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Entrevista exclusiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, a Regina Casé, apresentadora do programa Esquenta, da TV Globo - Brasília/DF

por Portal do Planalto publicado 14/12/2012 10h41, última modificação 04/07/2014 12h39

Brasília-DF, 23 de novembro de 2012

Regina Casé: Presidenta, deixa eu explicar por que eu escolhi este lugar. Eu queria agradecer, a senhora foi gentilíssima, ofereceu uma entrevista no Planalto ou no Alvorada, mas a gente escolheu este lugar porque no Esquenta aconteceu uma coisa muito interessante. Eu olhava, nas outras temporadas, para a plateia, tinha três pessoas em cadeira de rodas. Uma pessoa levantava para pedir uma música para o Arlindo Cruz, e a pessoa, eu reparava, estava de bengala, era cega. Isso aconteceu com tanta frequência, tanta frequência, tanta frequência, que um dia eu perguntei: quantas pessoas aqui têm algum tipo de deficiência? E era um número muito impressionante. E elas falavam para mim: “eu já vim quatro vezes”, “eu já vim cinco vezes”. Tinha uma – aquela que estava na faculdade Estácio, e teve uma bala perdida, a Luciana – que usa respirador, tem que ficar ligado na tomada. Já tinha ido duas vezes. Nunca nós tínhamos convidado, não tinha sido pesquisado, não tinha sido pautado. Eu falei: por que vocês estão aqui? Ela falou: “Ué, porque a gente gosta do programa, porque a gente gosta de samba”. E aí eu vi como a gente tem preconceito. Parece que o deficiente só pode ir lá na televisão se for dizer como ele é um coitadinho, como ele está sofrendo, que ele precisa de uma cadeira de rodas e não tem dinheiro.

Presidenta: Agora, você tem razão. Essa observação é perfeita. Ele vai, assim como as outras pessoas vão, porque eles gostam.

Regina Casé: Exatamente. Porque é um ser humano com tudo aquilo que ...

Presidenta: Com todas as ambições, os desejos. Agora, você sabe de uma coisa? E o melhor de tudo isso é que nós precisamos de todos eles para este país ficar um país desenvolvido, para este país se transformar numa nação plena. Sem que a gente reconheça nas pessoas com deficiência um estatuto similar ao de qualquer outra pessoa, nós não iremos construir um país democrático, um país que respeita os valores humanos. Portanto, esse seu programa dá uma contribuição, dá essa consciência. Para o conjunto das pessoas, é fundamental.

Regina Casé: A gente tem um lema muito engraçado... tem dois: um é “xô preconceito”, que a plateia grita toda hora.

Presidenta: Xô preconceito? Ótimo.

Regina Casé:. E o segundo que é: o que o mundo separa, o Esquenta junta.

Presidenta: O que o mundo separa, o Esquenta junta.

Regina Casé: O Esquenta junta. A gente fica tentando juntar... vamos botar todo mundo junto, misturado. A senhora falou uma coisa que eu achei linda, muito legal, justamente no discurso, quando a senhora estava implantando o plano do Viver sem Limites, que era: “nessas horas, é que vale a pena ser presidenta”.

Presidenta: Ah vale! Nessas horas vale porque, sabe, eu acho que a Presidência pode dar um exemplo. Primeiro, um exemplo de que é fundamental tratar o deficiente como se trata qualquer outro cidadão, em termos dos seus direitos e em termos das oportunidades que eles devem ter. Agora, como eles têm algum tipo de deficiência, é obrigação da sociedade e do Estado, assegurar, por exemplo, o respeito a eles. Isso significa... começa pela educação. Nós sabemos que uma educação inclusiva – que numa sala de aula você coloca crianças com deficiência e crianças sem deficiência – é bom para as crianças com deficiência e para as sem deficiência. Segundo, é fundamental perceber que eles podem ter uma vida plena. Terceiro, é absolutamente imprescindível reconhecer que o Brasil precisa de todos... de todos para se transformar num país desenvolvido. E aí, eu queria te dizer uma coisa: eu tenho imenso respeito pelas nossas Paralimpíadas.

