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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, na visita às obras da Transnordestina, em Parnamirim/PE

por Portal do Planalto publicado 09/02/2012 14h46, última modificação 04/07/2014 12h37
Transnordestina será caminho de desenvolvimento, diz presidenta em visita às obras

 

 

Parnamirim-PE, 09 de fevereiro de 2012

 

Jornalista: Obrigado.

Jornalista: A senhora vai conversar com a gente agora? Rapidinho... rapidinho...

Presidenta: Só um pouquinho... Eu vou... É, bem rapidinho, porque vocês estão no sol, eu converso.

Jornalista: A senhora ainda vai...

Presidenta: Vocês estão tomando muito sol. Tem que arranjar um boné.

Jornalista: Está bom.

Presidenta: Não te dou o meu porque senão fico eu.

Jornalista: Presidente, a senhora ainda vai...

Presidenta: Você quer este aqui?

Jornalista: Não, não, obrigada (incompreensível).

Jornalista: A senhora ainda vai a Salgueiro, provavelmente, também a São José do Belmonte, vem de uma agenda bem intensa. O que a senhora já pode avaliar desta viagem?

Presidenta: Olha, eu acho que esta, como eu já disse ontem para vocês, esta é uma viagem de trabalho. Aqui, nós estamos vendo agora, as obras da Transnordestina. O que nós queremos? Nós queremos que se cumpram os prazos da Transnordestina.

Nós temos esse eixo, que sai de Eliseu Martins, lá no Piauí, é para lá que, e que vai até o porto em Pernambuco, o Porto de Suape. E, depois, nós temos essa outra parte que sai ali de Salgueiro, passa por Missão Velha e chega a Pecém. A parte primeira a ser concluída é esse trecho de Eliseu até o Porto de Suape. O que o governo quer é que essa obra seja, sistematicamente, realizada e que não haja interrupções.

Então, hoje, nós vamos avaliar a obra toda e depois vamos fazer uma conversa entre as empresas que estão tocando a obra, o consórcio responsável pela Transnordestina e o governo. Vamos acertar os nossos parafusos para que haja uma solução mais rápida, porque ela é de imenso interesse para a região.

Vocês vejam que uma ferrovia deste porte não existia no Brasil. Você só tinha ferrovias mesmo, de porte, lá no Sul, no Sudeste. Agora, com a Transnordestina, você tem um eixo aqui de desenvolvimento muito grande, porque, tanto para transporte de grãos quanto para transporte de minérios, e mesmo porque a ferrovia, geralmente, ela funciona como um caminho de desenvolvimento. Onde você tem uma ferrovia, você tem um transporte acessível e barato.

O que nós queremos é concluir essa ferrovia até o final de 2014. Esse é o objetivo, e nós vamos avaliar e tomaremos todas as medidas para que isso aconteça, sem exceção. Não há limite para o que nós faremos, inclusive no sentido de garantir que essa obra seja realizada.

Jornalista: É até 2014?

Presidenta: É, é isso que nós vamos... aqui, nós estamos para isso, para garantir que aqui saia uma ferrovia, que será a grande ferrovia de ligação do Nordeste. Você torna o Nordeste, ao contrário do passado, onde toda a infraestrutura se concentrava na região Sudeste e Sul do Brasil, nós queremos que o Nordeste tenha uma infraestrutura adequada. Com essa ferrovia você tem uma transversal: você tem um eixo principal, que é a Norte-Sul, que corta o Brasil de ponta a ponta, que é essa a ideia, e você tem duas ferrovias aqui, na região Nordeste – uma que é a Leste-Oeste, que sai ali de Ilhéus, passa por Barreiras, não por Luís Eduardo Magalhães...

Jornalista: José Eduardo Magalhães.

Presidenta: José Eduardo Magalhães, José Eduardo.

Jornalista: Não, Luís Eduardo.

Presidenta: Luís Eduardo Magalhães... e vai até Caetité, não é isso?

__________: Passa por Caetité e vai para Luís Eduardo.

Presidenta: Ela é quase paralela a essa. Elas são vias principais para garantir que o interior do Brasil se ligue aos portos. Isso significa não só maior, melhor capacidade de comercializar os alimentos produzidos aqui, maior capacidade de, inclusive, explorar o potencial dessa região.

Jornalista: A Transnordestina continua orçada em R$ 5,4 bilhões ou já foi refeita essa conta?

