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Entrevista concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após declaração à imprensa em conjunto com o governador-geral do Canadá, David Johnston - Brasília/DF

por Portal do Planalto publicado 24/04/2012 18h46, última modificação 04/07/2014 12h37

Palácio do Planalto, 24 de abril de 2012

 

Presidenta: E a Tânia sumiu, a Tânia sumiu. Vou falar, está bom, depois...

Mulheres Mil é um programa de capacitação de mão de obra que está dentro do Brasil sem Miséria, e que nós usamos uma tecnologia canadense. Foram eles que criaram esse processo de formação de mulheres. Tanto eles como nós atribuímos um papel estratégico a profissionalização e à formação das mulheres, principalmente, porque nós sabemos, cá entre nós, sem falar dos homens aqui, mas nós, entre nós, sabemos o papel que a mulher ocupa na relação com os filhos. Foi justamente porque entenderam essa relação, que percebeu-se o seguinte: você forma uma mulher, você tem uma melhoria em cadeia da sociedade, porque a mulher mais bem informada, ela tem, por definição, mulher tem por definição uma relação de passar tudo o que ela tem de melhor para os seus filhos. Então, quando você forma bem uma mulher, você está formando bem uma família, uma comunidade, uma cidade, um estado e um país.

É dentro dessa ótica que nós temos prioridade através... junto inclusive com o Pronatec, o Programa Nacional de Formação de Ensino Tecnológico, Técnico, desculpem, e Inovação, profissionalização e tudo. Este programa, o Mulheres Mil, ele tem de começar – como ele é muito... ele sempre começa menor. Nós começamos e vamos agora para 20 mil. Na sequência, nós vamos passar para 50 mil. Quem é responsável por ele é a Tereza Campello junto com o pessoal do MEC, neste grande guarda-chuva, que é o Pronatec. Então eu agradeci ele por isso.

Agradeci a ele também, porque eles se dispuseram a dar para nós 12 mil bolsas. Não é que eles... nós vamos pagar estadia, nós vamos pagar todas as taxas, mas as bolsas são... eles garantem oportunidade para 12 mil estudantes brasileiros nas melhores universidades, porque eles têm universidades de alta categoria nas áreas de ciências exatas, nas áreas, por exemplo, Matemática, Física, Química, Biologia, na área de Engenharias em geral, várias, todas as engenharias, nas áreas de Ciências Médicas e Ciências da Computação.

Além disso, uma das coisas importantes do Programa Ciência sem Fronteiras, dentro dessa nossa parceria com o Canadá, é que uma parte da atividade das pessoas que nós mandaremos para o exterior, além do ensino acadêmico, da participação dos cursos, vai ter um período, além de um ano que eles ficarem lá, para fazer estágios em empresas canadenses. Isso é muito importante, já está acontecendo em outros países também. Nos Estados Unidos, eles mandaram sete bolsistas nossos para a Nasa. Então, essa relação com a academia e a empresa, ela tem o papel de dar tanto o ensino prático, a experiência prática dentro de uma grande empresa, quanto o acesso a uma educação de primeira classe. Para o Brasil, isso significa que nós estamos, através de várias ações, melhorando a qualidade da educação que é o grande desafio, para mim, do nosso país. Nosso desafio é esse.

Jornalista: Essas 12 mil bolsas estão dentro daquelas 26 mil anunciadas no lançamento do Programa?

Presidenta: Não, nós anunciamos no lançamento do Programa 101 mil, 26 mil, você tem razão, é bancado pelo pessoal do setor privado, e 75 mil, somos nós que bancamos, está tudo misturado. Obviamente tem algumas das 26 mil, como aquelas da GE, por exemplo, que são bancadas pela GE especificamente, mas a grande maioria está misturada. Todo mundo vai ter oportunidades – você entende? -, sem a gente olhar a quem vai ser beneficiado, por quem que está patrocinando.

Jornalista: Tem alguma formação especifica para as mulheres, ou para todas as áreas, pode ser?

Presidenta: Não, mulher, minha querida, mulher, vou te contar, podemos... Você tem de... Pode falar, porque eu encontro com eles no exterior, e eu tenho notado, uma coisa muito interessante: uma presença muito grande das moças. Muito grande! As moças, as meninas e as jovens – eu acho que nós estamos chegando, eles que se cuidem – mas metade, metade, para ser um pouquinho... em dois lugares, eu vi um pouquinho mais da metade, até pela dedicação, que geralmente as mulheres têm. Eu, outro dia, estava naquela... que vocês também estavam, eu vi... Eu acho que te vi lá, Tânia. Lá no Dia do Soldado. Você viu a quantidade de meninas no Colégio Militar? Eu estou falando isso, por que? Porque quando a gente... Quem é que pode entrar no Ciência sem Fronteiras? Tem de ter passado no Enem com nota acima de 600 pontos, tem de ter participado da Olimpíada da Matemática. E eu estava olhando, na Olimpíada da Matemática, a quantidade de mulher de Colégio Militar. Fiquei surpresa, quando eu entreguei as medalhas. Eu não estou aqui falando que os homens não têm oportunidades. Eles têm as mesmas, as mesmas, mas as mulheres também estão se empenhando bem direitinho, no que se refere à participação nessa... Eu acho que é um feito do país conseguir que nós tenhamos pessoas em condições de frequentar universidades de primeira classe no mundo. E isso vai contribuir também para a gente transformar as nossas universidades em universidades cada vez melhores.

