Você está aqui: Página Inicial > Acompanhe o Planalto > Discursos > Discursos do Presidente da República > Discurso do Presidente da República, Michel Temer, durante jantar de homenagem oferecido pelas Entidades Líbano-Brasileiras - São Paulo/SP

Discurso do Presidente da República, Michel Temer, durante jantar de homenagem oferecido pelas Entidades Líbano-Brasileiras - São Paulo/SP

por Portal Planalto publicado 10/04/2017 23h31, última modificação 12/04/2017 18h19

São Paulo-SP, 10 de abril de 2017

 

 

          A todos os amigos que estão aqui, amigos e amigas.

          Mas quero cumprimentar especialmente o Gilberto Kassab, o Márcio França,

          Os deputados federais, muitos aqui me honrando com a sua presença,

          O Ari Masum, juiz federal,

          O senhor Kabalan Frangieh, cônsul-geral do Líbano em São Paulo,

          O senhor Paulo Skaf, presidente da Fiesp,

          O Guilherme Afif, presidente do Sebrae,

          O Alfredo Cotait, presidente da Câmara e Comércio Brasil-Líbano,

          O Luiz Henrique Maksoud, presidente do Clube Monte Líbano,

          O Mohamed El Zoghbi, presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil.

          Senhor embaixador Joseph Sayah,

          Enfim, cumprimentar a todos que aqui se acham. São tantos, tantas autoridades e tantos amigos que eu, digamos assim, certa e seguramente, estou me dispensando de mencionar a todos que aqui se acham. Mas o que mais me toca é, logo na entrada daqui do clube, ter abraçado muitíssimos amigos, amigos de longa data, que sempre me prestigiaram, ao Cotait, continuam me prestigiando com muito agrado para mim e, naturalmente, agrado para todos os senhores.

Eu quero até inauguralmente, inicialmente, dizer que eu quero prestar uma homenagem. Assim como estou sendo homenageado, eu quero prestar, inicialmente, uma homenagem ao Líbano e ao Brasil. Ao Líbano, pela minha origem. E ao Brasil por ter nos acolhido, como nos acolheu a todos. Especialmente, especialmente, meus amigos, no caso dos meus pais. Aqui se descreveu que meus pais vieram para o Brasil em 1925.

Mas eu quero apenas recordar, e apenas para revelar, o acolhimento extraordinário que o Brasil faz aos nossos… aos imigrantes em geral, particularmente aos libaneses, aqueles de origem árabe. Eu quero recordar com muita emoção que meus pais vieram para cá, casaram-se no Líbano, tiveram os três primeiros filhos no Líbano e só depois, vindo para cá, tiveram mais cinco filhos, e eu sou o último deles.

Então, vejam, Beto Mansur, que eu sou, Curitati, eu sou primeiríssima geração, primeiríssima geração e cheguei onde cheguei. Fruto naturalmente da tranquilidade, da serenidade, do trabalho e do empenho com que meus pais dedicaram à família e ao Brasil. Eu até costumo dizer, com muita frequência,  que meu pai, eu era garoto, e sempre ouvia meu pai dizer aos meus irmãos mais velhos que o Brasil era o país onde se fazia a América. Fazer América na concepção libanesa era vir, Márcio França, para buscar o progresso, a prosperidade. Esta é a ideia de “fazer a América”.

Portanto, agradecer imensamente o gentilíssimo convite para este jantar. Aos organizadores todos, que foram aqui mencionados, eu quero apresentar a minha sincera gratidão.

Não preciso dizer da emoção com a iniciativa desta homenagem. Mas, se me permitem, eu quero lhes falar do sentido que vejo nessa celebração. O que homenageamos, o que celebramos hoje, não é apenas um descendente de libanês, ou de libaneses, na Presidência da República. Mas homenageamos e celebramos, isso sim, uma obra coletiva. Uma obra coletiva que é também da comunidade libanesa. Uma obra coletiva chamada Brasil. Esta é a grande realidade.

Nós somos milhões de descendentes em nosso país. E até peço ao embaixador que transmita ao presidente Michel Aoun também a nossa saudação. E eu quero recordar que quando eu estive pela segunda vez no Líbano, sendo recebido pelo senhor presidente Michel Sleiman, ele me disse: “Olhe, você”  eu era vice-presidente na época  “você é mais presidente do Líbano do que eu, porque o Brasil tem mais de 10 milhões de descendentes, e aqui nós temos seis ou sete milhões”. Então, vejam a força, as potencialidades, da comunidade libanesa no nosso país.

