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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após solenidade de anúncio de investimentos do PAC Mobilidade Urbana Grandes Cidades - Porto Alegre/RS

por Portal do Planalto publicado 14/10/2011 17h51, última modificação 04/07/2014 11h40
Presidenta Dilma fala sobre investimentos do PAC Mobilidade Urbana em Porto Alegre

Porto Alegre-RS, 14 de outubro de 2011

 

Presidenta: Muito bem, gente, curto, tá?

Jornalista: Presidente, qual é o valor dos recursos para as oito cidades, os corredores (incompreensível)?

Presidenta: Os recursos para as oito cidades? Não tenho aqui. Mas o ministro... Não, o ministro... Calma. O ministro das Cidades, ele vai dar uma entrevista e ele vai dar os detalhes técnicos todos para vocês, está bom?

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Olha, querida, eu acho que nós somos um país democrático. E aí, o convívio dos governantes com os movimentos sociais tem de ser de absoluta tolerância. É absolutamente correto que eles tenham reivindicações e que nós tenhamos posições que, às vezes, contemplam tudo o que as reivindicações propõem ou só parte. Então, este país é um país diferenciado. A gente não convive com manifestação como se fosse uma atitude indevida ou incorreta; pelo contrário, integra a nossa democracia o direito de manifestação, de greve e de fala. Eu, pelo menos, acho que esse convívio é uma das coisas mais importantes da nossa democracia.

Jornalista: Presidente, a senhora falou que voltará ao Rio Grande do Sul para anunciar a ponte do Guaíba. A tendência é que seja construída com recursos públicos ou em parceria com o setor privado?

Presidenta: Olha, nós ainda não decidimos a formatação definitiva, tá? Mas necessariamente terá de haver uma concessão.

Jornalista: Presidente, a respeito das obras de mobilidade, com relação ao (incompreensível) delas, no caso (incompreensível) em relação à Copa do Mundo?

Presidenta: Nós criamos o seguinte critério: nós temos um PAC Mobilidade Urbana. Dentro do PAC Mobilidade Urbana, tem PAC Cidades, Grandes Cidades, tem PAC Copa, não é? Mobilidade Urbana... Tudo o que for da Copa tem de ficar pronto para a Copa. Se a gente lançasse aqui o metrô e falasse: “olha, vai ficar pronto para 2014”, seria um absurdo. A gente estaria aqui defendendo algo indevido, porque não é viável, tecnicamente falando. O que nós definimos, então? Todas as obras que ficarem prontas no máximo entre dezembro e março, aliás, entre dezembro de 2013 e, no máximo, no horizonte até março de 2014, nós ainda consideraremos Copa.

Para tanto, tem um marco final... tem um marco intermediário, que é saber se está licitado entre dezembro deste ano e março do ano que vem. Se não estiver licitado, não é PAC Copa, entra em PAC Mobilidade Urbana, e, portanto, com um nível de desembolso condizente com o prazo da obra.

Jornalista: Presidente, houve as informações (incompreensível)...

Jornalista: Presidente, o Brasil (incompreensível)

Jornalista: (incompreensível), Presidente?

Presidenta: Quem?

Jornalista: O Ministério dos Direitos Humanos, a senhora vai criar?

Presidenta: Ele existe.

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Não, ele é Ministério, chama-se... é que nem Ministério... eu era Ministra-Chefe da Casa Civil. Ela é Ministra-Chefe dos Direitos Humanos.

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Com o mesmo estatuto de Ministério.

Jornalista: Presidente, em Porto Alegre hoje...

Jornalista: Presidente, como é que (incompreensível) essa questão política, essa questão dos estados, em se tratando de obras (incompreensível) a Copa das Confederações (incompreensível)?

Presidenta: Olha, eu não acho que há uma disputa entre os estados. Eu acho que todos os estados que conseguirem ter estrutura até a Copa das Confederações vão participar da Copa das Confederações. Aqueles que não estiverem prontos não participarão.

Jornalista: Porto Alegre está pronto?

Presidenta: Eu não tenho a menor condição de te afirmar isso.

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Segundo as informações que nós temos, eles precisam de três cidades. Se as três cidades... nós teremos todas as condições de ter três cidades com as suas infraestruturas para atender a Copa das Confederações em condições até 2013, que é quando a Copa das Confederações acontece. Não dá para dizer quem vai ser hoje, e quem te disser não está falando algo que tenha base real.

Jornalista: (incompreensível)?

Presidenta: Não. Há uma discussão internacional desde o ano... desde de 2009. Começou em 2009 uma discussão que se chama reforma das instituições financeiras multilaterais. Por reforma das instituições financeiras multilaterais, leia-se Fundo Monetário e Banco Mundial.

No que se refere ao Fundo Monetário, há uma discussão de todos os países, principalmente os emergentes, que constatam o seguinte: a composição, a direção e a participação no Fundo Monetário dizem respeito a uma realidade Pós-Segunda Guerra Mundial. Essa realidade desapareceu. O surgimento dos países emergentes implica que seja necessária uma modificação da governança do Fundo Monetário Internacional. Como você tem de mudar a governança, haverá a necessidade de mudar a composição das cotas. Nós já demos... já houve um aumento, já foi feito um aporte, já houve um aumento. O que está em discussão agora é qual é a composição que vai viger nos próximos anos, e isso tem levado a uma grande discussão entre os países emergentes e os desenvolvidos. Porque os países emergentes podem ser chamados a contribuir, ampliando o capital do Fundo, mas, para fazer isso, exigem uma ampliação das cotas e, portanto, da participação na direção (falha no áudio).

