Discurso do Presidente da República, Michel Temer, durante Cerimônia de Abertura do Fórum de Investimentos Brasil 2018 - São Paulo/SP

 

 Brasília, 29 de maio de 2018

 

Eu quero cumprimentar inicialmente o Luis Alberto Moreno, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que é co-organizador no Fórum de investimentos Brasil 2018.

Os eminentes ministros: Aloysio Nunes, Valter Casimiro, Blairo Maggi, e Ana Domareski, Esteves Colnago, Edson Duarte, Ronaldo Fonseca.

O Carlos Brandão, vice-governador do Maranhão.

Embaixador Roberto Jaguaribe, presidente da Apex.

Os chefes de Missão Diplomática, acreditados no meu governo.

As senhoras e senhores empresários e investidores.

Em primeiro lugar, eu quero muitíssimo agradecer o belíssimo discurso do Luis Alberto Moreno, que revelou não só as potencialidades do nosso país como também como os países que estão fora do Brasil veem o Brasil.

Aliás, Moreno, há poucos dias, eu estive na cúpula das Américas e pude lá ter contato com muitos chefes de Estado, estrangeiros, e pude perceber o extraordinário otimismo com que eles enxergam o nosso país. Aliás, dizia eu que é um exemplo até para nós outros aqui para que tenhamos otimismo no nosso país.

Por isso que eu quero também dar as boas-vindas aos investidores de tantos países que vieram a São Paulo para conhecer de perto - não é? - a nossa agenda de reformas e as novas oportunidades negócios que se abrem no nosso país.

Aliás, lembrava o Moreno, há um ano eu estive neste mesmo Fórum para falar do novo rumo que havíamos dado ao País. Naquele momento registravámos pela primeira vez em oito trimestres taxa positiva de crescimento. Passado um ano, consolidamos essa estratégia. Nós estamos na verdade com as dificuldades naturais em um processo de crescimento sustentado e de retomada dos empregos. Atingimos este que era o nosso objetivo número um: recolocar o Brasil nos trilhos.

Naturalmente não quero cansá-los com números sobre a queda da inflação, dos juros, já mencionados pelo presidente Moreno, sobre os recordes na produção agrícola, Blairo Maggi, e no comércio exterior.

Os senhores e as senhoras conhecem esses números, mas quero sublinhar uma ideia-chave do nosso governo, que interessa a todos. O setor privado desempenha papel central no desenvolvimento. As empresas – pequenas e grandes – são os melhores geradores de riqueza e de oportunidades.

Nestes dois anos, nós cuidamos precisamente de desatar as amarras da nossa economia. Estamos, na verdade, construindo um Estado eficiente, que cria condições para que os empreendedores empreendam e produzam prosperidade. Ao fazê-lo, eu devo dizer, estamos cumprindo o que estabelece a nossa Constituição Federal, que, logo no seu artigo 1º, menciona os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa como fundamentos do Estado brasileiro.

 E nesta jornada, sabem todos, o primeiro passo era atacar a questão fiscal. Foi o que fizemos. Quando chegamos ao governo, o descontrole das contas públicas era um fardo cada vez maior sobre o ombro do brasileiro. Era uma situação que comprometia o nosso presente e o nosso futuro. Os juros elevados, naturalmente, inibiam o investimento, o consumo, a criação de empregos. A inflação alta, naturalmente, pesava no bolso do trabalhador.

Nós revertemos esse quadro. Apresentamos à sociedade um diagnóstico, seguimos à risca um plano de governo. Nós temos um projeto de desenvolvimento que é para todos, que promove o bem comum acima de interesses setoriais.

Por isso, logo no início, nós aprovamos no Congresso Nacional uma emenda constitucional que fixa teto para os gastos públicos, depois aprovamos, sabem todos, a modernização trabalhista, o novo Ensino Médio, a lei das estatais, o aprimoramento do mercado de crédito.

            Enfrentamos, na verdade, uma oposição aguerrida. Mas respondemos com a força do argumento, com o poder do diálogo. Diálogo: palavra várias vezes mencionada pelo Moreno, que é a marca do nosso governo.

Aliás, alguns confundem, eu quero isto em letras garrafais, a vocação para o diálogo com eventual leniência política ou fraqueza política. Na verdade, é justamente o oposto. O diálogo é da própria essência da boa política e da democracia, é, aliás, a sua fortaleza.

 Aliás, quando alguns rejeitam o diálogo e tentam parar o Brasil, nós exercemos a autoridade para preservar a ordem e os direitos da população.

            Mas, antes disso, um diálogo é fundamental. Leve quanto tempo levar, porque isso é fundamental para o exercício que a Constituição determina. Ou seja, a democracia plena no nosso país.

Por isso, costumo dizer, que o pão nosso de cada dia é falar e ouvir. É conversar, sem preconceitos, com todos os setores da sociedade – governadores, prefeitos, sindicalistas e empresários, brasileiros de todos os lugares e tendências políticas. A todos explicamos as propostas do governo. E de todos, vejam como é importante o diálogo, colhemos ponderações e sugestões. Para nós, governar é isto: é escutar, é entender os problemas, é apresentar caminhos. Foi assim – colocando a política a serviço do progresso – que aprovamos convenhamos, medidas esperadas há décadas e reconquistamos a confiança no nosso país.

