Você está aqui: Página Inicial > Mandatos de Dilma Rousseff (2011-2015 e 2015-2016) > Entrevistas > Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após Sessão de abertura da IV Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos - CELAC - Quito/Equador

Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após Sessão de abertura da IV Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos - CELAC - Quito/Equador

por Portal Planalto publicado 27/01/2016 17h20, última modificação 27/01/2016 17h23

Quito/Equador, 27 de janeiro de 2016

 

Jornalista: Presidente, a senhora tomou a iniciativa junto a CELAC relativo ao Zika Vírus?

 Presidenta: É verdade, na minha intervenção eu propus que nós tivéssemos também uma ação de cooperação no combate ao zika vírus. Vários países da região têm grande experiência no combate à dengue, porque a dengue ela é típica de países tropicais ou subtropicais... Países como os nossos, e obviamente nos locais onde há uma temperatura mais alta há concentração de água ou de resíduos sólidos, lixo propriamente dito.

O que eu propus é que nós nos uníssemos em torno desse combate. Nós sabemos, e vamos todos fazer um esforço... Vamos cooperar também na área de pesquisa científica e tecnológica, mas nós sabemos que a única forma de cooperar agora é difundirmos entre nós as melhores práticas de combate ao vírus ou as melhores tecnologias de combate ao vírus.

Na verdade, nós vamos fazer uma reunião do Mercosul na terça-feira...e abrimos essa reunião do Mercosul na terça-feira, que será em Montevedéu, porque hoje a presidência pro tempore do Mercosul é do Uruguai e obviamente do presidente Tabaré Vázquez...nós vamos abrir essa reunião do Mercosul para todos os países que quiserem da CELAC ou da Unasul, que quiserem comparecer. E a CELAC propriamente dita também vai organizar uma reunião específica dos ministros de saúde e também das áreas de combate.

A maioria dos países está adotando o modelo similar ao nosso, com utilização das Forças Armadas como um dos vetores de organização do combate para a erradicação física dos criadouros, que é a eliminação das águas paradas seja ela de que forma for. E também como uma forma de divulgação e conscientização. Porque na verdade, entre agora e a vacina, que nós sabemos que não é trivial e que vai levar um tempo de pesquisa, porque o vírus da zica ele é novo ele não é um vírus que tenha-se uma, já todo um estudo...uma experiência sobre ele. Nós temos sobre... A respeito do vírus da dengue, que é uma variante, a zika é da família... É a zika e a chikungunya. E a zika tem essa característica que é extremamente grave. Ela afeta o sistema neurológico, principalmente quando o sistema neurológico está pouco desenvolvido. Então, nas grávidas, principalmente quando a criança está sendo gestada. Ainda não se sabe ao certo, mas se acredita que nos primeiros meses.  

            Então, entre o momento em que você tiver a vacina e hoje, tem só um jeito da gente combater: é a população ajudar também. Todo mundo vai ter de entrar nessa guerra, por que se não você perde ela.

 Jornalista: O ministro da saúde disse mais uma vez que a gente está perdendo a guerra contra o (...) a senhora concorda com ele?

 Presidenta: Olha, batalha está perdida não está não. Isso não é o que ele está pensando, nem o que ele diz. O que o ministro disse, é o seguinte: se nós todos não nos unirmos, e se a população não participar, nós perdemos essa guerra.

 Jornalista: Ele está certo?

 Presidenta: Absolutamente certo. Ou seja, você faz a mobilização, se conscientiza, bota as Forças Armadas, bota todo o governo federal... Nós vamos fazer o dia da faxina do governo federal, nós vamos fazer sistematicamente esse dia da faxina. Para quê? Para que as pessoas percebam que não é algo que você possa adiar, fazer depois. É de agora até junho nós temos de fazer isso.

 Jornalista: O ministro está indo bem? Está satisfeita com ele?

 Presidenta: Bastante. Ele, inclusive, se ele fizer uma exposição para vocês, ele domina bastante bem o assunto, eu acho que ele vai ter um papel importante nessa reunião do Mercosul. Até por que ele tem feito todos os contatos para que haja essa cooperação entre nós e os laboratórios no exterior. Por que isso? Porque nós conseguimos desenvolver um razoavelmente bom, vou dizer razoavelmente porque estou sendo modesta em relação a essa questão, mas um bom resultado... No caso da pesquisa com, a respeito da vacina para dengue...os quatro tipos, esse que está sendo desenvolvido em São Paulo no Butantã, que foi feito em parceria do Butantã com um instituto internacional.

            E agora ele tem a seguinte vantagem, tem um outro já desenvolvido ou em fase final de desenvolvimento que é o da Sanofi. A vantagem do Butantã, é quer vai ser necessário apenas uma dose de vacina, cobre 85% e cobre os quatro sorotipos. Então, nós esperamos desenvolver da mesma forma. O ministro está fazendo todas as tratativas nesse sentido.

            Nós, inclusive, vamos propor para quem quiser de outros países participar eventualmente.

 Jornalista: A senhora vai a Montevidéu?

 Presidenta: Olha eu, é uma reunião dos ministros da saúde. Agora eu acho, eu talvez vá. O que eu acho tão importante, a não ser que tenha alguma outra coisa, eu estou pensando seriamente em ir.

 Jornalista: A nova fase da operação Lava-jato há uma avaliação de que se aproxima do presidente Lula, a senhora acredita que ele é alvo das investigações?

 Presidenta: Olha eu vou te falar uma coisa. Eu me recuso a responder pergunta desse tipo. Eu vou dizer por quê? Eu me recuso porque se levanta acusações, se levanta insinuações e não me diz por que, como, quando, onde e a troco do quê? Se alguém falasse a respeito de qualquer um de nós aqui, a nova fase da Lava-Jato levanta suspeita sobre você, e você não soubesse do que é suspeita, como é a suspeita e da onde vem a suspeita... Você não acharia extremamente incorreto, do ponto de vista do respeito, a questão da...quem prova? Desde… A partir da revolução francesa, se não me engano foi o Napoleão...Quem prova a culpabilidade, ao contrário do mundo medieval, o ônus da prova é de quem acusa. Daí por isso o inquérito, por isso toda a investigação, por que antes sabe como você provava? Você provava assim: Eu dizia que você era culpado, e você lutava comigo, se você perdesse você era culpado.

 Jornalista: Mas de qualquer forma…

 Presidenta: Houve um grande avanço no mundo civilizado, a partir de todas as lutas democráticas. Então, de fato, eu não respondo isso.

 Jornalista: Mas a senhora acha que essas investigações atrapalham a economia?

 Presidenta: Sinto muito, Vera Rosa. O FMI acha.

Jornalista: Inaudível.

 

Ouça a íntegra da entrevista (07min38s) da Presidenta Dilma.