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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, para as rádios Educadora JovemPan e Globo Cultura AM - Uberlândia/MG

por Portal do Planalto publicado 13/09/2013 13h26, última modificação 04/07/2014 12h48

Uberlândia-MG, 13 de setembro de 2013

 

Jornalista: Olá, bom dia. As rádios Educadora JovemPan e Globo Cultura AM transmitem nesse momento entrevista com a Presidenta da República, Dilma Rousseff. Nós estamos ao vivo aqui da sala reservada da Infraero, no Aeroporto de Uberlândia. A presidenta, que desembarcou há pouco aqui na cidade. Participa dessa entrevista a colega Mônica Cunha, da rádio Globo Cultura AM. Eu sou o Danilo Caixeta, da Educadora JovemPan.

Presidenta Dilma, é um prazer tê-la conosco aqui em Uberlândia mais uma vez, essa que por sinal é a primeira visita oficial da senhora como Presidenta da República. Bom dia!

Presidenta: Bom dia, Danilo Caixeta, bom dia ouvintes da rádio Educadora JovemPan, aqui de Uberlândia. De fato, viu, Danilo, é a minha primeira visita como presidenta, aqui em Uberlândia. E eu estou muito feliz de estar aqui porque essa é uma das regiões do Brasil que desperta todo um interesse, porque é uma região que encontrou seu caminho, está se desenvolvendo e, de fato, tem uma população muito empreendedora e trabalhadora.

Jornalista: Presidenta, vamos começar falando desse programa de concessão das rodovias federais. Esse ano o DNIT anunciou que um trecho da BR-050, que liga Uberlândia, Araguari, a divisa do estado de Goiás, também vai passar por essa concessão. E uma grande preocupação do povo aqui da região é a possível cobrança de pedágio no trecho que liga Araguari-Uberlândia, uma vez que muitas pessoas trabalham aqui em Uberlândia, mas moram em Araguari, enfim, como deve funcionar isso, como está sendo feito esse procedimento dentro do programa no resto do país?

 

Presidenta: Olha, nas regiões urbanas, há toda uma política de não pedagiar. Agora, essa concessão, ela é muito importante porque ela é um grande trecho de rodovia, ela está dentro do programa de concessões do governo federal de rodovias que prevê a concessão de 7.500 quilômetros de rodovias. O primeiro leilão é justamente esse trecho. E a nossa expectativa é muito boa porque é um trecho longo, são 436,6 quilômetros de extensão. Ela não é uma rodovia urbana ou que passa, sobretudo, em áreas urbanas. Ela é uma rodovia federal de grande extensão e ela vai de Minas Gerais, ela pega a divisa de São Paulo e Minas Gerais e chega a Goiás, passando aqui pelo triângulo mineiro.

Nós pretendemos que essa licitação seja muito bem sucedida, porque esse é um eixo de rodovia que serve para escoar toda a riqueza desse conjunto aqui. Tanto a parte paulista como a parte de Minas Gerais e uma região de Goiás que está crescendo muito. Ela terá, esse trecho, essa extensão de mais 400 quilômetros, ela atrairá muitos investidores. A gente espera que haja um grande deságio por conta que já muitos empresários tiraram os dados para poder participar da licitação. Então, o que a gente espera? Que a concorrência entre eles vá levar a um deságio que vai baratear ainda mais o custo da rodovia. Mas é uma rodovia, de fato, muito importante. E nós, o governo federal, sempre foi contra pedágio em região urbana. Ou seja, nós não admitimos que se pedageie e que se dê prejuízo à população que mora numa cidade que seja dividida pela rodovia. Daí por que se faz caminhos alternativos. A ideia de caminhos alternativos é para impedir isso. A rodovia pedagiada, ela é pedagiada na sua grande extensão, pelo fato dela ser uma rodovia que une trechos longos, caso contrário, não é relevante. Isso fica claro porque aqui mesmo, a BR-050, por exemplo, que está faltando agora só um trecho de 15 quilômetros, ela não é pedagiada, ela é obra pública, inclusive a ponte, que nos sabemos que é uma ponte que era estratégica... eu estive nas imediações dessa ponte, ainda no governo Lula, foi quando eu visitei aqui a região e, eu sei a importância dela como forma de viabilizar toda uma interligação entre os diferentes municípios da região. Então, eu te diria o seguinte: acho que é um momento importante, vai atrair muitos investidores, acho que nós vamos ter e nós exigimos uma coisa nessa licitação que eu considero muito importante: que os investimentos estejam concluídos o mais rapidamente possível. Antes, os investimentos iam sedo feitos aos poucos, agora nesse modelo, eles têm um prazo mais restrito para ocorrer, no máximo em 5 anos.

