecido, e que ele tenha pensado nas Forças Armadas. Eu não  creio que ele tenha se dirigido especialmente para ao meu caso. Porque eu sei que o presidente Fernando Henrique tem grande apreço pelas Forças Armadas. Esse é o primeiro ponto.

Um segundo ponto é que nós precisamos acabar um pouco com esse preconceito de que as forças armadas não podem fazer nada. Você sabe, Vera, que as Forças Armadas, eu tem tido essa experiência ao longo da vida, eu fui duas vezes secretário da Segurança em São Paulo, e tinha grande apoio, por exemplo, da  Polícia Militar.

Aqui também nós temos que trazer as Forças Armadas para a administração, como estamos fazendo agora na interventoria, como estamos fazendo na chamada Garantia da Lei e da Ordem. Mas nós precisamos acabar com esse preconceito. Eu acho, e disse várias vezes aos senhores oficiais militares, que eles não precisam entrar na política, mas ajudar na administração é uma coisa importantíssima.

Outro ponto é o seguinte: você disse bem. O senhor da Luna que hoje é o ministro interino da Defesa, ela vai ficar lá um tempo, ele já ocupou interinidade muito tempo, num dado momento quando fizer a modificação ministeriais eu analisarei a possibilidade de colocar também um civil. Mas isso é uma integração dos civis com as forças armadas.

 

Jornalista: De um lado tem essa esse ganho aí de preeminência das Forças Armadas, e de outro tem, ainda que de forma muito residual na sociedade, um apelo a um certo passado: “Ah intervenção Militar já, intervenção militar já”, principalmente nas redes sociais, e em seguidores, por exemplo, do Jair Bolsonaro. Como evitar que uma coisa se confunda com a outra, presidente?

 

Presidente: Evitando-se. Você sabe que não há outro meio. Você sabe que, na verdade, é uma coisa curiosa. Nas pesquisas feitas, as Forças Armadas você sabe que, ocupam o primeiro lugar na credibilidade popular, as pesquisas todas indicam este fato. E as Forças Armadas, durante muito tempo, se recolheram, até se recolheram, ao meu modo de ver, demasiadamente.

 

Jornalista: Demasiadamente.

 

Presidente: Tanto que eu, aos poucos, estou dizendo: vocês precisam participar da administração. E olhe, não há uma possibilidade, um desejo sequer, de quem seja das Forças Armadas, de assumir o poder, não há isto. Nós estamos numa democracia tranquila, passamos 30 anos na Constituição de 88, com as instituições funcionando regularmente, com as Forças Armadas numa discrição absoluta, só são chamadas quando eu as convoco, naturalmente, para esta chamada GLO e agora para ajudar na intervenção no Rio de Janeiro.

Então eu acho que precisamos acabar um pouco com esse preconceito, acho que não vale a pena. Porque essa é a velha história de dividir os brasileiros. Os civis prestam um serviço excepcional e, de igual maneira, as Forças Militares.

 

Jornalista: Para encerrar esse capítulo da intervenção, ela acabou tendo o efeito de sepultar de vez a reforma da Previdência, que era um dos carros-chefes do seu governo. No momento em que o governo já não tinha votos para aprová-la. Em uma determinada entrevista, o senhor chegou a dizer que tinha sido uma Jogada de mestre. Teve este condão eleitoral-político a decisão de intervir no Rio de Janeiro ?

 

Presidente: Olhe, pode ter sido de mestre a circunstância de chamar a segurança pública como uma das pautas fundamentais do governo, porque era desejada e ansiada por todo povo brasileiro. Especialmente, no Rio de Janeiro.

Agora, eu quero dizer que a reforma da Previdência, ela não foi sepultada. Ela já foi retirada momentaneamente da pauta legislativa, mas não saiu da pauta política do País. Eu vou garantir a você que não haverá um candidato à presidente da República, a governador, a senador, a deputado federal que não seja questionado sobre o quê ele pensa a respeito da reforma da Previdência. Então vai ficar na pauta política do País.