E nós somos isso. Nós somos frutos de uma história de superação, de aventura, de destemor. Quantos, convenhamos, de nossos pais, avós ou bisavós não se identificariam plenamente com a descrição do grande escritor libanês Amin Maalouf, que dizia: “Sou filho da estrada, meu país é uma caravana, e minha vida, a mais inesperada das jornadas”. A caravana, a jornada de tantos de nossos antepassados convergiram para este País, para este salão e para este momento.

Porque nós somos, meus amigos, nós somos frutos do empreendedorismo daqueles que, vindos dos quatro cantos do mundo, construíram novas vidas, construíram um novo País. Convenhamos que nossos antepassados, de alguma maneira, se equiparavam aos bandeirantes. Os bandeirantes que fazem o orgulho da história brasileira também podem, volto a dizer, assemelhar-se àqueles libaneses, árabes, em geral, que saiu mascateando por todo o interior do estado de São Paulo e dos vários estados brasileiros, desbravando, portanto, o nosso país. E nisso, nessa atividade, eles ajudaram a moldar a vida econômica, até a vida social e a vida política do Brasil. Araram a terra. Fundaram empresas. Produziram riquezas. Ergueram hospitais.

Sempre se diz, aliás, que a comunidade libanesa ajudou a fazer o Brasil. Pois diria que mais do que ajudou, na verdade, foi protagonista dessa obra plural que somos todos nós. Compõe, digamos assim, nossa própria identidade nacional. Porque, afinal, foi também pelo esforço de milhões de libaneses que o Brasil se fez brasileiro, foi pelo esforço de milhões e milhões de imigrantes de todas as partes do mundo que somos o que somos.

Portanto, senhoras e senhores, há pouco mais de quatro meses, celebramos aqui em São Paulo a 1ª Conferência Latino-Americana com a denominação “O Potencial da Diáspora Libanesa”, com o chanceler Gebran Bassil. Naquele mesmo contexto, também recebemos missão do Conselho Empresarial Líbano-Brasileiro – aliás, devo até registrar, Cotait, que o grupo presenteou-me amavelmente com uma pintura de pequena vila no Líbano, imagem que gosto de pensar, porque terá sido, como era a cidade dos meus pais, precisamente o local da infância do meu pai.

E, em ambas as ocasiões, nós pudemos cuidar de incrementar, desenvolver as nossas relações bilaterais, incrementar o comércio, os nossos investimentos. Encontramos novas oportunidades de negócios. Ou seja, eu quero com isso significar que não se trata apenas da presença dos libaneses no nosso país a ajudar a construção do Brasil. Nós estamos também avançando nas nossas interações comerciais, políticas, sentimentais, permanentemente. E, aliás, devo até dizer que me esforçarei muitíssimo agora, para, senhor embaixador Sayah, para incrementar as negociações para o acordo do livre comércio Mercosul e Líbano. Ficou paralisado um pequeno tempo, mas eu quero agora incrementá-lo. E vocês sabem que nós estamos liderando a missão marítima da Unifil. Eu tive a oportunidade de visitar a fragata brasileira que, ao sul do Líbano, faz a proteção das fronteiras, em nome da paz.

Aliás, por falar em paz, eu quero aqui expressar uma preocupação com o nosso vizinho país, a Síria. Eu rogo, dessa tribuna, eu rogo a Deus, que ilumine todos aqueles que habitam a Síria, governantes e governados. E as nações do mundo todo, particularmente os integrantes da Organização das Nações Unidas, para logo tenhamos paz naquele nosso país vizinho que, de alguma maneira, tem no Líbano o agasalho para muitos dos refugiados sírios. E eu tenho dito, como disse na Assembleia-Geral das Nações Unidas, quando se tratou da questão dos refugiados, nós dissemos que aqui no Brasil nós estávamos abertos aos refugiados sírios, como estivemos abertos, ao longo do tempo, para toda imigração mundial. Portanto, nós queremos, na verdade, fortalecer sempre mais a parceria entre o Brasil e o Líbano.

Nossas relações com o Líbano, convenhamos, são de fraternidade, de solidariedade. E o são  vou dizer o óbvio  há mais de um século. Esse relacionamento secular remonta à visita de Dom Pedro II em 1876. Com delegação, imaginem os senhores e as senhoras, com uma delegação de mais de duzentas pessoas. Naquela época, o imperador Dom Pedro II percorreu o país dos cedros, encontrou grandes lideranças da época, recordo aqui, como o Patriarca Maronita Boulos Massad, o governador de Baabda, Rouston Mariani. Abrimos logo depois, tempos depois, um Consulado em Beirute, em 1930. É isso, não é, embaixador? E estabelecemos relações diplomáticas em 1945. Portanto, nossos laços, ao longo do tempo, só fizeram estreitar-se nessa amizade que só fez aprofundar-se.