Então, nós teremos uma rodovia em condições – porque eles vão manter também, eles não vão só construir o que tem de construir, eles vão manter. Então, vai ter uma qualidade de serviços que nós vamos fiscalizar. Por quê? No passado, tinha um problema sério com concessão: ou se licitava a construção e não licitava a manutenção e você tinha depois de pagar a manutenção, ou se licitava só a manutenção e não se previa que no futuro ia ser preciso duplicar. Agora não, agora nós prevemos o seguinte: caso aumente o tráfego nessa rodovia, caso se verifique que haverá uma demanda maior, ele terá de manter a qualidade dos serviços que ele recebeu.  Então, vamos supor: daqui a 10 anos – porque ela é uma concessão por 30 – daqui a 10 anos, aumentou o número de carros, de caminhões, aumentou as necessidades de tráfego nessas rodovias, vai ter de ser providenciada essa ampliação da rodovia para poder atender. É nesse sentido.

Jornalista: Presidenta Dilma, seja bem vinda a Uberlândia. Em nome da rádio Globo Cultura AM, damos as boas vindas. A minha pergunta tem relação ao Pronatec. A senhora, hoje, vem diplomar mais de 2,5 mil... cerca de 2,5 mil alunos do Pronatec devem estar ansiosos para recebê-la. A minha pergunta é a seguinte: a senhora acredita que esses cursos profissionalizantes, investir nos cursos técnicos, realmente esses investimentos podem ser a saída, principalmente, para diminuir a violência entre os jovens, a dependência química que a gente tem visto cada vez mais, infelizmente.

Presidenta: Olha, bom dia, viu, Mônica. É um prazer falar com os ouvintes da rádio Globo Cultura, aqui de Uberlândia. Olha, Mônica, eu acredito que o Pronatec é um dos programas mais importantes do governo federal. Por que ele é mais importante? Porque ele tem várias funções. Na verdade, ele é um programa que foca na questão do ensino técnico e profissionalizante. Ele é isso. O Brasil precisa de capacitar seus jovens, os adultos e aquelas pessoas que vivem ainda em condições de pobreza, capacitar para ter uma profissão. Precisa fazer isso, primeiro, para as pessoas, porque a educação é um patrimônio que você carrega consigo. Então, o Pronatec tem primeiro um lado que é aquele lado humano e fundamental. Ele é feito para a gente, para homens, mulheres, jovens que têm de ter conhecimento para poder trabalhar melhor, para si mesmo, para sua própria dignidade. Depois, ele é um programa para o Brasil, porque nós precisamos de uma mão-de-obra melhor qualificada. Nós não somos um país que produz só minério, só alimentos. Nós produzimos minério e alimentos, e temos muito orgulho de produzir minério e alimento, muito orgulho de ter petróleo. Mas nós temos também uma indústria sofisticada, nós temos também um setor de serviços. Nós vamos ter de ter trabalhadores cada vez mais bem formados, porque eles serão, primeiro, se forem mais bem formados, vão ser melhor remunerados. E um emprego que nós precisamos é desse emprego. Então, vou te dar um exemplo: operador de máquina vai desde a agricultura até à indústria. Porque hoje na agricultura, a máquina permite que você meça a umidade do solo, que abre o buraquinho para botar a semente, a máquina te diz tudo, mas a máquina não fala sozinha, e ela tem de ser dirigida pelo homem ou pela mulher. Então, a formação do profissional que vai operar a máquina é algo muito importante, vai significar maior produtividade para o país e melhor capacidade da gente concorrer lá fora.