Se não fizer neste ano, seguramente o próximo governo vai ter que fazer, porque, conversamos, eu digo aqui a quem está nos vendo e ouvindo, que você tem hoje, aliás, no ano passado, uma dívida previdenciária, um déficit de R$ 280 bilhões. No ano que vem a previsão é de R$ 320, 330 bilhões. Ou seja, num dado momento, quem vai sofrer é o aposentado, que não vai poder receber aposentadoria; é o servidor público que pode ter corte no seu salário. Então, num dado momento, vai precisar fazer a reforma da Previdência.

            Agora, isso não era para o meu governo Vera, porque neste ano nós ainda temos condições de suportar. Será para os próximos anos, talvez ano que vem, ou no outro ano.

            Então, eu digo: será feita de qualquer maneira. E não é improvável, aqui eu levanto apenas uma hipótese, é uma conjectura, se por exemplo, até setembro, outubro, a intervenção já tiver produzido todos os seus efeitos necessários, eu ainda posso fazer cessar a intervenção e aprovar a reforma da Previdência, entre outubro, novembro, dezembro, são três meses para discutir esse assunto.

 

Jornalista: Presidente vamos começar a falar um pouco… (Tivemos um pequeno problema, pequeno sinal, perdemos o contato com o Brasília, vamos retomar dentro de mais alguns instantes entrevista exclusiva, com o presidente Michel Temer.

 

Presidente: Essas são as circunstâncias do momento. E,  até me dizem: a sua vida foi feita e circunstâncias do momento, quando secretário, quando deputado federal, quando presidente da Câmara, etc. como vice-presidente, presidente, circunstâncias do momento. Eu não nego circunstâncias que possam determinar essa ou aquela conduta, mas eu não sou candidato.

Olhe, se eu passar a história como alguém que conseguiu fazer boas reformas no País, conseguiu equilibrar o Brasil, eu me dou por plenamente satisfeito. Eu não quero... aliás, essa coisa da impopularidade, alguém dizia… se bem que hoje aumentou. Você sabe que eu recebi um índice hoje.

 

Jornalista: Foi, qual foi?

 

Presidente: Foi um índice de São Paulo que me dá 15% de popularidade.

 

Jornalista: ah, sei Paraná Pesquisas, não é isso?

 

Presidente: Acho que Paraná Pesquisas, isso mesmo, eu não sei bem de onde veio. Mas enfim, não é a popularidade que está em pauta, o que está em pauta é o Brasil. E quem quer se preocupar com o Brasil, não pode se preocupar necessariamente, com a popularidade, porque a popularidade vem depois. Quando você tem gestos populistas, que é diferente da popularidade, daí você ganha, você ganha prestígio imediatamente, eu nunca me preocupei com isso, eu me preocupei com uma popularidade que virá pelo reconhecimento e não pelo efeito, digamos assim, demagógico.

 

Jornalista: Presidente, e em relação ao ministro da Fazenda Henrique Meirelles, ele se pôs a campo de maneira mais aberta aí nas últimas semanas dizendo que pode vir a ser candidato. Isso não prejudica a retomada da economia, não mostra que o ministro uma vez que não se conseguiu votar reforma da Previdência dá por encerrado o seu papel no ministério?

 

Presidente: Olha, o Meirelles fez um belíssimo trabalho aqui na economia. Ele e uma equipe. Porque você sabe que essas coisas é como o presidente, o presidente não trabalha sozinho, ele trabalha com uma grande equipe. De igual maneira o ministro Meirelles.

            O Meirelles fez, eu reitero, um belíssimo trabalho na economia, e tem uma equipe, uma equipe muito substanciosa na área econômica. Se ele desejar ser candidato, isto é uma coisa, será uma coisa dele, ele é que vai fazer avaliação.