Presidenta: Olha, nós vamos discutir hoje todas essas questões. Agora, eu te asseguro uma coisa. O governo já fez várias avaliações econômico-financeiras sobre essa ferrovia. Nós não pretendemos ficar elevando indefinidamente o preço dessa ferrovia. A gente sabe que uma ferrovia deste tamanho e desta dimensão, você tem sempre coisas não planejadas que ocorrem, óbvio. Mas nós temos, hoje, uma certeza de que os nossos orçamentos estão bem próximos da realidade.

Jornalista: Presidente, a senhora prometeu que ia falar sobre os outros assuntos hoje com a (incompreensível).

Presidenta: Eu dou um assunto diferente (incompreensível). Vocês não coloquem... Porque eu conheço vocês...

Jornalista: De onde vem a (incompreensível) nordestina?

Presidenta: Aí, eu vou ficar aqui no sol falando uma hora sobre Transnordestina...

Jornalista: (incompreensível) mas é porque (incompreensível) uma empresa...

Presidenta: ... e vocês pegam e só põe a outra parte.

Jornalista: Não, é que o Brasil inteiro...

Presidenta: Então, eu estou dando muita importância para a região, então vai ser mais questão (incompreensível).

Jornalista: Olhe, o Brasil inteiro está esperando assim um ponto de vista da senhora com relação a esse movimento da Bahia, dos policiais militares, que, inclusive, pretendia se estender por outros estados da Federação. Qual é a leitura, a interpretação que a senhora faz dessa história?

Presidenta: Olha... opa, deixa eu pegar para ela. Opa (incompreensível)

Jornalista: Obrigada.

Presidenta: Eu que (incompreensível).... Não é justo que o general... muito justo. Mas, e aí?

Jornalista: Não, eu é que estou perguntando.

Presidenta: Pois é, mas agora perdi.

Jornalista: É porque o Brasil inteiro está esperando uma leitura da senhora a respeito desse movimento grevista.

Presidenta: Mas a minha leitura está clara. O governo federal participou ativamente de todas as operações, que, hoje, o Exército pode fazer, juntamente com a Força Nacional de Segurança Pública, para dar suporte aos governadores. Porque, hoje, o Brasil tem uma visão de garantia da lei e da ordem muito moderna.

Nós não consideramos que seja correto instaurar o pânico, instaurar o medo, criar situações que não são aquelas compatíveis com uma democracia. Em uma democracia você sempre tem de considerar legítimas as reivindicações, mas há formas de reivindicar, não é? Eu não considero que o aumento de homicídios na rua, queima de ônibus, entrada em ônibus encapuzado seja uma forma correta de conduzir o movimento.

Eu fiquei estarrecida ontem com o... Eu estava lá em Juazeiro quando eu vi as gravações divulgadas por uma televisão, a TV Globo, sobre o fato de que há outros interesses envolvendo toda essa paralisação. Isso não é correto.

O governo federal, prontamente, vai agir em suporte e apoio aos governadores, sempre quando eles peçam. Nós não podemos entrar em nenhum desses processos sem a solicitação dos governos, mas em os governos solicitando, isso ocorreu em todos os casos – no Maranhão, ocorreu no Ceará, agora ocorre na Bahia -, nós teremos a presença garantida do governo federal em todas essas questões.

Eu aguardo, com muita expectativa, o desenrolar de todos esses acontecimentos, porque eu acho que nós estamos em um momento muito especial no Brasil, e é importante que, mais uma vez, a democracia e as formas democráticas de solução desse tipo de conflito sejam aquelas que, de fato, vão viger, vão ser implementadas. Está bom?

Jornalista: A senhora teme que isso se repita...?

Presidenta: Eu não vou discutir isso. Agora, eu considero que não é possível esse tipo de prática. Vai chegar um momento em que vão anistiar antes do processo grevista começar. Eu não concordo com isso. Eu acho que, se houve por reivindicação, eu não acho que as pessoas têm de ser presas, nem de ser condenadas. Agora, por atos ilícitos, por crimes contra o patrimônio, crimes contra as pessoas e crimes contra a ordem pública não podem ser anistiados. Se você anistiar, aí vira um país sem regra. Agora, eu repito, acho que você tem de respeitar democraticamente os movimentos e suas reivindicações. Não concordo, em alguns casos, de maneira alguma, com o processo de anistia que parece sancionar qualquer segmento da legalidade [ilegalidade]. Não concordo, não vou concordar.

Jornalista: E o direito de greve para a polícia?

Presidenta: Olha, minha querida, isso é uma questão que tem de ser debatida no Brasil. Nós, no governo federal, temos uma posição quanto a isso.

Jornalista: Ok, obrigado.