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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após visita do Primeiro-Ministro do Timor Leste, Xanana Gusmão

por Portal do Planalto publicado 03/03/2011 18h53, última modificação 04/07/2014 11h34
Presidenta Dilma avalia ser importante criar condições de crescimento e expansão da economia nacional

Palácio do Planalto, 03 de março de 2011


Jornalista: O PIB surpreendeu?

 

Presidenta: (incompreensível) que o crescimento fosse elevado. Sabíamos que seria um número acima de 7%. Então, 7,5% é um número bastante razoável. Eu acredito que este número demonstra que o Brasil tem capacidade de crescer a essas taxas e que nos próximos anos... nós não acreditamos que repetiremos estes 7,5% no ano que vem, mas ficaremos numa faixa entre 4,5% e 5%, tranquilamente. E o Brasil pode crescer, porque nós ampliamos a capacidade do Brasil crescer. Quando você investe, você consegue fazer com que o país aumente o seu dinamismo, aumente... você cria condições para que ele se expanda. E é isso que nós estamos procurando, nós estamos fazendo agora uma consolidação fiscal porque, para nós, o controle da inflação é uma das questões mais importantes e é uma conquista que o povo brasileiro, ao longo dos últimos anos, obteve. Nós não vamos, de maneira alguma, deixar a inflação ficar fora de controle. Então, com um olho nós vamos olhar para essa questão da estabilidade, e com o outro nós vamos olhar para a questão da ampliação do investimento. Porque, vejam vocês, um dos mecanismos eficazes, estruturais de combate à inflação é a capacidade do país crescer, ou seja, quanto mais investimento, quanto mais nós aumentarmos a nossa taxa de investimento, maior capacidade nós vamos ter de crescer com estabilidade, crescer mantendo a inflação sob controle. Por isso, os 7,5%, eu acho que a gente deve saudar. Agora, nós vamos sempre procurar uma taxa bastante razoável de crescimento, 4,5% a 5%, que seja sustentável e permanente. Obviamente, a gente espera que o mundo também fique... o mundo não crie turbulências, nem marolas.

 

Jornalista: Preocupa a questão da Líbia, com o petróleo?

 

Presidenta: Acho que não é uma preocupação, ainda, das maiores, porque a capacidade, se eu não me engano – eu vou citar de cabeça uma coisa que eu lembro do passado, quando eu fui presidente do Conselho de Administração da Petrobras – mas deve estar em torno de 1,8 milhão de barris/dia. É como se fosse a produção, mais ou menos, a produção do Brasil. Não há hipótese de você afetar o conjunto do fornecimento do mundo por conta disso. Agora, é certo que é um petróleo leve, que é um petróleo com baixo teor de enxofre, e, portanto, é um petróleo bastante valorizado e importante.

 

Jornalista: É um país para o qual o Brasil exporta muito, e isso preocupa.

 

Presidenta: Olha, nós, mais do que exportarmos, nós temos... tínhamos, e temos ainda, investimentos diretos de empresas brasileiras lá na Líbia. Isso causa, obviamente, para esses investidores, uma turbulência. Mas nós esperamos que esse processo não seja um processo permanente e duradouro.

 

Jornalista: Presidente...

 

Jornalista: A tabela do Imposto de Renda, Presidente, quando é que sai?

 

Presidenta: Olha, está em processo de avaliação dentro do governo. Assim que a avaliação for concluída, vocês – eu sempre digo isso – serão os primeiros a saber.

 

Jornalista: O ministro Lupi fica no cargo? O ministro Lupi...

 

Presidenta: Sem dúvida nenhuma. Essa... Eu acho estranho como é que em alguns momentos os meus ministros ficam ou saem de acordo... não comigo. Eu sou, nessa história, a última a saber. Queria entender por que o ministro Lupi não ficaria no cargo.

 

Jornalista: O PDT foi excluído, ontem, da reunião com líderes.

 

Presidenta: É... veja bem, veja bem: O ministro Lupi é ministro da minha inteira confiança. O PDT estará no Ministério do Trabalho. Agora, eventuais problemas dentro da base vão ser resolvidos pelo próprio partido, e não pelo governo. O ministro Lupi é – vou reiterar – um ministro da minha confiança. Inclusive hoje, antes de eu receber o Xanana, eu recebi o Ministro para um despacho normal.

 

Jornalista: Presidente...

 

Presidenta: Obrigada. Eu falei dois. Já dei quatro, já dei quatro. Olha...

 

Jornalista: (incompreensível) no Carnaval?

 

Presidenta: Olha... olha, se eu conto isso para você, hein, Ana Flor! Olha só, hein, Ana Flor.

 

 

Ouça a íntegra da entrevista (05min02s) da presidenta Dilma.