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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após reuniões da Cúpula UE-CELAC - Bruxelas/Bélgica

por Portal Planalto publicado 10/06/2015 17h47, última modificação 10/06/2015 17h48

Bruxelas-Bélgica, 10 de junho de 2015

 

 

Jornalista: A senhora acredita que esse Acordo de Livre Comércio possa sair nos próximos meses?

 

Presidenta: Olha, hoje nós conversamos sobre isso com alguns dos integrantes da União Europeia. O fato é o seguinte: o Mercosul está em condições de apresentar uma oferta. Agora, também queremos que a União Europeia nos diga que ela também está em condições de apresentar uma oferta, e que os 27 países irão ofertar ou, se algum não vai ofertar, nós queremos saber quem.

            E como a oferta é simultânea, nós nos dispomos a marcar uma data. Hoje não se tratava da discussão sobre oferta, tratava-se de marcar essa data. Amanhã nós vamos conversar com o senhor Donald Tusk, da União Europeia, e também com a chanceler Merkel, construindo as condições para que se apresente esse acordo, que é do interesse de todo o Mercosul e, seguramente, da União Europeia.

            Agora, a reunião hoje da Celac-União Europeia não foi sobre isso, foi sobre toda a parceria necessária a ser feita entre as duas regiões, nessa Segunda Cúpula, e essa parceria se baseia em alguns pontos, em alguns eixos centrais. Eu te diria o seguinte: primeiro eixo, comércio e investimentos; segundo, o eixo da educação, ciência, tecnologia e inovação, que é muito importante; terceiro, a questão da mudança do clima.

            Na questão da mudança do clima, que foi objeto de uma preocupação generalizada, no sentido de viabilizar um acordo vinculante, sustentável, entre todos os países, com vistas a garantir que, dessa vez, nós tenhamos um acordo vinculante, duas coisas chamam a atenção. Primeira coisa: a consciência de que é necessário um fundo verde, para financiar, principalmente dos países em desenvolvimento, a transição de uma economia baseada em carbono para uma economia de baixo carbono. Isso vai exigir, então, um fundo que, pela sugestão que se apresenta, monta em torno de 100 bilhões, alguns dizem euros, outros dizem dólares. Mas, o fato é que é necessário esse fundo.

            A segunda questão diz respeito, também, à transferência de tecnologia, para fazer essa transição, a adoção de metas concretas de redução. E nisso o Brasil está numa situação bastante vantajosa, por quê? Lá atrás, quando ninguém definiu metas voluntárias, lá atrás quando? Em 2009, durante a COP15, em Copenhague, nós definimos uma meta de mínimo de 36%. Dessa meta, agora, em 2015, nós já cumprimos 72%. Por quê? Primeiro, pela redução drástica do desmatamento; segundo, pelo fato que nós adotamos há, já alguns anos, um programa de agricultura de baixo carbono, baixa emissão, não é? Com plantação direta na palha, com rotação lavoura-pecuária-floresta, com replantio de áreas degradadas, enfim... E uma terceira questão, que também foi muito debatida, foi a questão do crime organizado, do combate às drogas, da questão do terrorismo.

            Então, a reunião está sobre esses quatro eixos, ela não acabou, amanhã ainda tem o retiro dos presidentes e outras bilaterais. Um abraço para vocês.

 

 Ouça a íntegra (04min03s) da entrevista da Presidenta Dilma