            Aliás, candidatura há uma diferença. Um amigo meu sempre faz uma diferença entre candidato e candidatura: candidatos às vezes há muitos, agora candidatura é quando o sujeito se decide. Se o Meirelles se decidir, eu acho que nós teremos a possibilidade de escolha de alguém que dê sequência a esse trabalho, eu não tenho dúvida disso.

 

Jornalista: Então agora, vamos de novo ao Rio de Janeiro presidente, ouvir a pergunta do Marcelo Madureira. Madu com você.

 “Boa tarde, presidente Temer, obrigado por essa oportunidade dessa entrevista. Senhor presidente, logo que o senhor assumiu, o senhor tomou várias medidas, principalmente na área econômica, todas ao meu ver bastante acertadas. Numa tentativa, acho que até bem sucedida, de reconduzir o Brasil aos trilhos.

O senhor também vem tentando, presidente, fazer uma série de reformas estruturais que eu também acho que são mais do que necessárias. Enfim, o senhor tem mostrado coragem, tirocínio, então eu fico intrigado, presidente, com uma questão: o senhor foi vice-presidente dos governos petistas, presidente do PMDB, presidente da Câmara dos Deputados, enfim, o senhor é um político sagaz, experimentado, o senhor não percebeu os equívocos, os maus feitos e as desonestidades que ocorriam no Brasil durante os governos do PT? Se o senhor percebeu, por que que o senhor não se posicionou sobre essas questões? Obrigado”

 

Presidente: Olha você sabe que no governo da ex-presidente, eu não era ouvido viu Madureira, sou obrigado a dizer.

Aliás, você se recorda de uma carta que eu mandei, que foi muito objeto de, se me permite a expressão livre, de gozação porque eu me declarava um vice decorativo. E, realmente, hoje está comprovado que eu era um vice decorativo, porque não era ouvido para absolutamente nada. O vice-presidente não participava de nada, uma coisa que me incomodava. Porque você pega o sistema americano, por exemplo, o vice-presidente acompanha tudo que acontece.

Porque os americanos têm uma consciência institucional - Madureira e Vera - muito acentuada. Então eles sabem que, se faltar o presidente, o vice tem que assumir imediatamente e dar sequência ao governo.

Até eu me recordo de uma cena, muito significativa, quando o presidente era o Obama, presidente Obama, ele colocou o vice-presidente ao lado dele para acompanhar aquela caçada ao Bin Laden. Era uma coisa secretíssima, mas o presidente tinha que colocar o vice-presidente ao seu lado.

Aqui, diferentemente, a ideia do vice-presidente é alguém que deve ser eliminado. E eu fui eliminado ao longo do tempo, nunca tive uma interação com a senhora presidente. Claro que ela é uma senhora educada, penso que eu também tenho uma certa educação, nós tínhamos um bom trato pessoal, mas trato institucional não era comigo.

De modo que ficava muito difícil eu dar qualquer palpite nessas áreas comandadas pela senhora presidente.

 

Jornalista: A despeito disso presidente, PT e PMDB dividiram algumas áreas do governo, entre elas diretorias da Petrobras. Ontem, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, nomeada pelo senhor, pediu a sua inclusão em um inquérito que investiga uma suposta relação entre isso que ocorria na Petrobras e doações de campanha para o PMDB em 2014, que teriam sido negociadas no jantar na sua residência.

Como o senhor viu essa decisão da procuradora? E se o senhor acha que é esse assunto, ligado inclusive às duas denúncias contra o senhor que foram arquivadas, vão ser retomados depois do seu período na Presidência?

 

Presidente: Vai acontecer isso que você tá dizendo: serão retomadas depois que eu deixar a Presidência. A meu modo de ver, você sabe que eu dou eu tomo muito cuidado para dar palpite, embora, eu seja da área jurídica, eu tenho... você pode imaginar quantos anos eu tenho de vivência na área jurídica. Mas eu digo a você com a maior tranquilidade e a quem está nos vendo e ouvindo: as denúncias são pífias. Elas fizeram parte de um esquema que hoje veio à luz.

