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Entrevista exclusiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, para a Rádio Comercial 1440 AM, de Presidente Prudente (SP) - Brasília/DF

por Portal Planalto publicado 16/09/2015 11h15, última modificação 16/09/2015 11h23

Palácio da Alvorada-DF, 16 de setembro de 2015

 

 

Jornalista: E ao vir para a Rádio Comercial, várias pessoas me perguntavam: “E aí, Miguel Francisco, será que a presidente Dilma realmente virá hoje à nossa cidade?”. E eu respondia: “vou perguntar para ela”. Aí as pessoas me olhavam com uma cara de desconfiança. Mas chegou a hora de perguntar: senhora presidente Dilma Rousseff, está realmente confirmada a sua vinda, hoje, a Presidente Prudente? Bom dia, presidenta.

 

Presidenta: Bom dia, Miguel Francisco. Bom dia, ouvintes da Rádio Comercial 1440 AM - Presidente Prudente. Bom dia a todos os ouvintes aí da região.

Olha, Miguel, pode ter certeza que eu estou chegando aí, principalmente, se a gente acabar logo essa entrevista. Porque eu acabo a entrevista e diretamente vou pegar o avião no aeroporto e chego aí em Presidente Prudente onde nós vamos entregar as casas do Minha Casa Minha Vida.

 

Jornalista: Ok. Senhora presidente, eu gostaria de iniciar o nosso bate papo falando um pouquinho sobre economia, principalmente porque recentemente aconteceu o rebaixamento da nota do Brasil pela agência Standard. Isso preocupa a senhora em buscar investimentos no exterior nesse momento, considerado por alguns especialistas, um momento crítico?

 

Presidenta: Olha, eu queria primeiro, para comentar esse grau de investimento que a agência Standard & Poor's definiu para o Brasil, dizer o seguinte: primeiro, eu não sei se você sabe, mas muitos países, nessa década, passaram por situações de crise e tiveram as suas notas de risco rebaixadas. Isso aconteceu tanto com os Estados Unidos... Os Estados Unidos, hein, Miguel Francisco, em 2011, como também com a França, com a Itália, com a Espanha, em 2012. E agora aconteceu conosco. Todos os países foram muito maiores que suas notas e o Brasil é muito maior que a sua nota também. Todos voltaram a crescer, e assim vai ser com o Brasil também. Nós, Miguel Francisco, estamos tomando todas as medidas para nós, não por causa da nota, mas para nós mesmos. Estamos honrando nossos compromissos e contratos. Não temos problemas de crédito internacional, nem tampouco problema para atrair investimento para o Brasil. Aliás, somos um dos países em que mais há entrada de capital para isso. Nós também estamos tomando, eu diria para você, para simplificar, dois tipos de medida: uma é de controle da inflação e de equilíbrio fiscal do nosso orçamento federal; e as outras são de estímulos ao crescimento, como o programa de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, o programa de expansão de energia, e o Plano Safra que beneficia aí a região toda de Presidente Prudente. E o Plano Safra, este ano, para a agricultura comercial, é 20% maior, é R$ 187 bilhões. E para a agricultura comercial é de [R$] 26,9 bilhões... R$ 27 bilhões. A agricultura familiar, desculpa, para a agricultura familiar é de [R$] 26,9 bilhões. Nós, Miguel Francisco, estamos trabalhando intensamente, mas é intensamente, para que a nossa macroeconomia, para que a nossa economia se torne cada vez mais sólida para aumentar a confiança dos agentes econômicos em relação aos investimentos para permitir que o Brasil volte a crescer. Até porque o Brasil é uma economia grande e diversificada, nós somos a sétima economia do mundo e, por isso, vamos atravessar esse período de crise que muitos países passaram, que nós, inclusive, procuramos de todos os meios evitar, não foi possível. E vamos fazer todas essas medidas, tanto as de reequilíbrio, ou ajuste fiscal, e as de estímulo ao investimento, à agricultura, para voltar a crescer e gerar emprego.

 

Jornalista: Senhora Presidenta, hoje aqui em Prudente a senhora vai entregar 2.343 casas do programa Minha Casa Minha Vida; no total são, acho que, 300 e 500 unidades só na cidade aqui de Presidente Prudente. As autoridades municipais reconhecem, a senhora tem sido generosa em enviar investimentos para Presidente Prudente. No dia de hoje a senhora poderá anunciar mais investimentos para Presidente Prudente ou até mesmo para a nossa região?

 

Presidenta: Olha, nós temos vários projetos em andamento em Presidente Prudente. Essas 2.343 casas do Minha Casa Minha Vida são um dos grandes investimentos que nós estamos fazendo em habitação. Habitação principalmente para as pessoas que mais precisam, aquelas pessoas que se tentassem um financiamento, basicamente de um banco, não conseguiriam sem que o governo desse seu aporte. O governo participa desse programa garantindo para as pessoas, no caso das faixas mais baixas de renda, um subsídio quase integral; e para as faixas médias de renda um subsídio parcial que funcionaria como uma espécie de poupança que as pessoas não têm para poder comprar sua casa. Para que os ouvintes tenham uma noção, dos 53 municípios da região administrativa de Presidente Prudente, 11,8 mil famílias já receberam a casa própria. Há outras 2,3 mil em construção. Além disso, com os recursos do PAC nós já realizamos ampliação do sistema de saneamento por meio do esgotamento sanitário e da canalização de córregos aí na região. No período 2015-2018, de investimentos novos, estão previstos em torno de R$ 700 milhões na região, em várias áreas. Tanto áreas de infraestrutura - saneamento, continuar esses programas de saneamento, de canalização de córregos, enfim, esses programas de infraestrutura básica, como água também - e também investimentos em áreas sociais, como é o caso do Minha Casa Minha Vida.

