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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, na chegada a Juazeiro do Norte - Juazeiro do Norte/CE

por Portal do Planalto publicado 08/02/2012 17h58, última modificação 04/07/2014 12h37

Juazeiro do Norte-CE, 08 de fevereiro de 2012

Presidenta: ...uma viagem de trabalho e para mim é muito importante que vocês perguntem sobre como é que está a obra, essas coisas todas.

Jornalista: Por que vocês vão restringir alguns lotes?

Presidenta: Olha, como é que está a situação? Para nós, essa obra é uma obra estratégica. Por que ela é estratégica? Ela é estratégica, porque ela assegura ao Nordeste as condições de desenvolvimento, uma das quais – eu não vou dizer que é a mais essencial, mas está entre as mais essenciais – é a questão do acesso à água para a dessedentação tanto de pessoas como dos animais, enfim, para garantir a base da vida, que é a água. Mas, também, para o próprio desenvolvimento do Nordeste. Eu acredito que uma das obras mais significativas desse pedaço de século em que nós estamos vivendo é essa obra, porque ela cria, aqui, condições para você ter uma agricultura diferenciada. Numa região que tem uma característica, que é a seca, você poder irrigar é um grande ganho. E, para mim, nesta fase do governo, acompanhar como é que essa obra está se desdobrando é um dos meus assuntos fundamentais. Eu estou aqui...

Jornalista: Mas a gente (incompreensível)

Presidenta: Eu estou aqui para concluir, com o ministro Fernando Bezerra, uma etapa. Nós recompusemos e reconfiguramos. O Ministro está aqui, ele, neste ano de 2011, ele conseguiu fazer toda uma reconfiguração da obra, recontratar, porque muitos lotes foram feitos só com o projeto básico. Como é quando você tem só o projeto básico e não fez todas as sondagens, não tem o projeto definitivo, é necessário que haja adequações. Então, o Ministro fez todo um estudo e um trabalho. Ele está concluindo esse trabalho. Hoje nós estamos, vamos dizer, estabelecendo um marco aqui, hoje. Qual é o marco? É o marco da conclusão da retomada, com todos os contratos prontos e com essa perspectiva de cumprir várias metas – nós dividimos por metas –, nós queremos acompanhar a chegada da água e fazer com que a população também acompanhe, porque a população não quer ver cimento armado, não quer ver o concreto, não quer ver a estação elevatória, quer ver a água chegando. Então, o que o Ministro fez? O Ministro criou metas concretas. Até o final deste ano nós a primeira fase do projeto concluído.

_________: Etapa piloto.

Presidenta: Etapa piloto. Na segunda... E aí sucessivamente, até o final de 2014. É óbvio que teve uma desmobilização. Nós não estamos aqui negando a realidade. Houve, de fato, uma desmobilização em alguns momentos, por quê? Porque era necessário recompor as condições contratuais, principalmente, porque os contratos foram feitos, como eu disse, baseados em elementos que não eram os definitivos. Isso foi acompanhado pela CGU, foi acompanhado pelo TCU, o Ministro botou todo o seu empenho e, agora, nós estamos dando a partida. Eu vou fazer uma discussão aqui, hoje, depois que fizer a visita ao traçado, ali, de Mauriti, essa parte, eu vou fazer uma reunião com os empresários que estão tocando a obra, por quê? Porque o governo vai sinalizar o seguinte: “olha, nós fizemos a nossa parte, agora vocês vão fazer a de vocês”. Isso significa prazo, significa um ritmo determinado de obra, significa que nós vamos querer resultados. Nós, de forma, assim, muito transparente, assumimos que tinha de fazer alguns... Eles tinham algumas reclamações, essas reclamações, algumas delas nós acatamos, outras não. Foram feitos acordos, está concluindo, só tem um acordo para ser fechado, só falta um. Isso significa que – o Ministro vai falar agora para vocês – nós temos condição de “botar o bloco na rua” e encaminhar o investimento de R$ 2 bilhões e 400 milhões, a partir de agora. Num segundo momento, mais R$ 1 bilhão e 900, não é?

Jornalista: O governo pode (incompreensível)

Ministro Fernando Bezerra: Primeiro, eu queria assinalar que a visita da presidenta Dilma ao lote do Exército hoje, pela manhã, lá em Floresta e, agora à tarde, aqui em Mauriti, no lote 6, assinala o encerramento da etapa de remobilização da obra. A Presidenta acabou de anunciar que todos os lotes passaram por intenso esforço de renegociação, de aditivos, de revisão de preços, de itens novos que foram identificados a partir da conclusão dos projetos executivos. O que isso significa? A partir de março, dos 16 lotes que compõem o eixo leste e o eixo norte, 13 lotes vão estar com ordens de serviços emitidas e que, portanto, nós vamos ter frentes de serviços que estão suportados por contratos que alcançam o valor de R$ 2 bilhões e 400. Alguns itens que estavam nos contratos originais vão ser objetos de relicitação. É o que nós chamamos de saldos remanescentes ou obras complementares. Esses itens totalizam 1 bilhão e 900, e vão ser feitas sucessivas licitações complementares, começando agora, em fevereiro, e terminando em junho. Portanto, nós acreditamos que o momento mais crítico, mais difícil das negociações foi superado. E a presença da Presidenta reafirma a prioridade, a segurança de que os recursos estão reservados e que agora inauguramos a fase da entrega da obra, da remobilização, da contratação. Hoje nós temos, nos diversos lotes, em torno de 3.900 funcionários e queremos chegar, até o mês de junho, com 6.500 funcionários nas mais diversas frentes de serviço.

