Você está aqui: Página Inicial > Acompanhe o Planalto > Entrevistas > Entrevistas concedidas pelo presidente Michel Temer > Entrevista exclusiva concedida pelo Presidente da República, Michel Temer, à Rádio Metrópole da Bahia - Brasília/DF

Entrevista exclusiva concedida pelo Presidente da República, Michel Temer, à Rádio Metrópole da Bahia - Brasília/DF

por Portal Planalto publicado 05/10/2016 15h20, última modificação 06/10/2016 18h27

Palácio do Planalto, 05 de outubro de 2016

      

Jornalista: É com alegria que nós vamos agora para Brasília conversar com sua excelência, o senhor presidente da República Michel Temer. Presidente, bom dia, é um prazer conversar com o senhor, tudo bem?

 Presidente: Tudo bem, Mário. Eu que tenho muito gosto em falar a toda Bahia por seu intermédio, do seu programa, da Rádio Metrópole. É um grande prazer, até agradeço a sua gentileza de eu poder usar o prestígio do seu programa para dar alguns recados importantes. Muito obrigado a você.

 Jornalista: Eu é que agradeço presidente. Nós estávamos precisando ter uma conversa com o senhor. Importante a gente ouvir a voz do presidente da República que assume a presidência em um momento difícil. E muitas pessoas ficam ressaltando o fato de que o seu governo até agora não tem popularidade. O senhor está muito preocupado com isso ou com o governo? Como é que é isso?

 Presidente: Você sabe que eu não estou preocupado com isso não, viu, Mário, pelo seguinte. Em primeiro lugar, porque eu acho muito natural que não haja popularidade no nosso governo, por enquanto. Você sabe que eu assumi, primeiro interinamente, que já é uma situação meio delicada, por uns meses e em caráter efetivo, definitivamente de um mês para cá, né Mário? É natural, primeiro, que não haja popularidade. Em segundo lugar, como eu não tenho mais nenhum objetivo eleitoral, o meu único objetivo e do meu governo é recolocar o Brasil nos trilhos. E eu não me incomodo com popularidade. Você sabe que de vez em quando, até faço uma, quase uma brincadeira, eu digo, olhe, se chegar no final do governo e eu tiver 2% de popularidade, mas o povo brasileiro estiver satisfeito, o Brasil recolocado nos trilhos, eu me dou por inteiramente satisfeito. A popularidade não é o que me interessa agora. Eu acho, Mário, que ao longo do tempo, quando nós tomarmos uma série de medidas, como estamos tomando, esse reconhecimento, não vou nem chamar de popularidade, virá com muita naturalidade.

 Jornalista: Presidente, o senhor é homem que teve muita longa vida no Congresso Nacional, presidiu a Câmara dos Deputados por mais de uma vez, conhece bem como funciona o parlamento brasileiro, o senhor acredita que vai ter condições de conseguir que o Congresso aprove as medidas tão necessárias para gente sair desse buraco agora?

 Presidente: Eu acho que sim, Mário. Por uma razão. Primeiro você disse bem, eu passei 24 anos no parlamento, conheço bem aquela mecânica toda. Em segundo lugar, em uma democracia, você tem que fazer uma estreita convivência do governo, quer dizer, do poder Executivo com o Congresso Nacional. Porque é por lá que vão passar as medidas que o Executivo venha a propor. Você veja, nós temos agora a proposta de um teto dos gastos públicos, ou seja, você só pode gastar aquilo que arrecada. É como na sua casa, se você ganha X e começa a gastar Y, em um dado momento você tem que reduzir as despesas. É o que nós estamos fazendo com esse projeto que estabelece que o orçamento, Mário, de cada ano, só pode ser revisado com a inflação do ano anterior. E eu acho que isso vai ajudar muito a segurar os gastos públicos e nós daremos uma responsabilidade muito grande àqueles gestores, administradores que vão usar o dinheiro público.

 Jornalista: Presidente, está claro isso. Agora, o senhor sabe também que é preciso que a comunicação chegue até o povo, porque de certa maneira, pelo que eu percebo aqui, presidente, é que fica a ideia que o senhor, com isso, está propondo que os investimentos em educação e saúde sejam diminuídos ou barrados. O senhor acha que essa comunicação tem que mudar, as pessoas tem que entender o programa como ela é, ou eu estou pensando errado?

