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Entrevista concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante café da manhã com jornalistas-setoristas do Palácio do Planalto - Brasília/DF

por Portal Planalto publicado 22/12/2014 22h40, última modificação 22/12/2014 22h42

Palácio do Planalto, 22 de dezembro de 2014

 

 

Presidenta: Muito bom. Bom dia para vocês. Como eu estou de regime, eu não posso comer nada disso. Mas eu posso tomar uma aguinha e tomar uma água de coco.

 

Jornalista: Presidente, tem um suquinho de laranja.

 

Presidenta: Não, eu não gosto de suco de laranja. Gosto de melancia.

 

Jornalista: Mas trouxeram sua água de coco? O da campanha?

 

Presidenta: A minha aguinha de coco? Eu vou pedir aqui que me dêem uma água de coco. Bom dia, gente. E Feliz Natal antecipado. A gente abre com um Feliz Natal e fechamos com um Próspero Ano Novo. Então, eu sou toda ouvidos. Vamos começar? Um por vez, não é, gente? Vamos embora? Quem é que passa o…

 

Jornalista: Quais são os ministros

 

Presidenta: Você repete para mim? Eu estava prestando atenção… desculpa.

 

Jornalista: ...da Rádio CBN. Eu perguntei sobre a escolha dos ministros, se semana que vem a gente vai conhecer os novos nomes?

 

Presidenta: Vai, vocês vão ter nomes.

 

Jornalista: De quem?

 

Presidenta: Eu acredito que até o dia 29 eu pretendo ter mais dos… quase os ministros todos indicados. Não vou te dizer o dia, porque eu posso fazer em várias levas, duas levas, ou pode ser uma vez só. Então, eu te prometo isso. Vocês terão, nesses dias que tem pouca matéria, vocês terão - pode ser duas levas - vocês terão muita matéria.

 

Jornalista: Divide em três, é melhor. Divide em três.

 

Jornalista: Presidente, pode soltar agora aos poucos? Presidentes de bancos também?

 

Presidenta: Não, não. Presidentes de bancos é posterior. Eu vou indicar ministros, aí presidentes de bancos, assim que os ministros tomam posse comigo, porque eles tomarão posse comigo, no dia 1º, porque eu não vou fazer duas posses, não é? Não tem racionalidade. Assim que tomarem, aí se começa o outro escalão, não é? Eu preciso do ministro empossado para o novo escalão ser feito. Até por uma consideração com o ministro e com a sua respectiva área, dona Cristiane.

 

Jornalista: E o ministro… e o Ministério da Petrobras a senhora também pode reformar, presidente? Estou aqui, ó. Oi, tudo bem? E o Ministério da Petrobras, a senhora também pretende reformar?

 

Presidenta: O ministro de Minas e Energia?

 

Jornalista: Não, o Ministério da Petrobras mesmo.

 

Presidenta: Não, a Petrobras é uma empresa, ela não é um ministério. Ela é uma empresa com ação na bolsa e com todas as regras. Eu farei todas as minhas alterações; eu vou alterar conselhos de empresas, então todas as alterações, como eu disse... Eu não estou pretendendo, se a sua pergunta é se eu vou alterar a diretoria da Petrobras? Não estou pretendendo. Alterarei o Conselho de Administração da Petrobras.

 

Jornalista:(incompreensível)  

 

Presidenta: Você acredita que eu vou falar isso agora? Sem ter nomeado... Não, por um motivo muito simples: sem ter nomeado o ministro de Minas e Energia, eu indico um conselho que é subordinado a ele. Não posso fazer isso.

 

Jornalista: O ministério da Fazenda está fazendo (inaudível)

 

Presidenta: Não necessariamente.

 

Jornalista: (inaudível)

 

Presidenta: Sim, é o Guido, mas não é necessariamente. Nós ainda vamos fazer uma discussão mais...

 

Jornalista: Não precisa necessariamente ser o ministro da Fazenda?

 

Presidenta: Não. Eu era o presidente do Conselho e era ministra-chefe da Casa Civil. Geralmente é o Ministro de Minas e Energia, não é? O Lobão não foi porque ele é Senador, não pode ser.

 

Jornalista: (inaudível)

 

Presidenta: Não necessariamente. Não tem modelo para conselho, gente. Não existe modelo para conselho. Isso é uma… é daqueles simbolismos que a gente usa porque facilitam o raciocínio. Mas não existe.

 

Jornalista: Presidenta, bom dia. Cristina Serra da TV Globo. Eu queria saber como é que a senhora avalia a situação da presidente da Petrobras, Graça Foster, considerando que ontem, ainda mais uma vez, surgiu mais uma informação sobre a atuação dela na Petrobras. Uma nova informação da gerente Venina, dizendo que pessoalmente falou com - na época ela era diretora - a Graça Foster, falou sobre denúncias de irregularidades. A senhora acha que a presidente Graça Foster tem condições de permanecer no cargo? Até quando? Quando é que a senhora… Enfim, como é que a senhora pretende conduzir esta questão?

 

Presidenta: Como é que você tipifica uma alegação sem provas? Tem alguma prova apresentada sobre qualquer conduta da presidente da Petrobras, Graça Foster? Eu conheço a Graça, eu sei da seriedade da Graça, sei da lisura da Graça. Acho que é importante saber qual é a prova que apresentou. Porque o que eu disser que te falei, o quê que eu quero? Eu tenho que de provar o que eu falei. Não há dúvida daquilo que a Graça já respondeu, que houve informação sobre aquela questão relativa à - como é que chama? - à comunicação, e houve alteração a partir dali. De outro lado, a Graça assumiu a direção da Petrobras e mudou toda a diretoria

 

Jornalista: Presidente…

 

Presidenta: E abriu, a atual diretoria da Petrobras, abriu todas as investigações que estão em curso dentro da Petrobras.

 

Jornalista: Presidente…

 

Jornalista: (inaudível)

 

Presidenta: Olha, eu acho que é muito difícil ter uma situação confortável quando existe a prática de condenar sem dar espaço para defesa, muito difícil. Sem perguntar pelas provas, nem tampouco pelos interesses. É muito fácil criar uma situação de autoconstrangimento para qualquer um. Por isso que é importante que vocês da imprensa dêem espaço para o contraditório e perquiram: quais são os interesses por trás disso?

 

Jornalista: E quais seriam os principais interesses por trás disso.

 

Presidenta: Eu não sei, não sou eu que tenho de fazer isso. Eu não tenho nenhum, a não ser saber que eu não vejo nenhum indício de irregularidade na conduta da atual diretoria da Petrobras. Eu não compactuo com indícios de irregularidades. Não compactuo. Acho que as pessoas que praticam irregularidades, elas têm de ser punidas. Agora, quando eu não vejo que estão praticando irregularidades eu não posso querer punir.

 

Jornalista: Agora, em janeiro de 2014, decidiu a troca da diretoria (incompreensível) a minha pergunta é: a Presidente Graça Foster foi impotente para conduzir tamanha investigação.

 

Presidenta: Por quê?

 

Jornalista: A segunda pergunta é a seguinte: a senhora tinha dimensão do tamanho desse escândalo que há na Petrobrás hoje, que é um escândalo que está sendo investigado também pelos Estados Unidos pela CVM de lá. Quer dizer ganhou uma dimensão maior do que a senhora imaginava (incompreensível).

