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Entrevista concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, para as rádios Musical FM e Maringá FM, do Paraná

por Portal do Planalto publicado 04/10/2013 00h00, última modificação 04/07/2014 12h48

Jornalista:Olá, bom dia a todos os ouvintes. Começa nesse momento a transmissão ao vivo das rádios Maringá FM e Musical FM, de Campo Mourão. Estamos em rede para Campo Mourão, Maringá e a todos os municípios da região noroeste do Paraná. Vamos falar com exclusividade com a Presidenta da República, Dilma Rousseff, que veio ao Paraná para a entrega de obras e anúncio de investimentos. Eu sou Luciana Peña da Maringá FM e ao meu lado, Luiz Donizete, da Musical FM.

Presidenta, muito bom dia!

Presidenta: Muito bom dia, Luciana Peña, muito bom dia ouvintes da rádio Maringá FM. Muito bom dia, Luiz Donizete, da rádio Musical de Campo Mourão. Muito bom dia a todos os moradores aqui da zona noroeste do Paraná.

Jornalista: Presidenta, os ouvintes da Maringá FM gostariam de saber se a senhora virá a Maringá para a inauguração do Contorno Norte, uma importante obra de infraestrutura, e que outras obras e investimentos estão sendo realizadas pelo governo?

Presidenta: Olha, eu terei o maior prazer de vir aqui para a inauguração do Contorno. E você pode ter certeza que eu tenho esse encontro marcado com vocês. É uma obra que é muito importante para a cidade porque melhora a vida das pessoas ao tirar do centro da cidade, um obra de contorno, e tira da cidade  o tráfego pesado de caminhões, etc. Olha, nós temos várias obras aqui na região, mas eu queria dizer para vocês que a mais importante ação que nós temos aqui no Paraná, que eu considero uma das mais importantes, é todo o investimento que o governo faz no agronegócio no Brasil. Aqui nós temos um estado que é o maior produtor de grãos do Brasil. E o Plano Safra desse ano, para você ter uma ideia viu, Luciana, o Plano Safra desse ano montou em R$ 136 bilhões, são varias ações. Queria destacar, portanto, uma das questões importantes é esse apoio que a gente dá à grande agricultura, à média agricultura, porque o Plano Safra, dentro dele, tem uma linha que é só para a média agricultura, para a pequena também. E, eu acredito que nós, este ano, temos uma grande inovação, que foi colocar R$ 5 bilhões por ano, durante cinco anos, para financiar armazenagem. O Brasil precisa de armazenagem. Então, essa é outra iniciativa que eu acho muito importante. Lá em Campo Mourão eu vou assinar um financiamento do Banco do Brasil para 16 armazéns da Coamo, que é a maior cooperativa da América Latina – como vocês sabem, melhor do que eu. E vamos também financiar o moinho de trigo, que eu também acredito que vai ser muito importante para a região, estou dando alguns exemplos. Mas, além disso, nós estamos aqui com uma outra ação que é de extraordinária importância, que são os kits. Nós, o governo federal, temos uma política de logística. Como você disse, nós estamos com essa data marcada para inaugurar o Contorno Rodoviário aqui de Maringá. Mas outras rodovias são muito importantes porque elas são estratégicas para a produção agrícola, por exemplo, a chamada Estrada Boiadeira, a BR-487, que terá um trecho de 133 quilômetros pavimentado e implantado entre Porto Camargo e Nova Brasília. Hoje entra em operação, hoje, o trecho entre Cruzeiro do Oeste a Tuneiras do Oeste. Nós vamos assinar a ordem de serviço para implantar BR-158, entre Campo Mourão e Palmital. São 110 quilômetros. E outros que eu não vou ficar me estendendo porque eu quero falar mais uma outra coisa: queria destacar os kits: uma motoniveladora, uma retroescadaveira e um caminhão-caçamba a ser entregue para quem? Para todos os municípios de até 50 mil habitantes, é uma doação que o governo federal faz. Por quê? Porque até chegar a produção na porteira das fazendas, você precisa das estradas vicinais. Então, considerando o papel dos prefeitos, que tem que ser um papel estratégico de cuidar do seu município. O governo federal está dando esses três equipamentos porque eles são essenciais para manutenção das estradas vicinais. Aquelas pequenas estradas que às vezes tem, se você for fazer a metragem linear por quilômetro, dá 400 quilômetros no município, 200 quilômetros, 300 quilômetros.