 

Nós, além disso, apoiamos bastante a produção agrícola na região. Na safra passada, os produtores rurais de Presidente Prudente contrataram [R$] 130 milhões em crédito, 104% a mais do que na safra anterior, a safra passada. Nesta safra, como nós aumentamos os valores do Plano Safra, vai ter mais investimento ainda para os produtores rurais, tanto no custeio, que é importantíssimo, quanto nos investimentos. É importante também que nós investimos tanto para melhorar serviço de saúde como de educação aí na região. Eu vou dar o exemplo do Mais Médicos: o Mais Médicos garantiu 40 médicos para os 17 municípios da região que aderiram ao programa, melhorando o atendimento à saúde de 140 mil pessoas. Garantimos recursos para reformar 95 postos de saúde do total dos 221 existentes na região, e para construir, além disso, mais 70. Existem 8 UPAs - Unidades de Pronto Atendimento, que são aquelas de emergência - em obras. E quando elas estiverem funcionando, para você ter uma ideia, Miguel Francisco, elas vão melhorar o atendimento de urgência e emergência aí na região. Nós autorizamos 40 creches. Dessas 40, 23 já foram concluídas, e 4 delas aí em Presidente Prudente.

Em Presidente Epitácio, por exemplo, tem uma escola federal, uma escola técnica federal, coisa que é importantíssima para a formação dos jovens que precisam de ter uma qualificação profissional para conseguir emprego melhor. Além disso, 10,5 mil jovens foram beneficiados com bolsas do Prouni e 12 mil obtiveram financiamento do Fies. Nós temos certeza que esses dados serão ampliados nos próximos anos.

Tudo isso que eu estou dizendo é exemplo dos investimentos que nós temos feito para melhorar a qualidade de vida, melhorar a infraestrutura e ampliar as oportunidades para os moradores da região. Eu cito, sobretudo, a escola técnica federal porque ela leva a escola técnica ao interior. Não precisa para um jovem fazer o seu curso sair da sua região e procurar, se deslocar e morar gastando em outras cidades. Nós vamos dar sequência a tudo que está em curso. E nós esperamos atravessar rapidamente essa fase e, mesmo ao atravessar, nós teremos investimentos como eu disse em torno de [R$] 700 milhões aí na região no período de [20]15 a [20]18.

 

Jornalista: Ok. Senhora presidente, qual é a avaliação do momento político que a senhora faz em relação a estabilidade do seu governo?

 

Presidenta: Olha, eu acredito que tem ainda no Brasil, infelizmente, pessoas que não se conformam que nós sejamos uma democracia sólida, cujo fundamento maior é a legitimidade dada pelo voto popular. Essas pessoas, geralmente, elas torcem para o “quanto pior melhor”. E aí é  em todas as áreas, quanto pior melhor na área da economia, quanto pior melhor na área da política. Todas elas esperando uma oportunidade para pescar em águas turvas.

Mas eu tenho certeza, viu, Miguel, que o Brasil tem uma solidez institucional. Todos os países que passaram por dificuldades, você não viu nenhum país propondo a ruptura democrática como forma de saída da crise. Esse método, que é querer utilizar a crise como um mecanismo para você chegar ao poder, é uma versão moderna do golpe. Atualmente, o que nós temos que fazer é o seguinte: unirmo-nos, todos juntos. E o mais rapidamente, independentemente das nossas posições e interesses pessoais ou partidários, tomarmos o partido do Brasil, o partido que leva à mudança da nossa situação. Por isso é fundamental muita calma nessa hora, muita tranquilidade. E a certeza que eu posso te garantir uma coisa, sabe, Miguel: o governo trabalha diuturnamente, incansavelmente para garantir a estabilidade econômica e política do País.

 

Jornalista: Senhora presidenta, em nome do nosso diretor-geral, Maurício Mescoloti, quem articulou essa entrevista da senhora juntamente à sua assessoria de imprensa, queremos agradecer a gentileza conosco e desejar boa viajem a Presidente Prudente, um ótimo dia. E estamos aqui torcendo pelo seu governo, porque torcer pelo seu governo é torcer pelo Brasil. Agora, um pedido de um brasileiro: a professora Maria Solange Caravina, mãe do meu filho, é professora da rede estadual aqui em Presidente Prudente, ela é petista e “Dilma Rousseff” até o tutano dos ossos, ela está ouvindo a rádio. Se a senhora mandar um abraço para ela, ela vai ficar muito feliz comigo, senhora presidenta.

 

Presidenta: Olha, você vai repetir o nome dela, Miguel.

 

Jornalista: Maria Solange Caravina.

 

Presidenta: Maria Solange Caravina, eu quero te dizer uma coisa, Maria Solange, quero primeiro agradecer esse abraço, esse beijo, pelas ondas da Rádio Comercial 1440 AM de Presidente Prudente. E te dizer o seguinte: é por pessoas como você  que a gente continua firme lutando pelo Brasil. Um abraço e um grande beijo para você.

 

Jornalista: Seja bem-vinda a Presidente Prudente. Tchau, presidenta.

 

Presidenta: Tchau, Miguel.   

 

Ouça a íntegra da entrevista (14min22s) da presidenta Dilma