 

Presidenta: Bom, deixa… eu vou começar a responder pelo fim. Os Estados Unidos têm uma prática que eu considero muito boa. Eles criaram uma Lei que chama Sarbanes Oxley. Essa Lei Sarbanes Oxley deriva do fato de que eles tiveram de lidar com muita irregularidade dentro das corporações empresariais que são muito fortes nos Estados Unidos. Tanto grandes empresas, como grandes bancos. Aliás, tem uma reportagem muito interessante que saiu na The Economist a respeito, sobre o pagamento de multas de US$ 17 bilhões, de US$ 5 bilhões, por todos aqueles que praticam delitos, que são multados pesadamente. E eles sempre fazem a distinção entre a empresa, a pessoa que pratica o delito, mas ambos de uma certa forma, pagam. Quem pratica o delito, sendo afastado, depois de investigado; e quem  comete, a empresa que comete o delito, pesadamente multado, é isso que acontece.

            Bom, o que eles estão fazendo é o que eles fazem consigo mesmos, não é? Quando ocorre algo desse tipo, como foi o caso da grande quebra do Lehman Brothers e de todas as situações dos bancos com os derivativos, foi exaustivamente investigado. Da mesma forma, eles fazem quando tem indício de qualquer corrupção em corporações. E é bom dizer aqui, para evitar avaliações que eu considero ideológicas, que não é, não é exclusivo de empresas públicas terem processos de corrupção. Um dos maiores processos de corrupção da história recente americana foi de uma empresa de energia chamada Enron. E uma parte dessas leis deriva da Sarbanes Oxley, que nós adotamos, deriva desses mecanismos. Eles usam esses processos, ao invés de ficar tendo uma reação de purgação, eles usam para melhorar a institucionalidade.

            Bom, nenhum processo destes é transparente e visível. Justamente porque se trata de uma irregularidade, ele é oculto. Para as pessoas descobrirem, ou para as instituições descobrirem, elas precisam de investigar. Ninguém sabe de um processo desta envergadura, nem nos Estados Unidos, nem no Brasil, simplesmente porque exerce o controle público, ou porque exerce o controle privado daquela empresa, é necessário investigar. Você veja… Só um pouquinho, vou dizer. Nós precisamos da Polícia Federal, do Ministério Público, precisamos do Judiciário e de uma Lei chamada Delação Premiada para descobrir o que ocorreu, senão, você não descobre.

            Então, é de um simplismo absurdo supor que alguém tivesse noção do que estava acontecendo porque estava lá na diretoria, porque é encoberto, é próprio desses processos serem encobertos.

 

Jornalista: (incompreensível)

 

Presidenta: Olha, eu acredito que tem várias coisas que têm que ser olhadas. Nós sempre vemos uma coisa que pode ocorrer dentro da Petrobras: os projetos feitos no Brasil, naquela época inicial, eram muito precários. Por quê? Porque o Brasil vinha de um tempo muito longo sem investir.

Então, eu te digo uma coisa: se orçava uma obra em X, só que o  orçamento da obra em X era irreal. Aí você iria ver, a obra era Y. Eu vou te dar um exemplo disso, que não tem nada a ver com a Petrobras e que recentemente eu falei sobre ela: interligação do São Francisco. Interligação do São Francisco foi orçado, inicialmente, como sendo um canal, um canal. De canal à obra… Quer dizer, ela tem um canal, mas não é o canal que resolve, ela tem de ser… elevar a água a 323 metros, ela tem de elevar a água a 300 ou 200 - eu não… posso estar falando número que não é preciso, mas é essa a altura, quase… tem algumas estações que têm 60 metros. A complexidade da obra, também, por nós, era minimizada, por um motivo muito simples: a gente não fazia.

            Eu lembro, porque eu vivi isso, eu lembro quando nós começamos a fazer rodovia, a 163, a rodovia 163, nós fizemos uma avaliação para definir se dava para fazer por obra PPP. O pedágio era R$ 900,00. É óbvio que não é possível fazer uma rodovia com um pedágio de R$ 900,00. O pedágio não era R$ 900,00, mas não era… para dar a rentabilidade que era prevista antes, que todos os investimentos tinham de dar retorno em 10 anos, ele era alto, não era R$ 900,00. Nós fizemos obra pública…

 

Jornalista: (incompreensível)

 

Presidenta: Olha, eu vou te falar uma coisa: nós procuramos ajustar todos os orçamentos dentro da Petrobras, todos. Inclusive pode olhar o orçamento da Rnest, nós procuramos torná-lo bem rígido. Bom, eu pensei que era isso. Agora, segunda pergunta: eu acho absurdo os volumes, acho absurdo os volumes de dinheiro de alguns funcionários.

 

Jornalista: Presidente, em 2012 a senhora fez uma mudança na diretoria da Petrobras. A Cris Lobo fala, inclusive, de limpeza, da necessidade de limpeza. A minha pergunta agora é, nesse atual momento, momento em que a Petrobras, independente… A senhora fez uma defesa enfática, aí, da presidente Graça Foster, inclusive da correção dela no trato, aí, de todo esse processo da Petrobras. Agora, independente da correção dela, no momento em que a Petrobras corre risco de perder grau de investimento, não seria o momento de pensar uma substituição? E, acontecendo isso, a senhora pensaria numa substituição da diretoria, por falta de condições de fazer as mudanças necessárias na empresa nesse momento?

 

Presidenta: Quais são essas condições que faltam?

 

Jornalista: Credibilidade para fazer as mudanças, dentro máquina e também com respaldo do mercado (incompreensível).

 

Presidenta: Mas eu não tenho nenhuma indicação de que falta credibilidade à Graça Foster para fazer isso, não tenho essa indicação. E acho estranho, porque é o seguinte: eu vi nos jornais - porque tem hora que eu olho nos jornais e fico meio perplexa - que eu teria de procurar um nome de mercado e botar dentro da Petrobras. Ora, a Petrobras não é uma empresa simples, ela não é uma empresa trivial. Alguém que chegar hoje na Petrobras, interromper a marcha das investigações que estão sendo feitas lá dentro, ou que descontinuar todo o choque de governança necessário para a Petrobras, qual é o resultado que ele terá? Que responsabilidade é necessária que um governo tenha, no sentido de não interromper esse processo? Nós não podemos interromper, hoje, o processo.

            Agora, se diante da imensa pressão da… como é que chama isso? Uma espécie de… A própria Graça disse que não é uma situação fácil a dela. Ela recebe um nível de pressão que poucas pessoas seguram. Ela segura pelos compromissos que ela tem, com a Petrobras e com o país. Agora, eu acredito que cria-se um clima, sem apontar uma falha dela, cria-se um clima muito difícil para ela. Agora, por isso eu vou tirar ela? Eu penalizo ela por algo que não é responsabilidade dela? A quem interessa tirar a Graça Foster? Por quê? Por que, a quem interessa? O que é que tem por trás disso? Eu vou interromper o processo?

            Tem uma coisa que eu quero dizer, que eu vi isso sair muito no jornal: a crise não é crise. Tem uma investigação sobre corrupção no Brasil, que é fundamental que haja, porque é a primeira vez que este país muda a sua prática patrimonialista. Porque nós temos duas, nós temos, na nossa história, dois problemas: um foi a escravidão, que responde pela exclusão social brutal de uma parte da nossa população; outra era a prática da elite que dirigiu o país durante séculos, do patrimonialismo, que é a confusão entre o que é público e o que era privado.

            Esse é um processo que nós estamos nos livrando dos dois. Um, pelo processo que é longo, que é o caminho da inclusão social, que é longo, que passa pela educação. O outro é o processo de romper com o patrimonialismo, que passa por instaurar a moralidade, não é dentro da Petrobras só, é dentro de todo o governo, dentro das empresas privadas e dentro de cada família brasileira. Porque nós não podemos… é, e do processo político. Porque nós não podemos achar que uma relação pública com a coisa pública é algo que só… é só uma parcela da população que precisa. Não, é toda a população tem de saber que tem uma esfera pública, que é de todos os brasileiros, e tem uma esfera privada, que é de cada um, que é de cada um, uai: é a sua casa, é a sua família. Agora, a sua família e a sua casa não justificam você se adonar de coisa pública e o Brasil precisa disso.