Então, segunda questão, primeiro, para as pessoas, segundo, para o Brasil, terceiro, porque eu acredito que a única coisa que faz com que a saída da miséria seja irreversível é a educação. A única coisa que faz que a saída da miséria não tenha hipótese de voltar atrás é você dar educação para a população.

Por isso que nós passamos no Congresso aquela lei dos royalties. Porque o petróleo é uma riqueza finita. Vamos transformar ele numa riqueza perene, como? É simples como nós vamos fazer, além de fazer indústria para fornecer equipamentos para a indústria do petróleo, os estaleiros, etc, é transformar os royalties e o fundo social do pré-sal em projetos de educação concretos. Exemplo, o Brasil tem de ter creche, o Brasil tem de ter alfabetização na idade certa, porque se não alfabetizar a criança até os 8 anos você compromete o futuro dela. Nenhum país chegou a ser uma nação desenvolvida enquanto não teve ensino em dois turnos. E o segundo turno não é para praticar esporte ou ter acesso à cultura, é para isso, mas é, sobretudo, para ter mais aula de português, matemática, ciência e língua estrangeira. Sem isso, nós não teremos gente capaz. E aí entra o Pronatec. É importantíssimo que o ensino médio, no Brasil, não seja um ensino pura e simplesmente livresco. Tem de ser livresco porque todo aprendizado é livre, mas tem de ser técnico também, nós temos de ter bons laboratórios, nós temos de ensinar os nossos profissionais, eles têm de ter nível técnico, o jovem tem que sair da escola de nível médio com uma profissão.

Eu não sei se você sabe, por exemplo, na Alemanha, para cada um universitário, tem 10 profissionais técnicos especializados. Muitas vezes, Mônica, esse profissional técnico especializado ganha parelho com o universitário. O ensino técnico profissionalizante nos países ricos, ele dá um padrão de renda elevado para as pessoas. Nós queremos isso para o Brasil. Por isso estou aqui muito feliz, porque aqui eu estou no Pronatec Brasil sem Miséria. Aquele Pronatec que bota o pessoal no caminho do emprego. Porque é um outro jeito de sair da pobreza. Só tem dois: um é o emprego e o outro e a educação junto com o emprego. Por isso o Pronatec, para mim, é um dos maiores programas do governo.

Jornalista: Presidenta, eu quero falar um pouquinho sobre saúde. No ano passado, inclusive, o então deputado federal Gilmar Machado, que está aqui hoje como prefeito de Uberlândia, na época era vice-líder do governo na Câmara, anunciou que incluiria na lei orçamentária anual e também no plano plurianual do governo da União, a previsão de orçamento da emenda parlamentar dele para a construção de quatro hospitais regionais aqui na região do triangulo mineiro e Alto Paranaíba. Como é que está o procedimento? A gente pode esperar novos hospitais aqui para a região em breve?

Presidenta: Olha, Danilo, a informação que eu tenho - depois você pode checar com o prefeito, que é o deputado Gilmar, então deputado Gilmar, hoje prefeito Gilmar Machado - ele fez de fato essa emenda. Só que ela era para construção de Unidades de Pronto Atendimento. E essas Unidades de Pronto Atendimento estão sendo realizadas. Antes, parece que existia só duas aqui na região, em Uberaba. Só tinha duas em Uberaba. E não tinha em nenhum outro lugar. Porque, o que é a UPA? É uma unidade de pronto atendimento que é o seguinte: se você pensar numa cadeia, você vai ter assim, um posto de saúde e o hospital, e no meio delas uma unidade para atender emergência e urgência. Para atender, por exemplo, se uma pessoa tiver um ataque cardíaco, apesar de não ser hospital com toda complexidade, ela pode atender uma pessoa que está sofrendo um enfarte. Tem estrutura para isso. Ela pode fazer um atendimento de ortopedia rápida, ela resolve problemas de urgência e de emergência de uma pessoa que está com problema de diabetes. Ela não é um posto, ela é mais complexa que um posto, e menos complexa que um hospital. Não tinha aqui. Na maioria dos estados e dos municípios tem. Aqui é uma região rica e importante e devia ter. Então, o deputado fez essa emenda, hoje nós temos sete unidades, essas chamadas UPA’s, Unidades de Pronto Atendimento, que estão em construção aqui, três são em Uberlândia, uma em Patos de Minas, uma em Iturama, uma em Ituiutaba e uma em Araguari. Outra coisa importante, que eu considero essencial, é que aqui também não tinha um serviço, que eu acho, que na área de assistência à saúde, é dos mais importantes que é o SAMU, que são as ambulâncias, serviço de ambulâncias. Por quê? Como é que você liga um posto de saúde em uma UPA, em um hospital? Através dessas ambulâncias. Porque o serviço de ambulância pega a pessoa, se for uma coisa simples, leva para o posto, se for uma coisa um pouco mais complexa, leva para a UPA.

