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Discurso do Presidente da República, Michel Temer, durante solenidade de inauguração da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Fued Temer - Praia Grande/SP

por Portal Planalto publicado 12/01/2017 19h23, última modificação 12/01/2017 19h23

Praia Grande-SP, 12 de janeiro de 2017

 

 

          Olha, muito obrigado. Eu começo cumprimentando meu velho e prezado amigo Márcio França, vice-governador, que também representa um grande homem público e amigo, que é o governador Geraldo Alckmin, a quem eu peço a gentileza de transmitir a nossa saudação.

          Quero cumprimentar o Alberto Mourão, prefeito de Praia Grande. A sua senhora, Maria Del Carmen Mourão. E eu o faço, Mourão, com grande satisfação. Vocês sabem que o Mourão, que nós conhecemos há mais de 20 anos, frequentava muito a Secretaria da Segurança Pública quando eu eu fui secretário - aliás, pela segunda vez. E eu me recordo que o Mourão - viu, Márcio? - ia lá e dizia: “Olha aqui, toda vez que tem o período das férias, aumenta os problemas da segurança na Praia Grande e em todos os municípios da região”. E foi exatamente instado por ele que eu, pela primeira vez, mandei a polícia para cá, eu até mandei a Rota. A Rota veio e, daí, adquiriu-se o hábito de, nos municípios praianos, durante as férias, mandar-se toda a aparelhagem da segurança pública de São Paulo. Portanto eu quero, neste momento, mais uma vez, agradecer a amizade que você nos dedicou ao longo do tempo.

          E dizer, também, que eu estou honradíssimo, naturalmente, pelo fato deste belíssimo prédio levar o nome do meu irmão Fued Temer. E até eu vou… E não vou fazer discurso, mas vou prestar um depoimento, porque que será, na verdade, uma espécie de depoimento familiar. Porque é claro, os senhores podem perceber - viu, Mendonça Filho, meu caríssimo ministro da Educação -, vocês podem perceber que eu lá, sentado, enquanto todos falavam - e o Mourão recordava a figura do meu irmão -, eu me recordava de muitíssimos anos atrás, quando nós morávamos numa pequena chácara, lá em Tietê. E eu sou o último de oito irmãos e, ainda assim, meio temporão. Porque eu nasci quase sete anos depois do último dos meus irmãos. E eu me recordo, o Fued era doze, treze anos mais velho que eu.

          Eu, quando tinha três, quatro anos, Mourão e prezado vereador Passos, presidente da Câmara municipal, doutor Enoque, deputado estadual Cássio Navarro, Nanci Tavares Almeida, meus queridos amigos prefeitos, não é?

É interessante, aqui eu vou fazer um parênteses. Ao longo da vida você, ao longo da vida pública, você vai fazendo amigos na vida pública. E os que vejo aqui, Mourão, são pessoas com quem eu convivi durante largo período, nas várias campanhas para deputado federal. E é interessante que, embora, nós nos vejamos muitas vezes de tempos em tempos, quando nós nos encontramos parece que ontem havíamos nos encontrado. Então eu quero dizer dessa satisfação, fechando o parênteses, mas para recontar a história do meu irmão, e porque é que, naturalmente, eu tenho uma natural emoção quando me recordo da sua figura.

Contava eu, que eu tinha três ou quatro anos de idade, portanto ele tinha já quinze ou dezesseis anos, e ele foi o primeiro a pegar um livro, na verdade um almanaque, e me mostrar as palavras. E me dizer: "Olha aqui leia esta letra, leia aquela letra, leia esta palavra, agora junte as palavras, ou junte as letras para formar a palavra".

E é interessante que, ao longo do tempo, ele foi sempre um incentivador da minha, da minha faceta, digamos, voltamos para a educação. E quando ele veio fazer direito, no largo do São Francisco, ele ia de tempos em tempos ao Tietê e me levava livros, me levava as revistas do Centro Acadêmico 11 de Agosto, e dizia: "Leia que vai ser importante para a sua vida".

Então, digo eu como disse o Mourão, o meu irmão Fued Temer sempre foi um espelho para mim, foi aquele que inspirou, penso eu, para que eu pudesse com muita ajuda de Deus naturalmente, mas sempre com a recordação dele, inspirou-me para que eu tivesse uma vida universitária, uma vida profissional, uma vida pública de muito êxito. Não é sem razão que hoje eu compareço aqui, em Praia Grande, na condição de presidente da República.

