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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, para as rádios 79 AM e Conquista FM, de Ribeirão Preto - Ribeirão Preto/SP

por Portal do Planalto publicado 12/08/2013 13h03, última modificação 04/07/2014 12h44

 

Ribeirão Preto - SP, 12 de agosto de 2013

 

Presidenta: Bom dia ouvintes da rádio 79 AM, de Ribeirão Preto, bom dia Marcelo Mosquiari, rádio Conquista FM, 97.7, Ribeirão Preto.

Jornalista: Presidenta, hoje, um dia muito especial para o que diz respeito ao etanol, para a nossa região. Queria até fazer um pergunta para a senhora aqui, e depois quando cheguei aqui mudei o conceito da pergunta, porque na verdade, a senhora já está colaborando muito. Eu ia dizer como é que a senhora ia pretender colaborar com o agricultor para sair dessa crise do setor sucroenergético em busca de tornar o etanol competitivo junto à gasolina. Eu acho que esse passo hoje já é um grande passo, porque nós já estamos com mais de 200 quilômetros do etanolduto disponível, saindo de Ribeirão Preto, eu tenho certeza que isso vai baratear o custo na hora de chegar na bomba.

Presidenta: Sem dúvida, viu, vai sim baratear o custo na hora de chegar na bomba. Além do etanolduto – porque depois nós vamos falar um pouquinho dele – eu acho que era importante lembrar que nós lançamos várias medidas para dar sustentação ao setor sucroalcoleiro. Primeiro, foi aqui em Ribeirão Preto, na safra de 2011/2012, nós lançamos um programa que financiava e era uma linha de crédito, que financiava R$ 1 milhão para o produtor, para os produtores independentes de cana renovarem seu canavial para aumentar a produtividade. Depois, agora nessa safra de 2013/2014, nós colocamos  R$ 4 bilhões de um programa que se chama ProRenova, Programa de Renovação de Canaviais, com o objetivo de renovar 1 milhão de hectares de produção de cana-de-açúcar, também, para recuperar a produtividade perdida ou devido ao clima, ou devido à mecanização. Depois, nós criamos ainda um programa de financiamento de estoques de etanol, que dispõe de 2 milhões do BNDES, com taxa de juros de 7% ao ano - 7,7% - e as usinas, assim, não precisam vender o produto, na safra, a preço mais baixo, o que ajuda a equilibrar a oferta na entressafra, e  portanto, sustenta um preço de médio prazo para o produtor. Em maio deste ano, agora, nós aumentarmos o percentual de mistura do etanol à gasolina, então, passou de 20% para 25%, com isso, nós criamos uma demanda adicional garantida para o produtor de 2 bilhões de litros de etanol anidro, o que é importante para o setor. Também em maio, nós editamos uma medida provisória - que está agora para ser avaliada no Congresso, mas que já está como medida provisória atuando - que desonera a comercialização do etanol da cobrança de PIS/Cofins. É  uma redução de custo, para você ter uma ideia, de 12 centavos por litro, o que é bastante significativo.

E aí, chegamos em hoje. Hoje nós estamos aqui inaugurando o primeiro trecho, a primeira fase – são nove fases, se eu não me engano - de um sistema, o sistema Logum, que usa tanto os dutos, o etanolduto, como a hidrovia para escoar a produção de etanol. Com isso a gente vai evitar usar caminhão, portanto é muito menos poluente, mas ao mesmo tempo é muito mais competitivo, por que o preço do transporte se torna um custo menor na cadeia toda de valor do etanol.

Jornalista: Muito bem. Bom dia, presidente.

Presidenta: Bom dia, Marcelo.

Jornalista: Marcelo Mosquiari, eu represento o Mega Sistema de Comunicação, a Diário FM, Mega FM e Conquista FM. Nossa audiência em Ribeirão Preto e região é 47,1%.

Presidenta: Baita audiência, hein, Marcelo?

Jornalista: Então estamos representando essa baita audiência. Eu queria perguntar para a senhora a respeito da fábrica de amônia que a Petrobrás vai construir. Ribeirão Preto estava disputando essa fábrica com a cidade de Uberaba. E a escolha recaiu sobre a cidade mineira. Entretanto alguns problemas inviabilizam essa escolha, pois o gasoduto que é necessário para a fábrica, a cidade de Uberaba não tem, né? Foi proposto pelo governo de Minas que o gasoduto de Ribeirão Preto chegasse até Uberaba, mas a ANP recusou essa proposta. Dessa forma eu pergunto para a senhora, não seria mais justo que essa fábrica fosse construída em Ribeirão Preto, pela viabilidade do gasoduto e também por ser mais barato, o custo ser mais barato? E a cidade de São Carlos também tinha entrado na disputa, com o apoio do governo do Estado. E eu queria saber da senhora, essa escolha já foi definida por Uberaba? Ou a senhora vai propor um estudo melhor, Ribeirão Preto ainda tem chance de ter essa indústria?

