Nota à Imprensa

por Portal do Planalto publicado 25/05/2013 21h17, última modificação 21/03/2014 16h22
Divulgação da íntegra das declarações da Presidenta relativas a uma suposta falha da CEF em relação ao Bolsa Família

 

Tendo em vista a publicação de frases descontextualizadas, pinçadas de entrevista concedida neste sábado pela presidenta Dilma Rousseff e que tratam de uma suposta falha da Caixa Econômica Federal em relação ao programa Bolsa família, a Presidência destaca abaixo a íntegra das declarações da presidenta relativas a esse tema, deixando claro o real teor de sua manifestação:

 

(…)

Jornalista: Eu queria que a senhora comentasse os boatos ...

 

Presidenta: Olha, minha querida, eu sei. Eu não posso comentar sabe por quê? Porque seria uma temeridade, a investigação não está concluída ou pelo menos não estava até ontem a noite para nós.

 

Jornalista: A senhora tem tido feedbacks frequentes?

 

Presidenta: Até agora eu não tive nenhuma informação conclusiva. Eu não posso me manifestar por impressões ou por outras questões desse tipo.

 

Jornalista: A Caixa fez uma alteração no pagamento dos benefícios naquele sábado?

 

Presidenta: Não. A Caixa... eu li a nota da Caixa. O que ela admite é que ela está em transição de um sistema e suspendeu de fato uma pessoa do pagamento e que ela teria pago essa pessoa por causa dessa transição. Isso explica o pagamento dessa pessoa, mas não explica porque a Caixa tinha um nível de pagamento e esse nível mais que dobrou. Não explica a corrida à Caixa. Isso explica esse caso específico. Mas ainda não explica o porquê da quantidade de pessoas que procuraram a Caixa no sentido de receber.

Nós não podemos, não há ninguém no governo que possa dizer já - pelo menos até ontem, pode ter evoluído hoje – possa dizer o que ainda aconteceu. Eu acho que tem de ter muito critério para olhar isso, até porque tem de ser... se ocorreu alguma coisa, é crime contra a economia popular. Caracteriza crime contra a economia popular.

 

Jornalista: Mas a senhora está convencida de que foi uma ação orquestrada?

 

Presidenta: Eu não estou convencida de nada. Sabe por quê? Vou repetir: seria uma absoluta leviandade da minha parte dizer foi isso ou foi aquilo. Se nós mandamos investigar... nós mandamos investigar, então, nós temos de esperar o resultado da investigação para dizer: foi isso ou foi aquilo.

 

Jornalista: Previsão de quando a investigação termina?

 

Presidenta: Não, eu não tenho.

 

Jornalista: A senhora comentou que foi um fato lamentável?

 

Presidenta: Não, eu acho um episódio lamentável porque, justamente por este aspecto. Do tamanho que ocorreu, porque podia ser uma coisa localizada... se entende, né, vários estados e pela dimensão e a quantidade de pessoas. E é muito lamentável porque as pessoas de mais baixa renda do país, pessoas que precisam disso na sua vida diária e, portanto, foram atingidas naquilo que é muito caro para elas. Eu lamento o medo que essas pessoas tiveram de perder um benefício, que é um benefício cidadão. É devido a elas não por uma questão que A, B ou C garantiu, mas por um direito do estado. Eu acho que é um avanço de cidadania. Aqui na África a gente sabe o valor que eles dão a essa tecnologia social nossa que é conseguir tirar da pobreza 36 milhões de pessoas. Requer bancos, requer cadastro, requer cartão. É algo que, inclusive, é cidadão. Porque nós não admitimos que haja intermediários entre esse pagamento e a pessoa.

 

Jornalista: O episódio demonstra que há falhas que precisam ser ajustadas no sistema?

 

Presidenta: Olha, eu acredito que esse é um dos processos mais bem sucedidos do Brasil. Nós sabemos que é fundamental monitorar. Tanto é que nós temos auditoria sistemática sobre esse processo. Nós incluímos dentro do Bolsa Família todos os mecanismos capazes de assegurar que cada vez ele se aprimora mais. Nós não achamos que o dia que a gente começou a fazer o Bolsa Família, ele estava pronto. Nós construímos isso ao longo de dez anos. Você sabe por que eu acredito que a tecnologia do Bolsa Família é uma tecnologia bem sucedida? Primeiro porque ele tem dez anos de vida. Segundo porque nós aprimoramos estruturas – veja você o que é um país que deu um passo à frente. Nós aprimoramos a seguinte estrutura: usamos a tecnologia da informação mais sofisticada possível para resolver um problema dos mais atrasados do ponto de vista da civilização, que é pessoas abaixo da linha da pobreza.  Então o Brasil é capaz disso.

Quando eu falo sobre o Bolsa Família eu acho que seria um simplismo total dizer que o Bolsa Família é pura e simplesmente uma distribuição de recursos, ou como alguns diziam no Brasil, um Bolsa Esmola. O Bolsa Brasil [Família] é uma sofisticada tecnologia para garantir o quê? O aumento da igualdade no nosso país, o aumento da igualdade.

 

Jornalista: Com isso, a senhora acha que é pouco provável que tenha acontecido uma falha que causasse um transtorno tão grande quando a senhora diz que essa tecnologia é tão avançada?

 

Presidenta: Olha, nós somos humanos. Pode ter tido falhas. O que eu estou dizendo é o seguinte: não é uma falha tópica que explica doze estados. Então, a Polícia Federal e a segurança da Caixa vão procurar todos os motivos e vão elencá-los todos. O que a gente pode tirar de bom disso? De bom disso a gente pode tirar que nós vamos estar sempre mais atentos agora para essa possibilidade. Porque durante dez anos não houve isso. Nunca houve isso nesses últimos dez anos. Agora, você vai ter de incorporar a seus mecanismos através dessa auditoria, mais isso, nós vamos saber que é possível que haja corridas. Então, esse processo é muito importante que seja transformado num ganho para o programa Bolsa Família.

E aí você veja uma coisa: uma das coisas que eu achei muito positivas por parte da Caixa e do Ministério do Desenvolvimento Social, foi que eles conversaram diretamente, eles têm como conversar diretamente com aquela família que está recebendo o beneficiário e explicar que não ocorreu nada. Agora, é algo que vocês me perguntam: tem falhas? Todo processo pode ter falhas. Não há processo que não tenha falhas. O que você faz é garantir que eles sejam o menos passível de ser objeto de ou uma tentativa externa ou alguma falha interna.

 

Jornalista: A oposição pode estar por trás disso?

 

Presidenta: Não, jamais manifestaria nesse sentido, jamais. Por quê? Porque nós não concluímos, não há nenhum indício que permita dizer que é A, B, C ou D. Não há esse indício enquanto não houver nenhuma avaliação concreta... aliás, alguma avaliação concreta e profunda, nós não emitiremos opinião. Não há ninguém no governo autorizado a dizer qualquer coisa sobre esse processo, a não ser esse que eu digo para vocês. Estamos empenhados na investigação por dois motivos: um por que... pode ter sido um delito. Dois, porque nós temos de aprender com todos os episódios que ocorrem.(…)

 

(A íntegra da entrevista, incluindo os demais assuntos, está disponível no link http://www2.planalto.gov.br/imprensa/entrevistas/entrevista-concedida-pela-presidenta-da-republica-dilma-rousseff-durante-visita-a-adis-adeba-para-o-cinquentenario-da-unidade-africana-oua-uniao-africana)

 

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