Então, nós estamos dando esses equipamentos para dar ao prefeito também a possibilidade dele auxiliar os moradores. E aqui no Paraná, eu não tenho aqui de cabeça o número, mas eu estou procurando, mas eu acredito que mais de 70%, quase... não, não, é mais do que isso, é 92% - foi soprado ali,  como vocês podem ter visto. O nosso ouvinte não viu, mas eu quero contar para o ouvinte que a minha assessora soprou que é 92% - então vocês vejam o seguinte: 92% dos municípios do Paraná – são 399, então, pode soprar outra vez o número.  Não... 399 é o número de municípios, então são 367 municípios que vão receber esse kit de três: motoniveladora, retroescavadeira e um caminhão-caçamba.

Eu acredito que aqui o Paraná, ele tem esse compromisso, o governo federal tem esse compromisso com o desenvolvimento do Paraná. O Paraná é talvez uma das maiores reservas alimentícias do mundo, do mundo. E você sabe o que acontecerá nesse século 21. Duas coisas vão ser importantes: quem tem energia e quem tem alimentos. O Brasil tem os dois. E nós temos que ajudar o Paraná a estruturar a sua produção de alimentos. Todo mundo diz que da porteira para dentro, a questão está resolvida, porque é um empreendedorismo do produtor, é a capacidade tecnológica da agroindústria brasileira, da pequena propriedade, é a força das cooperativas. Da porteira para fora é a questão da logística. Por isso também eu acho que todas as obras ferroviárias são muito importantes.

Jornalista: Presidenta Dilma Rousseff, bom dia, ouvintes também da rádio Musical FM, Maringá FM, essa região agradece a sua visita que nos faz nesse dia. Um dos seus primeiros pedidos ao assumir o governo foi de ser chamada de Presidenta. Alguns lhe chamam ainda de Presidente. Eu cito isso, por exemplo, porque nem tudo é possível, Presidenta. Nesse sentido meu questionamento é sobre os conflitos, seja ideológicos ou político-partidários. Eu pergunto: é possível conciliar a política pública com a política partidária rumo às eleições de 2014, contemplando igualitariamente a distribuição de renda, atendendo e contemplando até mesmo governos estaduais que fazem campanhas contrárias ao seu partido político? Muitas vezes então agindo com a falta de sinceridade na hora de darem os créditos a esses recursos.

Presidenta: Olha, vou te falar uma coisa, Donizete. É o seguinte: eu acho que as pessoas, os partidos, podem disputar a eleição e fazer campanha eleitoral, até em alguns momentos da campanha eleitoral o clima esquenta, as pessoas se emocionam. Mas quando você é eleito para um cargo, como o cargo de Presidenta, de Governador e de Prefeito, ser eleita para ser Presidenta, eu fui eleita para ser Presidenta de todos os brasileiros, não dos brasileiros do meu partido, ou dos brasileiros do meu time de futebol, ou da minha crença religiosa. Na medida em que eu fui eleita Presidente ou Presidenta, no meu caso é Presidenta, porque eu queria enfatizar o fato de eu ser a primeira mulher eleita Presidenta da República, e acho muito importante para as mulheres brasileiras terem uma Presidenta, que é uma demonstração que elas podem. Eu tenho convicção de que o Brasil avançou muito, porque desde o Lula nós viemos com uma política que nós não fazemos a menor distinção, não perguntamos de que partido é o governador, o prefeito ou quem quer que seja. Nós somos obrigados, por uma convicção democrática e republicana e respeitando a nossa Constituição, a tratar todos os entes federados igualitariamente. Esse último exemplo, essa conversa que eu estava tendo aqui com a Luciana sobre esse kit. Esse kit, você não distribui para os prefeitos das cidades de até 50 mil habitantes de qualquer partido. Você distribui para todos, eu não quero saber o partido do prefeito. Todos os prefeitos ganham o mesmo kit, chova ou faça sol, seja ele uma pessoa de outro partido, da oposição, ou seja ele da situação. A mesma coisa aqui, aqui no Paraná, com várias outras atividades que nós tivemos em outros lugares do Brasil. Nós temos, por exemplo, o Minha Casa, Minha Vida, que eu acho que é um dos programas mais importantes do meu governo, que é a construção de 2,7 milhões casas aqui no Paraná - e aqui no Paraná o governador é da oposição - eu tenho o Minha Casa, Minha Vida sendo realizado aqui. O que nós, obviamente, sempre cuidamos, é que os programas que nós fazemos, nós queremos que seja dito que fomos nós que fizemos. A única coisa que eu quero é que se diga a verdade. O kit, foi o governo federal que deu, se alguém inventar que foi outra pessoa que deu, isso também não está correto, porque você está mentindo para o povo.