            Então, eu acho fundamental esse processo. Acho a investigação, acho ela fundamental. Isso não significa que a gente, ao punir, vai destruir a Petrobras. Não vai, não. Não vai acabar com o modelo de partilha. Não vai, não. Nem o de conteúdo nacional. Não vai, não. No que depender do meu governo, não tentem achar que, em algum momento, nós compactuaremos com qualquer processo de fragilidade institucional da Petrobras.

            A Petrobras tem um caixa que permite a ela passar esse ano sem recorrer ao mercado. Ela tem esse caixa. Além disso, é importante dizer por quê que é é que não fecharam o balanço. Porque é de todo oportuno que se saiba o teor, o teor das delações premiadas. Porque, se você não souber, nós não sabemos o volume que foi indevidamente retirado dos cofres da Petrobras. Por que a gente precisa disso? Porque nós vamos ter de dar baixa. Nós vamos ter de lançar como prejuízo.

            Então, o que nós pedimos... Por que a gente pede para o Ministério Público nos informar isto? Nós já pedimos, desde o início nós pedimos. E eles falaram que em algum momento, no futuro, irão fazê-lo quando informarem a todo o país. Bom, nós estamos esperando. Então, na reunião do Conselho, eles resolveram postergar, para fazer um registro só, uma baixa só.

 

Jornalista: Mas isso vai domorar? Pode demorar um ano?

 

Presidenta: Querido, ele não pode demorar anos, sob pena de comprometer o país. Não se investiga corrupção durante anos, se investiga a corrupção e se pune com celeridade. Porque o princípio da impunidade é demorar anos, essa é a prática no Brasil, é demorar anos. Quando você vai punir, todo mundo esqueceu. Nós não queremos isso mais, queremos? Não. Nós queremos celeridade, eficiência e punição. E eu não estou achando que vai demorar anos, pelo contrário, eu tenho essa visão otimista do país, e acho que esse processo de investigação, ele conduz a uma apuração bem mais rápida.

 

Jornalista: Presidenta, por gentileza, com que perspectiva de rebaixamento de nota…

 

Jornalista: Eu queria falar sobre reforma ministerial nesse momento. A senhora está na expectativa de ter um resultado, aí, do Ministério Público, da identificação desses nomes. O que a senhora pode fazer para evitar nomes que já começam a circular?

 

Presidenta: Meu querido, eu só posso... eu só posso recorrer aos órgãos competentes, não é? Ao Procurador. Para qualquer nomeação nós, pelo menos, consultaremos, quem está mencionado, nós consultaremos um procurador.

 

Jornalista: Então isso evitaria, por exemplo...

 

Presidenta: Querido, eu não sei o que vai evitar, porque eu não sei, ninguém sabe o quê que esses nomes são. Até agora não há uma única informação oficial. Nós iremos procurar saber.

 

Jornalista: Mas presidente, a diretoria da Petrobras (incompreensível).

 

Presidenta: Olha, eu respondo pela minha diretoria. A minha é… Mas, às vezes, sabe, você não desmonta um processo, num caso… por exemplo, não é como eu desmontar um brinquedo, não é? Fazer uma transição em qualquer empresa, seja ela qual seja, independentemente de juízo de valor, ela não é uma coisa assim, automática. Mudou o governo, aí você tem de ver o que vai descontinuar. Eu queria a Maria das Graças Foster presidente. Eu levei um ano para construir essas condições, inclusive, nós não permitimos, na Petrobras, indicação política, como vocês podem saber.

 

Jornalista: Depois disso, não é?

 

Presidenta: Não, eu estou falando depois da minha fase.

 

Jornalista: Presidente, bom dia.

 

Presidenta: Eu não acho que indicação política seja algo ruim. Em alguns governos, só são ministros quando são parlamentares. Exemplo: Alemanha. Raramente você tem ministros, na Alemanha, que não são parlamentares, porque quem monta o governo, o Chanceler, ele emana do Parlamento. É só no presidencialismo que você combina parlamentares e não parlamentares. Na maioria dos países ocidentais parlamentaristas, esta discussão seria considerada estranha, porque é próprio do parlamentarismo governar com o Parlamento, como o nome diz. No presidencialismo é que você tem uma combinação: você governa com o parlamento, não com o parlamento.

            Agora, aqui no Brasil é um pouco diferente, por exemplo, dos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, a senadora Hilary Clinton, para virar secretária de Estado, ela teve de renunciar ao seu mandato de Senado. Aqui já não tem. Cada país tem as suas peculiaridades. Então, eu vou insistir, para a gente não cair no simplismo de considerar que a nomeação política é a origem de todos os males. Não é, não é, não é.

 

Jornalista: (incompreensível)

 

Presidenta: Olha, eu acho que a gente fará uma composição. Como será feito? Empresas eu pretendo não ter nomeação política, em empresas. Agora, é muito possível me darem nomes… empresas, banco é empresa, viu, Cristiane?

 

Jornalista: Presidente, aqui, bom dia.

 

Jornalista: (incompreensível)

 

Presidenta: Não, querida, você não vai fazer essa pergunta, não. E não acho… eu não vou demonizar aqui indicação política. Se vocês querem isso, não contem comigo. Eu não, ó, euzinha não faço isso. É de um simplismo grotesco neste país fazer isso, grotesco. É a gente não ver um palmo à frente do nariz, no resto do mundo.

            O problema do Brasil não é se são políticos ou se não técnicos, isso veio da ditadura. Eu sou da época, quero avisar para vocês, que era assim… como que era a minha época? Eu com 19, 21 anos, era assim: o que era límpido, límpido e maravilhoso eram os tecnocratas. O que era nefasto e ruim era esse povo subversivo que devia estar na cadeia, tá? Eu não entro nisso, não. Aqui no Brasil não é uma questão de políticos versus técnicos. Ninguém está acima do bem e do mal. Ninguém. Eu não estou, você não está, nenhum de nós está. Então, essa categoria “políticos são maus e técnicos são bons”, a mim não convence e eu não farei isso. Não concordo com isso, acho que você tem gente honesta em todas as camadas e tem gente desonesta também. Não acho que a questão da corrupção seja uma questão do lugar em que a pessoa está situada, não acho que é isso. Acho que é muito mais complexa, no Brasil, muito mais complexa. Essa história de uma parte da elite brasileira sempre achar que o Estado era dela deu no que deu e a gente está saindo disso. Eu também não acho que isso é terrível, nós sairemos disso. Eu acredito nisso, acredito que o país hoje está maduro para um pacto contra a corrupção, o país está maduro para ter uma situação, de fato, que a gente não aceitará - nenhum de nós aceitará - que haja qualquer negociação com isso. Nós ainda temos que chegar lá, é um processo. Eu falei até no meu discurso, ali no TSE, eu falei lá o seguinte, uma coisa: eu não acredito que a gente resolva isso nessa geração, acho que é um processo. Agora, eu quero ter o orgulho de dizer que eu comecei. Eu quero esse orgulho para mim.  Por isso é que eu digo para vocês: vocês não me pegam nessa conversa de que político é ruim e técnico é um santo. Não sou ingênua.

