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Discurso do presidente da República, Michel Temer, durante cerimônia de abertura do Congresso da Diáspora Libanesa da América Latina - São Paulo/SP

por Portal Planalto publicado 27/11/2016 20h20, última modificação 23/12/2016 21h44

São Paulo-SP, 27 de novembro de 2016


Eu quero cumprimentar inicialmente o nosso governador Geraldo Alckmin. E de logo, quero registrar a sua extraordinária gentileza em recebê-los a todos, ministro Gebran Bassil, na sua casa. O governador Geraldo Alckmin tem como traço essencial, além da suprema educação, esta capacidade extraordinária de acolher todos aqueles que vieram ao Brasil.

E eu confesso, governador Geraldo Alckmin, que vindo para cá, eu imaginei que teríamos um encontro com 40, 50, 60 libaneses, senhor ministro Gebran Bassil. Mas eu vejo essa multidão entusiasmada aqui no seu auditório. E tributo este fato a dois fatores: primeiro, ao governador; segundo, à presença expressiva de Gebran Bassil, ministro dos Negócios Estrangeiros e Imigrantes do Líbano.

Quero cumprimentar o deputado presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que trabalhou conosco ontem, hoje, até a hora de virmos para cá. Trabalhamos intensamente lá em Brasília, mas ele me disse: “Eu quero ir lá, ir a São Paulo para homenagear o senhor Gebran Bassil, o Líbano e a comunidade libanesa”. É assim que Rodrigo Maia veio a esta solenidade.

Quero saudar o ministro José Serra e a ele também lançar um ‘shukran’, já que ele assim se manifestou. Um muito obrigado pela delicadeza, também, com que tem recebido o ministro Gebran Bassil e todos aqueles da comunidade libanesa que o procuram no Ministério das Relações Exteriores.

Quero, também, cumprimentar o ministro da Justiça, Alexandre Moraes,

O Gilberto Kassab, cujo nome diz tudo, o sobrenome diz tudo,

O senhor deputado estadual Fernando Capez, com igual sobrenome,

E quero cumprimentar, também especialmente, o comandante da Marinha,  por uma razão especial: há muito tempo, e aqui senhor primeiro-ministro veja, a relação intensa que existe entre o Líbano e o Brasil. Há bastante tempo há uma Força da Marinha Brasileira fiscalizando o mar que costeia o Líbano como representante da Organização das Nações Unidas.

Quero de igual maneira saudar o prefeito Gilberto Kassab, o prefeito Haddad, desculpa, que honra também a comunidade libanesa quando -, nós todos sabemos que ao longo do tempo, ele me contou isto várias vezes -, que na 25 de Março, como não poderia deixar de ser, o seu pai tinha uma loja e lá ele aprendeu os primeiros momentos da dignidade, por assim dizer, do povo libanês.

Quero, também, fazer um registro em relação ao discurso do ministro Gebran Bassil. Acho que os senhores e as senhoras perceberam, deputado Marun, deputado Arnaldo Faria de Sá, acho que os senhores todos perceberam como o discurso dele foi um discurso assertivo, mas ao mesmo tempo poético. Quantas passagens poéticas, senhor ministro Gebran Bassil, o seu discurso conteve. E isto é muito próprio, interessante, é muito próprio dos libaneses. Os libaneses têm esta coisa muito, digamos assim, decidida, e foi esta decisão que pautou a atividade de todos os libaneses no Brasil, mas ao mesmo tempo com imenso carinho, com imensa cordialidade, com imensa fraternidade. Isto é que dá o tom do discurso do ministro Gebran Bassil. Este tom poético do seu discurso retrata bem a comunidade libanesa no Brasil e a atividade dos libaneses que lá se encontram.

Aliás, devo registrar, eu já pedi à sua Excelência, o ministro Gebran Bassil, que cumprimentasse o presidente do Líbano. E a ele pode dizer, interessante a coincidência, talvez seja uma coisa, digamos, cosmos ou divina, no Líbano tem um Michel comandando e no Brasil tem outro Michel comandando. Nós vamos fazer uma aproximação muito grande, naturalmente, dos nossos países, tal como mencionou o ministro Serra, como mencionou o governador Alckmin e o Rodrigo Maia.

