Discurso do Presidente da República, Michel Temer, durante Cerimônia de Lançamento do Plano Safra 2018/2019 do Banco do Brasil

 

Palácio do Planalto, 04 de julho de 2018.

Olha, eu quero, inicialmente, fazer alguns registros. O primeiro deles é em relação ao Paulo Caffarelli. Eu, há tempos atrás, recebi um telefonema do Caffarelli me dizendo: “Olhe presidente, eu quero lhe dizer  que quando nós chegamos ao governo a ação do Banco do Brasil valia tanto e agora, dois anos e pouco depois, dois anos depois, vale três vezes mais”, o que significa que o patrimônio público aumentou três vezes sob o comando do Caffarelli.

Mas, mais do que isso, o Caffarelli é capaz de acompanhar a movimentação  político-administrativa nacional, e prontamente encaminhar soluções. Eu digo isso para referir-me ao fato de que, em razão da greve dos caminhoneiros, evidentemente os produtores rurais e aqueles dedicados ao agronegócio, tiveram os maiores embaraços.

Pois muito bem, o Banco do Brasil, por meio do Caffarelli e da sua diretoria, veio logo a público para dizer: “Olha, nós vamos dar uma linha especial de crédito, com juros especiais, para esses que sofreram as consequências desta greve dos caminhoneiros”.

Então eu quero inicialmente registrar este fato para dizer da satisfação de estar aqui ao lado de todos os senhores e senhoras, e também cumprimentar o Caffarelli, pela oportunidade, digamos assim, psicológica, não é? Ele, vejam quantas palmas ele pediu, logo ao início da sua fala, o que cria uma energia muito positiva aqui no auditório, uma quase espiritualização do ato que nós estamos praticando. Portanto, o Caffarelli, merece um aplauso.

Elogio por elogio, eu quero lançar um para o Blairo Maggi. O Blairo Maggi - não estou devolvendo os elogios não, estou fazendo novos elogios -,  o Blairo Maggi, desde de o início da minha gestão, aliás, quando eu o chamei, indicado que foi, como ele disse, eu disse: “Ô Blairo, você conhece a área como ninguém, de modo que o que eu mais espero é que você me procure o menos possível. Porque, certa e seguramente, você saberá conduzir isto com uma maestria extraordinária, não só porque é produtor, mas como alguém identificado com o setor”. E vejam, como lembrava o Caffarelli, que eu estive praticamente em todos os eventos, não é? Em todos os eventos referentes aos financiamentos, aos vários financiamentos e a cada momento que eu venho a  esta reunião há o aumento do crédito para o agronegócio, para a agricultura. E eu penso que isto deriva muito dessa interação entre o Ministério da Agricultura, o Banco do Brasil e, naturalmente, com todos os ministérios. Então, em face dessa tranquilidade que o Blairo me deu ao longo do tempo, merece aplausos.

De igual maneira, meus senhores e minhas senhoras, o Eduardo Guardia. Eduardo Guardia, desde o início da nossa gestão, teve uma ação extraordinária no governo, e essa extraordinariedade deriva precisamente do fato de nós termos estabelecido um teto para os gastos públicos. Então vejam o drama pelo qual passa o ministro da Fazenda. Em tempos em que teto não havia, evidentemente o ministro da Fazenda estava muito mais à vontade para gastar aquilo que quisesse, hoje ele tem que controlar os gastos. E, muito legitimamente, todos os interessados em créditos e valores vão pressionar o presidente que, por sua vez, pressiona o Guardia. Mas o Guardia tem uma capacidade extraordinária administrativa, capaz de compor os vários interesses, de molde a manter o teto dos gastos públicos e, ao mesmo tempo, sob o foco político, também assegurar a vantagem para aqueles que vêm pleitear financiamentos, valores, etc. Daí, porque, também peço a ele um caloroso aplauso.

Quero mencionar a Tereza Cristina, presidente da Frente, com quem eu tive a melhor relação ao longo do tempo. E ao fazê-lo, eu quero significar que também isto revelou uma interação, uma integração muito grande entre o setor da agropecuária, do agronegócio, da agricultura com o governo.

