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Entrevista concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, na chegada ao Uruguai para Reunião de Cúpula do Mercosul

por Portal do Planalto publicado 12/07/2013 09h29, última modificação 04/07/2014 12h44

 

Montevidéu, Uruguai, 11 de julho de 2013

 

Jornalista: Um gesto importante da senhora deixar o Brasil nesse momento para vir a reunião do Mercosul.

Presidenta: Porque é uma reunião importante. É uma reunião muito importante porque é essa a nossa área de comércio específica, de investimentos, de integração regional. Faz parte, eu acho, da política do Brasil reforçar as relações da América do Sul. E de fato eu acho que essa reunião do Mercosul é muito representativa. A Bolívia vai aderir ao Mercosul, outros países passam a ser, acompanhar oficialmente essas reuniões, passam a ser associados...

Jornalista: A Venezuela presidente...

Presidenta: A Venezuela presidente. Nas próximas, nós acreditamos que o Paraguai retorne. Então, é de fato uma reunião muito importante.

Jornalista: Como a senhora vê o fato de o bloco emitir um documento de repúdio a essas denúncias de espionagem feita pelos Estados Unidos?

Presidenta: Olha, eu acho, eu vejo como sendo uma posição correta tomada pelo bloco. Repudiar qualquer ação de espionagem que contrarie os direitos humanos, principalmente o direito básico, o individual, de privacidade, e, ao mesmo tempo, contrariar a soberania dos países, é algo que merece o repúdio de qualquer país, qualquer país que se defina como país democrático. E eu acho que aqui, na América do Sul impera, e isso é muito importante, depois de muitos anos, né gente? Essa foi uma região que era uma região considerada uma região de governos autoritários, você ter fundamentalmente países democráticos é muito importante.

Jornalista: Como a senhora viu hoje as manifestações lá no Brasil? Nós estamos de fora acompanhando pela internet, ficamos bastante impressionados com o bloqueio de rodovias, etc. As centrais sindicais têm razão de parar o país dessa maneira?

Presidenta: Olha, minha querida. As manifestações, em geral, sejam de quem sejam, têm que ser respeitadas como manifestações de reivindicações, de busca de mais direitos sociais. Porque o Brasil é isso. Nós temos grandes avanços nos últimos dez anos e agora as pessoas querem mais. Querer mais é algo muito positivo na democracia. Agora, eu considero que em qualquer manifestação em que se tenha interrupção de rodovias, e que se tenha atos de violência, eles têm que ser condenados. O governo não condena apenas, o governo coíbe. Nós, no dia de hoje, o ministro da Justiça já falou, se vocês acompanharam, nós tomamos várias providências no sentido de não permitir o fechamento de  estradas. E contamos também com o judiciário, no sentido de multar aquelas organizações, aquelas entidades que paralisem estradas. Porque o direito de ir e vir é um direito fundamental no país, é um direito democrático. Ninguém pode manifestar-se interrompendo estradas. Isso aconteceu antes, aconteceu hoje, nós lamentamos.

Agora, respeitamos o direito de manifestação. Essa é uma diferença, um diferencial das manifestações no Brasil. O Brasil é um país tão forte, em termos democráticos, que ele consegue conviver de forma muito positiva com as manifestações. Porque o que um governo tem de fazer. Transformar essa energia em aceleração dessas questões que um país necessita. Nós precisamos melhorar o serviço. Isto não elimina o fato de, nos últimos dez anos, termos avançado de forma expressiva na distribuição de renda. Por isso que eu sempre digo, inclusive foi para você que eu disse, uma das coisas que eu sempre reafirmo, com aquela convicção sabe, aquela convicção que as conquistas sociais do povo brasileiro vieram para ficar. Não serão de nenhuma forma abaladas. E o que nós queremos é aumentar essas conquistas e esses direitos sociais.

 

Ouça a íntegra (05min06s) da entrevista da Presidenta Dilma

 

 

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Assunto(s): Governo federal