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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após visita ao Pavilhão do Brasil na Expo Milão 2015 - Milão/Itália

por Portal Planalto publicado 11/07/2015 08h45, última modificação 11/07/2015 08h46

Milão-Itália, 11 de julho de 2015

 

 

Jornalista: Uma palavrinha com a gente, presidente?

 

Jornalista: Rapidinha, tá, Presidente?

 

Jornalista: E aí, o que a senhora achou da exposição?


Presidenta: Olha, eu achei a exposição muito bonita, sobretudo pelo fato que ela mostra, se vocês olharem, acho que vocês já viram, não é? Ela mostra, com muito detalhe, a produção agrícola brasileira e a força dela, não é? Você tem a oportunidade de ver que o Brasil é um grande produtor de alimentos, grãos, cereais; é um grande produtor de proteínas; é um grande produtor de frutas. E a exposição tem uma certa característica  bem nossa. Eu achei muito interessante o som dos passarinhos, achei muito criativa aquela rede que é dificílima de andar.

 

Jornalista: Como foi se equilibrar ali?

 

Presidenta: Não sei, eu não equilibro porque eu… você tem de pisar no X. E na ponta do X, assim, no meinho do X, tem um pino. Então, você pisa no X, você pisa no pino, aí você desequilibra.

 

Jornalista: A senhora balançou um pouquinho, no início da rede, e depois estabilizou, a senhora acha que isso é uma boa metáfora para o seu segundo mandato?

 

Presidenta: Não, querido, eu acho que o meu mandato é, eu diria assim, mais firme do que essa rede. Agora, a rede, eu acho que ela tem um lado lúdico, sabe? Porque isso que as crianças gostam tanto no pavilhão. Porque, quando você está lá em cima… Eu não posso ficar aqui brincando, não é? Então… Mas você percebe direitinho como é que dá para brincar, porque se você inclinar para um lado e, imediatamente, virar para o outro, você fica balançando mesmo, você consegue equilibrar. Eu não tenho mais...

 

Jornalista: Mas não caiu, não é, presidenta?

 

Presidenta: Não, não cai não. Mas a gente, sempre, para não cair, tem se ser ajudada, não é?

 

Jornalista: Presidenta, que experiência a senhora traz da Itália para o Brasil?

 

Presidenta: Olha, eu acredito que a minha viagem aqui, na Itália, ela foi extremamente produtiva, primeiro porque eu falei com o presidente Natarella, falei com, também, o primeiro-ministro. E nas duas conversas, nós estreitamos muito a nossa parceria. O Brasil agora está fazendo uma política de comércio exterior bastante ativa. E, nesse sentido, eu acredito que a Itália vai apresentar grandes oportunidades para nós, assim como a Rússia apresenta. A ministra Kátia Abreu estava me falando que abriu o mercado de leite na Rússia. Assim como aqui nós temos toda a oportunidade,  porque eles se interessaram pelo KC-390, da Embraer. Aliás, o KC-390 da Embraer é um avião especial, ele é um grande avião de carga, ele vai substituir o Hércules, aquele Hércules bem forte, bem pujante, dos Estados Unidos e, além disso, além de ser um avião de transporte de carga pesado, ele é jato, o que também modifica as oportunidades de negócio que ele tem.

 

Jornalista: Presidente...

 

Presidenta: Mas eu também gostei muito, nessa viagem, dos Brics, não é? Então, é uma viagem que ela encerra hoje, eu deixo vocês com muita tristeza. Vocês ficam aqui, nesse local, assim, tão sem interesse e atrações, não é? Mas eu achei fantástico o verão europeu. E estar aqui na Europa, sempre, principalmente aqui na Itália. Aqui é o berço da… um dos berços da civilização ocidental, aqui você anda numa rua e depara com… só beleza, não é?

 

Jornalista: A senhora ontem viu o Otello.

 

Presidenta: Vi, vi sim.

 

Jornalista: Uma peça cujo enredo é de traição, vingança, rivalidade. A senhora acha que esse enredo guarda alguma semelhança com a sua relação com o Congresso?

 

Presidenta: Querida, eu acho que você não viu o Otello. Vou te dizer por quê: o Otello é uma peça romântica, pelo menos a do Rossini, é de ciúme entre um homem e uma mulher, é isso que é o Otello. O Otello é uma… é uma tragédia, ou um drama romântico, dependendo, há uma discussão se o Rossini faz drama ou faz a tragédia, eu acho que ele faz drama. Mas é muito… foi muito interessante. E, sem dúvida nenhuma, o Scala é um espaço fantástico, um espaço (incompreensível)

 

Jornalista: Presidente, a senhora acha que vai ser necessário diminuir a meta do superávit, como planeja o Ministério do Planejamento?