Jornalista: Presidente...

Jornalista: (incompreensível) têm sido anunciadas no cenário europeu, econômico, a senhora entende que isso é importante para a economia mundial (inaudível)?

Presidenta: Quais delas?

Jornalista: (incompreensível) do sistema financeiro, que estão sendo...

Presidenta: Olha, as mudanças no sistema financeiro anunciadas... eu não sei as quais você se refere, mas, vou supor que são aquelas da União Europeia... dizem respeito à União Europeia. Nós não temos nenhum problema nos nossos... nenhum banco nosso tem dívida soberana dentro dele, dentro da composição do passivo. Nós temos bancos extremamente fortes, nossa situação monetária e financeira é completamente diferente da deles. O que... as medidas que estão sendo anunciadas vigerão para lá e dizem respeito a eles.

Jornalista: Presidente, e sobre o projeto do novo modelo da questão dos royalties (incompreensível), a União abrir mão (incompreensível)?

Presidenta: Olha, a União está querendo funcionar nessa discussão como solução e não como problema. Por isso, abrimos mão de recursos. Agora, essa posição da União, ela tem a ver com a possibilidade da construção de um acordo. A gente sempre considera que é sempre melhor um acordo do que uma briga. Para nós, não... a União não pode ter um papel de induzir a diferença ou a divergência entre os estados, por isso nós abrimos mão. Nós chegamos até um determinado ponto. Agora, mais do que daquele ponto nós não vamos passar. E acreditamos que todo mundo tem que fazer sua parte. Se nós somos capazes de abrir mão de algo perto de R$ 2 bilhões, acreditamos que cada um tem de abrir parte... abrir mão de alguma coisa – uns, do que queriam ganhar; outros, do que possuem. Como nós abrimos.

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Tem o quê?

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Olha, nós, sabe... meta... meta... Aliás, um gaúcho, que é o Jorge Gerdau Johannpeter, uma vez me disse o seguinte... nós estávamos discutindo essa questão de meta e ele me disse uma coisa, eu achei muito correta. Ele disse: “meta é para você buscar, é para você fazer o possível e o impossível para atingir; quando você atinge uma meta, ela deixa de ter importância. Ela só é importante como aquele elemento que te faz mobilizar tudo o que você tem de energia para conseguir alcançar”. E eu quero dizer para vocês: a meta de redução da pobreza extrema no Brasil é uma meta que o meu governo vai mobilizar tudo o que tiver para alcançar. Agora, nós precisamos do apoio dos governos estaduais, das prefeituras e também da sociedade civil.

Você veja, a participação dos supermercados é muito importante, comprando alimentos da agricultura familiar. A participação do pessoal da construção civil, através da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil, também é importante, criando oportunidades de trabalho para milhões de pessoas, ou para milhares, vou ser mais modesta. Então, o que nós temos? Nós temos uma grande mobilização, porque para o Brasil é muito importante. Nós mudamos de status internacional quando tiramos... elevamos para a classe média 40 milhões de pessoas. É como você incorporar uma Argentina ao mercado de consumo, ao mercado de trabalho, ao pequeno empreendedor brasileiro. Então, agora, nós temos mais 16 milhões na situação de pobreza extrema. Fazer isso não é só... é uma obrigação  moral, é uma obrigação ética, mas não é só isso. É também uma questão de desenvolvimento econômico-social do Brasil, por isso é que a gente faz esses pactos.

Nós já fizemos pacto com os nove governadores do Nordeste, os sete, se eu não me engano, governadores do Norte, os quatro governadores do Sudeste, e, agora, os três governadores do Sul, totalizando 23 governadores. Nós estamos só concluindo esse processo agora, até o final do mês, com os governadores do Centro-Oeste. Por quê? Porque, por exemplo... vou dar um exemplo: Rio de Janeiro. O Bolsa Família nosso é complementado por um programa deles. Então, a pessoa vai ganhar um pouco mais, as crianças vão ter um pouco mais de recursos.

A mesma coisa ocorre em São Paulo. Eu estou citando, agora, São Paulo, que é um governo de oposição, assim, teoricamente, porque é do PSDB. Agora, quando se trata da questão republicana e de programas de políticas sociais, o Brasil deu um passo – nós estamos juntos. Por que nós estamos juntos? Porque é uma questão de responsabilidade social.

E aí, eu quero dizer uma coisa e reconhecer uma coisa: hoje, nós tivemos governadores de vários partidos, aqui presentes – o governador Tarso Genro, do PT, o governador Colombo, do PSD, e o governador Beto Richa, do PSDB. Nós três estamos aqui, mais o governo federal, aí, nós quatro, estamos aqui falando a mesma língua. E qual é a mesma língua? Nós temos responsabilidade com a população que nos elegeu, e essa é uma [falha no áudio] e mostra que o Brasil deu um passo na sua democracia ao ser capaz de alinhar interesses da população entre partidos de diferentes origens.

Obrigada aos senhores.

Ouça a íntegra da entrevista (12min46s) da Presidenta Dilma