Mas, eu acredito que é uma vantagem do Brasil ter tido essa evolução republicana. Porque eu acho que não volta atrás mais, acho que ninguém vai aceitar aquela história de que o prefeito pegava o pires, ia no Palácio do Planalto, ou no Palácio do Governador, em qualquer Estado da Federação para pedir favor. Não, a política do governo federal... por exemplo, nós temos muito orgulho do Bolsa Família. O Bolsa Família é um programa que acredito, e agora com a sua complementação do Brasil Sem Miséria que nós demos uma renda mínima para todos os cadastrados no Programa, nós mudamos o patamar dele. Mas quem é que nos ajuda a fazer o Bolsa Família? Os prefeitos, de todos os partidos, porque eles nos ajudam no cadastro. Sem eles nós não fazemos. Os prefeitos nos ajudam e vão nos ajudar agora com o Mais Médicos, na distribuição do Mais Médicos, porque eu acho que é um programa importantíssimo. É óbvio que nós temos que ter melhor infraestrutura, mais hospital, mais postos de saúde, mais Unidades de Pronto Atendimento para atender às pessoas. Mas as pessoas precisam de médicos para serem atendidas. Elas precisam do médico que chegue e examine, nós queremos que o médico nos examine, o médico entenda a nossa situação de saúde, e nos dê as recomendações: se a gente está com hipertensão, como é o caso das pessoas da minha idade, que têm hipertensão, e se elas não andarem todos os dias, ai que a situação fica preta, então já estou dando aqui um recado: caminhem, façam exercícios. O médico tem que que me dar remédio para hipertensão. Enfim, o que é... e de quem eu dependo para resolver esse acesso da população aos médicos? Dependo dos prefeitos. É sempre em parceria que se faz as coisas.

Então, é isso. Temos de ser republicanos, democráticos e temos que cuidar, sobretudo, das pessoas. E por isso, independe de que partido político, quem elegeu, cada um de nós, foi o povo. E é a ele que a gente tem que dar satisfação. Porque aí... por que é que eu não vou dar o dinheiro para o prefeito se o povo elegeu o prefeito? Por que não vamos passar o dinheiro para o governador e trabalhar juntos se o povo elegeu o governador? Eu acho que sem isso, viu... o Brasil tem se mostrado diferenciado, nós temos uma atitude que é assim: você está vendo hoje, por exemplo, nos Estados Unidos, está lá o governo parado. No Brasil, eu acho que nós temos uma relação bem civilizada entre os diferentes grupos políticos e partidos políticos.

Jornalista: Presidenta, a senhora já falou sobre a importância dos produtores rurais, dos produtores na produção de alimentos, a importância do alimento, da energia. Mas os produtores enfrentam muitas adversidades ainda. Qual a análise que a senhora faz do agronegócio no país, onde é preciso avançar?

Presidenta: Olha, eu acho que o agronegócio no Brasil é uma história de sucesso. Além de ser uma história de sucesso, ele é um fator de desenvolvimento do país, inclusive de equilíbrio da nossa balança de pagamentos. E o agronegócio brasileiro, ele já demonstrou que ele tem uma capacidade grande de agregar valor. Porque nós... falam assim: “olha, o Brasil é um grande produtor de alimentos”. Você pensa: bom, deve ser... muita gente pensa isso, no mundo, que produzir alimentos só requer clima, solo e etc, só fatores naturais. Não é verdade. Requer empreendedorismo, uso de tecnologia sofisticada e muito crédito. Eu acho que o governo federal tem cumprido um grande papel com o Plano Safra. Acho o Plano Safra Brasileiro colocar R$ 138 bilhões por ano, por ano... isso significa 18% a mais do que nós investimos antes. Olhar para o agricultor, dar crédito para ele produzir de forma adequada, garantir – e agora nós criamos uma Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural. Por que isso? Justamente porque o agricultor precisa de tecnologia, precisa de conhecimento técnico.  Essa agência tem esse objetivo, levar conhecimento técnico para ele produzir, para ele ser capaz.

