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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após sobrevoo das áreas atingidas pelas chuvas em Governador Valadares

por Portal Planalto publicado 27/12/2013 16h34, última modificação 04/07/2014 12h51

 

Governador Valadares-MG, 27 de dezembro de 2013

 

Presidenta: Gente, boa tarde! Boa tarde! Estamos eu e o governador Anastasia, eu queria dizer para vocês que eu pretendo dar uma entrevista rápida, e os detalhes maiores – porque vai ficar aqui esperando para poder subir o avião, o ministro da Integração, o da Saúde e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Padilha, Pimentel e o Teixeira, eles ficarão – então, os detalhes vocês podem pegar com eles.

O que eu quero dizer para vocês é que nós, do governo federal e também, eu tenho certeza, o governo do estado, estamos todos extremamente preocupados com esse processo de enchentes e deslizamentos que está acontecendo nos estados brasileiros, notadamente em dois, que é o caso de Minas Gerais e do Espírito Santo. Nós temos tido todo um conjunto de ações para que isso diminua. Basicamente são três tipos de ações. A primeira ação é aquela que reconhece, primeiro, que é muito difícil você impedir que chova, ou seja, é impossível. Mas você pode conviver com a chuva, e mais do que isso, você pode ter ações no sentido de impedir – qual é o objetivo principal – que haja mortes. É isso que nós queremos impedir, que haja mortes.

E aí é importante todos os mecanismos de alerta. Quais sejam: os pluviômetros e os radares, e o mapeamento de risco de todos os municípios – não todos os municípios do Brasil, imediatamente, mas, começando como nós começamos, por aqueles que são mais graves e que tiveram um histórico de chuvas ou deslizamento. É isso que faz o Cemaden, o Centro Nacional de Monitoramento, Alerta e Prevenção de Desastres Nacional [Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais], que fica lá em Cachoeira Paulista e que integra todo o sistema de radar do Brasil, e utiliza o INPE, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O que nós queremos com isso em conjunto com os governos dos estados, e aqui no caso, em conjunto com o governador Anastasia? Nós queremos avisar a população quando vai ter aquele evento. Muitas vezes nós conseguimos, muitas vezes ainda, nós não conseguimos, mas vamos lutar para conseguir. Nós estamos nesse esforço para conseguir.

Junto com isso nós queremos evitar mortes. Então, quando há um desastre natural a primeira coisa que a gente age para resgatar as pessoas, para impedir que morram, para quando elas estão isoladas – com o Exército que tem toda uma expertise nisso e com a Aeronáutica –, ir lá e pegar as pessoas. O piloto do helicóptero que eu voei estava lá no Espírito Santo e estava dizendo que ele resgatou inúmeras pessoas nesses últimos dias.

Então, a Defesa Civil do governador e a Defesa Civil Nacional tem de estar atuando junto. O governador me deu uma notícia fantástica: aqui todos os municípios têm – a maioria dos municípios tem – Defesa Civil municipal.

Bom, segunda questão, algumas coisas da segunda ação podem ser paralelas à primeira, é reconstruir. Num lado é salvar. Por exemplo, nós distribuímos kits de medicamentos, kit de limpeza, kit de cama, mesa e banho. Ou seja, a pessoa tem de ter lençol, fronha, cobertor quando ela está desabrigada. E a gente distribui também kit de medicamentos com aquele hipoclorito que é para limpar a água. Essa ação é simultânea com a outra e ao mesmo tempo você reconstrói pontes, etc. Mas a reconstrução mesmo você tem de esperar parar a chuva. A reconstrução pesada, construir casas pelo Minha Casa, Minha Vida ou construir pontes pelo Dnit em parceria com o governo do estado, nós temos de esperar. Porque se eu começar a construir uma ponte, vem a chuva e leva tudo, não tem sentido.

E a terceira ação, que é muito importante, é a ação de prevenção, são aquelas obras de contenção de cheias, que a gente reforça encostas e a de drenagem e também, como muito bem lembrou o governador para mim, aqui no Rio Doce, não é governador, tem um problema de assoreamento, foi a dragagem. O rio diminuiu de profundidade. Então, nós vamos ter de fazer tudo isso simultaneamente.

Eu vejo uma grande parceria entre nós e um espírito de cooperação que tem de imperar nessas horas. Nessas horas nós temos de esquecer que temos divergências política, ou que somos de partidos distintos ou enfim, que um torce para um clube de futebol e outro torce para outro clube de futebol. Nós temos de atuar como um organismo salvando a população. Para isso, eu fui eleita, ele foi eleito, a prefeita foi eleita, os prefeitos foram eleitos.

