Discurso do Presidente da República, Michel Temer, durante 45ª Assembleia Geral Extraordinária 2018 - CONAMAD - Brasília/DF

 

 Brasília-DF, 31 de maio de 2018

 

            ...a todos que aqui se acham, deputados, senadores, e especialmente os senhores e as senhoras que nesta manhã maravilhosa de Brasília se reúnem, naturalmente para ouvir a palavra, não é? A palavra de quem vos falar. E a palavra, sabemos todos, especialmente nós que somos religiosos, e religioso… Religião é uma palavra que vem do latim religo, religare, não é? Então, toda vez que alguém fala em religiosidade, está falando numa religação entre as pessoas.

            Não é a primeira vez que eu venho a este local, não é, ministro Manoel Ferreira? E sempre recebido com este afeto religioso, este afeto de quem quer uma religação entre as pessoas. E esta é a primeira palavra. Vejam que a palavra, desde Cristo, a palavra foi que criou toda a crença, toda a verdade vem da palavra.

            Então, esta minha primeira palavra é uma palavra de agradecimento pela gentileza com que, nas várias vezes que aqui estive, e hoje também, todos os senhores e as senhoras me recebem.

            Eu devo até dizer, ministro Manoel Ferreira, Meirelles, eu devo dizer que sobre a minha mesa, desde que assumi a Presidência da República, eu tenho dois livros. Um, a Constituição Federal, para o exercício do poder temporal, para saber como eu me comporto em relação ao governo, na medida em que eu tenho a mais absoluta convicção  de que só mesmo cumprindo a lei, cumprindo a lei temporal, cumprindo a Constituição é que há harmonia na sociedade brasileira. Porque a existência das normas legais visa exatamente a organizar a sociedade, a permitir que todos convivam muito pacificamente. E, de outro lado, eu tenho a Bíblia. Não é o meu poder, não é? Mas é o poder espiritual.

            E eu confesso, nos poucos momentos que eu tenho livres, lá na minha sala, Ronaldo, os poucos momentos que eu tenho livres, na minha sala, eu abro um pouco a Constituição, quando tenho dúvida de natureza organizativa, mas abro frequentemente a Bíblia, de vez em quando abro, assim… Aliás, deixo aberta, até. Mas de vez em quando folheio, porque me dizem: “Olhe, quando você estiver numa dificuldade, veja na Bíblia, que você terá um caminho”. E não foram poucas as vezes que eu abri a Bíblia, assim, sem nenhuma intenção, a não ser aquela do tipo “Deus, me dê um caminho”. E quando eu abria, numa folha qualquer, numa página qualquer, eu lia um salmo, um provérbio, o que fosse, e lá eu encontrava o caminho para aquele dia. Porque os dias da Presidência não são dias fáceis, especialmente no momento em que o País, digamos assim, perdeu um pouco a noção da cerimônia, da solenidade, da liturgia, do respeito, da educação, não é? O             que é uma coisa importantíssima.

            Eu não vou me alongar enormemente aqui, já me alonguei demasiadamente até, na fala com os senhores presidentes, neste momento. Mas eu quero dizer, eu quero pregar aqui, se necessário for, e aqui necessário não é, mas apenas enfatizar a ideia da harmonia entre as pessoas, que os senhores pregam a todo momento.

            Eu estava contando, lá na reunião com os presidentes, que ao tempo em que eu era candidato a deputado federal, Ronaldo Nogueira, senador Medeiros, eu, muitas vezes, no final da tarde, num sábado, num domingo, eu ia para os  bairros mais distantes da capital, ou nos bairros mais distantes de cidades do interior, e lá verificava um fenômeno social interessantíssimo, que era aqueles jovens de terno e gravata, e as moças também, indo ao culto. E eu aqui comigo pensava: “Que interessante, que trabalho social extraordinário que faz a Assembleia de Deus. Porque ao invés de eles estarem na rua, ou sendo cooptados para uma ou outra atividade, diferentemente, eles estão indo ao templo para ouvir a palavra de Deus”. E eu me alegrava muito com aquilo, aquilo me animava demais, porque era o momento… Interessante, vocês sabem que durante… Nós aqui estamos muitos deputados, senadores, o Meirelles, o momento de campanha eleitoral é sempre um momento muito tenso, você tem muitas preocupações. Interessante, quando eu pousava os olhos nesses jovens que iam para o templo, ou quando, muitas vezes, convidado que era, eu chegava no templo, eu recebia uma mensagem de paz, de tranquilidade.