          Meus amigos, minhas amigas.

O Brasil, permitam-me alongar um pouco o discurso para dizer que o Brasil passa por grandes transformações. Nós recebemos o País na maior crise econômica de nossa história. Agora, o momento é de superação. Agora, o momento é de encarar, sem rodeios, os nossos desafios, como estamos fazendo de um ano para cá. Eu tenho menos de um ano de governo, mas já realizamos uma ambiciosa agenda de reformas. Reformas, convenhamos, que eram, há muito tempo, necessárias e que se tornaram inadiáveis.

E devo dizer, eu vou aproveitar aqui os senhores e às senhoras, porque, em todo local onde eu estou, eu digo um pouco daquilo que nós estamos fazendo. E, ao dizer o que estamos fazendo, eu costumo salientar que nossas reformas têm duas vertentes: de um lado, ajustar as contas públicas. Porque a crise que herdamos tem raiz fiscal. De outro lado, melhorar o ambiente de negócios, que sem previsibilidade e segurança jurídica não há investimentos, não há crescimento, não há empregos.

Já começamos a colher os resultados. Convenhamos, o risco-país, aquele que nos tirou do grau de investimento, estava, quando assumi, acima de 500 pontos, na verdade, 575 pontos negativos. E, hoje, estamos na casa de 270 pontos. Ou seja, quando chegarmos a 240 pontos, e somadas outras circunstâncias, nós recuperaremos o nosso grau de investimento. A nossa inflação, vocês sabem disso, nós estávamos em 10.70 [%] quando assumimos o governo, hoje, está em 4.55 [%]. A indicar, portanto, que ao final deste ano nós estaremos abaixo do centro da meta da inflação, que é 4,5%. Talvez estejamos em torno de 4%, se não estivermos a menos de 4%. Os juros, por sua vez, têm baixado – não por voluntarismos, mas porque criamos condições que permitiram a queda.

E as notícias boas, meus amigos, permitam-me que diga, continuam chegando. Hoje mesmo, aliás, notícia de agora há pouco, pouco antes de sair para cá, soubemos que na primeira semana de abril tivemos superavit comercial de mais de um bilhão e meio de reais – 22% a mais do que o mesmo período no ano passado. Então vejam que o Brasil está voltando ao prumo, voltando ao prumo. É o Brasil voltando aos trilhos do desenvolvimento.

Aliás, só para dar uma notícia: a Moody’s, no passado, há pouco mais de um mês atrás  é uma agência que examina o grau de investimento  nos tirou, o Brasil, do patamar negativo para o patamar estável. E hoje, exatamente hoje, alterou a avaliação de longo prazo da Petrobras – elevou de B2 para B1; portanto, de perspectiva estável para positiva. Os senhores sabem que, há tempos atrás, um ano e meio atrás, falar da Petrobras era quase uma palavra feia. Hoje, quem aplicou na Petrobras há dez meses atrás teve um lucro no mercado de 145%, que foi a progressão do mercado em relação à Petrobras. Portanto, digo eu: quantos brasileiros, não há muito tempo, não ficavam desconcertados, envergonhados até com as notícias que vinham da Petrobras? Pois, com gestão profissional, com gente competente, com seriedade, devolvemos essa grande empresa ao Brasil. Devolvemos ao povo o orgulho de uma das nossas maiores companhias.

Eu ressalto esse aspecto porque, na verdade, várias empresas brasileiras que estavam no mercado sendo avaliadas negativamente hoje são avaliadas positivamente. E fizemos, como sabem, muitas… Eu peço desculpas por estar alongando o discurso, mas estou aproveitando aqui para que os senhores e as senhoras depois possam… os senhores e as senhoras possam depois nos ajudar, como nós, libaneses, ajudamos a construir o Brasil, que vocês todos, nós todos, possamos, juntos, ajudar a reconstruir o nosso país.

Por isso, estou insistindo em dizer que um dos grandes desafios que tivemos e, convenhamos, antes de algumas reformas, nós cuidamos, falei do ajuste fiscal, não é? Nós cuidamos precisamente da contenção dos gastos públicos, porque nós tínhamos gastos desarrazoados. Na nossa casa, nós sabemos, nós podemos gastar aquilo que ganhamos, aquilo que arrecadamos. No Brasil não, gastava-se irresponsavelmente. Nós estabelecemos um teto dos gastos públicos, e só gastamos aquilo que arrecadamos. Nós apanhamos o Brasil com um déficit extraordinário. Fizemos essa reforma com apoio do Congresso Nacional.

