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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, em Franco da Rocha - Franco da Rocha-SP

por Portal Planalto publicado 12/03/2016 15h32, última modificação 12/03/2016 15h32

Franco da Rocha-SP, 12 de março de 2016

 

 

Presidenta: Eu queria falar para vocês o seguinte: eu vou falar aqui estritamente sobre o que está acontecendo aqui. Eu eu vou dar à tarde uma entrevista lá em Brasília, ok?

            Então, eu vim aqui, nessa região da Grande São Paulo porque os dados que nós tínhamos é que tinha havido um desastre natural de proporções bastante significativas. E logo que eu cheguei nós sobrevoamos aqui a região e constatamos algo que é muito preocupante. Aqui é uma região importante, houve processo de povoamento aqui, muito ligado, eu acredito, ao crescimento da cidade de São Paulo. Daí porque aqui, esta região, teve uma característica de cidade-dormitório, cidades, municípios-dormitórios, numa ocupação em áreas bastante íngremes, o que caracteriza uma ocupação não ordenada, porque é aquela ocupação espontânea que vai ocorrer, que caracteriza área de risco de desmoronamento.

 

Jornalista: O que que aconteceu aqui?

 

Presidenta: Eu acho que o que ocorreu aqui, segundo a explicação do governador e do pessoal da Defesa Civil estadual, que é a mesma do nosso pessoal, é que houve uma chuva concentrada na região. Essa chuva concentrada, ela entra pela terra, há uma drenagem, ela entra. Aí, em áreas íngremes, quando uma quantidade maior de chuva acontece, há o desmoronamento.

 

Jornalista: Vem ajuda do governo federal?

 

Presidenta: Sempre vem. Não é decidido aqui na reunião. Nós temos uma política nacional de apoio a regiões que têm desastre natural. Eu tenho ido, vocês podem olhar, vocês mesmo são da imprensa, quantas e em quantos lugares.

            O que que nós temos? Nós temos uma ação que combina, primeiro, prevenção. O Cemaden, que é o Centro Nacional de Combate a Desastres Naturais, o que que ele faz? Ele tem diversas formas de montar estruturas para que você tenha alertas antecipados, ou por pluviômetros, radares, e também avaliações. No caso federal, nós usamos a CPRM, aqui no estado eles usam o Instituto, o IGP.

            Por que isso é importante? Porque nós temos um primeiro objetivo quando combatemos e quando enfrentamos desastres. Primeiro, é prevenir. Prevenir significa zero, nós não queremos mortes, nós temos de evitar sobretudo mortes. Por quê? Qualquer patrimônio se reconstrói, uma cidade você limpa, uma rua você refaz, mas uma morte você não tem retorno, não tem volta.

            Por isso, a prevenção e o alerta é fundamental. Aqui temos o sistema de alerta. Nossa experiência demonstra que o alerta melhor é o alerta comunitário, o que a comunidade participa, se estrutura, se organiza e, em sendo avisada, mobiliza os demais pra sair, porque é alta a resistência das pessoas para sair. As pessoas, muitas vezes, falam: “Não vou deixar aqui a minha família, a minha casa, as minhas coisas, porque eu posso até ter risco de perder tudo”.

            Então, o papel da comunidade nessa história é muito importante. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, enfim, as autoridades, têm um papel relevante, as autoridades municipais.

 

Jornalista: Mas e agora, que já aconteceu, há outra ação?

 

Presidenta: Não, aí eu vou… Sim, você não pode... aqui está em processo de acontecimento. Ninguém sabe qual é a quantidade de chuva de amanhã. Então, prevenir pode ser prevenir para não haver mortes.

            A segunda questão que nós temos é limpeza. Nós não chegamos a fazer a limpeza. E na limpeza também é a garantia de o que necessitar, na área de kits de saúde, de kit de… a pessoa, tem muitos desabrigados ou quando tem muitos que foram obrigados a largar suas casas e não têm para onde ir nós temos também o kit para eles se instalarem, um kit básico, que nós distribuímos no Brasil inteiro, quando pedido.

            Além disso, nós liberamos, a partir do reconhecimento do estado de emergência, nós liberamos um cartão para o prefeito fazer as primeiras… vamos dizer, os pagamentos menores, mediante comprovação. Nas áreas afetadas, a gente libera também o Fundo de Garantia, dentro de uma poligonal que envolva e que de fato informe, garantindo que é justamente para uma pessoa que foi prejudicada.