 Presidente: Não você está pensando certíssimo, Mário. Você sabe que é preciso comunicar-se bem, não é, por exemplo, a primeira forma de comunicação nessa matéria, Mário, e eu estou usando os microfones daí do seu programa, da Rádio Metrópole, é dizer que isso é falso, isso é mentiroso, e me perdoe a expressão forte, mas é falso. Porque na verdade, em momento algum, o projeto fala em redução com gastos com saúde e educação, que são pontos fundamentais para qualquer governo. E só para dar um exemplo concreto viu, o Mário, não é para, você está usando palavras, não é palavra não. Olha aqui, para o orçamento do ano que vem, nós já mandamos o orçamento para o Congresso Nacional, e já aplicamos esse projeto que estabelece um teto geral de gastos, um teto global de gastos. É como se o projeto tivesse sido aprovado. E nós aumentamos as verbas da saúde e educação. E assim será ao longo do tempo. Quer dizer, as pessoas tentam divulgar a ideia de que quando você fala em teto de gastos, você está falando em teto de gastos para saúde, para educação, para a cultura, e não é isso não, é o teto geral. O teto geral é de X, você tira de um lugar e põe em outro, jamais será tirado da saúde e da educação.

 Jornalista: Conversando com o presidente Michel Temer, direto de Brasília. Presidente e essa história do golpe, que ficou (...) e até hoje se fala, é golpe, é golpe, e que o senhor teria participado de um golpe. Quando é que o senhor acha que isso vai se dissolver?

 Presidente:  Eu acho que já está se dissolvendo, viu Mário, porque você veja, é natural até que quem esteja hoje na oposição, ou quem sustentou, até digo, muito legitimamente, as pessoas também podem ter sua opinião. Quem sustentou que não deveria haver um impedimento, não deveria haver o impeachment, começou pregar essa coisa do golpe. E é interessante né, Mário, porque eu não fiz um movimento se quer. A Constituição brasileira, quer dizer, a lei brasileira, é que estabelece, olha aqui, se o presidente sai, quem assume é o vice-presidente. Eu estou cumprindo um dever. Agora, mais do que isso, eu acho que essas eleições, não é Mário, revelaram bem que (...) não prevalecem. Se prevalecesse, aqueles que, digamos, pregaram a ideia do golpe, teriam tido um sucesso eleitoral extraordinário no Brasil e não foi isso que aconteceu, ao contrário. Aqueles que fazem parte hoje da nossa base aliada, é que tiveram vitórias em todo o país.

 Jornalista: Presidente quando é que o senhor acha que o povo brasileiro vai sentir uma melhora na economia? Sobre tudo emprego...

 Presidente: Olha aqui, Mário, eu acho o seguinte: você sabe que todas as medidas que nós tomamos é com vista a combater o desemprego. Não tem uma medida que não vise ao combate ao desemprego. E acho que isto vai começar a aparecer, Mário, nós temos que dar um tempo, daqui a seis, sete meses, já começa a produzir efeitos as medidas que nós estamos tomando. Porque veja bem, mesmo essa proposta de limitação dos gastos, nós vamos, o Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados, vai votá-la na segunda e terça-feira, próximas, depois tem que ir para o Senado, ou seja, ela só vai entrar em vigor mesmo no final do ano. E os efeitos dela começarão a ser produzidos a partir de então, não é. Quer dizer, a credibilidade, a confiança vai aumentando no governo na medida que os investidores nacionais e estrangeiros percebam que o governo tem um grande apoio - e cada vez maior - do Congresso Nacional. Então, eu estaria mentindo, falseando, se eu dissesse: olha daqui a dois meses está tudo resolvido. Não é assim, não. Isso vai levar seis, sete, oito meses. Daí, nós vamos começar ver os reflexos positivos de tudo aquilo que está sendo feito agora.

 Jornalista: Uma mudança também grande que está processando no governo do senhor é a relação com países da América Latina. Como é isso presidente?