Eu devo registrar, Mourão e prezados amigos vereadores de Praia Grande e da região, que já me honraram com o título de Cidadão de Praia Grande. Porque é interessante, eu tinha apenas o título de Cidadão de Praia Grande. Pois hoje, Mourão, com o nome do meu irmão estampado nesta escola, eu digo que a minha família tem residência em Praia Grande, não tenho dúvida disso. E felizmente o nome dado foi o nome a uma escola.

E tanto o Márcio como o Mendonça disseram dos valores da educação para o nosso país. E, por isso mesmo, eu até aproveito para dizer que muitas e muitas vezes nós vimos algumas afirmações dizendo: “Ó, o presidente, com as reformas que ele quer fazer, vai acabar com a educação, vai acabar com a saúde, vai reduzir as verbas, vai eliminar as verbas”. E eu costumo dizer que contra o argumento eu apresento o documento. E qual é o documento que eu apresento neste instante? Apresento para revelar que, diferentemente do que se costuma dizer, nós estamos revalorizando, para o Orçamento do ano que vem [2017], os valores da saúde e da educação. O documento que eu apresento é precisamente a peça orçamentária que nós estamos mandando para o Congresso Nacional. Basta saber ler - e não ter má-fé -, basta saber ler. Vai lá, lê e verifica: “Interessante, no ano passado tinha tanto para a saúde, agora tem X a mais; no ano passado tinha tanto para a educação, agora tem tanto a mais”. Então, por que é que eu digo isso? Porque nós temos ciência e consciência de que educação é fundamental para o país.

Agora, eu, lá em Tietê, andava cinco, seis quilômetros para ir à escola, andava a pé, voltava a pé. Quando havia aula de ginástica, que era à tarde, eu ia a pé, voltava a pé. Quando havia o seriado, que era às sextas-feiras, no cinema, eu ia novamente a pé e voltava a pé. Acho que foi isso que me fez tomar gosto pela caminhada, não é? E eu realmente sempre tive essa ideia de que a educação é a força que mobiliza o país. Agora, no meu tempo não tinha esta maravilhosa sala de informática… De informática, digamos, tudo é informática. Mas estas salas maravilhosas em que… em que se ensina hoje o aluno. O aluno, nessas salas, ele não só aprende como vai se divertir, não é? Ele vai ter satisfação em ter as aulas, isto acho que nos fornece a tecnologia.

          Eu até brinquei com o Márcio França que, se no nosso tempo tivesse esse tipo de aula, o Márcio França seria presidente do mundo, não é? Presidente da ONU! Não seria só vice-presidente [vice-governador] do governo do estado São Paulo, nós todos.

          Então eu, com toda franqueza, eu até quero aqui tem escrito uma fala do Joaquim Nabuco, que escreveu, certa vez, que a melhor educação é aquela que consegue transmitir de uma geração para outra maior soma de experiência e sabedoria. E o que nós estamos vendo nesta escola, com esses métodos moderníssimos, senhora secretária da Educação, que nós estamos vendo com estes métodos moderníssimos, é que nós estamos, de uma para outra geração, transmitindo uma soma maior de experiência e sabedoria.

          Eu não preciso naturalmente elogiar o Mourão, não preciso elogiar os prefeitos, amigos que estão aqui que fazem um belíssimo trabalho em todos os seus municípios. Mas é exatamente essa conjugação de ação... Aliás, eu quero registrar um fato e um agradecimento aos senhores prefeitos e vereadores que vieram aqui todos, porque eu penso que não vieram ver o presidente da República não; vieram ver o Michel Temer, o nosso velho amigo. E por isso eu quero agradecer muitíssimo a presença dos senhores prefeitos e vereadores das cidades próximas aqui a Praia Grande. E dizer que o que nós precisamos no Brasil é disso: de incrementar cada vez mais a educação, de melhorar a saúde no país e de realizar eventos governativos que visem à unificação do nosso país, à pacificação da sociedade brasileira. É isso que nós precisamos.

E é interessante, embora, tenhamos apenas, convenhamos, sete, oito meses de governo, os senhores vejam que a inflação, que é algo que atormenta a vida das famílias, caiu de 10.70 para 6.29. Os senhores sabem que a inflação calculada como razoável pelos governos é aquela de 0 a 6,5; e o centro da meta 4,5. Pois nós, com esse pouco período, nós viemos abaixo do teto da meta. E o trabalho, agora, é que neste ano nós estejamos no centro da meta, ou seja, 4,5%.