Regina Casé: Ah, eu também.

Presidenta: Quando você vê que nossos... eu respeito também muito os nossos atletas olímpicos. Mas eu tenho muito orgulho de ser na Paralimpíada que nós temos o melhor desempenho, e ser na Paralimpíada que nós conquistamos mais prêmios. E quando você vê um atleta paralímpico, você percebe... por exemplo, uma corredora. Ela corre acompanhada de uma outra pessoa. Mas, ela tem um desempenho que é superior a qualquer um que vá correr, a qualquer uma pessoa...

Regina Casé: Sem aquela limitação.

Presidenta: ...sem aquela deficiência. Quando você vê um jogador, quando você vê um levantador de peso, enfim, qualquer tipo de atleta paralímpico, o que ele mostra para você é que ele é capaz de desenvolver a sua capacidade e de se superar. Então, o que eu acho que o governo tem de fazer? O governo tem de tratar os nossos deficientes, todos, como se fosse uma pessoa que pode superar e, tendo oportunidades, tendo garantia à educação e à saúde, tendo garantia ao acesso. Por isso eu acho importantíssimo esse seu... como é que é? O que o mundo separa, o Esquenta junta.

Regina Casé: O que o mundo separa, o Brasil junta.

Presidenta: O Brasil junta.

Regina Casé: O Brasil está dando uma lição disso, não está?

Presidenta: É isso. Eu te agradeço pela frase. E aí, a nossa... há um exemplo aqui a doutora Lucinha. Aqui mostra isso, que nós somos capazes de dar um exemplo e de juntar. Aqui se junta também.

Regina Casé: Claro, e acho que nas Olimpíadas a gente vai fazer isso ainda mais bonito...

Presidenta: Mais bonito.

Regina Casé: ...porque eu acho que a especialidade do Brasil é fazer festa.

Presidenta: Fazer festa.

Regina Casé: Não é acabar em pizza, é fazer festa. E uma festa onde tem velho, onde tem gay, onde tem pessoas que são brancas, outras pessoas que são negras...

Presidenta: Não, e ser criativo.

Regina Casé: ...tem criança e velho, e ser criativo.

Presidenta: Ser criativo, ser capaz de criar, de produzir. Nós temos uma imensa capacidade de trabalho também.

Regina Casé: Eu também acho.

Presidenta: O Brasil tem uma imensa capacidade de trabalho.

Regina Casé: Com alegria.

Presidenta: Com alegria, porque nós, graças a Deus, não somos um povo triste e deprimido. Essa mistura, essa mistura, ela é muito importante. Eu estive recentemente num encontro ibero-americano, que junta o mundo ibérico... a América Latina. E aí, eu disse: para o Brasil, sem as raízes africanas, não tem uma celebração que seja integral. Nós precisamos do índio, do europeu e do africano para dar a nossa mistura. E isso é o que nós somos, essa imensa capacidade, inclusive, também, de tolerar.

Regina Casé: De tolerância.

Presidenta: De tolerar.

Regina Casé: Temos de ter muito cuidado para manter a tolerância que a gente conseguiu até agora.

Presidenta: Até agora.

Regina Casé: Para manter a tolerância religiosa, sabe, manter...

Presidenta: Eu tenho muito receio de que a intolerância, em algum momento, possa surgir. Agora, acho que a sociedade brasileira, ela tem um grande poder de impedir isso.

Regina Casé: Vai saber reagir. Eu também...

Presidenta: Eu gosto... você sabe do que eu gosto também? Eu gosto da capacidade que nós temos de reconhecer alguns caminhos. Eu vou te citar um que eu acho muito importante: o caminho das cotas nas universidades públicas. Eu acho que nós temos, primeiro, de perceber que a pobreza no Brasil, ela tem um rosto: ela é negra ou é mulata, ou cafuza, a nossa mistura; ela é criança. A criança, no Brasil, também tem muito segregado. Então, eu acho que nós... aqui temos um exemplo, como a Lucinha estava nos dizendo, que você atende reproduzindo a pirâmide social. O Brasil tem de fazer isso.