            Porque a tal conspiração, patrocinada pelo ex-procurador-geral e alguns setores da iniciativa privada, elas vieram à luz pelas várias declarações, pelos vários depoimentos que foram catalogados depois. Aliás, gente que me acusou foi para cadeia. E quem não está na cadeia está desmoralizado.

Quer dizer, o povo brasileiro sabe, e aqui eu aproveito a sua pergunta para dizer que algum tempo, viu Vera, eu não vou tolerar mais essa história de dizer que o meu, a minha atuação é uma atuação ligado à corrupção, etc. não tolero mais. Porque foram inverdade tão prejudiciais... e olha, conversamos, aqui toda modéstia de lado, mas se eu não tivesse coragem suficiente para enfrentar esses problemas, o Brasil não estava na posição que está hoje.

Qual é a posição que ele está hoje? Progresso absoluto na área econômica, não preciso relatar tudo o que aconteceu. Estamos atrás da ordem, na história da segurança pública, estamos reerguendo o nosso País.

Se eu tivesse me entregado naquela época, eu queria me auto declarado culpado, essas coisas que vieram à luz depois, vieram à luz porque eu denunciei. E segundo, sei lá o que aconteceria com o Brasil.

Então, eu vou dizer a você: eu, neste período, eu trabalho exatamente em cima desses aspectos morais, porque a Presidência da República é um coisa honrosa, Vera, mas é desonroso o ataque, digamos, cruel, brutal, mentiroso, que fizeram à minha honorabilidade. Por isso que quando eu falo nisso…

 

Jornalista: Se exalta.

 

Presidente: Eu falo mais enfático.

 

Jornalista: Tudo bem. O senhor acha que se não tivesse sido isso, a reforma da Previdência teria sido aprovada?

 

Presidente: Teria, porque naquela época, nós tínhamos os votos necessários para votar uma reforma até, até mais dura, convenhamos. Seria uma reforma que duraria, digamos, mais tempo. Porque a Previdência é uma coisa curiosa, de tempos em tempos, você tem que fazer uma revisão do sistema previdenciário.

Então eles atrapalharam o País. Sobre terem atrapalhado o País, ainda criaram um problema seríssimo nos investimentos, que num dado momento ficaram paralisados. Mas que, ao depois, em face da minha resiliência, eles foram retomados.

Você vê, convenhamos, Vera, quando eu cheguei aqui a Bolsa de Valores atingia um pico e 40 mil pontos, atingiu recordes agora de 87, 88 mil pontos. O risco Brasil era de 300 e tantos pontos, hoje está em 144 pontos.

Então, eu acho que nós acabamos produzirmos um trabalho para o Brasil, que teria sido muito mais rápido, se não tivesse essas ingerências criminosas que se verificaram em um dado momento.

 

Jornalista: O senhor acha que, com anulação das delações que levaram essas denúncias, todas as provas, todos os processos, deveriam ser considerados nulos também, ou o senhor acha que não há contaminação das provas?

 

Presidente: Este é um assunto jurídico. Pessoalmente  eu acho que, se as delações foram eliminadas, evidentemente, ou foram ou serão, se forem detectados equívocos, erros, conduta inadequada. Por exemplo, orientação... eu tive lá, um ex-deputado que disse: “Olhe, não aceitaram a minha delação, porque queriam que eu incriminasse o presidente da República, como não tinha como incriminá-lo, me abandonaram, não aceitaram a minha delação e foram procurar outro delator, que sequer me conhece”.

 

Jornalista: Quem foi esse deputado?

 

Presidente: Deputado é o Eduardo Cunha, que declarou, está no interrogatório que ele prestou, as perguntas que ele respondeu dizendo: “Olhe, o procurador queria que eu incriminasse o Presidente da República, eu não podia incriminar, eles me abandonaram,  e foram procurar um outro lá”, aquele rapaz, como é o nome dele?

 

Jornalista: Rocha Loures?

 

Presidente: Não, Funaro.

 

Jornalista: Funaro.