 

Jornalista: (incompreensível)

 

Presidenta: Você já fez, agora vão para lá. Camarotti, eu gosto muito de te responder, acho você simpaticíssimo, tem um sorriso Kolinos…

 

Jornalista: (incompreensível)

 

Presidenta: Nós trabalhamos com o seguinte fato: nós trabalhamos com uma luta incansável para não rebaixarem a nota da Petrobras. E quero dizer para vocês que nós estamos em uma situação complexa na área de petróleo. Vejam vocês que eu passei a campanha passada respondendo porque que eu não reajustava o preço do petróleo. Do mesmo modo que eu não reajusto para cima - reajustei um pouco para cima até. No meu período eu reajustei bastante para cima, se vocês fizerem a conta. Agora, vai ter um tempo de preço para baixo porque eu também não vou reajustar para baixo. Isso aconteceu em 2003. Nós chegamos no governo, o preço do petróleo estava lá embaixo. Aí ele vai… e o preço nosso está aqui em cima. Aí ele vai e encosta, depois ele vai e desencosta e é assim. A situação hoje no mercado de petróleo vai obrigar todas as grandes empresas - e as pequenas e médias também, mas tem mais grande do que pequena e média - a fazer uma revisão dos seus negócios, não é? A Petrobras do ponto de vista da sua atividade vai muito bem, obrigada. Vai muito melhor esse ano do que em qualquer um dos anos anteriores. Por quê? Porque nós estamos atingindo um nível de produção de barris por dia extremamente elevado. Nós estamos, em média, com 2,1 milhões de barris. Isso torna a situação interna da Petrobras melhor do que era no período anterior que nós tivemos uma descontinuidade, nós tivemos uma queda. Ela vai melhorar, gente. E melhorar bastante. Por isso, é assim: um dia o pessoal diz que tem de vender ação da Petrobras. No outro dia, descobre que não vai ser assim em relação ao mercado internacional e recua. Ela não é uma empresa... Não aposta que o que aconteceu com algumas pessoas dentro da Petrobras implica numa perda da Petrobras nessa proporção porque não existe isso. Ela tem várias vantagens, tem todo o pré-sal, não é? Estão dizendo que o preço vai ficar em US$ 60. Eu não sei. Pode ficar em 50, pode ir para 80, sei lá para quanto vai o preço. Mas neste momento, o preço não nos preocupa. Tem outros países que essa questão do preço ter caído é gravíssimo. Aí tem várias versões… estão tentando ver até onde o tight oil aguenta. Tem outros que dizem que é uma queda muito grande da demanda e é verdade que é uma queda muito grande da demanda: cai a demanda europeia, cai a demanda chinesa… se bem que a China faz estoque também lá. Mas você tem, de fato, uma queda grande, eu diria no mercado internacional, uma vez que os Estados Unidos está produzindo tight oil numa quantidade .nunca dantes vista, em tempos recentes, e alterou a situação do preço. Se vai ficar por um longo tempo, nós não sabemos. Agora, que isso altera o mercado de petróleo no mundo, altera. E vai alterar a cotação das empresas de petróleo. Agora, eu não acho que a Petrobras, nessa situação, está em pior situação, eu acho, pelo contrário. Eu acho que é irônico, mas ela está numa situação bem mais confortável do que muitas dessas empresas.

 

Jornalista: Aqui, presidente. Bom dia. É Felipe Matoso, do Portal G1. Voltando à situação da presidente Graça Foster, alguns jornais noticiaram que ela colocou o cargo à disposição da senhora. Eu queria confirmar pela senhora se ela colocou ou não e o que foi conversado, o que a senhora disse a ela, no caso de ela ter colocado o cargo à disposição. Obrigado.

 

Presidenta: A Graça é uma pessoa ética. Ela disse para mim o seguinte: “Se toda essa exposição, minha exposição, prejudicar de alguma forma o governo, ou a Petrobras, eu coloco o meu cargo à disposição sem o menor constrangimento”. Eu falei para ela que, do meu ponto de vista, isso não era necessário. Estritamente isso. É óbvio que o cargo de todas as pessoas do governo estão à minha disposição. O fato de isso ocorrer é uma consideração comigo. É uma, vamos dizer assim, é um ato que você podia chamar de educação política da parte da Graça.

 

Jornalista: Presidente, aqui. Catarina Alencar, sou do O Globo. Bom dia. Presidente…

 

Presidenta: Catarina, você sabe o que é, Catarina? Eu enxergo menos… Se você puder levantar, eu agradeceria. E pedia para vocês todos - quase eu não te escuto - vocês sabem que a gente, para escutar, precisa de ver, não é?

 

Jornalista: Vou tentar articular bem a pergunta. O ex-presidente Lula, ontem, postou um vídeo, dizendo que uma das principais mensagens das eleições é que o povo quer mais ética. Eu queria saber como que a senhora acha que será possível colocar isso em prática no seu próximo governo. Obrigada.

 

Presidenta: Olha, querida, é igual nós estamos fazendo. Nós temos investigado tudo, todas as denúncias, nós temos… Eu sempre disse isso, durante a campanha, nós liberamos inteiramente a investigação, nós nunca dirigimos investigação, nós não nomeamos para diretor da Polícia Federal ninguém que seja vinculado a partido. Ali, sim, ali você não pode, tem alguns cargos que você não pode botar nem meia pessoa filiada, o que não era praxe no Brasil, não é? Se colocava filiados na diretoria da Polícia Federal. Então, a Polícia Federal tem inteira, mas inteira, integral independência de fato, não é só de direito, de fato.

            Além disso, que eu acho importante, nós também - eu disse isso durante também a campanha - nós não temos, há muito tempo, engavetadores. Muito tempo, não é? O presidente não nomeou engavetador, eu não nomeei engavetador. Então, essa é uma relação que nunca no Brasil se viu tanta investigação. Ninguém aqui também é ingênuo de achar que nós descobrimos este ato de corrupção e que ele é um ponto fora da curva, ninguém aqui é ingênuo. Vocês são todos jornalistas bem informados, sabem que durante muito tempo, no Brasil, não se investigava, agora se investiga.

            Então, eu quero dizer além disso, outras coisas: temos legislação, temos uma legislação, é verdade. Nós temos uma legislação, hoje, vem vindo uma legislação que vaio combater uma das questões mais graves para essa questão da ética, que é a impunidade. Porque se você deixa a impunidade, as pessoas que elas podem continuar fazendo, elas vão ficar impunes, não é? Então, eu prometi, durante a minha campanha, tomar uma série de medidas. Todas essas medidas que eu prometi, nós, no início da legislatura, nós enviaremos ao Congresso. Todas, sem exceção.

            Agora, eu acredito também que o Brasil tem de fazer um grande pacto contra a corrupção. Esse grande pacto contra a corrupção, ele tem de desaguar numa reforma política. A reforma política não pode ser minha, não pode ser do Senado, da Câmara ou do Judiciário, ou da sociedade civil. Ou nós temos um projeto de reforma política conjunta e transitamos ele, ou não sairá reforma política.

            Eu sempre achei que para você legitimar, por exemplo, fim do financiamento empresarial de campanha. Pode sim, é o financiamento privado, não pode ter é o empresarial, pessoa jurídica. Não pode, essa,  pelo menos, é a minha proposta. Agora isso não pode ser, a gente não pode ser o “joãozinho” ou a “joaninha” do passo certo, eu não posso ser a “joaninha”, não é? Essas forças todas vão ter de se… mas isso, de se criar um consenso entre si para levar isso adiante. Agora, eu quero dizer para vocês, eu acredito que isso é crucial para mudar a prática no Brasil. Acho que nós temos de ter uma combinação - igual é hoje - entre financiamento público e privado, que já hoje tem isso, acho que a gente tem de equacionar a forma mais transparente de fazer isso, acho que tem de acabar com algumas instituições, outras o pessoal da CNBB mais da OAB, mais daquele movimento contra a corrupção, eles elencam mais três itens, se eu não me engano. Um é aquele da mulher, proporcionalidade homem x mulher; o outro é fim da coligação na proporcional; e o terceiro é aquela espécie de dois turnos, que faz uma espécie de misto de distrital misturado com proporcional no voto parlamentar.

