Entrevista Coletiva Concedida pelo Presidente da República, Michel Temer, após Audiência com o Senhor Thomas J. Donohue, Presidente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos da América

Lima-Peru, 13 de abril de 2018

Jornalista: ...para o governo brasileiro nesse momento?

Presidente: Não, pelo contrário. É um tema que enobrece o governo brasileiro. Porque no governo brasileiro, no Brasil, as instituições funcionam com toda regularidade. Você veja que não há impedimento sequer a qualquer apuração relativa a esse assunto. Então, há uma coincidência absoluta em relação ao tema e aquilo que se opera no nosso País, não é?

Jornalista: Como o senhor viu a decisão ontem, da Justiça, de negar o pedido de prisão do seu auxiliar, enfim, do…

Presidente: Primeiro, não é meu auxiliar, é meu amigo. São meus amigos há muito tempo. Eu não dou meu palpite sobre a ação da Justiça, não é? Porque a coisa que eu mais prezo é a não invasão de competências. Porque, no Brasil, se adotou muito essa fórmula, não é? Cada poder quer invadir competência do outro. E eu prego precisamente a separação de poder. Então, quando um poder toma uma posição eu não interfiro. Como eu não quero que interfira, como às vezes acontece, na área do Poder Executivo. Não tenho nada a dizer a respeito disso. Cada um cumpre a sua função.

Jornalista: Como foi a reunião com o presidente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos?

Presidente: Muito boa. Ele acabou de me convidar, insistentemente, para que eu fosse a um almoço na Câmara de Comércio, em Washington, Câmara de Comércio, para falar sobre o Brasil. E falar aquilo que eu acabei falando, ou seja, o grande progresso no Brasil, e ele, e os companheiros dele, revelando grande interesse pelas reformas que foram feitas no País. Aliás, os cumprimentos foram muito, digamos assim, enaltecedores, porque ele acompanha, eles acompanham, muito o que acontece no Brasil, querem investir cada vez mais no Brasil. Mas disseram que querem investir precisamente em função do que está acontecendo nesses últimos dois anos no nosso País.

Jornalista: O senhor decidiu isso, se vai ser o cabeça de chapa, se o senhor realmente se candidatar?

Presidente: Perdão?

Jornalista: Como é que está a sua posição política?

Presidente: Vamos deixar correr. Nós temos até junho… Julho, não é? É, julho, para decidir isso. Vamos dar tempo ao tempo.

Jornalista: Mas o senhor acha ainda que é covardia o senhor não ser candidato (...)?

Presidente: Disseram Isso, numa ocasião, que realmente eu seria o único candidato do País, o único presidente que, tendo a possibilidade da reeleição, não me candidataria. Mas isso é uma coisa que nós vamos verificar ao longo do tempo.

Jornalista: O senhor conversou sobre aço com o presidente..?

 Presidente: Sobre aço e alumínio. Registrei que, na verdade, o Brasil, o que manda muito para o Brasil é aço, digamos, inacabado, que é acabado lá nos Estados Unidos, primeiro ponto. Segundo ponto, é que nós importamos o carvão dos Estados Unidos precisamente para esta atividade. Isso prejudicaria as relações de importação e exportação entre os Estados Unidos, com o que eles concordaram. E vão trabalhar para resolver a questão da tarifa do aço e do alumínio. E também acrescentei um dado: eles já apoiaram o nosso ingresso na OCDE, já apoiaram formalmente, voltaram a apoiar e, naturalmente, eu pedi mais uma vez o apoio para este ingresso na OCDE.

 Jornalista: O Brasil deve aceitar a proposta de cotas para importação de aço, proposta que foi feita pelo secretário de comércio americano ontem?

Presidente: Está sendo examinado. Está sendo examinado pela minha equipe, pelo ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Vamos examinar, nós vamos examinar esse assunto. O que nós queremos é resolver, na verdade, a questão da tarifa muito acentuada em cima do aço, em cima do alumínio, 25 e 10%.

Jornalista: O ideal seria não ter cotas, presidente?

Presidente: Não, nós vamos verificar. Essa resposta eu não quero dar agora.

Jornalista: Sobre Roraima, a decisão do governo (incompreensível)

Presidente: Olha, eu acabei de verificar a petição e percebi o seguinte. Muitas das medidas lá pleiteadas já estão sendo tomadas. Recursos, pessoas que vão para lá para dar assistência social, assistência médica. Eu mesmo estive lá, e eu creio que esse pleito, eu não sei se ele tem muita, com a devida vênia, muita significação.

Jornalista: Mas um dos pedidos (incompreensível) fechamento da fronteira.

Presidente: Não, isto não, isto eu confesso que não é hábito do Brasil. Brasil não fecharia as fronteiras. E também espero que o Supremo venha a decidir dessa maneira. Ao contrário, quando nós fomos lá, nós dissemos, olha, as fronteiras, acaba a fiscalização. Vocês se recordam que nós até produzimos uma carteira de identidade provisória para esses refugiados até por proposta da senhora procuradora-geral da República. E nós acolhemos, expedimos um decreto a respeito desse assunto. Então fechar a fronteira é incogitável.

Jornalista: Sobre a situação da Venezuela, Presidente, o senhor acredita que é o caso de adotar sanções contra o país para pressionar o governo?

Presidente: Nós adotamos, vamos dizer assim, sanções diplomáticas. Por exemplo, a primeira delas foi não permitir a presença da Venezuela no Mercosul, enquanto houver essa situação politicamente duvidosa e talvez inadequada na Venezuela. Primeiro ponto. O segundo ponto é que nós estamos dando apoio humanitário, vocês sabem que nós estamos. Primeiro, nós acolhemos refugiados, acabei de dizer. Em segundo ponto, há tempos atrás, eu havia acabado de assumir talvez, nós pretendemos mandar alimentos e remédios para lá, é um gesto humanitário, e foi negado pelo governo venezuelano. Nós queremos ajudar humanitariamente a Venezuela.

Jornalista: Você recebeu a proposta da Embraer com a Boeing?

Presidente: Não, ainda não. Não me trouxeram. Mas estão trabalhando. No dia que me procuraram a respeito disso, eu criei uma comissão, nós criamos uma comissão, para cuidar dessa interação, da integração entre a Boeing e a Embraer. Está sendo estudada. Não me trouxeram a proposta final.

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