 

Presidente: Porque esse daí não me conhece, foi lá e disse tudo o que queria que ele dissesse e aí a delação dele foi admitida.

            Eu estou denunciando essas coisas, porque nós precisamos reinstitucionalizar o País. Porque o País está perdendo um pouco as suas instituições mais verdadeiras, mais reais.

 

Jornalista: Por falar nisso presidente, a gente tem aí todos os dias um ex-presidente da República clamando por desobediência civil contra a Justiça, e dizendo que é vítima de uma perseguição política, que é o ex-presidente Lula.

            O senhor chegou a dizer que seria melhor que ele disputasse as eleições. Ao fazer isso, o senhor não está de alguma forma legitimando esse discurso do PT contra as instituições, e fazendo um pouco o jogo do PT? Não é lícito que uma vez condenado em duas instâncias, ele fique fora das eleições?

 

Presidente: Não, não é Vera, porque estou fazendo uma consideração de natureza política. Não é a consideração natureza jurídica.

Veja bem, se o tribunal, afinal, entender que ele não pode se candidatar, muito bem está decidido. Eu faço uma consideração política, dizendo: “Olha aqui, o problema dele não ser candidato, é que ele pode se transformar num mito. E como a figura mítica, talvez possa até influenciar nas eleições”.

Então eu digo, se ele pudesse disputar, mas o pudesse é uma mera consideração, muito bem… derrotado nas urnas, acabou, não haveria essa mitificação da figura do ex-presidente Lula.

 

Jornalista: E para terminar a entrevista, presidente, a gente tem o PT e o PSDB bastante machucados aí, depois desse período de Lava Jato. O senhor  acha que essa polarização PT-PSDB chegou ao fim no Brasil? E o que o senhor espera, como o senhor vê o cenário eleitoral? Quais as forças que devem e que têm chance de ir a um segundo turno nessas eleições?

 

Presidente: Olha, eu acho difícil, eu até antes de começarmos aqui eu disse: eu acho que o quadro ainda não está definido. E eu confesso à você, eu reitero, eu acho o quadro não está definido, está por definir-se, e não será nem até 7 de abril quando é época da desincompatibilizações. Acho que é coisa para maio, começo de junho. Porque a campanha hoje tem apenas 45 dias. Portanto, os candidatos se lançam a partir de agosto, meados de agosto. Tem agosto, setembro e acabou eleição. Então, eu acho que o quadro ainda não está, não está nem minimamente definido.

 

Jornalista: Sem  o Lula, o senhor acha que PT tem condições de botar alguém no segundo turno?

 

Presidente: Difícil dizer. Houve uma desvalorização do PT nítida, expressa, corrente. Eu acho que não vai ser fácil, Mas é difícil dizer a essa altura que vai acontecer.

 

Jornalista: Eu encerro com uma provocação, aproveitando que o senhor está aí, embalado presidente. Queria que o senhor dissesse, se possível, qual foi o melhor e qual o pior presidente desde a redemocratização?

 

Presidente: Ah você sabe que, interessante, é uma pergunta curiosa, porque cada um prestou o seu serviço para o Brasil.

Você pega o presidente Sarney, por exemplo. Vamos pegar o Sarney. O Sarney foi um homem de um equilíbrio tal que permitiu a Constituinte. A constituinte trabalhou soberanamente e reinstituiu-se a democracia no nosso País. Depois veio, depois dele veio o…

 

Jornalista: O Collor.

 

Presidente: O Collor, que prestou um serviço inicial, até me recordo, quando ele disse: “Olhe”, até ele falava dos carros: “Os carros brasileiros, são as melhores carroças”, é interessante aquela frase gerou um certo patriotismo, e os carros começaram a melhorar na sua produção.

Depois do Collor veio...

 

Jornalista: Fernando Henrique Cardoso.

 

Presidente: Fernando Henrique, que prestou seu serviço, hein? O Itamar.

 

Jornalista: Ah esquecemos o Itamar, desculpa.