E aí tem aquela história da central de leitos, que é fundamental. Porque o SAMU, esse serviço de ambulância, ele está ligado a uma central de leitos, de todos hospitais da região. E o serviço de ambulância sabe onde tem leito e vai levando a pessoa diretamente para lá. Além disso, as ambulâncias, tem ambulância que te dá atendimento mais sofisticado. Você teve um enfarte, te botam em uma ambulância que te dá cobertura para isso. Então, está em andamento no Ministério da Justiça e, pela avaliação, eu falei hoje de manhã e ontem à noite com o ministro, eles vão assinar com o prefeito um consórcio, com 24 municípios aqui, com Uberlândia, para funcionar no início de 2014, porque aqui não tinha.

Então, eu estou falando disso porque, primeiro porque eu vim aqui hoje, é importante que a gente diga o que é que está em andamento no governo federal. Segundo porque você me perguntou dos hospitais. Então, eu te disse o seguinte, nós vamos fazer sete UPAs aqui na região, distribuídas, e vamos introduzir o serviço, esse serviço de ambulância.

Além disso, tá, nós temos procurado fortalecer a rede hospitalar aqui. É, a gente sabe que o Triângulo Mineiro, e aqui passa a ser um centro de procura. Muita gente vem de fora do município de Uberlândia, vem para aqui para atender. Muita gente sai lá de Araguari, vem para cá. Sai lá de Ituiutaba e vem para cá. Então, passa a ser um centro de procura de serviço de saúde. Daí porque é claro que dos 64 hospitais que atendem aos SUS, metade está aqui em Uberlândia, metade. Então é muito importante também contribuir para a manutenção desses hospitais. Entre, nós vamos repassar esse ano [R$] 244 milhões para manutenção. E só para dois hospitais universitários, que é aquele Hospital das Clínicas e Hospital Escola, nós vamos participar, transferir em torno de [R$] 130 milhões esse ano. Então nós temos aqui uma visão importante...  considerar importantíssimo esse pólo por essa questão regional. Você não atende só a população de Uberlândia. Na verdade tem uma integração na região. E aí tem uma importância que são os postos de saúde. Para você ter uma ideia, nós temos aqui na região 190 postos de saúde, postinho de saúde, 190. 58 em Uberlândia, desses 58, 19 nós estamos modernizando, reformando e melhorando. E vamos construir mais 30 aqui. Sendo que desses trinta aqui na região; nove, em Uberlândia; seis em Patos de Minas; seis em Araguari; seis, em Araxá; dois, em Ituiutaba; dois, em Iturama e dois, em Uberaba. Então, por que eu estou falando desses postos de saúde? Vocês viram nos jornais a história do Mais Médicos. Para onde vão os médicos? Nós queremos que os médicos atendam na rede básica. O que é a rede básica? São os postos e as UPA’s. Nas Unidades de Pronto Atendimento e nos postos. E que atendam durante a semana inteira, cumprindo horário, oito horas por dia, o médico ali presente. O que nós fizemos? Nós avaliamos o Brasil e vimos que nós não temos um número de médicos necessário para atender bem a população, porque não basta a gente fazer UPA, trazer o SAMU, não basta abrir o prédio e botar os equipamento. Tem que ter médicos para atender. Daí o programa Mais Médicos, que é assim: primeiro a gente tenta atender com médico formado no Brasil. Não tendo, nós buscamos médicos estrangeiros. Nós estamos agora na segunda fase. Ficou visível na primeira que os médicos que se inscreveram não foram trabalhar. Não são todos, uma parte deles não foi. Então nós vamos agora preencher com médicos estrangeiros. Aqui na região, aderiram na primeira fase desse programa Mais Médicos, aderiram, basicamente, 41 médicos foram solicitados aqui para a região. E essa demanda vai ser atendida a partir de agora, sucessivamente, na hora que começar a entrar os médicos nós tornamos a chamar brasileiros, não aparecendo, nós chamamos mais estrangeiros. E quem é que já pediu? Uberlândia, Uberaba, Patos de Minas e Araxá já aderiram e Ituiutaba está aderindo agora na segunda chamada.