 

Presidenta: Olha, nós ainda não decidimos sobre isso. Agora, o nosso objetivo é manter a meta. Nós queremos manter a meta, é isso que nós queremos. Não houve nenhuma decisão, o Planejamento não está ainda colocando isso, de maneira alguma. A nossa decisão é manter a meta. Agora, a gente avalia sempre, e vamos fazer todos os esforços para manter a meta.

 

Jornalista: A Grécia está para fechar um acordo, talvez hoje. É previsto que os Brics ajudem a Grécia, fechando o acordo ou não fechando?

 

Presidenta: Olha, é previsto… O que nós esperamos é que a Grécia feche o acordo com a União Europeia. A Grécia, como qualquer outro país, pode pedir… Você está falando recursos do Novo Banco do Desenvolvimento?

 

Jornalista: Exatamente.

 

Presidenta: O Novo Banco do Desenvolvimento, ele começa com recursos para os Brics. Na sequência, ele abrirá para todos os outros países que quiserem, mas não é agora.

 

Jornalista: Presidente...

 

Presidenta: Agora, a Grécia parece que está fechando… o acordo parece que está em bom andamento, não é? Pelo menos pelo que eu soube aqui. E espero que isso ocorra, espero que a Grécia se mantenha na União Europeia, que haja um acordo, e que a Grécia, o mais cedo possível, saia dessa situação econômica.

 

Jornalista: Presidente, voltando ao Parlamento, a senhora receia enfrentar problemas no Senado, assim como já enfrentou rebeliões, aí, na Câmara?

 

Presidenta: Olha, eu vou falar para vocês uma coisa: eu não chamo rebelião, eu não chamo de rebelião votação no Congresso em que há divergências ou a gente perde umas e ganha outras. Se a gente for fazer um balanço, nós mais ganhamos do que perdemos. Eu não concordo que haja uma rebelião.

 

Jornalista: Mas a senhora acha que isso pode acontecer?

 

Presidenta: Nós temos tido a aprovação de muitas coisas importantes, e temos tido também desaprovações. Agora, isso não significa que haja uma rebelião, não vejo isso como uma rebelião.

 

Jornalista: E a senhora acha que pode se reproduzir no Senado, também, agora, esse mesmo…?

 

Presidenta: Eu acho que na democracia se espera que haja debate, não é? Você não tem como, um país, no mundo, achar que você aprova todas no Congresso, em qualquer país do mundo. Aliás, nos mais democráticos é que se torna mais complexa a aprovação, não é? Nos mais democráticos, onde há liberdade de opinião, onde há uma ampla manifestação de opiniões, como é o caso dos Estados Unidos.

 

Jornalista: O que a senhora acha (...) a questão do reajuste do Judiciário? A senhora teve um encontro recente com o ministro Lewandowski.

 

Presidenta: De fato, o ministro Lewandowski, todo mundo sabe, ele pleiteia que não haja veto. No entanto, nós estamos avaliando, porque é impossível o Brasil sustentar um reajuste daquelas proporções. Nem em momentos, assim, de grande crescimento, se consegue garantir reajustes de 70%. Muito menos num momento em que o Brasil precisa de fazer um grande esforço para voltar a crescer. Tem certas… certos valores, certas quantidades de recursos que algumas leis exigem, que são impraticáveis. O país não pode fazer face a isso. E não só… É porque nenhum segmento do funcionalismo público, ele está isolado dos demais. Então, você não tem só um segmento pleiteando reajuste, você tem vários segmentos. Então, também tem... não é possível supor que um país qualquer, no mundo, hoje, tem condição de dar um reajuste de 70% para qualquer segmento do seu funcionalismo público. Muito obrigada, viu, gente?

 

Jornalista: Obrigada.

 

Presidenta: Espero… Vocês me acompanharam até aqui, não é? Nós estivemos juntos em Ufa, aqui em Milão, e alguns estiveram em Roma, também. Você estava? Não, você não estava em Roma, mas alguns estiveram. Você estava em Roma. Então, nós fizemos um périplo juntos. Então, desejo a vocês - não sei se farão - uma boa permanência na Europa, ou então nos vemos depois de amanhã. Um abraço para vocês.

 

Jornalista: Obrigada.

 

Jornalista: A senhora vai no Paraguai, presidente, encontrar o Papa, o papa Francisco, não?

 

Presidenta: Não.

 

Jornalista: Ontem surgiu a informação, disseram que talvez pudesse ir.

 

Presidenta: Eu ainda não avaliei não, mas, em princípio, não, eu não posso ficar sempre fora do Brasil, não é? Eu já viajei para os Estados Unidos, viajei essa semana aqui para Ufa e para a Itália. Não pretendo. Não é… não está… É inviável para mim. Tchau, gente.

 

Jornalista: Obrigado. Bom retorno.

 

 

Ouça a íntegra(10min27s) da entrevista da Presidenta Dilma