 

Jornalista: (incompreensível)

 

Presidenta: Não é um voto distrital, mas são duas… Como é que chama isso? Duas voltas, dois turnos, que seria, no primeiro turno, o primeiro turno é proporcional, não é isso? E o segundo é distrital.

 

Jornalista: Presidenta. Oi, eu sou a Mariana Mainenti, do Brasil Econômico, a minha questão é mais na economia. Eu gostaria de saber como a senhora, que é uma pessoa de história e visão heterodoxas, e dessa escola, e que escolheu o ministro de uma outra visão, ortodoxa, pretende conduzir essa questão da economia no segundo mandato. Isso significa que a senhora está virando uma página e que haverá uma mudança muito grande ou a senhora acha que é conciliável essa visão com a outra?

 

Presidenta: Veja bem, o que eu acho que está acontecendo é o seguinte: nós temos um processo de crise muito mais longo do que nós, todos esperávamos no mundo. Se você for ver, o que nós temos visto é que essa recuperação da economia internacional ela anda de lado. Os Estados Unidos têm demonstrado - porque é uma economia muito, eu acredito, ela é muito dinâmica, a palavra é dinâmica, tem uma grande capacidade de inovação - mesmo ela, tem andado de lado, no que se refere a recuperar os níveis de consumo anteriores. Mas, de qualquer jeito, tem um desempenho melhor. No restante, você tem um quadro de crescimento, de queda  de crescimento no Japão, para não dizer também na Europa, com exceção do Reino Unido, mas ali a economia dinâmica, o núcleo dinâmico que leva a Europa, não é bem o Reino Unido, é mais para a Alemanha e tal - Alemanha, França, Itália - e não tem tido um bom crescimento.

            As economias emergentes - todas elas - estão com problemas, ou por commodities, queda violenta no preço de commodities, pelo fato de que você tem uma brutal redução do mercado, da demanda internacional. Essa questão das commodities vai ficar grave, tanto quando se tratar do petróleo - aqui na América Latina vai ter consequência -, quanto se tratar dos minérios, você tem uma redução do crescimento muito grave.

            Então, o que é que nós vamos fazer? Nós - você sempre tem de se antecipar - nós vamos nos preparar para… ou nós vamos organizar, mais uma vez, a casa, para nos preparar para a retomada. Ninguém faz nenhum processo de reorganização da sua economia por um valor em si da reorganização. Você faz almejando uma recuperação. O que nós almejamos é uma recuperação, é uma melhoria nas nossas condições, diante da possibilidade de que isso não dure eternamente, você tem sempre um movimento cíclico e nós temos de retomar isso. Para isso, nós temos, de fato, de fazer algumas medidas mais drásticas.

Não significa, em hipótese alguma, que nós vamos reduzir, igual eu já li, os programas sociais. É compatível, no Brasil, o que nós estamos fazendo e os programas sociais. É compatível. Nós teremos de ter um controle maior sobre outros gastos. E teremos de fazer algumas reformas. Algumas são minirreformas, outras, por exemplo, no PSI, é possível balancear o PSI, que é o Programa de Sustentação do Investimento, você balanceia ele, reduzindo a zero o subsídio, mas mantendo o subsídio em áreas melhores. Então você tira, por exemplo, 8 bi no seu… Oi?

 

Jornalista: (incompreensível)

 

Presidenta: Só… Você zera o subsídio, mas você mantém… Você pode fazer, você pode cruzar, por exemplo, tudo que for inovação, tudo o que for… eu não sei se o pessoal quando fez a exposição, eu não estava aqui, eu não sei se eles fizeram a exposição completa. Mas era uma coisa boa de você perguntar para o pessoal da área econômica que deu a entrevista, sobre como é que funciona isso. Nós reduzimos a zero, mas mantivemos várias taxas bem atrativas para o investimento. Ficou…

 

Jornalista: Presidente, Natuza Nery, da Folha de São Paulo. Eu vou continuar na economia. Se fala... tem se falado nos bastidores de um ajuste da ordem de R$ 100 bi, entre corte orçamentário e também reavaliação de alguns impostos: Cide, algumas alíquotas do PIS/Cofins, cosméticos etc. Eu queria saber, primeiro, se R$100 bi é um número, se a gente pode considerar um número oficial, algo em torno de R$ 100 bi, um número oficial pela senhora…

 

Presidenta: Ô Natuza, eu fui apresentada a este número pela imprensa…

 

Jornalista: Então esse número é irreal?

 

Presidenta: Eu estou te dizendo, a mim apresentaram pela imprensa. Este número não foi discutido com a presidenta. So, ele não existe, dessa forma. Inclusive, me desculpa, vocês listam, na imprensa, um conjunto de medidas que nós não adotamos ainda.

 

Jornalista: Como quais, por exemplo?

 

Presidenta: Eu não vou dizer quais. Vocês é que me digam quais…

 

Jornalista: A senhora então pode dizerA gente não…

 

Presidenta: Não, meu querido… Só uma coisa: o que é uma redução de gastos de R$ 100 mil [bi] quando se fala em aumento de receita? No mínimo, tecnicamente, é uma sandice. Aumento de receita é uma coisa, redução de subsídio é outra. E corte orçamentário é uma terceira. São três coisas distintas

 

Jornalista: A senhora sabe que a gente não gosta de escrever bobagem, não é? A gente não gostaria de escrever bobagem em relação ao ajuste.

 

Presidenta: Então, minha querida, então vocês aguardem.

 

Jornalista: A senhora pode dizer, mas a senhora pode dar uma ideia em torno do quê?  

 

Presidenta: Para a gente não escrever coisa errada a gente aguarda. Não pode ter muita pressa, isto não foi ainda formatado. Não foi. Veja você que vocês estão misturando, primeiro: aumento de imposto.

 

Jornalista: Mais vai ter?

 

Presidenta: Meu querido, não foi  discutido. Eu não vou responder uma questão dessas. Eu não vou discutir economia ou quais são as medidas que eu vou tomar de forma teórica. É de uma irresponsabilidade da minha parte total.

 

Jornalista: Todo mundo quer saber…

 

Presidenta: Ah, eu sei, ué. Vocês querem saber, mas o tempo de vocês é um, o meu é outro.

 

Jornalista: A senhora acabou de falar que será necessário tomar medidas drásticas…

 

Presidenta: Medidas drásticas, que eu falo, minha querida, é essa do PSI é uma medida drástica. Nós mudamos com o PSI por subsídio. Isso não significa que não mantivemos de vários itens. Nós mantivemos. Nós mantivemos com a inovação, nós mantivemos para máquinas e equipamentos, para o Finame, mantivemos para vários.

 

Jornalista: Mas o R$ 100 bi está descartado?

 

Presidenta: Querida, este R$ 100 bi é um chute porque ninguém fez essa conta. Isso é um chute. Eu fui apresentada a este número pelo jornal.

 

Jornalista: Não dá para descartar (incompreensível).

 

Presidenta: Eu não vou discutir economia aqui assim, não posso fazer isso. Não é sério da minha parte. Eu entendo que vocês queiram, já disse, eu entendo. Eu entendo esse drama horroroso que começa agora dia 24, se prolonga até dia  1º de janeiro. Eu entendo, eu me disponho, inclusive, a ajudá-los, entendeu?

 

Jornalista: Reservando o ministério inteiro? Reservando o ministério inteiro?