Como fizemos  talvez não tenha tanta repercussão, mas foi uma coisa importantíssima – fizemos a reforma do ensino médio. Vocês sabem que eu fui presidente da Câmara, em 1997, e já se falava em reforma do ensino médio. Passou-se um período de 20 anos, e a única coisa que se dizia é que os nossos alunos não sabiam falar o português, não sabiam multiplicar, não sabiam dividir. E nós ousamos fazer a reforma do ensino médio, até a fizemos por medida provisória. E foi longamente debatida, como debatida fora ao longo do tempo, e foi aprovada. Portanto, duas reformas fundamentais.

Estamos fazendo agora a chamada modernização da legislação trabalhista, para agilizar os investimentos, para dar segurança jurídica a quem investe. E nós fizemos, meus amigos, por meio do diálogo. Vocês sabem que na reforma trabalhista, na modernização trabalhista, houve um diálogo entre empresários e empregadores [empregados] e, no fim do ano passado, nós mandamos esse projeto ao Congresso Nacional, quando, de um lado, falaram sete ou oito sindicalistas, e sete ou oito empresários, entre os quais o nosso presidente da Fiesp, o Paulo Skaf. Mas foi fruto do diálogo que nós instalamos no País. E sabe que o libanês costuma muito dialogar, conversar, podem até fazer bons negócios, mas por meio do diálogo, sempre foi assim, nós fizemos exatamente isso no Brasil.

E agora, sabemos todos, o grande desafio é a reforma da Previdência, que é fundamental para o País. Eu quero muito contar com o apoio dos senhores e das senhoras, que quanto mais fala-se nela, mais as pessoas se convencem. Nós enviamos essa proposta ao Congresso Nacional, que, naturalmente, agora, é o senhor desse processo. Nós estamos até negociando os termos da reforma a ser aprovada. É uma dinâmica natural de diálogo, volto a dizer, inerente à experiência democrática. De nossa parte, nós temos um duplo objetivo: adaptar a Previdência à nossa realidade demográfica, tornando-a financeiramente sustentável e salvando-a da falência. E, naturalmente, combater privilégios, fazendo com que todos os que recebem valores salariais ou vencimentos, ou subsídios, tenham o mesmo padrão para efeito de aposentadoria. Não haverá mais diferenciação entre as várias categorias.

Sempre me perguntam: “Mas político não vai ter uma coisa diferente?” Não vai ter, não. Os políticos se aposentarão como se aposentam os membros da Previdência geral. Os servidores públicos se aposentarão como se aposentam os servidores da Previdência geral. De modo que isto é para fazer o equilíbrio absoluto entre os vários setores sociais.

Portanto, isso que nós estamos fazendo, meus senhores e minhas senhoras, é tudo em favor do futuro, para garantir a higidez das contas públicas, para garantir que os aposentados atuais continuem a receber suas pensões e, especialmente, para garantir que os programas sociais que nós estamos patrocinando possam continuar e que aqueles mais jovens, no futuro, possam também desfrutar de uma adequada pensão previdenciária.

Encerro dizendo que é muito importante que a sociedade saiba que, se não reformarmos a Previdência, estarão comprometidos, como acabei de dizer, não só os aposentados de amanhã, mas os de hoje. Se não reformarmos a Previdência, perpetuar-se-ão privilégios injustificáveis. Mais ainda, se não reformarmos a Previdência, será abalada a confiança de investidores e consumidores – confiança que, convenhamos, nos últimos meses, temos recuperado, com muito esforço, de forma metódica e consistente. A Previdência, enfim, poderá ver-se ameaçada à própria trajetória de recuperação de nossa economia. Estas são as verdades sobre essa reforma.

De modo que eu quero muitíssimo agradecer a todos os senhores e às senhoras. E pedir que, tal como eu disse no início da minha fala, se os libaneses ajudaram a construir o País, é preciso que todos os descendentes de libaneses, árabes em geral, que estão aqui, possam ajudar a reconstrução do nosso país. Se os senhores se dedicarem, assim como fizemos um país grande, faremos do Brasil um país sustentável e um país que vai receber, por força da atuação da nossa comunidade e de todos os brasileiros, vai receber o aplauso de todas as nações do mundo e o desejo de que o Brasil  esse é o nosso desiderato final  que o Brasil ocupe uma das principais posições na economia mundial. Eu conto com os senhores.

Muito obrigado pela homenagem. E muito obrigado pelas palavras que me foram dirigidas.

 

Ouça a íntegra (23min37s) do discurso do Presidente Michel Temer.