E eu devo dizer que eu vou sair daqui, vou para o Palácio do Planalto, naturalmente agora que, graças a Deus, nós estamos encerrando essa greve dos caminhoneiros. E, olhe, encerrando a greve dos caminhoneiros por uma atitude minha que, muitas e muitas vezes, tem sido criticada, que é o diálogo. Eu não uso a força e nem a autoridade. A força, jamais. Mas mesmo a autoridade, eu uso depois de empreender o diálogo. E o que nós fizemos, nesses oito, nove dias em que houve esta paralisação quase total do País, nós usamos o diálogo, nós usamos a palavra. Nós conversamos muito, dialogamos. Chamamos lideranças, chamamos as mais variadas pessoas. Eu e o governo todo. E conectados com os estados, os governadores dos estados, com os municípios e com a população, nós conseguimos chegar ao bom termo e, convenhamos, uma coisa extraordinária, não houve uma violência por parte do Estado brasileiro. A única morte que ocorreu, lamento dizer, foi de uma atividade política de alguém que atirou um tijolo em um caminhão e acabou atingindo a cabeça de um caminhoneiro. Mas não houve nada em oito, nove, dez dias, nós estamos saindo dela com a maior tranquilidade. Que isto sirva, meus senhores e minhas senhoras, de exemplo para o nosso país. Exemplo da força do diálogo, de um lado e da autoridade, do outro lado. Porque quando o diálogo começou a falhar, eu chamei as forças federais todas para se conectarem, para se alinharem às forças estaduais, para pacificarem o País. Isto deu resultado, deu um resultado extraordinário.

            Por isso que, hoje, acho que fui chamado no dia de hoje - viu, ministro Manoel Ferreira? - iluminado por Deus. Porque, na verdade, disseram: “Olhe, vá lá, no templo da Assembleia de Deus, comemorar a pacificação do País”. Acho que foi isso que nós fizemos, não é?

            Então, eu quero, nessas brevíssimas palavras, e antes de deixá-los, esperar, como pedi, aqui estão os pastores e pastoras, como pedi lá na reunião com os presidentes, crendo, como creio, na força do diálogo e na força da palavra, que os senhores e as senhoras, se estiverem convencidos do estamos dizendo aqui, que possam levar a todos os templos, aonde estiverem, e eu sei que muitos aqui têm templos nos espaços, nos rincões, nos cantos mais afastados, seja das grandes cidades, das pequenas cidades. Se puderem levar, como levam sempre, aliás, mas agora talvez entusiasmados por nós, se puderem levar uma palavra de paz, de harmonia, de pessoas que devem-se respeito mútuo, o culto da família, o culto da unidade, não é?

            Nós, há pouco tempo atrás, os senhores sabem que nós fizemos a grande reforma do ensino médio. E eu confesso que nessa reforma do ensino médio eu tive toda a cautela para preservar os direitos morais do nosso sistema. E nós tivemos esse cuidado, não é?

            Então, eu quero muitíssimo, nessas breves palavras, mais uma vez agradecer ao bispo Manoel Ferreira, que é meu velho, me permita dizer, viu? Não é meu velho, mas meu antigo amigo, meu antigo amigo pessoal, nós nos conhecemos muito antes de sermos deputados juntos, mas depois fomos deputados juntos e, juntos produzimos muito pelo Legislativo, creio eu, não é? E eu sempre tive o apoio do bispo Manoel Ferreira, que nos auxiliava muito no Legislativo brasileiro, trabalhamos juntos, em várias oportunidades, com o Abner, com o Samuel. Eu fui aos seus templos também, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em muitas oportunidades, e com todos aqui.

            Então eu, mais uma vez, quero saudá-los. Agradecer a oportunidade de ter tido a palavra, e que a palavra que os senhores utilizarem seja, estou repetindo, em favor da harmonia da nossa nação, especialmente agora, que nós vamos entrar num ciclo de eleições. As eleições, evidente, há controvérsias, mas que as controvérsias estejam baseadas não em pessoas, mas estejam baseadas em programas, em projetos. Porque você deve muito mais escolher não uma pessoa, mas um projeto. Então, os projetos têm que vir à luz. Nós tivemos projetos no nosso governo. Nós fizemos o teto dos gastos públicos, fizemos a modernização trabalhista, fizemos a reforma do ensino médio, fizemos a moralização das estatais, reduzimos a inflação, reduzimos juros, não é, Meirelles? Tivemos um projeto no nosso governo. E este projeto, que este não pode ser criticado. Eles criticam, muitas vezes, uma atuação política, ou qualquer coisa, mas este projeto, não há como criticá-lo, porque quem houver de criticá-lo há de dizer: eu sou contra teto de gasto, sou contra essa inflação ridícula, sou contra esses juros baixos, sou contra a moralização das estatais, enfim, tudo que nós fizemos.

            Então, neste momento digamos, em que nós vamos entrar, já há pré-candidaturas, mas num momento em que vamos entrar numa disputa eleitoral, eu me permito dizer, e peço muito aos senhores e às senhoras que examinem bem os projetos. Qual é o projeto desta pessoa? Quais são os projetos que serão levados adiante? Serão projetos em favor dele ou em favor do País? Se forem em favor do País, aí vocês podem, efetivamente, fazer uma boa escolha.

            De modo que, ao cumprimentá-los mais uma vez, eu peço, até vou tomar a liberdade, bispo, sei que fazem isso por mim, mas eu peço que orem por mim e orem pelo governo. E orando por mim e pelo governo, estarão orando pelo País.

            Muito obrigado.

 

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