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Discurso do Presidente da República, Michel Temer, durante cerimônia de abertura do 3º Encontro Nacional de Chefes de Agência do IBGE – Brasília/DF

por Portal Planalto publicado 08/05/2017 13h30, última modificação 17/05/2017 17h34

Brasília-DF, 08 de maio de 2017

 

Olhe, eu quero fazer dois registros preliminares. O primeiro é que o Paulo Rabello de Castro tem razão quando diz que a agenda do presidente da República é uma agenda pesada. Mas eu devo registrar que nesta semana, Paulo, e neste mês, o registro mais importante da minha agenda é precisamente o dia de hoje, quando eu compareço a este 3º Encontro Nacional de Chefes de Agência do IBGE.

O segundo registro que quero fazer é que, se o IBGE fizesse uma pesquisa, um levantamento, para verificar ao longo do tempo qual foi o seu presidente mais entusiasmado, mais vocacionado para estatísticas, para pesquisas, e talvez o brasileiro mais entusiasmado com as coisas que faz pelo Brasil, o IBGE detectaria: é Paulo Rabello de Castro. Eu tenho certeza disso.

Puderam perceber, pelo seu discurso entusiasmado, e desde que conheci o Paulo, sempre foi assim. Quando ele tratava da simplificação tributária, quando tratava de temas relativos à economia nacional, das várias palestras, ora eu participando, ora eu assistindo, lá estava o mesmo entusiasmo que o Paulo revelou aqui.

Portanto, ao cumprimentá-lo, Paulo, eu quero cumprimentar a todo este auditório, de pessoas que como homens e mulheres, que como você registrou, fazem um trabalho difícil.

Não é fácil percorrer o País, casa por casa, ou, no caso, fazenda por fazenda, ou, no caso, área rural por área rural, para levantar aquilo que é fundamental para a governabilidade.

Quem quer governar atenta e cuidadosamente há de ter pesquisas, há de ter dados, há de ter aqueles que contam o que acontece no País.

Daí a importância fundamental do IBGE, daí o trabalho que o Paulo faz junto ao Planejamento e junto à Fazenda para conseguir cada vez mais as verbas para este trabalho importantíssimo. Você pode me colocar, Paulo, entre aqueles advogados das verbas para o IBGE, a fim de que possa fazer um bom trabalho para o Brasil.

Eu quero cumprimentar também doutor Esteves Colnago, do Ministério do Planejamento, meu querido amigo deputado Carlos Melles, os ex-ministros Alysson Paulinelli, Roberto Brant, enfim, o Beltrame, o Gastão, enfim, todos, o Montenegro, todos aqueles que estão, digamos, não só prestigiando este evento, como pude perceber. Os senhores passaram alguns dias aqui com conferências, palestras, debates.

Quero cumprimentar a todos. E a todos agradecer. E portanto quero registrar que é uma satisfação, vou dizer o óbvio, participar deste encontro nacional do IBGE. Aliás, Paulo, quando a gente fica muito naquela sala da presidência, você só levanta problemas, só recebe problemas, muitas vezes não recebe entusiasmos. Aqui não. Aqui você sai entusiasmado, você sai animado. Ou seja, sai com a alma cheia de esperança. Porque você verifica pelo entusiasmo com que o aplaudiram, pelo entusiasmo com que vieram, certa e seguramente de todos os cantos e recantos do País, estas coisas que nos animam. E que nos animam na vida pública, que nos animam a prosseguir.   Portanto as minhas palavras são, ao cumprimentar a todos, também de agradecimento pela medalha Getúlio Vargas, do mérito do IBGE. Eu recebo esta emenda, esta comenda, com grande humildade. Eu recebo-a como estímulo para que sigamos adiante na tarefa de dar a brasileiros a tranquilidade de uma economia em crescimento, livre da inflação, geradora de empregos. Com a graça de Deus, nós conseguimos, nesse breve período, os senhores todos acompanharam, reduzir o fenômeno inflacionário de 10.70 [%], para hoje 4.55 [%], a indicar que logo no final do ano, nós estaremos em torno de 4% de inflação, portanto abaixo da meta do centro da inflação, que é 4,5%.

E como registrou o Paulo, há 80 anos o IBGE é reconhecido por sua seriedade, por sua competência, por sua credibilidade, Brant. Eu jamais ouvi, ao longo da minha vida pública, ou da minha vida pessoal, uma crítica ao IBGE. Ao contrário, só aplausos pelo trabalho que vem sendo desenvolvido. É uma Instituição de Estado, e sua missão é nobre. É produzir informações para que a sociedade brasileira, e, no particular, os governos, o governo federal, o governo estadual, o governo municipal, Montenegro, possa conhecer a si mesma. Se nós não tivermos esses dados  você que faz pesquisa há tanto tempo  você percebe que, sem a pesquisa, é difícil levar qualquer matéria adiante.

Porque é com estas pesquisas que nós podemos formular políticas eficientes e eficazes. Certa e seguramente, este censo agropecuário vai dar a nós todos, no momento em que, convenhamos, o agronegócio, agricultura em geral, é um dos suportes da economia nacional. Aliás, hoje, quando nós temos sucesso na economia, boa parte do sucesso é ancorado precisamente pelo agronegócio, pela agricultura brasileira.