Então, são 41 médicos solicitados, e esses 41 médicos vão chegar progressivamente agora.  É uma coisa importante por quê? Porque a gente não negocia saúde. Saúde é inegociável. Não interessa o interesse de qualquer... eu respeito muito os médicos porque eu acho que os médicos brasileiros são de alta qualidade, dão uma grande contribuição. Agora, nós não podemos olhar de onde vem o diploma. Para você ter uma ideia, viu, Mônica e Danilo, nos Estados Unidos, 25% dos médicos nos Estados Unidos são formados no exterior, não são formados nos Estados Unidos. Na Inglaterra, dá uns 35%, no Canadá, é acima de 20%. Sabe qual é o percentual de médicos não formados no Brasil, que atuam no Brasil? 1,78%. Olha a discrepância? Nos países ricos, eles vão e importam médicos. E nós, que precisamos de médico, que somos um país continental que não temos médicos nas periferias das grandes cidades, no interior do Brasil e nas regiões do Norte, da Amazônia, lá então para achar um médico é difícil. Nem, por exemplo, no Nordeste, nós não podemos importar. O que é isso? Temos de colocar a saúde da população em primeiro lugar. E qualquer outra consideração, em segundo. Mas a gente respeitou os médicos brasileiros, nós chamamos primeiro eles, e depois os médicos cujo diploma não é dado no Brasil, mas em outro país do mundo.

 

Jornalista: Presidenta Dilma, ainda na questão da saúde. Desde que a senhora assumiu, a senhora tratou como prioridade, estabeleceu como prioridade a saúde da mulher. E o governo federal tem programas voltados para isso. A gente tem visto ultimamente uma grande preocupação de especialistas na área de saúde envolvendo, principalmente, a questão das doenças do coração. As mulheres têm sido vítimas delas, as estatísticas mostram. Bem como também o alcoolismo, a dependência química. Como é uma prioridade, um cuidado da senhora em relação a esse assunto, a saúde da mulher, o que está previsto, o que pode ser feito para não minar a qualidade de vida de tantas donas de casa, de tantos empreendedores?

Presidenta: Olha, desde 2011 eu foquei na questão da saúde da mulher. Mônica, é um compromisso meu a questão da mulher, até porque sou a primeira presidenta mulher. Eu sempre disse que uma das coisas do meu mandato seria honra as mulheres. E eu criei dois programas logo no início: um foi o Rede Cegonha, que era para a mãe, para a mulher que ia ter filho e para criança, para o recém-nascido, então a Rede Cegonha para criar maternidades decentes, porque maternidade não é hospital, hospital no sentido geral da palavra, porque a gravidez não pode ser vista como uma doença. A gravidez é um imenso benefício, né? É a reprodução da nossa espécie e é uma condição fantástica. E também a questão do câncer, colo de útero e mama. Eu acredito que essas duas questões que você levanta, que são questões decorrentes inclusive do novo papel que a mulher tem na sociedade, a do coração, por exemplo. A do coração decorre do fato de a mulher assumir cada vez mais atividades mais estressantes. Mesmo ela tendo uma capacidade de resistência física, que a gente sabe, mais... eu não vou falar mais forte, nem vou falar melhor, porque vão falar que eu estou sendo enviesada para o lado da mulher. Mas eu acho que é, até pela condição de a gente ser capaz de dar à luz. Você tem uma resistência física intrínseca, dada até pela nossa capacidade de viver mais tempo. Então eu acredito o seguinte, o estresse tem a ver muito com a questão tanto do alcoolismo quanto das doenças do coração. Acho que o alcoolismo tem a ver com desestruturação da família, tem a ver com o fato de você perder referências culturais, e ter uma situação familiar muito difícil, principalmente que a gente sabe que hoje muita mulher é cabeça da família, muitas mulheres são.