Quer ver um outro programa do governo, que não está ligado diretamente à agricultura, mas está ligado à agricultura e que contribui para esse desenvolvimento tecnológico? Pronater. Quando nós fazemos Pronater... desculpa, Pronater. Desculpa, Pronatec. O Pronatec, que é o Programa Nacional de Ensino Técnico e Emprego [Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego], ele fez uma parceria com o Senar, que é o Sistema S da CNA, do agronegócio. Nessa parceria nós formamos, desde operador de máquinas, porque as máquinas, por exemplo, tanto as colheitadeiras como aquelas máquinas que ajudam a plantar e que levam a semente, elas hoje são todas computadorizadas, você tem quee formar as pessoas para trabalhar. Outro dia, até, eu fui lá no Tocantins, e era justamente uma formatura de mais de mil alunos na área do agronegócio, formando o que? Aquela pessoa que entende de modificação de plantas, que entende de como é que a máquina vai operar, qual é a umidade do solo necessária, enfim. Você precisa hoje, para ter uma agroindústria, uma pequena agricultura, uma cooperativa, você precisa hoje dar a eles também conhecimentos técnicos.

Outro exemplo: seguro. O Brasil, tradicionalmente, nunca teve um seguro agrícola extensivo. Nós viemos aumentando sistematicamente o valor do seguro, e nós queremos... nós já chegamos a R$ 700 milhões. Para a pequena agricultura, nós temos o Pronaf, nós temos o PAA, o Programa de Aquisição de Alimentos. Uma cooperativa de pequenos agricultores fornece para o programa de agricultura, para o programa de compra de alimentos diretamente do produtor e, com isso, o produtor não tem risco e todos ganham. Ganha o agricultor de quem você compra. O governo ganha porque o agricultor vai desenvolver a produção, vai gerar mais renda e emprego até... e vai gerar também empreendedorismo. E ganha, por exemplo, a alimentação. Isso foi uma... ganha a alimentação das populações frágeis dos municípios, que vão ter uma alimentação saudável.

Então, eu acho que o agronegócio precisa disso: crédito, tecnologia e políticas de sustentação da demanda. Ele precisa dessas três... desse tripé, e quanto mais esse tripé, ele tiver ele vai desenvolver-se. Isso no que se refere ao Plano Safra. Fora do Plano Safra é infraestrutura, é estrada, ferrovias, portos, principalmente esses três. Em alguns lugares vai ter hidrovia também. Eu acho que aqui nós vamos ter, é a primeira vez, uma estrutura que vai ligar a região do Paraná com rodovias e ferrovias ao Porto de Paranaguá, não só ao Porto de Paranaguá, mas ligar o estado ao Porto de Santos e ao Porto de Rio Grande. Isso é o que nós queremos para o Paraná e também trazer tudo que a produção do Mato Grosso do Sul, uma parte, não digo toda, mas uma parte por aqui.

Jornalista: Presidenta Dilma Rousseff, a senhora citou há pouco, inclusive, o Programa Mais Médicos. Campo Mourão conta com um complexo hospitalar dotado de uma invejável estrutura e enfrenta crises por falta de profissionais, médicos em alguns setores. Quando lançou o Programa Mais Médicos a senhora esperava que pudesse haver tamanha resistência dos Conselhos Regionais de Medicina como está havendo? A presidente está decepcionada com isso?  E com a implantação das UPAs essa realidade será diferente, Presidenta?

Presidenta: Olha, eu respeito muito os médicos brasileiros. Acho que os médicos deram e dão sistematicamente uma grande contribuição ao país. Mas um país ele não pode achar, um país grande como o Brasil, que a demanda existente por médicos não deva ser atendida, ou você deve esperar o médico se formar, a gente abre escola, ele se forma e a gente só vai atender a população brasileira com médicos formados aqui. O médico formado lá fora, ou o médico formado fora dos países, ele tem tido uma participação grande no atendimento das populações dos países. Você veja que aqui no Brasil é só 1,78% da nossa população, se você considerar quantos médicos, qual é a participação dos médicos, dos médicos externos, formados no exterior, que vieram de fora o seu diploma, qual é a participação deles na quantidade de médicos que trabalham no Brasil? É só 1,78%. Sabe quanto é em alguns países do mundo como a Alemanha, aliás, desculpa, como a Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, mesmo a Argentina, e mesmo o Uruguai, é bastante elevado. Nos países desenvolvidos é entre 20% e 35%, para você ter uma ideia, e nós somos 1,78 [%]. É uma coisa que não tem explicação. No Brasil nós temos poucos médicos, se você considerar a relação médico por mil habitantes, e mal distribuídos, concentrados nas zonas mais ricas, com mais poder aquisitivo. Onde não tem médico? Não tem médico na periferia das grandes e das médias cidades. Não tem médicos no interior do país. Não tem médico nas regiões de fronteira e não tem médicos, sobretudo, nas zonas mais pobres do Norte e do Nordeste, do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste.

