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Entrevista concedida às emissoras locais de rádio pela Presidenta da República, Dilma Rousseff - Belém-PA

por Portal Planalto publicado 25/04/2014 17h31, última modificação 07/10/2014 10h17

Belém-PA, 25 de abril de 2014

 

 

Presidenta: Bom dia Carlos Estácio. Bom dia ouvintes da Rádio Clube do Pará. Bom dia ouvintes da Rádio 99 FM. E bom dia a todos os paraenses.

 

Jornalista: Presidenta, a senhora volta ao estado do Pará, em pouco mais de um mês, pela segunda vez a senhora volta, fazendo entrega de máquinas para prefeituras também, vai a Barcarena. Diga da sua programação aqui, no estado do Pará.

 

Presidenta: Olha, olha, Carlos Estácio, nós vamos hoje entregar as últimas 32 máquinas aos prefeitos aqui dos 109 municípios paraenses que recebem 3 máquinas. Essas 3 máquinas, Carlos Estácio, são máquinas retroescavadeiras, motoniveladoras e um caminhão-caçamba. Elas são muito importantes para essas prefeituras que têm até 50 mil habitantes e são muito grandes e, portanto, têm centenas, às vezes até milhares de quilômetros sem pavimentação.

Portanto, essas máquinas, elas têm o objetivo de dar ao prefeito autonomia de gestão. Ele vai poder melhorar estrada e, com isso, não só o escoamento da safra que se produz em todo o interior do Brasil pode ser escoado, aqui no caso do Pará também, mas também pode passar ambulância do Samu, podem passar os ônibus, aqueles ônibus amarelinhos do Caminho da Escola, que levam as crianças das regiões rurais para a sua escola, enfim, é toda uma iniciativa de melhoria das condições de vida dessa população que vive nesses municípios.

Nós fizemos um cálculo, pelo IBGE e vimos que 2,4 milhões de pessoas são beneficiadas por essa iniciativa de entregar para 109 prefeituras, esse kit e três máquinas. Se você for comprar no mercado, Carlos Estácio, você vai pagar algo como R$ 1 milhão. Muitos desses prefeitos não têm máquina nenhuma, outros têm máquinas muito velhas, outros alugam máquina. Quando a União doa essas máquinas, ela evita justamente um gasto para esses prefeitos e melhora a vida das populações. É um esforço que o governo federal faz para melhorar a vida das pessoas.

Mas, sabe, Carlos Estácio, eu ainda vou também, agora, saindo daqui, dessa entrevista contigo, eu vou inaugurar o Complexo Portuário de Miritituba-Barcarena. Esse complexo portuário é muito importante, é um investimento privado da Bunge, e é um dos maiores portos nesta região do país, esse porto é muito  importante. Por quê? A maior parte da produção agrícola do Brasil está acima do paralelo 16, mas o escoamento da produção agrícola está abaixo do paralelo 16. Para você saber onde é o paralelo 16, você corta uma linha imaginária na altura do  Centro-Oeste brasileiro, tudo que estiver para cima é acima do paralelo 16. Agora, o que acontece? Escoa para baixo, escoa para o Sul e para o Sudeste. Esse porto vai levar uma logística de alta qualidade para poder escoar através dos rios toda a produção de soja do Centro-Oeste que é a maior do Brasil. Então, com isso nós estamos descongestionando todos os portos do Sul, melhorando e barateando os custos de exportação dos grãos nessa áreas, em toda essa região do Norte e garantindo que o Norte tenha também uma infraestrutura de qualidade, inclusive,  mais barata que todas as infraestruturas. Porque, não sei se você sabe,  se você comparar ferrovia, rodovia e hidrovia, a hidrovia ganha de 30 a 0, usando uma linguagem futebolística. Ela ganha porque ela é mais barata, o custo é menor. Isso é muito importante porque aqui na região do Mato Grosso, Tocantins, Pará e toda essa região Norte, você tem uma imensa produção que precisa de ter um caminho. Nós temos investindo muito aqui em cima. Eu estive aqui no Pará para fazer o lançamento da derrocagem do Pedral do Lourenço, que viabiliza a hidrovia Araguaia-Tocantins. Hoje eu estou aqui na inauguração desse porto que, de fato, é um porto de primeiro mundo. E nós estamos, também, investindo muito na pavimentação da transamazônica, da 163, cujo trecho entre Sinop, lá no Mato Grosso e Itaituba, aqui no Pará, será concedido à iniciativa privada para duplicar ainda esse ano. Estamos investindo também nos portos aqui no estado, como Vila do Conde e autorizamos investimentos privados para implantar três terminais portuários aqui no estado do Pará. Todos os investimentos vão criar uma logística de transporte muito mais favorável.