Regina Casé: A gente conseguiu vencer muitos preconceitos...

Presidenta: Muitos.

Regina Casé: ...com... o Brasil, a gente tem que reconhecer, é um país, hoje em dia, com muito menos desigualdade social...

Presidenta: Muito menos.

Regina Casé: ...mas que preconceitos ainda resistem.

Presidenta: Mas ainda tem muitos que nós temos.

Regina Casé: Onde está mais difícil? Onde ainda resistem?

Presidenta: Eu acho que a gente sempre terá de reconhecer que o maior preconceito no Brasil tem origem na sua história, que é a escravidão. Acho que a questão racial no Brasil tem de ser sempre colocada e enfatizada que ela... você não pode admitir discriminação desse tipo, porque nós temos uma origem histórica que transformou uma parte da nossa população em escravo. Se considerar que o Brasil é 50%... se declara negro, isso ganha muita importância. Isso é a primeira questão. A outra questão, eu acho que – as mulheres também – nós, mulheres, estamos saindo de um momento de preconceito.

Regina Casé: A senhora ainda sente muita... alguma resistência?

Presidenta: Olha, eu vou te falar, eu não sinto em relação a mim. Eu acho difícil ser presidente, ou homem ou mulher. Não acho que também...

Regina Casé: Não é um pouquinho mais difícil, sendo mulher?

Presidenta: Não, não acho.

Regina Casé: Não mesmo?

Presidenta: Eu não acho, não. Eu acho que é mais difícil ser uma pessoa comum. Sabe por quê? Porque é o seguinte, tem muita violência ainda contra a mulher.

Regina Casé: É verdade.

Presidenta: Tem muita diferença de salário, tem muita diferença de oportunidade.

Regina Casé: Bacana isso que a senhora está falando porque, como presidenta, podia ser mais difícil. A senhora está dizendo: uma mulher, como mulher do povo, ela está muito mais suscetível ao preconceito...

Presidenta: Está, está.

Regina Casé: ...e à violência. A senhora está mais protegida.

Presidenta: Eu estou mais protegida.

Regina Casé: Muito legal isso.

Presidenta: Isso eu considero que é muito importante porque eu tenho grande apreço pela Lei Maria da Penha...

Regina Casé: É, eu também.

Presidenta: ...porque eu acho que a Lei Maria da Penha, ela botou o dedo numa ferida, que é o seguinte: a violência doméstica. E nós temos... eu acho... uma vez eu escutei uma forma de tratar essa questão, que era opor a lei dos mais fortes à força da lei. A Maria da Penha é isso: se opõe a lei do mais forte fisicamente à força da lei. Então, eu acredito que o Brasil, ele caminha. Quando ele caminha por uma maior oportunidade para todos, por uma diminuição da desigualdade, pelo fato de que nós tiramos da pobreza mais de 40 milhões de pessoas e elevamos à classe média...

Regina Casé: Aí virou...

Presidenta: ...quando nós todos caminhamos para isso, nós vamos ter de cuidar também daquilo que sobra, que é aquela desigualdade que ainda permanece, a desigualdade em relação ao negro. Por isso que a política de cotas é importante, a política afirmativa.

Regina Casé: Que não precisa ser reparatória, mas é que é para dar as oportunidades e...

Presidenta: Não, é você dar oportunidades. O Obama é fruto de uma política afirmativa.

Regina Casé: Claro, mas eu acho que o modelo brasileiro, a gente pode inventar um diferente do dos Estados Unidos...

Presidenta: Pode.

Regina Casé: ...com mais, vamos dizer, jogo de cintura, a senhora concorda?

Presidenta: Acho que a gente tem de ter jogo de cintura, sabe, Regina, mas nós temos de dar também muita oportunidade...

Regina Casé: Concordo inteiramente.