 Presidente: Olha, ontem, até segunda-feira, eu fui a convite do presidente da Argentina, o presidente Macri, e do Paraguai, o presidente Cartes, fazer uma visita a eles. Estive na hora do almoço com um, na hora do jantar com outro. Numa reaproximação cada vez maior com os países da América Latina, especialmente o Mercosul.

          Você sabe, Mário, que muitas vezes dizem: “Ah, a Argentina, o Brasil, o Paraguai querem acabar com o Mercosul”. Não é não. Nós queremos é incentivar o Mercosul. Tudo isso deriva, naturalmente, de uma, digamos assim, objeção que se fez à Venezuela, o governo, a Venezuela, que presidia o Mercosul. E esta objeção, começou até antes de eu assumir o governo, porque a Venezuela não há cumprido os requisitos necessários para participar do Mercosul.

          Então, o que é que foi feito? Deu-se um prazo até dezembro para o cumprimento desses requisitos. Nós temos muito interesse em manter a maior aproximação com os nossos vizinhos, inclusive, que serão sempre os nossos parceiros.

          Mas nós também queremos, viu, Mario, faço questão de ressaltar essa questão, digamos assim, universalizar as nossas relações. Nós queremos relação com todos os países do mundo, especialmente aqueles que fazem conosco parceria econômica, parceria comercial, não é?

 Jornalista: Presidente, agora uma curiosidade: Geddel Vieira Lima está lhe ajudando ou lhe atrapalhando?

 Presidente: Me ajuda muito. Geddel, você o conhece aí, da Bahia, não é? Sei que ele faz, faz um trabalho excepcional, é de uma velocidade de raciocínio, é de uma velocidade de ação que ajuda muitíssimo.

Mas olha, Mário, eu posso dá uma palavrinha com você sobre a questão, uma questão que é a questão dos pobres. Muitas e muitas vezes, né Mário, dizem: “Ah, porque o Temer vai acabar com o Bolsa Família, vai acabar com Minha Casa Minha Vida”. Eu vou contar para você, Mário. Há um mês e meio, dois meses atrás mais ou menos, eu mandei chamar o Osmar Terra, que é o Ministro do Desenvolvimento Social, e disse: como é que está a história do Bolsa Família? Aí ele disse: “Olhe há mais ou menos dois anos e meio, quase, que não tem nenhum aumento do Bolsa Família”. Eu falei: “não é possível, nós vamos dá um aumento”. E dei um aumento de 12,5% para o Bolsa Família.

Então, diferentemente de dizer que nós vamos acabar com o Bolsa Família, nós estamos é revalorizando o Bolsa Família. Vou dar um exemplo para você, Mario, do Minha Casa Minha Vida. “Ah o Temer vai acabar com o programa Minha Casa Minha Vida”. Nós estamos lançando 40 mil casas agora neste ano, mais milhares de casas no ano que vem. Uma grande programação do Minha Casa Minha Vida.

Vou dar outro exemplo para você: aquele fundo estudantil para pagar as universidades de estudantes que não podem pagá-la no presente momento.

 Jornalista: É o Fies.

 Presidente: O Fies. Nós aumentamos 75 mil vagas para o ano que vem. Eu estou dizendo isso viu, Mario, para desmentir, especialmente àqueles ouvintes seus, que eu sei que são muitos, essa tese, essa ideia, de que nós combatemos as questões, que queremos eliminá-las. Pelo contrário. Nós estamos incentivando. E o maior incentivo que nós queremos dar, Mario, é exatamente gerando emprego. Que não há nada mais indigno para as pessoas do que desempregado. E posso contar uma historinha para você?

 Jornalista: Diga.

 Presidente: Olha há poucos dias, há um mês mais ou menos, eu encontrei um casal, aqui veio e disse: “Temer - eles me conhecem - Temer você sabe que o meu marido e eu estamos desempregados e temos dois filhos. No primeiro dia no café da manhã, um dos meus filhos perguntou para o meu marido: escute, você não tem trabalho? Você não vai sair? E ele percebeu a vergonha que ele estava passando. Então, faz mais ou menos, um mês, um mês e meio, que todo dia de manhã ele sai de casa antes dos filhos para mostrar que na verdade estaria trabalhando, por causa da indignidade que gera o desemprego, percebe?