Para dizer a verdade, o vínculo afetivo entre o Brasil e o Líbano é secular. Disse bem o governador Geraldo Alckmin quando se referiu ao governador D. Pedro II, que tem um sobrenome, eu acho, que árabe, porque seu nome é D. Pedro Alcântara, e toda palavra que tem “al” pelo meio, tem origem libanesa. Não é verdade?

Então, por isso é que eu acho que o imperador, uma das primeiras viagens que fez, há 140 anos, foi precisamente ao Líbano. E lá ele deu início a uma imigração libanesa extraordinária. Aliás, eu tenho anotado aqui que em sua chegada a Beirute, D. Pedro de Alcântara escreveu - ele escrevia, fazia muitas anotações. Veja que não são só os governantes de hoje que anotam, já na época ele anotava -: “A partir de hoje”, disse ele, “começa um mundo novo. O Líbano ergue-se diante de mim com seus símbolos nevados seu aspecto severo como convém a essa sentinela da Terra Santa”.

Mal sabia sua Excelência, o imperador, que com sua presença começava aquilo que eu disse: um mundo para milhões de libaneses que aqui construíram suas vidas, aqui se instalaram em definitivo.

É interessante, quando o governador Geraldo Alckmin menciona o fato que eu relatei, de que lá na minha cidade o meu pai e eu garoto ainda, tínhamos uma vitrola, naquele tempo era vitrola, e tinha um disco, o disco que era o hino libanês. E ele fazia com que eu ouvisse e me dizia - senhor primeiro-ministro, senhor ministro -, o seguinte: “Olhe, sempre tenha os seus sentimentos como eu tenho pelo Líbano, mas adore o Brasil, porque o Brasil”, dizia ele, “é o país onde se faz a América”. Fazer a América, na expressão do meu pai, era um local para onde os imigrantes vinham para se desenvolver. Então, havia esse sentimento do meu pai que revela bem como os libaneses vieram para o Brasil. Vieram para fazer a América. E ao fazer a América, prestaram um grande serviço ao desenvolvimento do nosso país.

Não é sem razão que o  governador Geraldo Alckmin mencionou os vários setores, é interessante, não há um setor da atividade profissional, comercial, industrial, política que não tenha pessoas da comunidade árabe, que tenha aquele sentimento poético libanês, mas tenha um acendrado amor pela pátria, amor pelo Brasil. E isto tem sido revelado ao longo do tempo.

Vejo, portanto, que aqui está se instalando uma diáspora. E é interessante que a diáspora significa “espalhar por todo o mundo”. E a diáspora libanesa foi essa: espalharam-se por vários países do mundo membros da comunidade libanesa. E interessante, estejam aqui, estejam no Líbano, estejam em outros países não se pode olvidar, não se pode esquecer as palavras do poeta Khalil Gibran: “para a memória não existem distâncias, somente para o esquecimento há precipício que nem a voz nem a vista podem atravessar.”

Portanto, não há distância, senhor ministro, que nos separa do Líbano. Há um sentimento de fraternidade, de integração que poderá ser feita, como lembra o ministro José Serra, por um incremento maior das relações comerciais entre o Brasil e o Líbano.

Portanto, eu não posso deixar de dizer que, como pôde vossa Excelência aqui verificar, houve relatos de como o Brasil acolheu os libaneses. E até registrado foi, que eu sou um exemplo do carinho dos brasileiros com os libaneses na medida em que pudermos nós todos chegar onde chegamos.

Mas essa, senhor ministro, não é só a minha história. Na verdade, é a história de milhões de filhos de libaneses, sírios, japoneses, italianos que aqui chegaram. Uma história de acolhimento e de possibilidades ilimitadas. Uma história cujo final cumpre a cada um de nós escrever.

E tenho certeza, senhor ministro Gebran Bassil, que a sua vinda com a sua comitiva ao Brasil para essa diáspora, para esse encontro, para essa conferência que farão, servirão para, mais uma vez, fortalecer os laços já muito fortes existentes entre o Brasil e o Líbano.

Leve, portanto, aos libaneses a nossa saudação.


Ouça a íntegra do discurso (11min35s) do presidente Michel Temer