            O Minha Casa Minha Vida, que é um programa básico no Brasil - nós estamos construindo 4 milhões e meio, 4 milhões e 50 mil moradias - ele tem uma premissa. As pessoas em área de risco, que estão correndo risco e cadastradas, têm prioridade em relação à demais. Eu não posso passar uma pessoa na frente da outra no cadastro, só nesse caso eu posso, eu posso passar, nesse caso, no caso de pessoas com deficiência, têm vários casos, mas um deles é a área de risco.

 

Jornalista: Isso pode acontecer aqui?

 

Presidenta: Isso pode acontecer não, aqui já acontece. Um ótimo cachorro. Sabe, gente, eu adoro cachorro.

 

Jornalista: Mascote dos Bombeiros.

 

Presidenta: É mascote? É bonito, sabe por quê? Ele parece o meu. O meu é modesto a parte (...)

            Bom, mas eu estava te dizendo o seguinte: o Minha Casa Minha Vida, aqui, por exemplo, eu acho que em Franco da Rocha tem 1100 sendo construídas. E eles colocaram 390. Como eles já distribuíram, ele pode ter dificuldade de… ele já distribuiu o (...), mesmo que não esteja ainda pronto, mas vai estar pronto em abril, maio e junho. Então, ele vai tentar distribuir. Se ele não conseguir distribuir, nós estamos lançando, na primeira semana de abril o Minha Casa Minha Vida 3, e aí ele vai se enquadrar, vai se beneficiar disso.

 

Jornalista: A senhora ficou impressionada com o que viu?

 

Presidenta: Olha, eu fiquei mais com o fato de ser a cidade inteirinha íngreme. É como se a cidade inteirinha tivesse variadas áreas de risco, com isso eu fiquei muito impressionada.

 

Jornalista: A senhora vai fazer uma visita agora, não vai?

 

Presidenta: Eu já fiz uma, um sobrevoo. Está previsto, eu acho, uma visita.

 

Jornalista: Para alguma instituição, não é?

 

Presidenta: É. Eu acho.

 

Jornalista: Então a senhora fica em São Paulo?

 

Presidenta: Não, querida, eu não fico em São Paulo, eu volto para Brasília.

 

Jornalista: Presidente, de modo mais imediato, como é que a senhora avalia esse trabalho em conjunto, de todas as esferas de governo agora, depois dessa visita?

 

Presidenta: Eu acho que essa é a forma principal pela qual nós devemos agir, independentemente do que cada um de nós acredita, pensa, não é? Defende, que partido político que nós somos. Nós temos, diante das necessidades da população, de nos unirmos. Eu acho que esse gesto aqui, hoje, ele fala mais do que qualquer discurso que eu faça. Nós estamos aqui com o governador, com os prefeitos, independentemente… não perguntamos para ninguém, nem ninguém nos perguntou em que acreditamos o que queremos. Queremos isso. É uma área de risco, nós temos de agir em conjunto, nós temos obrigação, em relação ao povo dessa região.

E aí, eu queria só encerrar, pedir uma coisa. Para mim é muito importante a democracia no nosso país. Então, eu acredito que o ato de amanhã deve ser tratado com todo respeito. Não acho que seja cabível, e acho que é um desserviço para o Brasil, qualquer ação que constitua provocação, violência e atos de vandalismo de qualquer espécie.

Então, eu faço um apelo, um apelo pela paz, pela paz e pela democracia. Por quê? Porque nós vivemos numa época especial, eu vivi num momento em que se você manifestasse, você ia preso. Se você discordasse, você ia preso. Nós, agora, não. Nós  vivemos um momento em que as pessoas podem se manifestar, podem externar o que pensam, e isso é algo que nós temos de preservar.

 

Jornalista: A senhora faz um apelo para que os militantes do PT não saiam amanhã?

 

Presidenta: Meu querido, eu faço um apelo para que não haja violência. Eu acho que todas as pessoas têm direito à rua. Agora, a violência ninguém tem direito de fazer, ninguém, lado nenhum.

 

Jornalista: A senhora está chateada?

 

Presidenta: Não, estou não. Eu estou aqui, obviamente não estou muito satisfeita porque eu estou diante de um desastre natural que ceifou 20 vidas, que tem cinco pessoas desaparecidas, que acabaram de me contar que uma menininha teve de ter o pé decepado para poder ser retirada, porque senão ela ia ser submersa pela lama ou pela água, não ficou muito claro para mim. Mas, diante disso, eu não posso estar satisfeita. Agora, eu sou uma pessoa, (...) perguntando, bastante firme, com muita firmeza de caráter. Muito obrigada.

 

Jornalista: (...) vai ser em Brasília, é isso?

 

Presidenta: É, eu falarei lá em Brasília.