Presidenta: Olha, Marcelo, eu não minto, viu? E também não douro a pílula. A Petrobrás optou por Uberaba e a ANP, não sei de onde você tirou essa informação, a ANP não negou esse gasoduto. Não está em questão isso. A questão é a seguinte, por que a Petrobrás optou por uma fábrica de amônia em Uberaba?  Primeiro, porque Uberaba é um pólo na produção de rocha fosfática, e como ela tem esse pólo, na produção do fertilizante que usa amônia como matéria prima, a rocha fosfática é muito importante.

Além disso, nós consideramos que a região de Minas Gerais, ela vai atender, essa fábrica vai atender à demanda de Minas Gerais, de Goiás, de Mato Grosso, de Tocantins e de uma parte de São Paulo. E são regiões que são responsáveis pelo consumo de cerca de 75% da amônia produzida.

Em Uberaba está também o maior produtor de monoamônio fosfato do Brasil, um fertilizante muito utilizado nos cultivos de soja, milho, café e cana, e que possui a amônia como um dos fatores. É muito mais barato você transportar o gás por duto, do que você transportar, colocar a amônia, e transportar por caminhão. É muito mais barato. É por isso que foi usada essa localização, isso sem prejuízo de tudo que pode ainda ser atrativo aqui em São Paulo em outras fábricas. Essa fábrica, foi opção do governo federal colocá-la em Uberaba.

Jornalista: Muito bem. Presidenta, o investimento do governo federal em Ribeirão Preto, juntamente com a luta da prefeita Dárcy Vera, busca persistente em sanar uma ferida que prejudicava toda nossa população, que eram as enchentes aí constantes, alagamentos ao longo da avenida Jerônimo Gonçalves, que hoje, passando por diversas chuvas, tempestades por aqui, já tivemos prova disso, que o problema foi resolvido, né? As pessoas falam: ‘Ah, mas será que a chuva...’ Não, a chuva caiu sim esse ano em Ribeirão Preto esse ano e o problema foi resolvido. Agora a questão vem na mobilidade urbana. Nós podemos continuar contando ainda com os investimentos do governo federal em Ribeirão Preto, no que diz respeito à mobilidade urbana?

Presidenta: Pode sim, viu? Pode sim. Deixa eu te falar primeiro uma coisa. Eu fico muito feliz de ouvir de um morador aqui da cidade, que os investimentos de R$ 71 milhões em drenagem na região ali da avenida Jerônimo Gonçalves resolveu o problema do alagamento. Porque nós sabemos que o alagamento em uma cidade é algo terrível, porque compromete a vida do morador. Então eu fico muito feliz de saber que a chuva caiu e não houve alagamento. Isso para mim é, vou lhe dizer...

Jornalista: Eu vou dizer para a senhora. Tinha muitas pessoas torcendo para que: ‘Será que hoje vai?’ Não, não foi, e água ... e resolveu o problema. Não tem como ter outro.

Presidenta: Eu sei que é assim, tem gente que torce, mas a torcida maior foi essa que nós conseguimos superar. A prefeita fez as obras, a prefeita tomou a providência. Nós pudemos dar uma, ter uma parceria em conjunto, então eu fico felicíssima em saber disso. Agora, nós temos uma outra parceria aqui, que eu considero muito importante. Que são esses R$ 279 milhões em mobilidade urbana, que nós estamos desde março, tomando todas as medidas para acelerar e para a gente licitar e já ter obra lá, já ter início de obra lá em janeiro, já ter tudo começando. Em que vai resultar esses R$ 279 milhões? Porque a gente fala assim, R$ 279 milhões. Vamos concretizar aonde vão esses R$ 279 milhões. Eu estava conversando com a prefeita, e ela estava me dizendo que a prefeitura vai implantar junto, nessa nossa parceria, 56 km de corredores de transporte público coletivo nos eixos norte, que é avenida Brasil e [avenida] Paschoal Innechi, no sul, que é [avenida] Independência e [avenida] Presidente Vargas, no leste, que é [rodovia] Castelo Branco e [avenida] Nove de Julho, no oeste, que é [avenida] Pedro I e avenida do Café. Também vão ser construídos dois terminais no centro da cidade e uma estação central, que é a estação Catedral. Oito estações de transferência e mini-terminais de bairro. Por que eu fico feliz quando eu escuto isso? Porque nós temos um problema no Brasil, né, que são o problema das grandes cidades, né? Aqui está o nosso governador Alckmin também. É, tanto no Rio como em Belo Horizonte, quanto em São Paulo, nós ficamos cidades grandes antes de termos em conjunto, né, programas de mobilidade urbana. Porque o Brasil teve a crise da dívida, então, nos anos 80 e 90, pouco se investiu na questão da mobilidade. Agora que nós temos mais condições de investir em cidades médias, como é o caso de Ribeirão, fica mais fácil resolver o problema se a gente começar logo. Este investimento de R$ 279 milhões, ele vai permitir que se crie na cidade de fato uma rede de transporte integrado, que é a questão mais importante numa cidade. Além disso, pelos dados que eu tenho, vai haver também faixas de pedestres, sinalização, paisagismo, mas eu gostei muito de ciclovias. Ciclovias integradas à rede de transporte. Acho que essa uma é questão que também humaniza a cidade, torna a cidade muito mais receptiva às pessoas. E isso eu queria parabenizar a prefeita e tenho certeza que nossa parceria, nós vamos acelerar o que puder. O governo federal dá as garantias e nós iremos liberar o mais rápido possível todos os financiamentos para a prefeita começar as licitações e depois as obras.

