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Entrevista exclusiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, ao SBT, no dia 04 de junho de 2014 - Brasília/DF

por Portal Planalto publicado 06/06/2014 17h14, última modificação 25/06/2014 11h00

06 de junho de 2014

 

 

Jornalista: Presidente diz que entregou tudo o que prometeu e que não vai admitir protestos violentos.

 

Presidenta: Isso é inadmissível, isso não tem nada a ver com democracia. Isso tem a ver com barbárie e selvageria.

 

Jornalista: Na entrevista exclusiva ao SBT, hoje, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o Brasil, - isso aqui aspas, hein? - “o Brasil terá uma grande Copa dentro e fora do campo” no Palácio do Planalto.

 

Jornalista: Dilma conversou no Palácio do Planalto com o repórter Kennedy Alencar.

 

Kennedy: Tudo bem, presidente?

 

Presidenta: Tudo bem, Kennedy.

 

Kennedy: Obrigado por nos receber, viu?,e dar essa entrevista.

 

Presidenta: É um prazer.

 

Kennedy: Presidente, começando a falar da Copa do Mundo. Por que que a senhora, apesar do convite do Felipão, preferiu não visitar a Seleção lá na concentração?

 

Presidenta: Olha, eu acredito que... e fico (inaudível) ao Felipão. Aliás, eu acho o Felipão uma pessoa sensacional, um técnico que já ganhou Copa do Mundo. Mas, além disso, eu acho que o caráter do Felipão é um caráter forte, uma pessoa confiável, uma pessoa que eu acho que deve dar muita segurança para os jogadores. Ele tem a capacidade de ser um guerreiro, então eu quero te dizer o seguinte: que o meu coração bate pelo Felipão, assim, na confiança, na certeza que ele vai fazer o possível e o impossível para nós torcedores da Seleção brasileira.

Em que pese tudo isso, eu preferi deixar os jogadores tranquilos, não criar turbulências. É um momento delicado, um momento que tem de ter a maior, vamos dizer a maior sensação de paz, de tranquilidade. Então, foi nesse sentido. Agora, vou mandar para eles uma correspondência assim muito… vou te dizer, com muita força e muita ternura e também com a confiança que nós todos, os 200 milhões de técnicos deste país e os 200 milhões de torcedores que temos por essa seleção. É um luxo, não é? Uma seleção que tem dois técnicos, o Parreira e o Felipão, campeões mundiais. É um luxo. Não é para qualquer seleção.

 

Kennedy: Beleza. Vamos torcer, presidente!

 

Presidenta: Vamos torcer muito. Eu sou uma torcedora, eu bato na madeira, não é? Torço..

 

Kennedy: Cumpre todo o ritual.

 

Presidenta: Todo, todo. E acredito… Outro dia eu estava falando, acredito como a gente, quem tem medo de avião acredita que segura o avião quando está voando. É o mesmo processo, torcedor é isso. Ele ajuda a seleção a ganhar.

 

Kennedy: presidente, a gente está aí, a uma semana da Copa, é, não tem aquele mesmo clima de ruas enfeitadas...

 

Presidenta: Eu acredito que isso vai mudar. (...) Acho que quanto mais próximo nós chegarmos do Mundial e quando começarmos, de fato, o Mundial nós vamos ter essa mesma paixão envolvente pelo Brasil afora.

Disseram que nós não íamos ter Copa porque não teriam aeroportos prontos. Depois disseram que a Copa seria um processo terrível porque teria uma epidemia de dengue, nada disso se verificou. Os 12 estádios estão entregues, os 12 aeroportos - foram duplicadas a capacidade de embarque e desembarque. E você não tem e nunca terá nessa época do ano no Brasil nenhuma possibilidade de uma epidemia de dengue em um momento em que a temperatura cai.

 

Kennedy: É, isso é coisa do verão.

 

Presidenta: Além disso, disseram que nós íamos ter um brutal racionamento de energia, nós não vamos ter racionamento de energia nem durante a Copa, nem depois da Copa. (...) O nosso querido Nelson Rodrigues consagrou o complexo de vira-lata. Eu acho que o complexo de vira-lata, ele significa justamente isso: uma certa diminuição de nós mesmos.

 

Kennedy: Agora, presidente...

 

Presidenta: A Copa aqui no Brasil ela vai ser uma Copa de sucesso porque nós estamos preparados. Eu acredito que dentro do campo e te asseguro que fora do campo também. (...) Nós faremos uma grande Copa.

 

Kennedy: Mas a senhora reconhece atrasos em algumas obras, sobretudo em mobilidade.

 

Presidenta: Atrasos em relação a quê?

 

Kennedy: A obras que deveriam estar prontas para a Copa…

 

Presidenta: Vamos discutir os aeroportos? Os aeroportos, primeiro, eles não foram feitos para a Copa. O que leva a gente a ampliar os aeroportos?

 

Kennedy: A demanda cresceu no Brasil, você viu...

 

Presidenta: a Copa vai se aproveitar disso.

 

Kennedy: Sim.

 

Presidenta: É que de 2002 a 2011 nós passamos de 33 milhões de passageiros para em torno de 113 milhões de passageiros.

 

Kennedy: isso.

 

Presidenta: Por exemplo, o aeroporto de Brasília, aqui, tem uma capacidade para além da necessidade da Copa. O Galeão tem uma capacidade para além da Copa. O… Guarulhos tem uma capacidade muito além da Copa.