São dois movimentos que nós temos de fazer sistematicamente, porque nós vamos trazer também professores e pesquisadores, dentro do Ciência sem Fronteiras, para estudar no... aliás, para pesquisar no Brasil, para nos ajudar aqui no Brasil dando aula, e nós vamos mandar gente também, tanto para a pós-graduação quanto para a pesquisa, pesquisadores juniores, pesquisadores seniores. Eu considero esse programa um dos programas importantes do meu governo.

Jornalista: Mulheres Mil, como é que vai ser a seleção dessas mulheres que queiram fazer uma formação. É ligado à renda, como é ?

Presidenta: É ligado... O meu Ministro da Educação tem uma informação quentinha para vocês. Fala.

Ministro Aloizio Mercadante: Os institutos federais lançaram, hoje, o resultado do edital: 101 institutos federais do governo, do MEC, do Ministério da Educação, foram selecionados para abrigar as 20 mil mulheres que a Presidenta afirmou. Então, 101 institutos já foram selecionados, e vão dar...

Presidenta: Mas, gente, esse é o primeiro passo. Esse é o primeiro passo, nós estamos iniciando o Programa. A gente – como disse o governador para mim – a gente inicia pequeno, pensa grande e depois realiza maior. Essa é a síntese. Eu achei, assim, bem adequado da parte dele. Primeiro, a gente pensa grande, começa a realizar pequeno e, depois, a gente cresce mais do que a gente pensou. Então, eu acho que é isso mesmo. Tá, gente, muito obrigada.

Jornalista: Presidente, fala sobre a redução do spread? Foi uma vitória do governo, Presidente, essa redução dos bancos privados?

Presidenta: Olha, eu não vejo isso como vitória ou derrota de ninguém. Eu acho que o Brasil precisa, e tenho falado isso para vocês, o Brasil precisa de ter juros compatíveis com a sua posição no mundo. Não existe explicação técnica para que nós sejamos o país que somos, que tenhamos uma estabilidade como temos, macroeconômica, e as nossas taxas de juros não sejam compatíveis com as internacionais.

Jornalista: Os bancos não tinham que reduzir taxa de administração ao invés de...

Presidenta: Olha, eu não... Você me desculpa, Tânia, mas eu não entro, eu não vou me imiscuir, vou dizer assim, na forma como se administra nada. O que eu vou dizer é o seguinte: eu não acredito que seja uma questão que nós vamos realizar de supetão, nós vamos realizar isso progressivamente. Não há, repito eu: não há razão para termos taxas de juros tão elevadas. Eu vejo no mundo países com alto grau de endividamento, com déficits fiscais estarrecedores, com níveis de inadimplência absurdos, praticando taxa de 1%, 2%, 5%. Então, o que eu estou dizendo é que o Brasil progressivamente pode, como pode fazer várias outras coisas, vai poder também fazer isso. Isso eu tenho certeza. Eu confio no Brasil e por isso não é nenhuma questão de derrota ou de vitória. Ninguém também vai supor que num passe de mágica nós resolveremos todos os problemas. Não vamos.

Jornalista: E a poupança?

Presidenta: Cada dia.... Posso falar uma coisa para vocês? Vocês... é assim: cada dia com sua agonia. Não adianta vocês anteciparem.

Jornalista: Mas a poupança, é uma coisa que mexe com a população toda.

Presidenta: Veremos, veremos, veremos. Sem dúvida nenhuma, Tânia, todas as questões vão ser avaliadas pelo governo com muita calma, com muita tranquilidade, está bom, gente? Um beijão para vocês.

Jornalista: Já estão sendo avaliados?

Presidenta: Serão, serão... algum dia serão avaliados

Jornalista: Inclusive poupança, Presidenta?

Presidenta: Porque aí vocês não vão tirar a manchete de mim.... Você entende? Eu entendo se vocês fizerem... vocês procurarem uma manchete, é o trabalho de vocês.  Agora, nem por isso, não é, gente, o meu trabalho não é esse. Beijos.

Ouça a íntegra da entrevista (10min56s) da Presidenta Dilma.