E é interessante, deputada Tereza, que o agronegócio, a agricultura em geral, sempre foi um dos suportes, um dos sustentáculos de todo e qualquer governo. Mas eu ouço dizer que, neste último governo, o agronegócio, a agricultura, progrediram enormemente, e progredindo enormemente puderam assegurar até, digamos, um PIB,  quando nós tínhamos um PIB, quando eu entrei no governo, o PIB anterior era menos 3,6%, logo no primeiro ano nós fomos a 1%, e agora, mais... era 3 no começo, agora 2%, por aí, em torno das dificuldades naturais que temos passado. Mas sempre tive uma colaboração extraordinária do agronegócio, da agricultura, por meio da liderança da Tereza Cristina. Por isso também, se me permite eu quero pedir um aplauso à Tereza.

De igual maneira, o nosso Bonifácio de Andrada que está aqui, não é Bonifácio? O Bonifácio, é Bonifácio de Andrada. E os senhores sabem que Andrada teve uma presença no Brasil desde antes da Independência. Então, Caffarelli, quando você diz que foi em 1808, que se criou o Banco do Brasil,  já havia a presença da família Andrada, que depois colaborou enormemente, ao longo do Império e ao longo da República para o prestígio do nosso País. Por isso também, aplauso para o Bonifácio de Andrada.

De igual maneira, meus senhores, o deputado Carlos Melles. Sabe que o Carlos Melles é vinculadíssimo - não é, Tereza? - à área de agricultura, como também o Alfredo Kaefer. O Alfredo Kaefer, igualmente vinculado à área da agricultura e ambos têm estado inúmeras vezes comigo, no Palácio do Planalto, no Palácio do Jaburu, com agenda ou sem agenda, não importa, não é? Mas sempre estão comigo com vistas a pleitear em favor da agricultura brasileira. E como aqui, Melles e Kaefer, estão agricultores, pessoas do agronegócio, eu acho que todos aplaudirão vocês com muito entusiasmo.

Então, cumprimentando a todos, eu quero dizer, naturalmente, que é uma alegria prestigiar a agricultura, prestigiar a pecuária brasileira que são verdadeiros orgulhos do nosso País. Estou cumprimentando o presidente da Embrapa e até dizendo uma coisa curiosa: há uns cinco, seis anos atrás houve, em Londres, uma reunião promovida pelo então primeiro-ministro em conexão com o Brasil, com o governo brasileiro, em favor da... para combate à fome, especialmente nos países da África e outros países que passam por esses dramas. E eu me recordo que lá estando, era uma parceria entre o Estado do Reino Unido, o Estado da Inglaterra e o Brasil. E eu me recordo que muitos países, dignatários de países africanos pediam - não é?-, pediam audiência a nós, pediam a chamada bilateral, para falar da agricultura brasileira, encantados com agricultura brasileira, não é? E particularmente com a Embrapa também, com o trabalho que a Embrapa fazia. Então vejam que é uma coisa curiosa, eu sempre registro esse fato com muita, com muita animação.

Quando nós vamos aí para o exterior, e recentemente eu estive na Cúpula das Américas, em Lima, e eu verifiquei o seguinte: lá havia 12, 10, 12 chefes de Estado encantados com que aconteceu nesses dois anos no nosso País. Alguns deles me diziam: “Ô Temer, venha cá, como é que você conseguiu, vocês conseguiram trazer a inflação, que estava mais de 10%, trazer para menos de 3%? Como é que conseguiram fazer uma reformulação trabalhista no País? Como é que conseguiam reduzir os juros a taxas razoáveis no nosso País em menos de 2 anos?”

Eu disse: “Olhe, isso foi fruto do diálogo, diálogo que nós implantamos no nosso governo e que deu resultado, diálogo com o Congresso Nacional, diálogo com a sociedade, diálogo com os produtores, porque também ao lado do diálogo, nós firmamos a tese da responsabilidade fiscal, ao lado da responsabilidade social. Nós conectamos estes dois conceitos”. A fiscal, ancorada  basicamente na história do teto dos gastos, no controle dos gastos públicos, na, digamos assim, recuperação das estatais. E eu sempre menciono não só o caso do Banco do Brasil, que é uma recuperação extraordinária nestes últimos tempos, mas a Petrobras, a Eletrobras, todas elas aumentaram sensivelmente o seu valor de mercado, exata e precisamente em função desta responsabilidade fiscal.

Mas, evidentemente, não poderíamos abandonar a tese da responsabilidade social, porque o Brasil ainda é um país com muitas carências, e carência significa pobreza, significa a necessidade extraordinária de certos setores da população que precisam do amparo do Estado brasileiro.