E aí eu te digo uma coisa: eu queria te anunciar aqui no programa uma obra importante, tá, Carlos Estácio, que é o seguinte: quando a gente fala em infraestrutura aqui no Pará, a gente não pode deixar de falar sobre uma ponte sobre rio Xingu, ligando Altamira e fazendo com que essa ligação entre Altamira... É uma ligação assim: é na BR-230, a transamazônica vai ser ligada logo depois de Anapu, no sentido de Altamira. E aí eu queria te dizer assim: essa vai ser uma ponte estaiada, ela tem 700 metros, para você ter uma ideia do tamanho dela. É uma ponte estaiada, de 700 metros, e ela vai viabilizar que se escoe melhor toda a produção, porque hoje é assim: de um lado da estrada se para, passa por barco e se chega ao outro lado da estrada. Com a ponte, não vai ter a interrupção, vai escoar tranquilamente e, portanto, deixará de ser a travessia sobre o rio Xingu de Balsa e vai passar a ser sobre uma ponte estaiada que, além disso, cá entre nós e os ouvintes, é muito bonita também.

 

Jornalista: Presidenta Dilma, recentemente a senhora esteve aqui no Pará lançando o PAC da mobilidade urbana. Como está essa situação? As verbas já foram liberadas, Presidente?

 

Presidenta: Olha, o governo federal, ele apoia a mobilidade urbana em Belém com investimentos de mais de R$ 1 bilhão, ou seja, as obras custam R$ 1 bilhão, a parte do governo federal é 91%, ou seja, nós colocamos R$ 913,5 milhões, que serão, portanto, colocados pelo governo federal. E, para isso... Para que são essas recursos? Para construir BRT, nas avenidas Almirante Barroso e Augusto Montenegro, ligando o centro de Belém a Icoaraci. Os recursos, quando a gente faz um lançamento, a gente libera os recursos. Então, agora nós estamos naquela fase dos procedimentos iniciais de uma obra. Essa obra, ela vai ter seus projetos feitos, os que não estão feitos vão ser feitos, o que não está licitado vai ser licitado.

Além disso, além dessa obra que eu disse, na Almirante Barroso e na Augusto Montenegro, nós também temos o prolongamento da João Paulo II, ligando Belém a Ananindeua. Em março eu estive aqui e autorizei duas outras obras: um BRT na Avenida Centenário, com 19 quilômetros e 27 estações, e a construção e modernização de terminais fluviais. Porque aqui a logística que usa o rio como estrada, ela é muito importante. Então esse é um investimento que nós damos muita importância, que são os investimentos em terminais, são 6 novos: em Coaracy, em Cumbu, na Ilha Grande, em Cotijuba, em Outeiro e na Universidade Federal do Pará. E nós vamos reconstruir quatro, que é ali no mercado Ver-o-Peso, que eu acho, assim, fundamental, porque como eu... não sei se foi para ti que eu disse, mas eu acho que foi, que eu acho o mercado Ver-o-Peso um símbolo da cidade de Belém, Palha, Mosqueiro e a Princesa Isabel. E vou integrar esses terminais com o transporte publico, com os ônibus, com os BRTs.

Bom, nós também, sabe o que nós fazemos? Nós também destinamos uma parte dos recursos para o estado e a prefeitura fazerem projetos, construírem projetos, porque sem projeto – viu, Carlos? – a gente não consegue fazer obras de boa qualidade. Então, o governo federal coloca recursos para elaborar projetos. Por exemplo, nós colocamos recursos para elaborar três projetos: um é o Mergulhão no terminal de Tapanã; e os dois outros são corredores, o corredor de integração leste e os corredores metropolitanos, que têm área de expansão. Eu tenho certeza que todas essas obras, elas serão feitas de forma muito rápida, porque nós hoje temos um nível de supervisão bem grande sobre as obras que fazemos. E eu acredito que isso vai tornar o sistema público de transporte, em Belém, mais completo, e as obras que porventura sejam feitas pela prefeitura e pelo estado, nós também temos certeza que elas serão feitas de forma eficiente e rápida.