Jornalista: Certo. Presidenta, eu gostaria de perguntar agora para a senhora a respeito de educação. Já existem movimentos reivindicatórios para a criação e instalação de uma universidade federal na cidade de Ribeirão Preto. O governo federal agora vai investir 10% do PIB na educação, será que com esse novo investimento no setor, Ribeirão Preto poderia ser atendida nesse pleito?

Presidenta: Olha, eu vou te dizer: nada impede que haja uma negociação com Ribeirão Preto, e que a gente abra um campus de uma universidade federal aqui em Ribeirão Preto, nada impede. Principalmente, dada a importância da região. Então, a minha resposta a essa sua pergunta é, sim. Agora, eu queria só fazer algumas explicações: nós temos um processo de interiorização da universidade federal brasileira. Nesse período de governo, entre o presidente Lula e eu, que são 10 anos, nós aumentamos o numero de universidades, nós criamos 18 novas universidades. Dessas 18 novas universidades criadas nesses 10 anos, quatro nós criamos nos dois anos e meio do meu governo. A gente está fazendo esse processo de interiorização, por isso que eu estou te dizendo que nada impede. Óbvio que nós sabemos que aqui tem uma das melhores universidades do Brasil, que é a Universidade Estadual de São Paulo, a USP, sem sombra de dúvidas, no ranking das melhores universidades do Brasil, a USP está lá nos primeiros lugares. Eu não vou dizer primeiro, para o resto não ficar com ciúmes. Mas, está nos primeiros lugares. Isso significa que é importante um processo – eu acredito que é muito importante numa região. Como essa, né, pólo, como é o caso de Ribeirão, ter um campus – porque agora a gente fala campus – de alguma universidade federal, de alguma das universidades federais que estão já em São Paulo.

Nós, até o final do meu governo criaremos mais 25 campus, num total de 47 no meu período, 22 nós já criamos, e vamos criar mais 25. Então, essa é uma questão que dá para ser negociada perfeitamente. Eu queria lembrar também, que aqui perto, a 25 quilômetros daqui, em Sertãozinho, nós temos o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, que também é uma escola de nível superior. Porque não precisa de ser só universidade federal, pode ser instituto. Por que instituto? Porque nós estamos dando muita importância à educação profissional. A educação profissional, ela compõe, junto com a educação superior, o time vencedor para que o Brasil seja um país inovador, um país que crie tecnologia e que cria inovação. E aí é preciso essa parceria entre as universidades de ponta e também os institutos. Porque o instituto, ele cria tecnólogo, então um engenheiro tecnólogo, ele cria tecnólogo. Mas ele também forma o ensino médio.

Tem países do mundo que a relação entre o técnico e o universitário é em torno de 1 para 10, por exemplo a Alemanha. Na Alemanha, para cada uma pessoa de nível superior, de ensino superior, você tem um que é técnico, ou é tecnólogo ou é de ensino médio. Por que isso? Porque o técnico, ele cumpre um papel de qualificação e de qualidade na ...  justamente na produção.

Aqui nós estamos em uma das regiões mais ricas do Brasil, né? São Paulo é uma das regiões mais ricas do Brasil, apesar de, como todo lugar do Brasil, ter suas desigualdades. Mas é justamente aqui que nos interessa muito também ter institutos federais, por isso que eu estou falando desse aqui a 25 km, em Sertãozinho. E você veja, eu conheço Sertãozinho, é pequena, uma cidade pequena, mas nem por isso deixa de ter importância que lá tenha um instituto federal.

Jornalista: Ok. Quero agradecer pela entrevista, presidente Dilma Rousseff, em nome do Sistema Thathi de Comunicação, a rádio 79 AM, a rádio Bandeirantes AM, a Band FM e, particularmente, em meu nome e ao grupo que eu represento, o Mega Sistema de Comunicação, a Diário FM, Mega FM e Conquista FM. Muito obrigado, presidente.

Presidenta: Eu queria agradecer primeiro aos ouvintes da rádio 79 AM e da rádio Conquista FM 97,7, do Mega Sistema de Comunicação. E queria agradecer especialmente ao Nato Campos e ao Marcelo Mosquiari pela oportunidade de falar aqui com as brasileiras e os brasileiros de Ribeirão Preto, os paulistas e as paulistas de Ribeirão Preto.

Jornalista: Obrigado, presidente.

 

Ouça a íntegra da entrevista (16min50s) da Presidenta Dilma

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Assunto(s): Governo federal