 

Jornalista: Vocês vão ter assunto que… Inclusive esse, inclusive as medidas, inclusive uma discussão. Mas não pode ser feita... vai ser feita pelos canais competentes, de forma técnica, é isso que eu estou prometendo para vocês. Eu sinto muito, eu entendo a curiosidade.

 

Jornalista: A senhora pode dizer só quando sai?

 

Presidenta: Não posso.

 

Jornalista: Presidente, Paulo de Tarso Lira do Correio Braziliense…

 

Presidenta: Ô Natuza - só falar uma brincadeira com ela - Natuza, eu tenho um treino em técnica de interrogatório que você nem imagina…

 

Jornalista: Presidente, Paulo de Tarso Lira do Correio Braziliense. O novo ministro de Indústria e Comércio, o senador Armando Monteiro no dia que ele foi anunciado, ele defendeu - e disse que ia discutir isso internamente com as outras medidas econômicas - uma mudança no perfil do BNDES. O BNDES foi muito importante esses anos todos como financiador de projetos de investimento, e ele disse que, na visão dele, não tem tanto dinheiro hoje e tentaria buscar bancos privados para fazer esse financiamento. A senhora concorda com isso? O BNDES vai ter um novo papel no novo governo? E voltando só à questão da Petrobras, a senhora disse que mudança de diretoria não está no foco, mas mudança no Conselho de Administração, sim. Mudança no Conselho de Administração não atrapalharia as investigações na visão da senhora  e que tipo de mudança seria? Seriam outros nomes? Os nomes do mercado poderiam ir para o Conselho e não para a diretoria, enfim. São essas duas perguntas: BNDES e Petrobras.

 

Presidenta: Eu não vou te explicar como é que vai ser o Conselho da Petrobras antes de fazer o ministro de Minas e Energia e depois fazer o Conselho. Como eu não fiz ainda nenhum dos dois, não posso te explicar isso, sinto muito. Peço que você entenda. Segunda parte da pergunta era…

 

Jornalista: BNDES.

 

Presidenta: BNDES. Eu acho, e nós viemos discutindo isso, inclusive eu falei isso em Davos, lá em janeiro, eu acho que no Brasil é fundamental que não seja só uma missão dos bancos públicos o empréstimo de longo prazo. Acho que nós temos bancos privados fortes, uma das coisas que nós temos de nos orgulhar é que nossos bancos têm graus de governança e nós entramos em Basiléia, e tudo isso, nós temos de ter uma presença no financiamento dos bancos públicos e dos privados, dos dois. Isso eu acho uma questão importante que o Armando levantou. Nós queremos, cada vez mais, que os bancos privados participem, até porque o peso... Você faz o seguinte, você olha no Brasil na maioria dos projetos, você olha quem financia o longo prazo: só o BNDES e o BB também faz, de uma forma, diferente. E no caso do imobiliário, a Caixa. Agora, eu acho importantíssimo os bancos privados participarem, inclusive com novos produtos, como aqueles que a gente estava tentando: debêntures e que tenham cada vez mais um papel ativo, porque fica muito difícil só o setor público, e ruim do ponto de vista da forma pela qual tudo isso é organizado. Fica muito difícil para nós e para o país, fica mais caro para o país.

 

Jornalista: Presidenta, bom dia. Eduardo (incompreensível), da agência EFE. A senhora falava agora da economia mundial, dos países emergentes, o que esperam… A Rússia já está mergulhando em uma crise monetária profunda, que todo mundo acha que vai virar em um crise econômica também ainda mais profunda. O Brasil, sua perspectiva de crescimento, foram reduzidas agora para 0,8% para o ano que vem. Que impacto vai ter tudo isso nos países emergentes e no âmbito dos Brics? Os Brics vai estar em condições de cumprir com o banco que anunciaram no ano passado, este ano, com o fundo de contingências? E uma segunda questão que tem também a ver com emergentes: na Argentina, especula-se, é especulação, e até esperança para muitos, que o Brasil hoje auxiliará o país no assunto da dívida externa. É verdade? A senhora tem conversado… o governo brasileiro tem conversado sobre algum auxílio à Argentina, no caso da dívida exterior? A empresa argentina especula, isso é especulação pura. Rússia, não.

 

Presidenta: E como é especulação pura, eu não tenho conversado sobre esse assunto, nunca conversei e nem nunca procuraram o governo brasileiro. No que se refere à Rússia, eu não acredito que a Rússia esteja na beira de uma crise econômica. Eu acho que ela teve, devido à queda no preço do petróleo, ela teve uma turbulência monetária séria, financeira, não é? Aumentou os juros etc. Agora, ela tem reservas suficientes para aguentar essa flutuação.

            Eu queria lembrar para vocês que… estou falando aqui baseada no que aconteceu aqui no Brasil. Nós fomos, durante um período grande, no ano passado, em 2013 e 2014, início de 2014, nós fomos... meio que, eu diria assim, um pronunciamento de que haveria uma tempestade perfeita e que o mundo cairia sobre a nossa cabeça, tal como cai sobre a do poderoso chefe lá, do Asterix, o mundo cairia sobre a nossa cabeça. Isso não se verificou, por quê? Porque houve uma transição muito mais lenta, do governo, do FED, no que se refere à saída do quantitative easy. Agora vai ter uma nova turbulência pela troca, mas ela é pequena, eu não acredito que nós teremos uma grande crise, como aquelas do passado, de especulação contra moedas e contra países, acho difícil. Acho que no caso da Rússia tem a ver com a queda do preço do petróleo e o efeito disso no Orçamento, não é? Como tem em outros países. Se você olhar aqui, na América Latina, tem vários que vão ter consequência sobre isso, algumas boas, outras ruins.

            Não acho que os Brics vão ter grande problema. O problema dos Brics não é financeiro, ou seja, não há nenhum Bric, hoje, na beira da catástrofe, como houve naquela época, lá em 98, 97/98/99, não há, não tem isso. Todos têm reservas, são todos países com, de alguma forma ou de outra, numa situação, não é a melhor possível, em relação à sua trajetória, mas é uma situação que eu diria que é estável. Não acredito que altere nada, acho que vai continuar havendo o Banco de Desenvolvimento dos Brics e vai continuar tendo o acordo contingente de reservas.

 

Jornalista: Presidenta, Eric Klein, da Rede TV. Voltando um pouquinho ao assunto corrupção, a senhora não teme, até como já foi ventilado, que se essas denúncias de corrupção se estendam, essa denúncia seja encontrada também em outras estatais, o que é que poderia ocorrer para o governo se esse esquema de corrupção, que dizem já está em algumas delações, em alguns depoimentos, se fosse encontrado também em outras estatais, se esse esquema fosse ramificado? Obrigado.

 

Presidenta: Olha, eu acho que é o tipo de atitude incorreta em relação às estatais. Se aparecer em qualquer outro lugar nós tomaremos providência, onde for. Agora, eu ouvi coisas estarrecedoras, eu li numa reportagem que dentro de uma hidrelétrica tinha havido sobrepreço. Daí eu me pergunto: quem pagou o sobrepreço? O setor privado contra si mesmo? Porque é importante que a gente lembre que uma hidrelétrica faz parte de um leilão. Um leilão, você sabe se o preço é o preço, é um preço público. Neste caso, era um dos menores preços praticados nos últimos tempos. Ora, se houve um problema dentro da hidrelétrica, é uma questão relativa ao dono, alguém tirou do dono ou… um sócio privado com um sócio privado, porque o preço que ela paga não muda. Então eu quero dizer que tem um nível de especulação que carece de base técnica, isso não significa que não possa aparecer em outra, qualquer outra estatal. Pode, agora você também, pode aparecer em qualquer empresa privada do Brasil, em qualquer empresa, em qualquer lugar e ninguém pergunta para vocês se vai aparecer na empresa da qual vocês pertencem. Então, eu quero que quando perguntarem para mim, me diga nome, endereço e telefone. Ou se não puder dizer nome, endereço e telefone, eu aceito dizer indício. Eu investigo indício. Aceito indício, mas não pode ser acusação ao vento, porque aí se cria no Brasil um clima absurdo. Nós temos de investigar e punir. Isto não significa que eu tenho de quebrar as empresas. Nós temos de investigar e punir, isso não significa que eu vou acabar com emprego. Porque veja bem, eu escutei, inclusive, que nós íamos chamar empresas estrangeiras. No Brasil, quando começaram a falar isso, queriam acabar com a soberania deste país também. Por quê que tem de chamar empresa estrangeira?