 

Jornalista: Presidenta Dilma, a senhora é candidata à reeleição com o apoio do PMDB. Aqui no Pará PT e PMDB estarão juntos na eleição para o governo e para o Senado.Qual a sua expectativa?

 

Presidenta: Olha, a eleição é um tema que eu vou ainda tratar oportunamente. Neste momento eu estou me dedicando fundamentalmente à questão do governo, à questão de levar à frente os projetos que transformam o Brasil e que beneficiam a vida da população. É certo, como você disse, que no Brasil o PMDB faz parte da minha base de sustentação e que certamente o PMDB e o PT, por exemplo, estarão juntos numa eleição nacional.

Portanto, eu acredito que nos estados também, sempre que isso ocorrer será muito bem-vindo. Eu sei que aqui no Pará, por exemplo, essa aliança entre o PT e o PMDB está sendo construída e me parece que ela já está até bastante sólida. Agora, eu quero te falar uma coisa, Carlos Estácio, eu tenho uma situação específica, eu sou presidenta da República. Então eu não posso parar de ser presidenta da República e ficar cuidando de eleição agora. Eu tenho de, fundamentalmente, destinar cem por cento do meu tempo para fazer justamente, não só anunciar obras como nós vamos fazer aqui nessa Ponte do Xingu, sobre o Xingu, nessa ponte estaiada de 700 metros, mas também participar de todos aqueles projetos que eu julgo fundamental. É o que eu estou fazendo aqui. Hoje aqui nós estamos com três agendas. Primeira agenda é o porto, o Complexo Portuário de Barcarena. Segunda agenda é a entrega aqui... nós universalizamos as máquinas aqui. O Pará é um dos primeiros estados do Brasil a ter essas três máquinas, a retro[escavadeira], a motoniveladora e o caminhão-caçamba entregues aos prefeitos. Viemos fazer a última entrega, que são 32 máquinas.

E, além disso, nós vamos fazer uma coisa que eu tenho especial interesse, que é o Pronatec, o Programa de Treinamento e Capacitação e de Ensino Técnico para os brasileiros, trabalhadores, trabalhadoras, jovens, muitos são pequenos empresários, pequenos e micro empresários. Esse programa, o Pronatec, viu, Carlos Estácio, ele é um programa fantástico. Nós estamos, até o final do ano de 2014, com a meta de oito milhões de matrículas no Brasil inteiro. Hoje, no dia de hoje, nós já temos 6,8 milhões de matrículas desse programa de capacitação profissional do trabalhador e da trabalhadora e do pequeno empresário brasileiro, e, ao mesmo tempo, também do jovem que cursa o ensino técnico. Por que é que isso é importante? Porque isso qualifica mão de obra, melhora a qualidade do trabalho, agrega valor e, ao mesmo tempo, aumenta a renda do trabalhador. Capacitar é educação, educação é algo que é fundamental para o nosso país, por quê? A educação é o grande caminho de oportunidade, é o caminho do futuro, é o caminho que leva as pessoas, de fato, a solidificar seus ganhos.

É fato, Carlos Estácio, que nós tiramos 42 milhões de pessoas e elevamos essas 42 milhões de pessoas, que é quase uma Argentina, à classe média. Agora, como é que você torna isso perene? Qual é o mecanismo, qual é a forma pela qual você faz com que essas 42 milhões de pessoas e as outras que já estão na classe média, e aquelas 36 milhões que saíram da extrema pobreza, como é que você faz com que ela ganhe, ela melhore de vida e isso seja permanente e ela não tenha medo de voltar para trás? Educação, capacitação profissional.

Então, aqui, hoje, nós vamos formar, nós vamos fazer uma cerimônia de formatura com 1.200 alunos. É uma coisa muito importante. E eu fico... talvez seja esse o programa que mais me comove, pelo fato de ver que as pessoas aproveitam com as duas mãos, agarram com as duas mãos a oportunidade. O pessoal tem essa capacidade de acreditar em si, de ser esforçado. O governo dá a oportunidade, mas quem faz de fato a diferença é cada um dos homens e mulheres deste país, dos jovens, dos adultos, de gente de todas as idades que vão e agarram a oportunidade, vão lá fazer o curso de eletricista, fazer o curso de encanador, fazer o curso de cabeleireira, faz o curso de técnico em computador, técnico em logística, técnico em segurança do trabalho, são, no Brasil inteiro, 626 cursos, para você ter uma ideia. Então, eu estou muito feliz de estar aqui hoje e por isso quero dizer: eu me dedico a isso, a governar o país.