Outra coisa que vocês sabem que, de alguma maneira, perturba a vida industrial, os setores de serviços, é a questão dos juros. Juros muitos autos revelam um desestímulo para quem quer investir. Pois muito bem, nesse breve período, primeiro foi 0,50; ontem foi 0,75. E nós vamos nessa toada, digamos assim, sem que eu queira dar palpite na área financeira, mas nós vamos nessa toada, pouco a pouco, sair dos dois dígitos para um dígito só em matéria de juros na economia brasileira.

          Outra coisa interessante: nós precisamos injetar recursos na economia brasileira. Há pouco tempo nós tivemos uma ideia fruto dos diálogos do nosso governo, que nos permitiu fazer com que nós viéssemos a liberar todas as contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Os senhores sabem que isso representa, mais ou menos, mais de 30 bilhões de reais que, a partir de fevereiro, começarão a ser sacados - nós vamos esclarecer isso até em propaganda pela televisão -, começar a sacar os valores do fundo de garantia injeta na economia.

          Aqui muita gente tem cartão de crédito, e certa e seguramente ficaram espantados Márcio, quando o chamado crédito rotativo, se não pagasse na data do vencimento, no crédito rotativo tinha juros de 480%. Eu chamei os dirigentes da área econômica e disse: Não dá não, não vamos tolerar isso. Conversamos, dialogamos, ajustamos, porque nada neste governo é feito de cima para baixo, mas é feito por meio do diálogo e da composição. E conseguimos que o juro viesse a menos da metade, portanto, a 180% mais ou menos, que já é muito, mas não são mais os 480%.

Estou dizendo isso apenas para revelar que, em pouquíssimo tempo, estou aproveitando aqui o auditório, mas em pouquíssimo tempo nós conseguimos realizar boas coisas no nosso país. Já mencionou o ministro Mendonça a reforma do Ensino Médio.

E é interessante, vocês sabem de uma coisa, viu Márcio, essa reforma do Ensino Médio ela acaba permitindo que naqueles últimos anos - não é Mendonça? - a pessoa possa escolher as disciplinas que quer fazer. Porque se ele vai para área de ciências humanas, é uma coisa; se ele vai para ciências exatas, é outra coisa.

Eu aqui faço mais uma recordação do tempo que eu convivia com o meu irmão Fued. Lá no Tietê havia um curso Clássico nos últimos três anos, para quem ia para Direito ou Literatura, etc. Havia o curso Científico para quem ia para Medicina, Engenharia, enfim, ciências exatas. De alguma maneira nós estamos retornando com as lições extraordinárias do passado. Porque a metodologia que se engendrou ao longo do tempo fez com que notícias e mais notícias revelassem que os alunos fazem o curso fundamental e saíam sem saber multiplicar, dividir, sem  saber falar o português.

          Então, esta reforma no Ensino Médio é uma das reformas fundamentais - e eu falo isso porque estou numa escola fundamental -, é fundamental, digamos assim, para a educação brasileira.

          Então, meus amigos e meu prezado e querido Mourão. Eu fico… Eu vim até aqui porque se tratava, na verdade, de uma homenagem ao meu irmão. Mas viria de qualquer maneira, porque vocês sabem que estava nos meus planos visitar Praia Grande e os municípios da região. Pouco a pouco, especialmente neste ano, eu quero fazer uma passada pelos municípios da região, pelos municípios do estado de São Paulo, como tenho feito em municípios do Nordeste, em municípios do Sul e todo o Sudeste do nosso país.

          Mas eu quero, em meu nome, em nome do sobrinho (incompreensível) que está aqui, também sobrinho do meu irmão, eu quero agradecer mais uma vez esta delicadeza extraordinária, porque é o reconhecimento ao Fued. O Fued era um homem - o Mourão conheceu - de uma delicadeza, de uma fineza, de uma competência profissional, professor que era na Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, extraordinárias. E, portanto, esta homenagem, eu sei que, claro, está pautada pelo currículo do meu irmão, mas fundamentalmente pela amizade que você tem por mim e pela família Temer.

          Portanto, a todos vocês muita gratidão. E, portanto, me conservem aqui. Quando passarem por aqui, deem uma olhada no nome do Fued que diz: “A família Temer reside na Praia Grande”. Muito obrigado.

 

 Ouça a íntegra (16min54s) do discurso do Presidente Michel Temer