 

Jornalista: Empreiteira?

 

Presidenta: É, empreiteira. Uai, pune o dono da empresa, pune. Os Estados Unidos vão lá e punem, e multam. É isso que nós temos de fazer, tem que parar com essa história de quebrar tudo. Pune. Punir não é igual a destruir. Punir é igual a olhar para quem fez, quem é responsável, formar culpa e condenar, porque nós não estamos numa sociedade ditatorial.

 

Jornalista: (incompreensível)

 

Presidenta: Pois é. Agora, daí a eu achar que todas as estatais estão sob suspeição, vai um caminhão. Vão mostrar para mim onde é que está a suspeição e o que é. Nenhum governo pode agir de outra forma, não pode fazer isso. Beijos. Um Feliz Ano Novo. Quem? Então, tá, duas.

 

Jornalista: Presidente…

 

Presidenta: O quê?

 

Jornalista: Não vai abrir para empreiteiros (incompreensível)?

 

Presidenta: Não, meu querido, eu já abri… Já abri, não é que não vamos abrir, eu já abri. O que eu estou falando é que eu não vou internacionalizar todo o setor de empreiteiras deste país. A OHL é uma empresa estrangeira. Tem várias outras que atuaram aqui, atuaram bem, inclusive, e são estrangeiras. Nós não somos contra empresas estrangeiras que viram brasileiras. O que é uma empresa estrangeira que vira brasileira? Pela Constituição, é uma empresa que abre a sua filial aqui, sim, implanta no Brasil e defende os seus interesses.

 

Jornalista: Presidente, José Maria Trindade, da rádio Jovem Pan. Eu queria, presidente, que a senhora falasse como será o seu relacionamento, no segundo governo, com o Congresso Nacional, e se esse governo será mesmo um novo governo, vai trocar todos os Ministérios e será um recomeçar. Como é que será esse segundo governo e a relação com o Congresso Nacional, inclusive as eleições das presidências da Câmara e Senado. Obrigado.

 

Presidenta: Olha, no caso do Congresso Nacional, nós queremos a melhor relação possível. As eleições do Senado e da Câmara é problema do Congresso, não é do governo. Nós somos Executivo, eles são Legislativo, nós não temos como interferir nisso.

 

Jornalista: (incompreensível)

 

Presidenta: Não necessariamente. Ele acaba de dizer para mim, aqui - porque ele sopra para mim aqui -, ele soprou para mim aqui, agora: o Tombini não foi, não vai ser todo mundo trocado e não é isso que faz um novo governo.

 

Jornalista: Presidente Dilma, bom dia, tudo bom? A minha pergunta, voltando para a questão da delação premiada. O Estadão publicou na última sexta-feira uma lista de 28 políticos que apareciam na delação premiada do Paulo Roberto Costa, um deles o ministro Edison Lobão. Isso apareceu durante a campanha, a senhora fez uma defesa muito enfática do ministro Lobão, condenou as acusações sem provas. Só que a gente sabe, a senhora falou que vai anunciar a reforma ministerial até o dia 29, essa delação tem sido um inibidor, um pouco, do anúncio da reforma, não? A minha questão é a seguinte: a senhora estaria disposta a chamar um desses 28 políticos da delação premiada para integrar o seu governo? A senhora ficaria confortável com essa situação, como a do Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara? Obrigado.

 

Presidenta: Eu consultarei o Ministério Público mais uma vez. Eu consultarei, vou repetir, para qualquer pessoa que eu for indicar, eu consultarei o que tem quanto à pessoa, eu não quero que ele me diga, eu só quero que ele me diga sim ou não, mais nada. O procurador… Não, minha filha, eu não vou responder, eu estou respondendo ele. Só um pouquinho, só um pouquinho.

 

Jornalista: (Incompreensível)

 

Presidenta: Não, não, não. Veja bem, os seus 28 nomes é de uma matéria que não é oficial, certo? Eu só vou achar que ela é oficial no dia que o procurador me disser que ela é oficial. Quem vai me dizer que ela é oficial neste caso é o procurador, eu acho que vocês têm todo o direito de investigar. Inclusive durante a campanha eu fui mal entendida. A imprensa tem todo o direito de investigar, mas só quem forma prova, indício ou qualquer coisa que tenha efeito real, assim concreto, são eles. Eu vou perguntar o seguinte: há alguma coisa contra fulano que me impeça de nomeá-lo? Só isso que eu vou perguntar, não quero saber o resto, porque ele não pode me dizer. Eu não quero saber o que ele não pode me dizer. Como disse outro dia o Mujica, muito sabiamente, a gente não pede coisas que não podem dar, nem pergunta coisas que não podem ser respondidas. Da forma muito sábia. Vocês podem perguntar, nós não. Você ficou calado, você responde e ela também. Fala para ela e ela… eu deixo ela perguntar. Você também tem direito. É só a última é ela, tá, gente? Eu vou embora. Você está desde o início? Ele perguntou. Ele perguntou o quê?

 

Jornalista: Presidente, eu queria mudar um pouco de assunto… Que apesar de tudo aquilo que a gente perguntou, e tudo que a gente falou aqui, que são todas coisas importantíssimas, a senhora terminou o ano com a aprovação ótimo e bom em 40% que é uma unidade que pode ser considerado ótimo. Eu queria saber a que a senhora atribui isso aí. Porque eu vi, em tudo o que a gente leu, o que a gente aprendeu, o que a gente falou, era para estar com a aprovação lá embaixo, entretanto a senhora está com uma aprovação muito boa. A quê que a senhora atribui isso? Ao fato de a gente não estar enxergando o que acontece com a população ou com o eleitor, o quê que é? Como é que a senhora explica isso? Porque eu acho que é uma coisa, assim… para mim é um dado importante do seu governo, que raramente se tocou este ano.

 

Presidenta: Posso te falar o que que eu acho? Eu acho que é o seguinte: acho que a campanha eleitoral é um momento em que as coisas saem de qualquer barreira e ganha as ruas. E um governo é objeto do maior escrutínio possível, o meu foi. Acho que poucas vezes nós fomos, nós tivemos um governo com um nível de crítica tão feroz como o meu, poucas vezes.

Eu quero lembrar a vocês da Copa. Eu tive um momento que a gente esquece, não, que foi a Copa, e, na Copa, na véspera da Copa, diziam os seguinte: o governo vai perder nas ruas e ganhar no campo, o governo, não, o Brasil. Nós ganhamos fora do campo e perdemos, infelizmente, para tristeza de todo mundo, que quando eu levantei e fui tomar um copo d’água, voltei e tinha dois gols, eu quase desmaiei, uma parada cardíaca.

            Bom, eu quero lembrar para vocês que diziam que não ia ter aeroporto, que não ia ter… enfim, não ia ter Copa. Ia ter um ataque de dengue, depois do ataque de dengue, ia ter… o mundo ia cair porque ia faltar luz durante a Copa, e por aí ia, tá? Poucas vezes um presidente foi objeto de um ato de tamanha grosseria política como aquele que foi feito para mim na abertura, poucas vezes.