Presidenta: ...porque se você for ver, de quatro pessoas que recebem o Bolsa Família, três são negros. E nós temos também de dar uma importância muito grande à questão da criança, porque a criança, ela não tem representação. Uma criança de zero a seis anos, ela é representada por quem? Pela sua família. Então, se você quer, de fato, atacar a desigualdade na sua origem, você tem de atacar a desigualdade que afeta uma criança. E aí, por isso que nós fizemos o Brasil Carinhoso dando o mínimo de R$ 70 para cada membro da família. Então, eu acredito que a desigualdade, ela tem muitas caras, mas nós nunca podemos esquecer que este país foi um país que teve, um século e meio atrás, escravidão.

Regina Casé: É tão impressionante, que como na nossa plateia o público... além de ser um programa muito popular, é uma festa que, graças a Deus, todo mundo se sente convidado, a mesma coisa acontece com os negros. Muita gente dizia: o programa... esse programa da Regina, o Esquenta, só tem preto. Um programa de samba, os músicos todos que estavam... eu olhava para a plateia e falava: que é isso, só tem preto? Aí eu fui olhar, na plateia, não tinha nem 50%, eu falei: não, é que nos outros programas só tem branco, aí quando tem 50%, dá impressão que é o todo, porque a gente tira muito pelo todo. Uma coisa que eu achei interessante é que a senhora colocou o projeto, o Viver sem Limites, o Plano, dentro da Secretaria de Direitos Humanos e...

Regina Casé: ...ele chama Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Por que dentro da Secretaria de Direitos Humanos? Isso me interessa muito.

Presidenta: Porque eu acho que direitos humanos são também direito da pessoa com deficiência. É um direito humano, no sentido de que é direito fundamental da pessoa humana, ao nascer com alguma deficiência, ser capaz de utilizar todos os recursos: recurso social, recurso tecnológico, toda uma política de valorização dela. Como eu te disse, são 25% da nossa população. O Brasil precisa desses 25%. Eles não são... A questão da deficiência não é uma questão que não diz respeito a nós. Diz respeito a cada um de nós.

Regina Casé: Claro.

Presidenta: Pode acontecer na nossa família, com nossos amigos, com nossos vizinhos...

Regina Casé: A senhora tem algum caso na sua família, alguém próximo?

Presidenta: De alguma forma, eu tenho, sabe por quê? Porque eu tenho um parente que ele é, hoje, quase cego, e ele tem as dificuldades de acessar as suas condições decorrentes da perda de visão. Agora, a capacidade absoluta do ser humano de superar é uma coisa fantástica. O Viver sem Limites é isso. Não precisa ter limites, tendo deficiência. Esta, eu acho que é a mensagem principal desse programa, e aí...

Regina Casé: E a senhora estava falando de cotas, na verdade é a mesma coisa, porque... vou trazer um pedido de vários deficientes, inclusive visuais. É bacana uma escola inclusiva, mas ela tem que trazer o material didático e o preparo do professor...

Presidenta: Específico.

Regina Casé: ...que uma escola específica também tem, porque senão não adianta.

Presidenta: E combinar as duas coisas.

Regina Casé: Combinar as duas coisas, exatamente.

Presidenta: Tanto é que nós estamos dando força para as Apae’s e para toda a estrutura das Apae’s, porque a escola inclusiva cumpre um papel, a Apae cumpre outro papel. É escola também e tem a capacidade de fazer essa interação. Além disso, nas escolas inclusivas, você tem de treinar professor, tem de ter material próprio, você tem de ter toda uma estrutura que permita que essas crianças tenham acesso a formas de aprendizado que sejam mais fáceis para elas.

Regina Casé: E a gente...

Presidenta: Agora, eu aposto muito no “junta”, como você diz. Vamos juntar.

Regina Casé: No tudo junto e misturado.

Presidenta: É, por isso que eu acho...

Regina Casé: Eu também.

Presidenta: ...muito importante o papel das Apae’s nesse processo. Havia, no passado, um certo afastamento das Apae’s. Eu sou contra isso. Eu acho que a Apae, a Apae integra o programa Viver sem Limites. Nós precisamos das Apae’s porque... inclusive, o Estado brasileiro tem obrigação de dar uma contribuição para elas, no sentido de garantir o melhor tratamento possível para as crianças, porque é Associação de Pais, não é? É uma Associação de Pais.