Estão, programas que deram certo no passado foram por nós outros desenvolvidos e até ampliados, como o caso do Bolsa Família, em que nós demos dois aumentos depois de dois, ou três anos sem aumento nenhum; do Minha Casa Minha Vida, nós estamos entregando mais de 800 mil unidades para este ano, naturalmente com financiamentos os mais variados; o Fundo de Financiamento Estudantil, para as pessoas que vão fazer a universidade e só podem pagar depois, não pode pagar durante.

Então, eu digo, mas o principal tópico da responsabilidade social está exatamente na geração de empregos, e a agricultura brasileira gera muito emprego, não é? Aliás, o emprego é algo que dá dignidade às pessoas. E um dos fundamentos da nossa Constituição, logo esculpido no artigo primeiro, é  que no Brasil se funde em vários preceitos, entre eles o da dignidade da pessoa humana, e não há nada mais digno do que o entrosamento entre o setor produtivo e o setor trabalhador. Então esta conexão, esta interação entre os que trabalham e os que produzem, porque, interessante, na agricultura eu percebo o seguinte, eu percebo o seguinte: que tantos que trabalham, como os que produzem, são ambos trabalhadores.

O Blairo me levou uma ocasião, Caffarelli, para o Mato Grosso, para uma colheita de algodão, aquela coisa maravilhosa, milhares de hectares, não é? Aquela coisa maravilhosa, algodão, e lá, o dono, o filho do dono apanhava, ele manipulava, manejava uma máquina, portanto, por isso que eu digo que há uma confusão entre o trabalhador e o proprietário. E ele me disse: “Olhe, vamos colher algodão aqui, o senhor sobe aqui movimenta essa máquina”. Eu digo: “Mas como é que eu vou movimentar essa máquina?” E ele me disse, e aí o grande  avanço tecnológico, disse: “Aperta o botãozinho aqui que ela faz tudo”. Eu apertei o botãozinho, a máquina foi lá, colhia o algodão, ensacava o algodão, deixava o algodão em tal lugar. Ou seja, também esse é outro atributo da agricultura brasileira, quer dizer, a utilização dos mais seríssimos avanços tecnológicos.

Quando eu colhi lá não sei quantos sacos, fardos de algodão, eu perguntei para o dono: “Mas quantas máquinas dessas você tem?” Ele disse: “Eu tenho 50”. “Quanto custa cada uma?”. “U$900 mil”.  Eu disse: “Mas que coisa fantástica, não é?”. Veja onde está a agricultura brasileira, quer dizer, fazendo esta conexão entre trabalho, produção e avanço tecnológico. E nós temos que caminhar para isso cada vez mais, porque eu volto a dizer aos senhores, e aqui, aos senhores do agronegócio, agricultura, da agropecuária, eu volto a dizer aos senhores como uma espécie de agradecimento, eu volto a dizer que nós temos que avançar cada vez mais. E por isso que o Banco do Brasil está avançando, por isso que o crédito no ano passado era tanto, agora é mais tanto, não é?

O Blairo, cada vez mais viajando pelo mundo todo, assegurando, digamos assim, a alimentação do mundo, porque nós temos também - não é, Blairo? - uma pequena área agricultável. É incrível, muitas vezes nós sofremos críticas que nós estamos invadindo áreas ou não permitindo isto,  aquilo, nós temos mais de 60% de área agriculturável ainda no País, quer dizer, é uma coisa fantástica, e o mundo precisando de alimentos.

Nas vezes que eu estive na China, e China é um grande país, mas, eles têm um interesse extraordinário, porque sabem que o Brasil é um País capaz de alimentar o mundo. Mas é capaz de alimentar o mundo porque nós temos pessoas do nível, da estrutura, da capacidade, da competência, da exação, do dinamismo do Blairo, do Caffarelli, do Guardia, e de toda a nossa equipe. É interessante, nós temos uma equipe como todos disseram, uma equipe muito entrosada, porque, no geral, muitas vezes, no governo, acontece isso: cada um quer cuidar de si. Aqui não, aqui nós cuidamos coletivamente do governo. Eu sou, digamos assim, o regente da orquestra, mas a orquestra não desafina, e não desafina precisamente quando ela se une, se alia, se aliança com a agricultura, com o agronegócio brasileiro, com a agropecuária.

Portanto, muito sucesso aos senhores. Brasil para frente.

 Ouça a íntegra do discurso (14min41s) do Presidente.

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