            E eu queria dizer para vocês que tem uma coisa muito importante que eu esqueci de falar: O cartão. O cartão é o seguinte: com as experiências passadas nós descobrimos que na urgência, na emergência não dá para você ficar liberando através de todos os processos burocráticos, que é um inferno, não dá certo. Então, criamos um cartão chamado Cartão de Desastre. O quê ele faz? Assim que a prefeitura decretou estado de calamidade ou de emergência, ela recebe esse cartão, e ela pode fazer pequenos gastos. Como assim? Arrumar a ponte que está isolando um bairro e que caiu. Enfim, ela pode tomar medidas, providenciar água, contratar limpeza de rua. Enfim, fazer essas coisas fundamentais. E esse cartão é um cartão que nós utilizamos para superar justamente a questão da burocracia.

Finalmente, eu queria falar outra coisa para vocês, hoje foi o último leilão de estradas do ano, a 040, que sai daqui, uma estrada mineira. Foi a estrada que teve mais concorrentes, foram 8 empresas. Ganhou a Invepar, com um deságio de mais de 60% e uma tarifa de, se não me engano, [R$] 3,89. Agora, é uma notícia fundamental, eu acho que para Minas e para o Brasil. Veja que coincidência eu estar aqui justamente em Minas Gerais no dia do leilão.

Eu queria agradecer a vocês a atenção e queria falar o seguinte: Pode ser duas perguntas, e de preferência sobre o assunto? Ninguém me pergunte sobre...

Governador Antonio Anastasia: sobre a derrota do Atlético.

Presidenta: Essa pergunta, eu não aceito.  Essa pergunta, eu vou achar que é provocação... Como, querida?

Jornalista: Liberação de recursos para Minas e para recuperação dessa questão da chuva...

Presidenta: Minha querida, a gente dá o cartão, e o prefeito vai... a gente controla o que o prefeito vai gastar, porque o cartão registra. O prefeito não pode falar que está gastando para recuperação e gastar para outra coisa. Em princípio ele não tem limite, em princípio. Agora, ele está controlado. Nós estamos lá de olho nele. Até porque é uma exigência da legislação. Dinheiro público é dinheiro público, não é ilimitado e sem fundo.

Jornalista: Quantos municípios...

Presidenta: Todos os que decretarem emergência, ou seja, que estão em estado de calamidade. Eles estão em emergência, estado de calamidade, sofreram com a chuva. Município que não teve isso não tem direito, sinto muito. Agora, é importante também, eu vou reiterar isso, tem fiscalização. Nós vamos liberando aos poucos. Tem extrema fiscalização, e é uma fiscalização que é muito forte, porque é eletrônica. A hora que ele comprar, ele comprou, nós vimos o que ele comprou. Ele pagou, nós vimos o que ele pagou. É on-line, é como qualquer cartão de crédito. O município apresentou seu estado de emergência, está liberado. Tá, gente! Eu fui lá em Viginópolis... Virgolândia. Ou seja, é perto de Virginópolis – eu confundo porque Virgo e Virgem é a mesma coisa.

Jornalista: Qual é a avaliação da senhora, presidente?

Presidenta: Olha, eu achei muito impactante, você vê que a cidade sofreu um trauma. Um trauma provocado por uma quantidade imensa de água, e você vê isso na quantidade de lama que fica. Agora, é importante sinalizar o seguinte: você imagina uma cidade encalhada... encaixada, aliás, encaixada em um vale, profundamente na vertical. A cidade fica lá no fundo. É uma sorte lá não ter o rio passando caudaloso por perto. Porque senão, seria muito parecido com o problema que eu vi na serra do Rio de Janeiro. Que era justamente isso, um vale assim encaixado, a cidade de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo no meio. Virgolândia é igualzinho, só que Virgolândia tem menos população e não tem um rio passando no meio da cidade, que eu olhei bem.

E quero dizer para vocês uma coisa que me preocupou muito, mas graças a Deus não tem muitas cidades assim: que é a cidade que tá perto de montanhas de granito com uma quantidade de terra e floresta ou mato pequena, mas substantiva.  Eu vi, por exemplo – estava contando para o governador –, lá em Santa Catarina, uma montanha sem uma pessoa em cima, com a mata intacta, que a água veio, infiltrou e levou, como se fosse um barbeador, uma parte do morro inteirinho, ele ficou pedra, e o resto era floresta.

Então, eu quero dizer para vocês: prevenir é isso. Primeiro, não morar, não pode fazer uma cidade numa situação dessas. Mas nós fizemos. Nós, ao longo da nossa história, dos nossos 500 anos, nós fizemos na beira de rio, porque é muito melhor morar na beira do rio. Agora nós vamos ter de tomar medidas e impedir que as consequências dos nossos atos gerem desastres do tipo que tem gerado no Brasil.

Obrigada, viu gente. Beijo a cada um de vocês. E não falem do Atlético.

Gente, Feliz Ano Novo para vocês que eu não pude dar Feliz Natal porque eu não estava aqui. Agora, um Ano Novo para vocês muito bom. Para nós todos, muito bom. Para o Brasil, melhor ainda. Um beijo em cada um.

Obrigada.

 

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