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Entrevista coletiva concedida pelo Presidente da República, Michel Temer, após almoço em homenagem aos formandos do Instituto Rio Branco - Brasília/DF

por Portal planalto publicado 20/04/2017 17h10, última modificação 20/04/2017 18h26

Palácio Itamaraty - 20 de abril de 2017

 

 

Presidente: Aliás, era algo que no dia anterior não foi aprovado, mas nem todos conseguiram votar. Evidentemente, o que eu pude perceber ontem é que pela votação, se você contar os votos equivaleram a 68% mais ou menos da votação. Mas faltaram cerca de 80 e tantos votos. Se você somar para 503, já deu 287 votos. Ora bem, se votassem mais 80 e tantos teria passado de 340 votos, por aí, mais ou menos.

Então foi um bom indicativo no caso da reforma trabalhista, que de resto vai trazer benefícios para o país. Eu tenho dito isso com muita frequência, tenho dito com muita frequência que as regras todas do direito trabalhista, da reforma trabalhista, ela apenas modernizam para incentivar o emprego. Como aconteceu também com a terceirização.

E agora na reforma da Previdência, que vem mais adiante, nós estamos fazendo todas as adequações, todos os ajustamentos necessários para que haja a aprovação na Câmara e no Senado.

É interessante, eu vejo muita preocupação dos eventuais prejuízos que decorrem desses ajustamentos. Na verdade, eu tenho dito com frequência o seguinte: você, pelos cálculos inaugurais, iniciais, teria mais ou menos em 10 anos uma redução do déficit de 800 e tantos, 800 e poucos bilhões. Com as adequações que foram feitas a redução do déficit passa a ser de 600 e poucos bilhões.

Ora, mas a pergunta que se coloca é o seguinte: vale a pena reduzir um déficit de 600 e tantos bilhões ou não fazer nada? Então a ideia…

 

Jornalista: Mas diminuiu mais, Presidente, com essas novas concessões que foram feitas.

 

Presidente: Acho que pouca coisa, pouca coisa. Se não for 600, eu não vou fixar um número, 580 bilhões, enfim, há uma grande redução do déficit. O déficit inaugural seria de cerca... a redução seria de cerca de 800, com os ajustamentos caiu a 600, 580 bilhões, mas sempre uma redução substanciosa, o que significa uma reforma útil da Previdência Social, como é útil a reforma trabalhista. E mais uma vez ficou evidenciado o apoio do Congresso Nacional.

 

Jornalista: Os senhores esperam um placar, algum placar para essa votação final na Câmara?

 

Presidente: Eu tenho que esperar, aí é difícil dizer. Nós temos que ir trabalhando, ajustando, conversando, dialogando, explicando, especialmente explicando.

Vocês vejam, os principais problemas eram o problema do trabalhador rural, o problema do benefício de prestação continuada. Tudo isso foi ajustado, foi conversado com as bancadas, o relator me levou as principais questões. Eu disse: pode negociar. Porque o projeto que nós mandamos, nós tínhamos absoluta convicção de que seria necessário conversar posteriormente. E essa conversa que se deu, aparentemente, as coisas estão ajustadas. Mas vamos esperar, primeiro tem que votar a reforma Trabalhista, depois é que vamos votar a reforma da Previdência.

 

Jornalista: Já acabou atrasando um pouco, não é, Presidente? Por conta desses problemas no Congresso nas votações, acabou atrasando…

 

Presidente: Não, não atrasou nada, não. E olhe, se atrasar e for para o benefício da reforma, não há razão para invocar atraso, o que há razão é para dizer: que bom. Houve atraso de uma semana para melhorar a proposta, ou seja, para fazer algo compatível com que o Congresso deseje e a sociedade brasileira queira.

 

Jornalista: Presidente, houve alguns partidos como o PSB, o PRB e o PPS, que são da base aliada, mas apresentaram algumas traições nessa votação. Como o senhor deve agir ?

 

Presidente: O PPS votou integralmente, penso que só um voto divergente.

 

Jornalista: Foi mais o PSB e o PRB…

 

Jornalista: Mas tem dois ministros…

 

Presidente: Sim. São dois ministros da melhor suposição. São ministros muito adequados ao governo brasileiro. E é um partido pequeno também, convenhamos. São oito, nove votos…

 

Jornalista: Pois é, perder um é uma porcentagem forte, não é?

 

Presidente: Perdeu um, mas ganhou oito ou nove…

 

Jornalista: Mas em relação ao PSB?

 

Presidente: O PSB, ontem, melhorou a performance. Ontem, aumentou o número de votos. E eu acho que das conversas que estão havendo, eu acho possível que mais para frente haja um aumento significativo dos votos.

 

Jornalista: No começo do governo do senhor, o senhor falou que devia de ter algumas DRs com alguns partidos, dependendo das votações. O senhor acha que é o caso de ter uma DR com o PSB ou com esses partidos?

 

Presidente: O que é uma DR?

 

Jornalista: Discutir a relação.

 

Presidente: Eu acho que discutir a relação nós discutimos permanentemente. O que mais eu faço é dialogar. Vocês sabem que a tônica do nosso governo é o diálogo. Então, a todo momento nós estamos dialogando com todos os partidos. Não pensem que é só em um partido que existe problema, existe em vários. Nós vamos dialogando, dialogando, mas o importante é que vamos tendo vitórias.

 

Jornalista: Mas tem ameaças desses partidos de talvez perderem postos nos ministérios?

Presidente: Eu espero que não. Eu espero que não.

 

Jornalista: Espera que não, mas pode ter. Quem não votar pode o partido pode perder…

 

Presidente: Não, isso não sei, isso nós vamos examinar no futuro. Mas o nosso ministro, por exemplo, representando o PSB, é um ministro que tem a melhor qualificação, tem feito um trabalho excepcional no Ministério de Minas e Energia. Portanto, honra as cores do PSB. E o PSB, certa e seguramente, sensível àquilo que é necessário para o Brasil, pouco a pouco vai trazendo os votos. Não tenho dúvida disso.

 

Jornalista: ...Eduardo Cunha tem feito, de fazer delação premiada, o governo, o senhor, o PMDB, como é que o senhor tem recebido?


Presidente: Eu não digo nada sobre isso, eu desejo a maior felicidade para ele, só isso.

 

Ouça a íntegra da entrevista (05min59s) do presidente Michel Temer.