Então, eu estou muito empenhado nessa questão de restabelecer o emprego no país. Se Deus quiser, nós vamos conseguir, vamos fazer muito esforço. Ainda há muita incompreensão, mas nós vamos vencer essa incompreensão. Porque nós também pegamos o país em uma situação muito delicada, não preciso nem repetir para você como se gastou dinheiro no passado, sem esse sistema de, digamos, gastar só aquilo que arrecada, entendeu? Gastava muito mais do que arrecada. Esse é o quadro, Mário.

 Jornalista: Muita gente fica achando que senhor já participava do governo, mas na realidade pelo que eu acompanho aqui, salvo um breve momento em que a presidente Dilma lhe entregou a coordenação política e rapidamente tirou, o senhor ficou sempre à margem do governo ou não foi?

 Presidente: Não tive nenhuma participação. Eu era vice-presidente, rigorosamente o vice-presidente deveria acompanhar tudo que acontece no país, mas não foi isso que aconteceu. É verdade. Em um brevíssimo instante, coisa de trê meses, mais ou menos, ela me deu essa coordenação política. Começou a haver uma, digamos assim, eu até aprovei… vocês sabe que eram matérias difíceis no Congresso Nacional, e nós acabamos aprovando, mas depois eu comecei a verificar uma certa, se me permite dizer, uma certa sabotagem. Daí eu percebi que não valeria a pena continuar nessa tarefa. Foi isso que aconteceu.

 Jornalista: Eu me lembro, inclusive, que o prefeito de Salvador, ACM Neto, foi com os deputados federais da base dele em uma reunião com o senhor para poder, exatamente, votar aquelas medidas da presidente Dilma. Não foi isso?

 Presidente: Tem toda razão. E você sabe que eu devo muito ao prefeito ACM Neto, e ao DEM. Vou contar a você: a primeira medida provisória que foi aprovada do ajuste fiscal, foi aprovada por 22 votos, uma diferença de 22 votos a favor. Ora, o DEM trouxe vários deputados que almoçaram aqui comigo e votaram conosco, assim como outros partidos de oposição trouxeram dois ou três deputados. Ora bem, nós aprovamos com 22 votos, se tivesse 11 votos contrários, nós perderíamos. E, portanto, é interessante, Mário, você sabe que… eu converso com o mundo, claro, situação, oposição para mim não tem… mas eu fui muito criticado na época, porque eu havia conversado com a oposição, porque o ACM Neto e outros líderes do DEM almoçaram comigo aqui no Jaburu. E foi precisamente isso que deu vitória. Você percebe qual era o quadro, né? Aliás, o ACM Neto teve uma belíssima vitória aí.

 Jornalista: Foi. 74% dos votos.

 Presidente: Fruto do seu prestígio, naturalmente.

 Jornalista: Presidente, estão me informando que o senhor tem muitos compromissos. Agora, mesóclise, nunca mais, presidente? Se esqueceu disso? Não faça isso. É tão bonito.

 Presidente: Pois é. Você, Mário, você fala um português muito correto… mas você sabe de uma coisa? Há poucos dias atrás eu li um artigo de um articulista num jornal grande aqui no Brasil, me criticando porque eu falo corretamente o português. Eu disse: Olha, eu peço desculpas, mas não consigo falar errado. Posso errar, mas não consigo. E a mesóclise, como você diz, é uma coisa que economiza palavras. De vez em quando me criticam por isso.

 Jornalista: Lembra o tempo Jânio Quadros que gostava muito de usar.

 Presidente: É isso aí, Mário. Mas, Mário, se você me convidar, eu quero de vez em quando falar ao povo da Bahia por seu intermédio.

 Jornalista: Com o maior prazer, grande alegria. Muito obrigado, presidente. Bom dia para o senhor.

 Presidente: Bom dia. Um abraço a você e a todos.

 

Ouça a íntegra da entrevista (16min42s) do Presidente.