 

Presidente: Esquecemos o Itamar, que prestou, porque o Plano Real, surgiu no tempo do Itamar, obra do Fernando Henrique e da equipe, mas surgiu naquele tempo. De igual maneira, quando Fernando Henrique chegou ao poder, ele ajudou a pacificar o País, etc, levou adiante a proposta estabelecida no governo Itamar que era do Rlano Real. E depois veio o Lula, e o Lula prestou um serviço social.

Convenhamos, a história dele levantar, a história do Bolsa Família, por exemplo, que é um programa, digamos, assistencial. Tão assistencial que, nos últimos tempos, eu tenho mantido Bolsa Família, mas criamos um outro programa. Osmar Terra me trouxe a ideia de um programa chamado Progredir.

Ou seja, você não pode ter o Bolsa Família eterno. Então você pega os filhos do Bolsa Família, isto em colaboração de empresários, supermercado, banco, etc. para contratar os filhos daqueles que recebem Bolsa Família para que ele progrida. Quer dizer, em um dado momento, você talvez nem precise mais do Bolsa Família. Mas o Lula prestou serviço ao País.

 

Jornalista: E a Dilma, o que o senhor vai conseguir dizer de bom dela?

 

Presidente: A Dilma também fez o seu trabalho na medida que deu sequência ao presidente Lula. Sabe o que é, Vera, é que as pessoas têm manias, eu vejo ex-presidente falando mal de mim, falando mal dos… eu não faço isso, eu sou daqueles que veem o lado positivo nas pessoas. E, no caso dela, eu vejo esse o lado positivo: ela teve uma preocupação com essa área social.

Lamentavelmente, aqui é um comentário político, não é para falar mal, mas um desastre na área econômica. Eu peguei o País numa recessão profunda. E veja: eu tenho um ano e nove meses de governo; Conseguimos acabar com a recessão, reduzimos juros, inflação, isso tudo que todo mundo já sabe.

 

Jornalista: E a sua marca vai ser qual presidente?

 

Presidente: Reformas. Eu reformei o País, e apliquei um programa que foi lançado muito antes de eu atingir o governo.

 

Jornalista: Mesmo sem a da Previdência, dá para cravar reformas?

 

Presidente: Mas eu não eliminei a Previdência ainda, é claro que dá. Você veja, olha aqui, vou repetir: teto de gastos, ensino médio, reforma trabalhista, moralização das estatais, a questão do petróleo. Eliminamos aquela questão referente a obrigatoriedade da Petrobras.

 

Jornalista: Conteúdo nacional.

 

Presidente: Conteúdo nacional, participar com 30%. Hoje ela pode participar preferencialmente. Tudo isso foi feito no nosso governo.

 

Jornalista: Eletrobras, vai dar para fazer?

 

Presidente: Eletrobras igualmente.

 

Jornalista: Vai dar para fazer a concessão?

 

Presidente: Eu penso que sim.

 

Jornalista: Então está certo, eu estou vendo o senhor animado presidente, a saúde está em ordem, depois daqueles problemas o senhor está recuperado já, plenamente?

 

Presidente: Estou melhor do que antes.

 

Jornalista: Melhor do que antes. #partiupracima, é isso, como diz a Joven Pan agora, é isso?

 

Presidente: Perdão?

 

Jornalista: #Partiupracima.

 

Presidente: Partiu para cima. É isso aí.

 

Jornalista: Obrigada presidente. Queria agradecer o senhor em nome da equipe do 3em1, agradecer os trabalhos técnicos aqui do nosso diretor de imagem o Derick Flores e do João Pedro que fizeram a nossa transmissão ao vivo, direito aqui da sala de reuniões do Palácio do Planalto.

E eu devolvo o programa para você Patrick, para o Andreazza e para Madureira aí, do estúdio e amanhã estou com vocês de novo,

Obrigada presidente.

 

Presidente: Obrigado a vocês todos, um grande abraço a vocês todos.

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