 

Jornalista: Presidente, a última pergunta. Depois de 64 anos, o Brasil vai voltar a patrocinar uma Copa do Mundo, e vai exatamente, a senhora, como presidente da República, vai ter o privilégio de patrocinar essa Copa do Mundo. Ainda ontem a senhora esteve em Cuiabá, visitando os estádios. Qual a sua expectativa, o que a senhora diz para a torcida brasileira, para o torcedor paraense da Seleção brasileira?

 

Presidenta: Olha, para o torcedor paraense da Seleção brasileira: torcedor, pode ter certeza que nós vamos fazer a Copa das Copas. Não podia ser diferente. Nós temos no Brasil uma quantidade imensa de craques. Você veja que os nossos dois técnicos são campeões mundiais, não é? Todos os dois. Você veja que nós temos tanto craques como Pelé, o Garrincha, que é aquela coisa absolutamente fantástica, como os atuais, o Neymar e todos os outros, e aqueles que a gente ainda não sabe que serão craques, que podem aparecer nessa Copa, né, e que a gente sabe que aparece, ou que são craques ainda médios, não são, assim, as estrelas, mas eu tenho certeza que o Brasil é formado de... cada um brasileiro é um pouco jogador de futebol e também técnico, né, e dá palpite, e torce e vive e se apaixona. Mas essa Copa, eu tenho certeza que será um sucesso. Quero garantir a todos, primeiro, que nós fazemos a nossa parte. Os estádios estão prontos, os aeroportos estão prontos, nós garantiremos a segurança nesse período e eu tenho certeza que o povo brasileiro é um povo ultra-generoso, caloroso, alegre e que recebe bem. Eu não tenho dúvida que tanto fora de campo como dentro de campo, nós vamos mostrar a força do nosso país. Como presidenta, eu vou receber perfeitamente, vou receber com todo carinho, com toda a fraternidade, todos os chefes de Estados que vêm nos visitar, todas as seleções, todas as pessoas que vêm nos visitar. Agora, como brasileira, né, Carlos Estácio, eu vou torcer que nem doida para a gente ter o maior sucesso possível.

Jornalista: Presidenta Dilma, foi uma alegria muito grande. Em nome da direção-geral da Rádio Clube do Pará, nós queremos agradecer a sua simpatia, a maneira cordial com que a senhora recebe a reportagem da Rádio Clube do Pará, que é a quarta emissora do Brasil, está festejando este mês 86 anos de fundação...

 

Presidenta: Parabéns!

 

Jornalista: ...e esta entrevista está sendo transmitida não só pela Rádio Clube, pela 99FM, também a Diário FM e dezenas de emissoras estão lhe ouvindo em todo o estado do Pará neste momento, Presidenta.

 

Presidenta: Então, um grande abraço aos nossos ouvintes, a todos os paraenses, e dizer, olha, eu estou pela segunda vez aqui no Pará. Eu sempre fico muito feliz de estar aqui, sabe por que, Carlos Estácio? Porque quem não conhece o norte do Brasil, não conhece o Brasil. O tamanho do Brasil a gente enxerga quando a gente vê essa quantidade de terra e de água, e de riqueza que este país possui. Então, eu sempre fico muito feliz. Agora, a nossa maior riqueza somos nós mesmos, né, Carlos Estácio, são esses 201 milhões de brasileiros que vivem nesta terra abençoada.

 

Jornalista: Muito obrigado.

 

Presidenta: Um abraço para você.

 

Jornalista: Muito obrigado. Está aí, senhoras e senhores, a entrevista exclusiva que a presidenta Dilma Rousseff presta ao microfone da Rádio Clube do Pará 99 FM, também à Diário FM e dezenas de emissoras espalhadas por todo o estado do Pará.

            Muito obrigado a todos, tenham um bom dia.

 

Ouça a íntegra(29min25s) da entrevista da Presidenta Dilma Rousseff