Então, o que é que nós fizemos? Nós fizemos uma política assim: chamamos primeiro os médicos com diploma do Brasil. Esses médicos têm prioridade para escolher para onde vão. Não sendo esses médicos suficientes, porque a população não pode esperar que eu forme médico e depois de eu formar, coloque o médico numa residência, ele vai se formar em pediatria ou em anestesiologia. Não pode esperar isso, ela quer ser atendida amanhã ou hoje. Então, nós resolvemos trazer médicos de fora. Eu considero ruim que haja uma resistência a algo que não visa nem prejudicar os médicos brasileiros... Por quê? Porque esses médicos nossos vão trabalhar onde? Nas UPAs e na rede básica dos postos de saúde. Eles vão fazer que atendimento? Aquele atendimento primeiro que as pessoas precisam, que eu estava falando aqui. Vão atender diabetes, vão atender todas as doenças de hipertensão, vão atender aquelas das crianças: criança tem bronquite, criança tem asma, geralmente de madrugada, e sai a mãe desesperada atrás de um médico para olhar seu filho. Vão atender aquelas doenças, assim, que são... não é necessário você levar ninguém para o hospital para tratar disso. Você pode resolver o problema entre a UPA e o posto de saúde.

Por isso que nós tivemos e adotamos essa política do Mais Médicos. Se você me perguntar assim... vamos supor que vocês me perguntem – a Luciana ou o Luís –, me perguntem assim: “Presidenta, resolve o problema só os médicos?” Eu te digo o seguinte: não resolve todo o problema, mas ajuda muito. Eu te diria que melhora num percentual que eu não sei te dizer, mas melhora porque você garante o atendimento. Uma pessoa pode ser atendida e deve ser atendida quando precisar. E aí, o que é que ele vai fazer? Ele vai desafogar o hospital. Esse seu hospital vai ter mais médicos, porque esses médicos que nós trazemos de fora, viu Luiz, nós... eles não podem trabalhar no hospital nas áreas mais complexas. Eles vão trabalhar na UPA e na rede básica. O que é que vai acontecer? Nós vamos precisar de menos médico na UPA e na rede básica. Então, vai sobrar médico, aí, para hospital atender às pessoas que precisam de outro tipo de tratamento.

Aí eu te digo o seguinte. Eu acho que todo mundo tem que fazer um grande esforço, e o governo, mais do que ninguém, é obrigado a fazer esse esforço. Qual é o esforço que nós temos que fazer? Nós temos que melhorar a vida das pessoas, e melhorar a vida das pessoas significa dar a elas atendimento na hora que elas precisam.

Eu li uma pesquisa que as pessoas pediam duas coisas quando elas criticam a saúde. Primeiro, nós queremos ser atendidos por um médico, que é o que eu quero, que você quer e o que ela quer. Segundo, eu quero que esse tratamento seja humano, sabe, que seja outro médico que não olhe para mim e nem me encoste. Eu quero que o tratamento seja humano. O que é que nós queremos? É isso, que haja um médico para atender e que o tratamento seja humano.

Aí nós temos que melhorar, cada vez mais, os hospitais, reformar as UPAs igual nós estamos fazendo. Aliás, construir UPAs, reformar posto de saúde, como nós estamos fazendo. E acho que tudo isso é um esforço que o Brasil... que melhorou muito nos dez anos passados, e agora nós temos que dar um salto, garantir que tanto a educação quanto a saúde sejam serviços de qualidade de primeiro mundo. É isso que nós temos... Esse Mais Médicos é isso. É o primeiro passo, é a abertura de um caminho de melhoria sistemática da saúde.

Jornalista: Presidente Dilma Rousseff, eu, Luiz Donizete, da Rádio Musical FM, e Luciana Peña, da Rádio Maringá FM, agradecemos pela entrevista e desejamos uma ótima estadia em nossa região.

Obrigado, Presidente.

Presidenta: Luiz Donizete, eu queria agradecer esta oportunidade e dizer para você que eu estou muito feliz de estar aqui em Campo Mourão. Essa é uma região de pequenos produtores, de grandes cooperativas, e estou muito feliz de estar em Maringá, que esse é outro aspecto. É uma cidade mais industrial, é uma cidade que tem uma força enorme aqui no Noroeste do país. Então, isso é que encanta no Paraná. O Paraná tem todos os aspectos da força do Brasil para se transformar num... cada vez mais numa grande nação.

Obrigada aos ouvintes da rádio Maringá FM, a Luciana, e obrigada a você, Luiz, da rádio Musical, de Campo Mourão.

Um abraço e um beijo a todos os paranaenses.

 

Ouça a íntegra (28min25s) da entrevista da Presidenta Dilma

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Assunto(s): Governo federal