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Discurso do Presidente da República, Michel Temer, durante cerimônia de posse do ministro da Cultura, Roberto Freire - Brasília/DF

por Portal Planalto publicado 23/11/2016 16h00, última modificação 23/12/2016 21h43

Palácio do Planalto-DF, 23 de novembro de 2016

 

 

Olha, meus amigos e minhas amigas, eu quero fazer como o Roberto. Eu vou cumprimentar coletivamente os senhores ministros, os senhores parlamentares do Senado e da Câmara, cumprimentar o Eliseu Padilha e, naturalmente, lançar um cumprimento especialíssimo ao Roberto Freire.

Interessante, quando o Roberto se equivocou no nome do Padilha, falando “Eliseu Resende”, ele quis significar, na verdade, o longo período de atuação política que teve em todos esses anos.

E eu devo confessar ao Roberto, aqui diante de uma plateia muito significativa. Você veja que aqui há senadores, deputados, ministros da melhor qualificação pessoal, intelectual, política. E são figuras, vejo pela fisionomia de todos e pela atuação histórica que de muitos acompanhei, que são todos preocupados com o Brasil. Tal como você acaba de revelar no seu discurso.  

E eu confesso a vocês, interessante, eu cheguei aqui na Constituinte. Mas quando cheguei na Constituinte, o Roberto Freire já era uma grande figura da política nacional. E muitas e muitas vezes eu acompanhava com muito interesse os discursos que o Roberto fazia, as intervenções sempre muito adequadas, às vezes até muito rigorosas - não é? - muito rigorosas, e ele não se recorda, mas algumas vezes nós íamos jantar, naquele tempo eu calouro ainda e ele já veterano, e um dia tentei fazê-lo recordar mas ele não se lembrava, o que significa que na verdade as pessoas muito importantes, às vezes não percebem os mais singelos.

Então, eu estou dizendo isso, para revelar - viu, Roberto? - que a felicidade cívica, a felicidade pessoal que eu tenho, por poder designá-lo como ministro da Cultura.

E é interessante, prefeito Greca, é interessante como a vida tem acidentes não é? Eu me recordo que tão logo se esboçou a perspectiva de eu vir a ser presidente ainda interino, eu convidei o senador Cristovam e o Roberto Freire para uma conversa no gabinete e disse: olhe... Isto foi assim, há uma semana, dez dias antes da perspectiva de assumir a Presidência, eu disse: “Olhe, se isso vier para a minha atuação, eu gostaria de tê-los ao meu lado na Cultura”. Ao que logo o senador Cristovam disse: “Será o Roberto”. E eu disse: está feito, fechado, será o Roberto logo naquele momento.

Mas depois, ao longo do tempo, como eu fui muito criticado porque iria reduzir o número de ministérios, o Roberto - isso só para revelar a grandeza do homem público - o que ele fez? Ele, que já praticamente houvera sido designado como ministro da Cultura, foi a mim e disse: “Temer, você tem que reduzir os ministérios, porque senão você vai apanhar demais. Então você, e para revelar como você tem que reduzir, faça o seguinte, se quiser meu cargo está à disposição e, evidentemente, a minha pasta.”

Eu como tinha na cabeça coisas de antigamente, a figura do MEC, Ministério da Educação e Cultura, disse: muito bem eu vou fazer o seguinte, vou reunir Educação com Cultura, como reduzi outros tantos ministérios.

E logo depois, vocês acompanharam, houve uma grita natural da cultura ao fundamento de que a junção de ambos reduziria a qualificação da Cultura e acho que nós, quando alertados ou contestados, devemos verificar a procedência ou improcedência destas contestações. Quando as contestações forem legítimas, isto é o que determina o espírito democrático, você revê o ato. E foi imediatamente o que eu fiz mediante revisão desse ato. Mas a esta altura não possível levá-lo porque havia outra, outro companheiro já ocupando a Secretaria da Cultura e as coisas assim se passaram.

E vejam o que é a história: num dado momento eu peço ao Roberto: Roberto você pode assumir a Cultura? Ele, até devo dizer: “primeiro vou consultar minha mulher” - não é? - “amanhã eu te dou uma notícia”. Eu disse: Roberto você tem um telefone ao seu lado? “Tenho”. Então consulte a sua mulher agora e me dê a resposta em 10 minutos. E ele, em oito minutos, eu marquei no relógio, oito minutos. Pelo o que eu devo confessar, eu devo a sua assunção no ministério à sua senhora. Se não fosse ela, nós não teríamos essa alegria cívica que estamos tendo no dia de hoje. E quando vocês vêem o discurso do Roberto Freire, vocês percebem que é uma declaração de princípios. E é o que eu espero do Roberto.

Ainda há pouco eu dizia: olhe, Roberto, você não vai cuidar apenas da Cultura. Claro que fundamentalmente vai fazê-lo, mas eu quero que você esteja ao meu lado para me ajudar a governar. E quando ele faz o discurso, ele dá uma amplitude tal, que não se cinge apenas à Cultura, mas se cinge aos interesses do Brasil. Em momentos, convenhamos, difíceis, em momentos em que as cobranças são muitas, em momentos em que as pessoas não percebem que estando nós outros no Brasil numa recessão profunda, exige-se logo o crescimento, passando por cima da recessão.

E nós que temos ciência, consciência, serenidade, tranquilidade para saber que é preciso primeiro vencer a recessão e depois retomar o crescimento, porque o crescimento é consequência precisamente da cessação da recessão, e com o crescimento é que vem o emprego. Nós temos fases determinadas que nós estamos trabalhando, atravessando, não é? Agora, com a PEC e com a Proposta de Emenda Constitucional do teto de gastos públicos, ao depois com a reforma da Previdência que eu tenho anunciado, afirmado, reafirmado como indispensável.

E ontem, ainda, eu digo aos senhores e às senhoras que, preocupados com a Federação brasileira, nós reunimos aqui os 27 estados da Federação, que vieram para cá para dizer: “Olhe, nós, evidentemente, precisamos de verbas para suportarmos os desastres que nós temos lá no estado, entre outras razões, precisamente pela questão previdenciária. Mas, de outro lado, nós viemos também, para dizer que não só vamos seguir o exemplo da União, portanto, estabelecer teto de gastos, estabelecer regras rígidas para o controle dos gastos públicos, como também viemos para dar apoio às iniciativas do governo federal, porque o governo está no caminho certo”.

Ora bem, no dia de ontem, portanto, Roberto, nós conseguimos aquilo que é fundamental numa federação, ou seja, a ideia de que União, estados e, no particular, municípios devem trabalhar juntos em função do país. E, curiosamente, muitos sustentaram: independentemente de interesses partidários. Nós temos que nos dar as mãos, neste momento, para que possamos tirar o país da crise e gerar o crescimento e, ao depois, o emprego pleno no nosso país.

Então, Roberto, você traz para o governo esta simbologia. A simbologia de quem tem um passado de lutas em favor do Brasil. Aliás, um dos jantares que estávamos, estávamos eu, você e o Jarbas Vasconcelos, acho que o Jarbas se recorda mas você se esqueceu, não é?

Então nós temos hoje a absoluta certeza de que o governo está ganhando muito. E se o governo foi bem até agora, eu vou dizer a vocês: a partir do Roberto vai ganhar céu azul, vai ganhar velocidade de cruzeiro e vai salvar o Brasil.

Parabéns, Roberto.

 

Ouça a íntegra do discurso (09min48s) do presidente Michel Temer