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Entrevista exclusiva concedida por escrito pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, para o jornal Diário Regional, de São Bernardo do Campo

por Portal do Planalto publicado 23/08/2013 09h01, última modificação 04/07/2014 12h44

Publicada na edição de 20 de agosto de 2013

 

Jornalista: A senhora vem a São Bernardo na próxima segunda-feira (19) anunciar investimentos para a região.  É possível detalhá-los? Qual será o aporte?

Presidenta: Nessa viagem, nós anunciamos novos investimentos que somam R$ 2,1 bilhões nos setes municípios do ABC. Vamos apoiar obras de urbanização e a construção de 8,5 mil moradias pelo programa Minha Casa, Minha Vida, num investimento de R$ 1,19 bilhão, beneficiando mais de 19 mil famílias em Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema e Mauá. Há também R$ 104 milhões para obras de contenção de encostas, que serão realizadas em mais de uma centena de áreas de risco alto e muito alto em São Bernardo do Campo, Diadema e Mauá. Estamos também destinando R$ 792,8 milhões para obras de mobilidade urbana. Com estes recursos, serão construídos quatro corredores de ônibus – Eixo Guido Aliberti / Lauro Gomes / Taioca (interligando os sete municípios do Grande ABC); Eixo Leste-Oeste  e Eixo Alvarenga / Roberto Kennedy / Couros (São Bernardo e Diadema); e o Eixo Sudeste (Santo André, São Caetano, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra). Esses investimentos de mobilidade que estamos anunciando se somarão aos R$ 28 bilhões que já haviam sido autorizados no Estado de São Paulo, com muitas obras também aqui na região, como o monotrilho que ligará São Bernardo a São Paulo, por exemplo. Se você observar, os investimentos que estamos anunciando agora vão viabilizar obras que vão melhorar muito a qualidade de vida da população do Grande ABC, por seu impacto sobre a rede urbana e para o deslocamento das pessoas. Além desses anúncios, em minha visita a São Bernardo vamos entregar 100 máquinas retroescavadeiras, no valor de R$ 14,6 milhões, para 100 municípios do Estado, que terão melhores condições, com essas máquinas, de manter suas estradas vicinais.

Jornalista: O prefeito Luiz Marinho (PT) tem estimulado a criação de polo industrial de defesa na cidade e, para isso, defende a construção de aeroporto em São Bernardo e negociou com as empresas participantes da concorrência dos caças da FAB a realização de investimentos na cidade. Há negociações com o prefeito sobre esse assunto? A concorrência sai neste ano?

Presidenta: Nós criamos uma nova legislação para que o poder de compra do Estado estimule o desenvolvimento e o fortalecimento da indústria de Defesa no Brasil, resultando em mais investimentos, empregos, autonomia tecnológica para o Brasil e novos negócios, inclusive com aumento das exportações. O novo marco para o setor foi estabelecido no ano passado, com a Lei 12.598/2012, que está sendo regulamentada para definir regras especiais de compras, de financiamento e de tributação para as empresas do setor. Essas novas regras tendem a gerar boas oportunidades de desenvolvimento e de negócios para muitas cidades, especialmente as que possuem tradição industrial, recursos técnicos e mão de obra altamente qualificada, como é o caso de São Bernardo. São oportunidades abrangentes, que se vinculam a vários projetos, inclusive o dos novos caças que, aliás, continua sob análise. Os projetos específicos que a prefeitura vier a desenvolver, na área aeroportuária, ou em qualquer outra, serão analisados e discutidos com toda a atenção pelos órgãos do governo federal, para que tenham o melhor encaminhamento possível.

Jornalista: O escândalo no Metrô pode comprometer, de alguma forma, os R$ 400 milhões prometidos pelo governo federal para as obras da Linha 18-Bronze, que ligará o ABC à Capital?

