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Entrevista exclusiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, à TV Band, do Grupo Bandeirantes de Comunicação, no dia 03 de junho de 2014 - Brasília/DF

por Portal Planalto publicado 06/06/2014 16h57, última modificação 25/06/2014 11h01

Jornal da Band

 

Apresentador: Em entrevista exclusiva à Band, a presidente Dilma Rousseff falou de Copa do Mundo. Disse que espera que todos os governadores de estado que vão sediar os jogos peçam o apoio das Forças Armadas. Ela assegurou na conversa com o repórter Fábio Pannunzio e com a apresentadora Renata Fan que não irá tolerar baderna durante a competição.

 

Jornalista: O quê que foi que a senhora orientou o Exército a fazer, porque o Exército cuida agora cuida também da segurança das delegações, né?


Presidenta: O que eu fiz foi oferecer a todos os governadores das cidades da Copa, porque só eles que têm o poder de fazer isso. Ofereci a eles o apoio das Forças Armadas, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança Pública. Todos os governadores que aceitarem, e eu acredito que todos aceitarão, é o que tenho mais ou menos avaliado até agora, eles terão, então, o nosso apoio com as Forças Armadas e com todos os órgãos do governo federal. Nós estamos trabalhando de forma, assim, muito intensa, sabe Pannunzio, para que as condições de segurança dos chefes de Estado e de Governo que vão nos visitar - e são muitos - que as delegações que venham para cá e todos os torcedores, turistas e apreciadores de futebol tenham condições de segurança. Não admitiremos, não admitiremos mesmo, que haja qualquer tipo de baderna tentando impedir que as pessoas assistam à Copa do Mundo. Que as pessoas tenham acesso à Copa do Mundo. As manifestações são absolutamente legítimas. Não é legítimo, não é democrático, quebra-quebra, destruir propriedade privada e pública, e muito menos, tá, porque aí é crime, nesse caso também destruir propriedade é crime. Mas é crime tirar vida humana.

 

Jornalista: Agora, me chama a atenção que o secretário-geral da Fifa, o Jerome Valcke, deu uma declaração que segundo ele, o brasileiro está mais preocupado em ganhar a Copa do Mundo ao invés de fazer uma boa Copa do Mundo. A senhora concorda?

 

Presidenta:Olha, eu não tenho concordado há muito tempo com declarações variadas. Há muito tempo eu não concordo.

 

Jornalista: Aliás, a senhora deve estar pelas tampas…

 

Presidenta: Eu não diria isso assim porque não fica bem uma presidenta estar pelas tampas. Mas eu quero te dizer que eu não concordo, não. Eu acho que o Brasil é muito capaz de fazer as duas coisas, de lutar pela Copa, pela taça, pelo campeonato, por levantar a taça. É incorreto a forma pela qual um país que recebe a Copa tem...é obrigado a escutar certas considerações indevidas a respeito de si mesmo e da sua soberania. Um país que tem condições, de forma absolutamente ordeira, de fazer a melhor Copa do Mundo.

 

Jornalista: O que é mais difícil: a Fifa ou o PMDB? Ou é mais ou menos a mesma coisa?

Presidenta: Posso falar uma coisa para você? Eu já disse, o PMDB só me dá alegria. A FIFA, a gente nesse momento, eu acho que a gente tem de ter uma postura no sentido de agora nós vamos para a Copa.

 

Jornalista: O que não pode acontecer o que aconteceu na inauguração do estádio: o Brasil não pode fazer feio na abertura da Copa no Itaquerão, não é?

 

Presidenta: Você está aí perto de uma madeira, meu querido?

 

Jornalista: Vou bater aqui, ó.

 

Jornalista: Já batemos aqui.

 

Presidenta: É, eu bato em madeira. Ontem bati várias vezes em madeira, entendeu? Porque nós não podemos - nós não podemos - correr este risco. Então, isolemos, mas eu acho que o Itaquerão é um lugar de sorte.