Regina Casé: Tem um monte de coisa que já está disponível e que eu acho que, às vezes, as pessoas não sabem. (Perdão) No projeto Minha Casa, Minha Vida, eu descobri que tem 99 mil casas adaptadas, e eu acho que às vezes as pessoas nem vão reivindicar...

Presidenta: Contratadas já tem 170 mil, Regina, contratadas.

Regina Casé: Adaptadas?

Presidenta: Não, contratadas para serem adaptadas. Noventa e nove já estão em construção, 99 mil. O que eu queria te dizer é o seguinte. No projeto Minha Casa, Minha Vida, a preocupação é você dar um tamanho de porta que a pessoa possa passar com cadeira de rodas. Por exemplo...

Regina Casé: Acabamos de falar isso no programa.

Presidenta: Por exemplo, você tem de ter uma acessibilidade da casa completamente diferente. Ninguém vai... não pode botar uma pessoa com algum nível de deficiência para morar no último andar. Então, a seleção tem que ser uma seleção criteriosa. Por que é que nós fizemos isso? Porque houve uma reivindicação, e aí o que a gente tem feito... Você tem razão, tem de divulgar mais. A pessoa tem, no Minha Casa, Minha Vida... se ela tiver uma renda de até R$ 1.600, é bom que ela saiba, ela tem direito a pleitear uma casa do Minha Casa, Minha Vida, se cadastrar e pleitear, ter uma casa com toda a adaptação, e vai pagar o mesmo que paga sempre, no Minha Casa, Minha Vida, até R$ 1.600. Nós pagamos 90% e a pessoa paga 10%. Entre 5% a 10%.

Regina Casé: O material de reabilitação – eu descobri também –, você pode, por exemplo (desculpa, eu estou há um tempão assim, com esse...)

Presidenta: Quem sabe você não toma uma aguinha?

Regina Casé: É isso que eu estou pedindo.

Presidenta: Princípio da vida.

Regina Casé: Mas, enquanto isso, eu queria dizer assim, é financiado também pela rede pública uma impressora em Braille, uma cadeira de rodas, um andador. Eu acho que muita gente também não sabe que isso está disponível, e é isso que a gente quer divulgar no Esquenta.

Presidenta: E é financiado a juros bem baixos, bem baixos. Ela pode ter acesso, seja a cadeira de rodas, seja a impressora em Braille, seja...

Regina Casé: Se precisa trabalhar, adaptar o carro para você trabalhar, não é?

Presidenta: O carro. Nós temos, hoje, financiamento bastante em conta para esse tipo de produto. Inclusive também desoneramos, entendeu? Então o preço cai bastante.

Regina Casé: A senhora estava falando: olha, o Brasil, hoje em dia, é um país com muito menos desigualdade social. A gente sabe, aqui na Rede Sarah, quando acontece uma tragédia dessas, com uma família rica já seria terrível, já é uma coisa dilacerante.

Presidenta: Igual numa família pobre.

Regina Casé: Agora, quando a pessoa é muito pobre, ter que conviver com isso, porque aí tudo...

Presidenta: Como é que transporta, por exemplo?

Regina Casé: Transporte, uma pessoa que mora lá em cima numa favela, no morro, que ela andando com as duas pernas, para subir e descer, já é uma loucura e tal, então eu acho que tem que ter uma atenção muito especial.

Presidenta: Nós temos um programa especial de transporte. Ele vai estar plenamente em funcionamento em 2013/2014, para transportar justamente essas pessoas, seja aqui para o Sarah, ou para os Sarah’s do Brasil, que, aliás, eu sou uma admiradora do Sarah. Eu acho que o Sarah é a prova de que o Brasil é capaz de criar, manter e sustentar uma instituição de qualidade que é exemplo para o mundo. Eu acho que se tem um lugar de que a gente fica extremamente orgulhoso é isso aqui.

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Assunto(s): Governo federal