Jornalista: Qual foi o motivo dessa relicitação?

Presidenta: Agora, ela (incompreensível) uma coisa, deixa eu te responder: vai ter novas empresas, sim, pelo motivo que ele deu: como nós vamos relicitar saldos remanescentes, vão ter novas empresas fazendo obras que não foram concluídas.

Jornalista: Presidenta, e a greve na Bahia, Presidenta? O governo pretende se organizar, apoiar (incompreensível)?

Presidenta: Não, minha querida, eu não vou comentar hoje. Se eu comentar hoje, vocês só põem isso no jornal. Eu estou querendo que vocês botem a interligação da Bacia. Eu estou ficando competente.

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Não, eu falo... Já falei, falo amanhã. Amanhã eu falo para vocês. Amanhã, sem problema.

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Não, querida, deixa eu... Eu estou concentrando... Nós estamos, aqui, num esforço para fazer um... O que nós estamos fazendo aqui é o seguinte: é uma agenda de trabalho. Primeiro, eu sinalizo, porque houve muita conversa de que essa obra não era prioritária para o governo. Ela é prioritária, senão eu não vinha de Brasília para fazer esse recorrido e afirmar aqui, e mobilizar, e insistir, não só com os empresários, mas para fazer a mobilização do próprio governo. Eu reconheço a atuação do Ministro, no sentido de remobilizar a obra, de repactuá-la, de contratar aquilo que estava faltando e equacionar essa obra. Nós conseguimos fazer isso. Hoje, assinalo o seguinte: a partida está dada. Essa partida é fundamental. Essa é uma obra crucial para o Brasil. Sem ela, uma parte do Brasil, que é o Nordeste, não tem as condições adequadas para o seu desenvolvimento, por isso que nós estamos aqui. Ela é crucial. Ela atinge 20 milhões, em torno de 20 milhões de pessoas.

Ministro Fernando Bezerra: Doze milhões.

Presidenta: Doze milhões de pessoas diretamente. Isso significa que ela tem um impacto social e ela tem um impacto econômico. Ela também é uma obra importante para etapa que nós passamos no Brasil hoje e no mundo. Nós vivemos uma crise internacional. O governo diz que este ano nós vamos acelerar o investimento. Eu estou aqui hoje também para acelerar o investimento e fazer com que essa obra que é importantíssima socialmente cumpra também seu papel econômico que é gerar emprego, fazer demandas, contratar gente, comprar cimento, assegurar que a economia continue se mexendo.

Ministro: E ser uma espinha dorsal para outros projetos.

Presidenta: Para outros projetos. Inclusive, a gente estava levantando hoje, no avião, a quantidade de projetos que são complementares com essa obra, o Ministro levantou: a Adutora do Agreste, o Ramal do Agreste, as Vertentes Litorâneas e o CAC, que é o Cinturão das Águas, no Ceará.

Jornalista: Presidente, teve demissão, recentemente, no lote 6, aqui, por que isso aconteceu?

Ministro: Chuva, período de chuva.

Jornalista: Isso não torna ineficiente a obra?

Ministro: Não, é período de chuva. Vocês sabem...

Jornalista: Mas foram mais de mil....

Ministro: Não, foram não. Aqui nós tínhamos, em dezembro...

Jornalista: Inclusive o sindicato, Ministro.

Ministro: Deixa eu dar a informação precisa. No lote 6, nós chegamos a mobilizar novecentas e poucas pessoas. Hoje nós temos quinhentas e poucas pessoas no lote que a Presidenta vai visitar, e 400 pessoas foram desmobilizadas no período de chuva, que vai até o mês de abril, e não dá para abrir frentes de terraplanagem. Nós vamos visitar as frentes que estão em execução, que é a concretagem de canal. Repito: hoje nós temos 3.900 pessoas nos mais diversos lotes, nas mais diversas frentes de serviços que estão abertas, e até junho a estimativa é que a gente possa alcançar 6.500 pessoas mobilizadas na obra da transposição.

Presidenta: Gente, um agradecimento.

Jornalista: Obrigado.

Jornalista: No caso de Missão Velha, a senhora não está indo lá porque as obras estão paradas? No caso de Missão Velha? Porque lá a Transnordestina está parada.

Presidenta: Missão Velha, porque eu quero ver o trecho, que é o maior trecho em andamento, que é Eliseu Resende até Salgueiro, e de Salgueiro até Suape. No trecho Missão Velha, a parte Salgueiro-Missão Velha, ela sempre esteve feita. O que nós queremos ver daqui para frente é de Missão Velha para cima. Então, na próxima vez eu desço, porque Missão Velha está dado.

Jornalista: Atualmente está tudo parado.

Presidenta: Pois é, mas ela está dada. Dali para frente é a segunda etapa do processo, é por isso.

Ministro: Ok, obrigado.