Trouxemos, aliás, não é sem razão, que aqui, Moreno, Esteves, Dyogo, todos, há uma multidão de empresários, empresários brasileiros e empresários estrangeiros, naturalmente desejosos de ouvir as nossas explanações e aquelas que virão ao longo do dia e dos dias para naturalmente investir no nosso país. Por isso que nós trouxemos a agenda pública do Brasil para outro patamar. Hoje já não há como evitar os temas que são essenciais para assegurar o crescimento sustentado e a redução das desigualdades. Reforma da Previdência, simplificação tributária, competitividade da economia: são temas que, há muito, são considerados fundamentais e que nós conseguimos no nosso governo tornar obrigatório no debate político.

Muitas vezes eu digo que a reforma da Previdência, fundamental para o País, pode ter saído da pauta Legislativa, mas não saiu da pauta política para o País. Ninguém chegará ao fim deste ano ou ao ano que vem sem realizar a reforma previdenciária.

 É por isso que as próximas eleições serão tão distintas das que tivemos desde a redemocratização. Não será possível escamotear os assuntos tidos como incômodos.

A sociedade está muito mais bem informada sobre os reais desafios do País. O eleitor, naturalmente, exigirá dos candidatos posições claras, planos de governo, propostas concretas. Vai cobrar resultados.

 Os brasileiros, meus senhores e minhas senhoras, vão querer saber se os candidatos se comprometerão com o equilíbrio fiscal ou se aceitarão inflação alta e juros elevados. Vão querer saber se os candidatos prosseguirão com a reforma da Previdência ou se manterão a desigualdade dos benefícios e a insustentabilidade do sistema atual.

Os brasileiros vão querer saber se os candidatos defendem a abertura e a modernidade ou o fechamento e o atraso de nosso país.

 Está mais do que provado, ao longo do tempo, que não há alternativa à responsabilidade. O povo sabe que é a responsabilidade que traz equilíbrio às contas, crescimentos, empregos. Responsabilidade na verdade que viabiliza, convenhamos, as políticas sociais. O povo não quer saber de medidas populistas. Mais do que nunca, por isso mesmo digo eu, a hora é de acreditar cada vez  mais no nosso país.

            Nestes dois dias que os senhores terão nesse encontro os senhores poderão conhecer melhor as medidas que colocamos em marcha para aumentar a segurança jurídica e a eficiência dos mercados. Eu me refiro, por exemplo, que vai interessar muito aos senhores e às senhoras, a nova lei do pré-sal, na expansão das concessões e privatizações, na modernização dos marcos regulatórios e na desburocratização, que é algo, quando eu viajo para o exterior, que mais se pleiteia e se reclama em relação ao nosso país.

 Nós buscamos, na verdade, está aqui o nosso ministro das Relações Exteriores, uma crescente integração do nosso mercado no Brasil aos mercados globais. No Mercosul mesmo, convenhamos, nós resgatamos a vocação original para o livre mercado. Eliminamos barreiras de comércio, concluímos novos acordos e estamos avançando em processo de convergência, prezado Moreno, com a Aliança do Pacífico.

 Retomamos negociações comerciais antigas e estamos abrindo novas frentes. Já há tratativas em curso com o Canadá, a Coreia do Sul, Singapura e países europeus.

Aliás, o ministro Aloysio Nunes acaba de regressar de uma longa viagem, onde fez contatos com esses países com vistas a esse acordo. E estamos entramos na reta final para um acordo que já se pleiteia há quase 20 anos, que é o acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

 Nós somos, meus senhores e minhas senhoras, o país não membro ainda da OCDE que aderiu ao maior número de instrumentos da Organização. Nós formalizamos agora nosso pedido de acesso como membro pleno. Sinalizando com isso nosso firme compromisso com as melhores práticas de gestão pública e privada.

 Para concluir, senhoras e senhores, eu quero deixar-lhes uma mensagem de fundado otimismo: nós vamos fechar o ano com mais crescimento econômico. Convenhamos, nós pegamos o País como um PIB de -3.6; logo no primeiro ano tivemos um positivo de 1.1; neste ano, se Deus quiser, estaremos entre 2 e 2,5%. O emprego formal, reitero, tem saldo positivo. A produção de bens de capital continua a aumentar. As exportações e importações permanecem em expansão. O regime de câmbio garante ajustes rápidos. As reservas brasileiras estão em patamar elevado. O Brasil é credor externo.

            Eu não quero ir muito além, mas quero convidá-los a olhar o Brasil de uma perspectiva mais ampla.

 Somos o quinto maior país do mundo, a sexta maior população. Estamos entre as dez maiores economias. Somos o país mais biodiverso. São imensos os nossos recursos minerais. Nós temos matriz energética das mais limpas. Concentramos, aliás, ontem eu falava em 10% de água doce, mas o Jaguaribe me fez dizer que não são 10, mas 14% de água doce de todo o País, do planeta, do planeta na verdade. Nosso parque industrial é extremamente diversificado. Nossa agroindústria, Blairo, é de vanguarda. Nós somos um povo trabalhador e temos uma grande democracia multiétnica.

 Este é o país em que os convido a investir sempre mais.

 Estejam certos: investir no Brasil é ganhar.

 Muito obrigado.

Ouça a íntegra do discurso (14min52s) do Presidente. 

 

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