 

Kennedy: Mas o quê que explica tanto a queixa dos organizadores: JeromyValcke, em 2012, falava “O Brasil merece um chute no traseiro”, uma coisa desrespeitosa com os brasileiros. Depois reclamou que foi muito difícil lidar com o Brasil. O Blatter, presidente da Fifa, falou “o país que mais atrasou foi o Brasil…”

 

Presidenta: Eles fizeram a mesma coisa na África do Sul.  A mesma coisa.

 

Kennedy: O mesmo discurso?

 

Presidenta: O mesmo discurso, tá? O que eu não vejo... eu estive na abertura das Olimpíadas, tá? Em alguns momentos...

 

Kennedy: Em Londres? Na última Olimpíada em Londres.

 

Presidenta: Em Londres. Eu sou chefe de Estado. Eu estava há uma hora no trânsito, desci do veículo e fui tomar um…

 

Kennedy: Um suco?

 

Presidenta: Não, um metrô.

 

Kennedy: Para chegar rápido.

 

Presidenta: Não, porque não chegava, não é chegar rápido. Uma hora de trânsito parado, não chegava. Eu quero saber o seguinte: o que nós prometemos que nós não entregamos? Nós estamos entregando toda a segurança, toda, integral. Todos os Centros de Comando e Controle, todos os Centros Nacionais de Comando e Controle, dois Centros nacionais e 12 Centros em cada estado.

Estamos entregando uma rede de fibra ótica que não vai acontecer aquilo que aconteceu já em outros lugares que o celular não funciona. Nós vamos ter todo o 3G e o 4G. Nós vamos ter nos estádios que permitiram o wi-fi. Para quê? Para duplicar e descongestionar a rede de 4G.

 

Apresentador: Ainda hoje, na segunda parte da entrevista com a presidente Dilma ao SBT, o assunto é: preocupação com as manifestações violentas.

 

Apresentadora: A presidente foi enfática ao dizer que a segurança de manifestantes e de quem quiser assistir aos jogos da Copa será garantida.

 

Presidenta: Muitos países reprimem, reprimem as manifestações, nós somos um dos países que nunca reprimiu manifestação. Nós vivemos, apesar de uma democracia jovem…

 

Kennedy: Mas o governo está preocupado com isso.

 

Presidenta: As manifestações, democráticas que são, elas não têm culpa de que outras pessoas com outros interesses entrem na manifestação ou participem da periferia da manifestação e tentem criar o quê? Depredação de patrimônio público ou privado. Eu acho que é inadmissível ameaça física à integridade das pessoas, seja jornalista, seja um participante ou inclusive ferimento de morte. Isso é inadmissível, isso não tem nada a ver com democracia, isso tem a ver com barbárie e selvageria.

Nós vamos garantir o direito das pessoas assistirem o futebol e o direito das pessoas se  manifestarem. Agora, sem quebradeira e sem tentar impedir que as pessoas vão assistir o futebol.

Quero te dizer o seguinte: protesto contra o governo em ano eleitoral , me desculpa, mas todo ano eleitoral acontece.

Eu, na Copa de 70, eu estava presa no presídio Tiradentes. Muita gente dizia: “Ah, se o Brasil ganhar, você fortalece a ditadura”. Muita gente falava isso assim, insinuava ou dizia.

 

Kennedy: E numa situação difícil, a senhora separou as coisas..

 

Presidenta: Posso te falar uma coisa? Não fui só eu, não.

 

Kennedy: Mais gente, lá…?

 

Presidenta: Eu acho que foi generalizado. Ninguém…

 

Kennedy: Os demais presos da época, todos?

 

Presidenta: Todo mundo torceu pelo Brasil. Sabe aquele negócio do Camões, “em um valor mais alto, você levanta”? É… Eu acho que tem um significado muito importante. A Seleção representa a nacionalidade. Nós vamos ficar muito felizes de sermos hexacampeões.  Agora, eu acho também que nós hoje temos a maturidade de um país que sabe que pode, que não está jogando para aparecer por isso ou por aquilo. Nós temos cinco, cinco, mas cinco taças no nosso, vamos dizer, no nosso patrimônio.

 

Jornalista: Temos currículo, não é?

 

Presidenta: Temos currículo.

 

Jornalista: Presidente…

 

Presidenta: Nós somos, de fato, em qualquer hipótese... podem dizer que nasceu lá na Inglaterra, mas se ele achou um lugar para morar, o futebol, foi aqui.

 

Kennedy: Na sua opinião, como torcedora, qual será a final da Copa do Mundo e qual será o placar? Com quem o Brasil vai jogar?

 

Presidenta: Espera lá, espera lá porque aí começou a entrar na seara da minha superstição.

 

Kennedy: Vamos lá.

 

Presidenta: Eu não digo isso, nem vem.

 

Kennedy: O Brasil está na final contra quem?

 

Presidenta: Não. O Brasil eu quero que esteja na final. Contra quem, eu não sei.  

 

Kennedy: Nem o placar?

 

Presidenta: Não. E em todos os jogos do Brasil eu vou bater muito na madeira, torcer muito meu dedo, levantar várias vezes, tampar o rosto, porque eu já te falei é que nem o viajante de avião que segura o avião para não cair, entendeu?

 

Kennedy: Vai torcer mais para a Seleção do que para o Inter e para o Atlético?

 

Presidenta: Ah, meu querido, a Seleção é o Brasil, não é? Também o Inter e o Atlético são do meu coração, mas Seleção é Seleção. É nessa hora, aquilo que o… vou citar outra vez o Nelson Rodrigues, que a pátria de calção e chuteiras, a pátria de calção e chuteiras é a Seleção.

 

Jornalista: Presidente, muito obrigado pela sua entrevista.

 

Presidenta: Obrigada, viu?

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