 

Jornalista: Eu queria saber qual é o placar que a senhora acha que vai ser Brasil e Croácia?

 

Presidenta: Eu vou te dizer: eu tenho senso crítico. Eu não faço prognóstico, não. Eu torço, é diferente.

 

Jornalista: Quanto é que a senhora acha que vai ser?

 

Presidenta: Não, não conto. Vou te explicar porque: eu sou cheia de superstição. Tem uma hora que só assisto gol assim, ó. Só assim.

 

 

Jornal da Noite

 

Presidenta: Mas eu vejo os estádios como sendo um legado que a Copa deixa, mas não é o principal. (...)Nós gastamos, em termos de financiamento, ou seja, dinheiro que vai ter de ser devolvido para os cofres públicos porque é financiado, tem contrato, cobramos juros, então foi financiamento, não foi dinheiro do Orçamento. É um dinheiro que dá um padrão hoje para aquelas arenas, e aquelas arenas vão ser usadas não só para futebol. Algumas serão usadas até para casamento (...) E quem financia? Ou financia o BNDES, ou financia a Caixa, ou financia um banco privado, ou financia o Banco do Brasil, enfim, algum banco financia. E posso ter certeza, você pode ter certeza, banco cobra.

 

Presidenta: O que importa é que os aeroportos estão prontos, e eu acho que vão começar a reconhecer que os aeroportos... pode ser em 145 mil m2, outro dia entregues lá no... em teste, até, que estava, na época, 145 mil m2 em teste, lá em Guarulhos, o pessoal viu um pingo, não é? Aí foram lá e mudaram o pingo, mas, pelo amor de Deus, 145 mil m2 ter um pingo, e ser consertado o pingo não tem mistério nenhum. (...)

 

Presidenta: O Galeão está extremamente bem feito, está correto, vai ser usado, e aí tem um dado: praticamente nós duplicamos a capacidade dos aeroportos, duplicamos, de receber, para receber não só turistas, mas fundamentalmente, também, o pessoal brasileiro que vai de aeroporto em aeroporto.

 

Jornalista:Vou fazer uma provocação para a senhora, tá? Mas, quer dizer que a senhora não considera esse negócio de o sujeito chegar de metrô até a porta do estádio uma babaquice, não?

 

Presidenta:Eu não. Acho uma grande coisa. Por exemplo, no Itaquerão. Ele não chega só de metrô na porta do estádio. Ele chega no... ele chega de metrô, de trem ou de ônibus, tudo articulado. (...) é engraçado, nós adoramos Copa do Mundo, nós todos torcemos todas as Copas do Mundo, agora, quando é a Copa aqui, não querem que a gente aproveite? Não é? Eu acho que esse é o raciocínio que passa na cabeça de milhões de pessoas. Não querem que nós aproveitemos por quê? Por razões políticas, porque tem muita coisa de razões políticas por trás desse “não vai ter Copa”.

 

Jornalista:(...) qual é, na sua opinião, até agora, o ponto mais positivo da escolha de se fazer uma Copa do Mundo no Brasil, e aquele que desde o momento que o governo Lula conseguiu esse feito e essa conquista para a nossa nação, a senhora acha que poderia ter sido trabalhado de uma outra forma?

 

Presidenta:Olha, eu acho, tá? Que o ponto mais positivo somos nós mesmos, sabe? Nós, os brasileiros e as brasileiras temos o que mostrar, e o que eu quero que o mundo veja é essa imensa capacidade de trabalho, de criatividade, de... nós somos capazes, sim, de jogar o melhor futebol do mundo; somos capazes, sim, de estar aqui num país que tem 201 milhões de habitantes, com a menor desigualdade da sua história; um país que é democrático, em que nenhum de nós aqui tem medo e se apavora com manifestação (...)um país que tem condições, de forma absolutamente ordeira, fazer a melhor Copa do Mundo.

 

 

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