Portanto, traçar um diagnóstico preciso de nossa economia há de ser a primeira tarefa a que se dedique o nosso governo. Logo no início, devo registrar, nós demos plena transparência às contas públicas, sem malabarismos contábeis, nós constatamos que há um déficit brutal a ser corrigido.

Não foi sem razão que nós editamos, logo no início do nosso governo, uma emenda constitucional, estabelecedora de um teto para os gastos públicos. E, ao fazê-lo, aqui devo registrar, nós o fizemos por um período de 20 anos. Revisável, este teto, somente após 10 anos.

Porque, na verdade, hoje, veja bem, nós tivemos no ano passado déficit de R$ 170 bilhões, hoje temos um déficit de R$ 139 bilhões. Eu enfatizo bilhões para condená-lo, porque os nossos ouvidos, da cultura política nacional, acostumou-se aos bilhões de déficit como se fosse a coisa mais natural do mundo. É como se, na nossa casa, nós tivéssemos bilhões de prejuízo, e não nos incomodássemos.

O Brasil é a nossa casa, nós devemos nos incomodar, porque é o combate ao déficit público, que faz com que tenhamos tranquilidade absoluta. Agora, registro, não se combate o déficit em um ou dois exercícios, é preciso muitos exercícios financeiros. O nosso desejo, o nosso anseio, o nosso postulado, a nossa busca, a nossa procura é, quem sabe, daqui a 10 anos se possa fazer uma revisão em que se só se gasta aquilo que se arrecada. Por isso que o prazo há de ser longo. Então, isto eu digo com toda franqueza, porque, convenhamos, se nós olharmos hoje a situação fiscal de muitos estados brasileiros, nós veremos como o déficit afeta a vida dos trabalhadores, dos aposentados, das famílias.

Olha, uma das coisas mais dolorosas, uma das fotos mais dolorosas entre muitas  não são poucas as fotos dolorosas que hoje são exibidas  mas foi uma de uma senhora aposentada, lá no Rio de Janeiro, segurando uma placa em frente à Assembleia Legislativa, dizendo: “Olhe, há três meses não recebo a minha pensão, porque o estado não tem como me pagar, por isso estou pedindo esmola”. Esta foi uma das fotos mais doloridas, dolorosas, que eu vi nos últimos tempos.

E nós estamos superando isso, como você também mencionou aqui, com o apoio do Congresso Nacional. Sempre com muito diálogo. Diálogo que você pratica com uma naturalidade extraordinária. E para que o diálogo nos conduza a medidas que de fato melhorem a posição do nosso povo, do povo brasileiro, é fundamental que esteja lastreado em informações verdadeiras. E quem é que fornece essas informações para o governo? É o IBGE. São os pesquisadores do IBGE. Isto é... interessante como podemos conectar aqui a ideia do levantamento estatístico do Brasil, dos vários setores, como um fenômeno da democracia. Porque ela está muito ligada à ideia da transparência, ninguém vai ignorar dados, ninguém vai esconder dados, ninguém vai falsear dados. Os dados serão concretos, palpáveis, desfrutáveis, visíveis, divulgáveis e, portanto, com a ideia deste levantamento, deste trabalho que os senhores fazem, é que nós podemos conduzir a nossa política.            

E não é de hoje que os dados do IBGE, claríssimos, indicam que a população brasileira, graças a Deus, está vivendo mais. E por isso que o Paulo disse que a reforma da Previdência é inadiável.

Portanto, ao me dirigir às senhoras e aos senhores, eu quero dizer que o ano de 2017 também representa, ou reserva, um desafio grandioso para IBGE. Refiro-me ao censo agropecuário, que requerirá a mobilização de todos os talentos desta instituição.

Eu penso que até seja um pouco mais complicado fazer o censo agropecuário do que aquele censo urbano. Mais complicado, mais trabalhoso. Porque, em País com as dimensões do nosso, qualquer levantamento do campo, requer dedicação, método e muito empenho.

São qualidades que não faltam  já pude verificar no passado e verifico pelo entusiasmo encontrável aqui  que faltam ao corpo técnico do IBGE. Os resultados, volto a dizer, serão a matéria-prima das políticas públicas voltadas para o trabalhador rural, para o agronegócio, para a pesquisa agrícola.

O IBGE, portanto, com o censo agropecuário, será grande parceiro nesse esforço que é de todos nós: recolocar o Brasil nos trilhos.

Nosso propósito maior é o desenvolvimento com igualdade de oportunidades, com mais bem-estar para os brasileiros.

Portanto eu desejo às senhoras e aos senhores deliberações, em primeiro lugar, muito produtivas neste encontro nacional. Eu tenho a mais absoluta convicção, a mais absoluta certeza, de que cada um e cada uma colocará a sua experiência e o seu conhecimento a serviço do IBGE.

E quem coloca seu conhecimento a serviço do IBGE, está colocando-se a serviço do Brasil.

Muito obrigado aos senhores. 

Ouça a integra do discurso (14min) do presidente