Então nós tivemos primeiro um cuidado que foi o seguinte, temos de tratar essas doenças e temos de preveni-las. Para prevenir, nós temos que colocar a mulher hoje fazendo coisas fundamentais. Ela tem que ter uma alimentação adequada, com baixo sal, tem que haver uma política e uma campanha sistemática esclarecendo isso. Tem que ter atividade física, tem que ter atividade física. Todo mundo aí que está me escutando, as mulheres aqui de Uberlândia, a gente tem que ter uma atividade física, a gente tem que se preparar, porque quando nós entramos no mercado de trabalho, quando nós assumimos novas funções sociais, nós também temos que preparar nosso corpo para aguentar o estresse aí decorrente.

E nós tivemos uma política que eu achei muito importante, que foi o Aqui tem Farmácia Popular. Nós vimos que diabetes e pressão alta, hipertensão, são as duas doenças que causam maior impacto na saúde pública. E as mulheres hoje, têm muitas mulheres com hipertensão e diabetes. E esse programa é um programa universal, para homens e mulheres, e significa o seguinte. O que é que uma pessoa que tem hipertensão e diabetes tem que fazer? Além de ela ter um ritmo de vida, ela vai ter o ritmo de vida que ela tem que ter, mas aí ela vai fazer exercício, praticar esporte, e comer sem muito sal. Mas ao mesmo tempo ela tem que ter acesso a remédio. Porque o remédio da hipertensão e do diabetes é contínuo. Então o Farmácia Popular faz o quê? Nós damos gratuitamente, em todas as farmácias credenciadas, que tem assim escrito, “Aqui tem Farmácia Popular”. A pessoa tem acesso gratuitamente a remédio para hipertensão e para diabetes. Com isso a gente trata dessa questão do coração.

Agora, do alcoolismo, eu acredito que tem um programa muito bom que são os CAPS, os CAPS AD, álcool e droga, né. Os Centros de Atendimento Psicossocial Álcool e Droga. Neles, além disso, você tem um tratamento que é o tratamento de apoio ao alcoolista, por exemplo, à mulher alcoolista. Esse atendimento, se ele, por exemplo, for necessário desintoxicar, daí você tem que colocar em hospital. Sai do CAPS AD, eles fazem avaliação, e aí vai para o hospital. Agora, o CAPS AD é importantíssimo. Eu creio que aqui tem um CAPS AD 24 horas. Que eu considero, eu sempre lutei pelo CAPS AD 24 horas, sabe por quê, o 24 e todos os dias da semana? Por causa do seguinte, não dá para a gente acreditar que a pessoa não fica passando mal de madrugada. Às seis horas da tarde, se fechar o CAPS AD, o que é que a pessoa faz se passar mal às sete, às oito, às nove e às dez? Então tem que ser 24 horas. O esforço todo nosso é para transformar todos os CAPS Álcool e Droga em 24 horas. E para permitir que atenda no feriado, que atenda sábado e domingo, e que tenha essa interface com os hospitais. O caso da mulher é muito grave, sabe por quê? Porque nós não éramos as pessoas que frequentavam esse tipo de especialista, e não tínhamos essa doença. Temos menos que os homens ainda. Mas teremos se não nos cuidarmos. Então o negócio também é prevenir. Eu acredito muito na atividade física, ela é barata. Basta andar. Você tem que andar todo dia.

Jornalista: Presidenta Dilma Rousseff, agradecemos imensamente a entrevista coletiva. Desejamos aí um bom dia. Obrigada pela presença em Uberlândia. E fica aí o convite para voltar novamente. Agradeço também ao colega Danilo Caixeta, da rádio Educadora Jovem Pan, pela parceria aqui, e a você que nos ouve pela Globo Cultura AM 1020, e continue com a nossa programação, um bom dia.

Presidenta: Eu queria também dar um bom dia a todos os ouvintes da rádio Globo Cultura e da rádio Educadora Jovem Pan. Bom dia Danilo, bom dia Mônica.

 

Ouça a íntegra da entrevista (30min20s) da presidenta Dilma

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Assunto(s): Governo federal