 

Jornalista: (incompreensível)

 

Presidenta: Acho, é. Não, eu estou falando no mundo, hein? É que eu não falo do mundo, porque eles matam presidente em outros países. Aqui, aqui…

 

Jornalistas: (incompreensível)

 

Presidenta: Aqui você tem aquele nível de ataque. Bom, o mesmo se diria… A tempestade perfeita também era outra história, que ia ser o caos, tudo é o caos e nada ia dar certo, que todas as obras estavam paralisadas, que nenhuma obra funcionava, que o Brasil não tinha… que Minha Casa, Minha Vida era uma invenção, o Pronatec outra invenção. Bom, que nós não fazemos obra de saneamento, não fazemos nenhuma obra de investimento pesado em água, porque fizemos isso no Nordeste inteiro e, enfim, por tudo isso.

            Bom, eu acredito que a campanha eleitoral serviu, dado o seu grau de contraditório, serviu para que isso fosse, de uma certa forma, esclarecido, ou, se não foi esclarecido inteiramente, parcialmente foi. E eu acredito também que foi uma campanha eleitoral que se discutiu projetos, não foi uma campanha eleitoral que não se discutiu projeto, ela está encerrada. E eu sempre digo, uma campanha eleitoral, em um regime democrático, não é uma guerra, não tem vencido, não existe, numa democracia não tem vencido, tem quem vai ser governo e quem vai ser oposição, é isso que tem. E daí a quatro anos, muda, muda ou se mantém. É isso que é uma campanha eleitoral. Quem ganha… não é? Eu tive o cuidado, na minha fala, lá no TSE, de falar sobre isso, quem ganha tem um desafio: tem de governar para todos, não pode ser mesquinho, não pode se apequenar. Você tem de ter uma atitude de recomposição, independentemente do que a pessoa pensa ou deixa de pensar, nós, cada um que foi eleito, vai cumprir uma função, não é? É o caso meu, na minha relação com o Alckmin. O Alckmin é o governador de São Paulo, ele foi eleito pelos eleitores paulistas, ele é o governador de todos os paulistas hoje, para mim, então, eu tenho de tratar ele assim, e assim sucessivamente. Acho que tem que saber perder também. Essa história de querer provocar impeachment a cada virada do ponteiro do relógio é um pouco ultrapassada, eu diria, ultrapassado, porque cabia no Brasil dos anos 80, dos anos 90, não cabe no Brasil de 2000, dessa década. E quero dizer mais uma coisa para vocês: eu tenho certeza que nós teremos, nos próximos anos, uma recuperação do país, mesmo que não tivermos uma grande recuperação internacional. Por quê? Porque nós temos fundamento sólido.

A inflação não saiu do controle, viu, gente? É bom também avisar, porque ia sair do controle e ia ser o caos. A inflação não saiu do controle, o Brasil continua com grandes reservas e nós vamos ter… nós estamos tomando providências para melhorar a nossa produtividade. Acho que o Pronatec, que não foi feito pelo governo federal, foi feito por uma parceria do governo federal com o Senai, o Senac, o Senat e o Senar, sendo que 70% é o Sistema S - é bom dizer isso.

            Nós estamos fazendo uma série… Eu acho que o meu governo - vou dizer para vocês o que que eu penso que é o novo no meu governo: tem de ser uma pátria educadora. É isso que nós vamos ser: uma pátria educadora. Ou nós… Hoje eu estava lendo que a gente não vai ter dinheiro para fazer, porque não dá 1 trilhão… Está precificado, gente, está precificado. Eu não vou ter 1 trilhão de receita do pré-sal. Pelo amor de Deus! Faz a conta direitinho, que vamos descobrir como é que são as coisas. Se eu não tiver 1 trilhão, eu vou ter o quê? 800 milhões? Bilhões? Dá, o Brasil ter futuro, o Brasil pode apostar numa grande esperança. É isso. A minha palavra final é essa. Aliás, não, a palavra final é dela. Então, ela fala e eu falo, encerrou.

 

Jornalista: Chegou minha vez. Cláudia Gonçalves, da TV Record. Obrigada, presidente.

 

Presidenta: Oi, Cláudia.

 

Jornalista: Minha pergunta é simples. A senhora falou de indicação, que a senhora vai consultar o Ministério Público, falou que não vai demonizar a indicação política. Eu queria saber até onde a senhora está disposta a ouvir a decisão do povo, por exemplo, os movimentos sociais aí, estão contra a Kátia Abreu, contra a indicação da Kátia Abreu. Até onde a senhora está disposta a ouvir o povo no seu governo, nesse segundo mandato, e o que a senhora acha, também, do governo Agnelo que vai sair e deixar Brasília numa situação lastimável. Obrigada.

 

Presidenta: Olha, eu não vou comentar governo nenhum, sabe? Não tem porque escolher o Agnelo para comentar, não é? Não é só o… Todos os governos, de uma forma ou se outra, estão numa situação difícil, ninguém mais do que eu para saber, porque a hora que a roda pega, nós somos a última instância, o que é normal.

            Mas eu queria te dizer uma coisa, o seguinte: eu escuto todo mundo, mas a decisão não é por eleição, a decisão… a eleição ocorreu no dia 26 de outubro. Este regime é presidencialista, eu escuto todo mundo, escuto todas as opiniões, cotejo. Escuto, não é pró-forma, olho as argumentações, olho tudo direitinho. Se eu e algumas pessoas que eu consulto, movimentos sociais, partidos políticos… eu consulto todo mundo. Se eu não concordar com os argumentos para não colocar uma pessoa ou outra, eu não acato. Isso é … não, minha querida, isso é pelo fato que esse país é um regime presidencialista, é assim que funciona. Não há nenhum interdito para nenhum ministro, nem para nenhum brasileiro ou brasileira, pode haver… “ah, não gosto muito, acho isso, acho aquilo, acho que não pode ser esse, tem que ser aquele…”. Não é por eleição que se forma um ministério. Porque se fosse por eleição, eu tinha de chamar os 120 milhões de brasileiros para falar e não um só. Eu posso consultar. E o povo me deu um mandato para, diante das hipóteses, escolher. Trata-se, vou repetir, de um regime presidencialista. Mesmo quando é um regime parlamentarista, o chanceler ou o primeiro-ministro escolhe o seu governo. É assim que funciona na democracia e eu sou a favor… Não agora eu não respondo mais, não, querida. E eu sou a favor de uma visão que é o fato de que nós temos de ter harmonia e independência entre os poderes, só completando o que ela perguntou, já não lembro quem foi que perguntou. Acho que tem de ter harmonia e independência. Independência que cada um de nós é autônomo, independente na sua área, o legislativo, o executivo e o judiciário. Agora, nós temos que ser harmônicos, nós temos que ser capazes de conviver de forma harmônica, sem haver ruptura, sem haver atritos que não sejam aqueles usuais, que é o seguinte: você tem uma visão, ele tem outra e você vai ter de conviver com uma visão diferente da sua. Você tem de conviver, aí é da democracia. Agora, em lugar nenhum do mundo, você vê, só completando a sua resposta, você vê alguém interditando alguém para qualquer cargo. E um presidente aceitando, ou um primeiro-ministro.

 

Jornalista: (Incompreensível)

 

Presidenta: Querido, você sabe, tem uma fala que eu acho que completaria, eu vou me permitir completar uma fala do Grande Sertão Veredas, que ele diz “Viver é muito perigoso, sem teima você não sobrevive”. Dificilmente você sobrevive.

 

 Ouça a íntegra(1h22min9s) da entrevista da Presidenta Dilma Rousseff