Presidenta: A Linha 18-Bronze do Metrô é uma importante obra do PAC Mobilidade Grandes Cidades. Este monotrilho terá 14,4 quilômetros entre a estação Tamanduateí até o Passo Municipal, em São Bernardo do Campo, e vai beneficiar milhares de pessoas que trafegam todos os dias entre as duas cidades. O Governo Federal investirá R$ 1,68 bilhão, sendo R$ 400 milhões do Orçamento Geral da União e R$ 1,28 bilhão em financiamento. O Governo Estadual entrará com os demais recursos necessários e será o responsável por contratar e executar a obra. Acreditamos que o projeto seguirá o seu ritmo natural, sem relação com outras questões não vinculadas ao empreendimento.

Jornalista: Apesar de o ABC ser o “berço” do PT e do ex-presidente Lula, a população da região aderiu fortemente às manifestações de junho, que resultaram na queda de popularidade da senhora e de seu governo, parcialmente recuperada neste mês. Tendo em vista que o ABC é uma espécie de termômetro político e socioeconômico do país, como enxerga o envolvimento da região nos protestos? E como a senhora valia essa oscilação nas pesquisas?

 

Presidenta: O ABC tem uma longa tradição de vanguarda, nas lutas pela democratização e pela melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. É natural, portanto, que os jovens do ABC estejam sintonizados com a juventude de todo o país, nesse inconformismo construtivo. Os manifestantes foram às ruas clamar por mais direitos, por mais cidadania, por mais qualidade nos serviços públicos. Querem mais avanços e, em nenhum momento, rejeitaram as conquistas que alcançamos nos últimos dez anos. Nós ouvimos o grito das ruas porque ele lembra a todos os governantes que os brasileiros que se beneficiaram do progresso da última década e conquistaram uma vida melhor não querem retrocesso. Ao contrário, eles querem mais saúde, mais educação, transporte de qualidade. Querem mais qualidade nos serviços prestados pelo poder público, e merecem que esta demanda seja atendida. Por isso, propusemos aos governadores, aos prefeitos, aos representantes dos outros poderes e aos movimentos sociais, cinco pactos para atender a essas reivindicações da população. O primeiro pacto é pela estabilidade fiscal, pois preservar a inflação e ter as contas públicas sob controle é fundamental para manter o Brasil em crescimento. Nosso desempenho nesta área tem sido bom e assim vai continuar. A inflação encerrará 2013 dentro da meta pelo décimo ano consecutivo. O IPCA de julho foi de 0,03%, e a cesta básica ficou mais barata em todas as 18 capitais pesquisadas. O emprego continua crescendo: geramos 826,2 mil novas vagas só no primeiro semestre deste ano, e já são 4,4 milhões desde o início de meu governo. No segundo pacto, propusemos uma ampla e profunda reforma política, precedida de consulta popular por meio de um plebiscito. Acredito que podemos avançar muito nesse ponto com o apoio do Congresso Nacional. O terceiro pacto foi pela melhoria da Saúde, e uma das principais ações, o programa Mais Médicos, já selecionou os primeiros médicos, que devem começar a assumir seus novos postos no final de setembro. O quarto pacto foi por melhorias na qualidade do transporte público, reivindicação muito importante dos moradores das grandes cidades. Estamos colocando mais R$ 50 bilhões em novos projetos de metrôs, VLTs e corredores de ônibus, entre outros, que se somam aos R$ 89 bilhões que já estavam aplicados em mobilidade urbana. Já fizemos reuniões com representantes de 17 Estados e do Distrito Federal para discutir projetos candidatos a esses recursos em 30 cidades, que estamos avaliando. O quinto pacto foi o da Educação, e já se concretizou: na semana passada, o Congresso aprovou a destinação de 75% dos  royalties do petróleo para a educação e 25% para a saúde. Foi uma grande vitória da educação brasileira. Agora, nosso compromisso é continuar trabalhando, com determinação, para que a vida das brasileiras e dos brasileiros melhore ainda mais.

 

 

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Assunto(s): Governo federal