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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após reunião de trabalho no canteiro de obras do lote 1 da Ferrovia Norte-Sul - Goianira/GO

por Portal do Planalto publicado 15/03/2012 15h35, última modificação 04/07/2014 12h37
Com 2.255 quilômetros de extensão, Dilma disse que a ferrovia Norte-Sul será a coluna vertebral do país

Goianira-GO, 15 de março de 2012

 

Presidenta: Bom, gente, como vocês sabem, nessas viagens de trabalho que eu estou fazendo... Eu fiz, já, lá em... Já olhei a Transnordestina e a interligação de bacias. Nessas reuniões nós fazemos uma avaliação do estágio das obras. Acabei de fazer uma reunião com todos os empresários que participam dos trechos, tanto da parte de Aguiarnópolis até Palmas – que está quase concluindo, está no fim a conclusão –, como do trecho também que vai ali, que vai de Palmas a Anápolis e de Anápolis que vai chegar lá em São Paulo, em Estrela d’Oeste.

Essa ferrovia para nós, no Brasil, não só aqui para o governador Marconi Perillo, nem apenas para o governador Siqueira, ela é uma ferrovia estratégica para o país. Para vocês terem uma ideia, nesses trechos ela vai passar por Maranhão, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, São Paulo. Mas ela não para em São Paulo. Nós pretendemos, nesse período do meu governo que vai até 2014, nós pretendemos estar com ela funcionando, ou seja, com locomotivas e trens transportando cargas e pessoas, de Estrela d’Oeste até lá em cima, em Açailândia, no Maranhão. É isso que nós queremos. E deixaremos sempre os projetos para a continuidade dela até Rio Grande, até o Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

Então, é como se fosse a coluna vertebral do Brasil que nós estejamos construindo. Daí a importância dela, daí a importância de a gente vir cá fazer uma reunião de trabalho, no lugar. Vocês podiam perguntar para mim aqui: você podia fazer essa reunião lá em Brasília? Olha, podia até fazer a reunião em Brasília, mas o que nós percebemos é que ela não é tão real, ela não é tão efetiva.

Quando nós chegamos aqui, falando com o Governador, falando com o Prefeito, mas, sobretudo, conversando com os empresários responsáveis por cada trecho, porque é esse o nosso objetivo aqui – ela não é uma visita política, é uma visita de trabalho –, o que nós descobrimos? Nós descobrimos o que está faltando, o que pode ser solucionado, no que nós temos de tomar alguma medida, que tem... porque nós temos um objetivo. O que é que nós queremos com essa visita? Sabem o que é? É fazer com que o trem saia daqui, ali de Anápolis, chegue lá em cima, em Açailândia, levando carga, levando o que há de mais rico aqui nesta região, porque vamos reconhecer uma coisa. Goiás e Tocantins – eu estou falando desses dois estados, mas podia também estar falando do Maranhão e de todo o trecho por onde esta rodovia passa – têm riquezas enormes. É uma das fronteiras agrícolas deste país, tem uma grande produção de grãos, de alimentos, e tem minério, e agora também agrega valor. Eu vou me referir aqui à fábrica que nós... Está aqui perto, não está? A fábrica da Hyundai está aqui perto. É para lá. Eu, agora, me perdi na direção, é para lá.

Isso significa: o que nós queremos? Nós vamos sair pelo Porto de Itaqui, mas, no futuro, não vai sair pelo Porto de Itaqui. Nós podemos descer também e... no futuro, que eu estou falando, é 2013/2014. Nós vamos sair pelo Porto de Santos. Ou nós podemos continuar e chegar – aí, a partir de 2015/2016 –, chegar até os portos do Sul do país.

Então, é algo que, para mim, é um dos momentos importantes. Eu saio de Brasília e venho aqui, porque eu acredito que essa é a forma de fazer com que isso se acelere, com que isso se realize e com que isso se multiplique. Vocês me chamaram aqui não é para vocês escutarem isso. Eu sei disso.

 

Jornalista: Presidente... Presidente...

Presidenta: Na outra vez, lá em cima, eu disse para vocês, não eram os mesmos, não é? Mas eu estou vendo algumas caras parecidas. Não vou dizer quem. Eu disse para vocês o seguinte: se eu cair na besteira de falar uma coisa que não seja desta obra, vocês não põem a obra no jornal.

Jornalista: Deixa eu perguntar uma (incompreensível), Presidente.

Presidenta: E eu quero... não, eu estou contando para vocês a minha estratégia, depois vocês contam para mim as suas.

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Eu tenho hoje um objetivo: eu quero alertar o Brasil que nós voltamos a investir em ferrovia, que esta ferrovia é crucial para este país crescer, que ela beneficia estados importantes da Federação, e quando beneficiam estados importantes como Tocantins e Goiás beneficiam o conjunto da Federação.

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Agora, ai de mim se falar outra coisa. Ai de mim. Vocês não me perdoam.

Jornalista: E na área ambiental (incompreensível)

Jornalista: Presidente, hoje (incompreensível) do Copom disse que o patamar de juros...

Jornalista: Presidenta, Presidenta... dentro da área, na obra da construção da ferrovia...

Presidenta: Deixa ele... como?

Jornalista: A área ambiental, por exemplo (incompreensível)?

Presidenta: Ah, hoje, inclusive, nós definimos que uma das questões essenciais desta obra é atender aos requisitos ambientais impostos pelo Ibama. O ministro foi enfático nisso. Eu fui enfática nisso. Todos os governadores estão mobilizados nisso, tanto é assim que uma das coisas que me chamou a atenção aqui foi essa compensação ambiental, que é garantir uma área de preservação importantíssima. E me mostraram hoje como aqui é um lugar com potencial hídrico fantástico. Como chama, governador?

__________: Cumeeira das águas.

Presidenta: Cumeeira. Eu gostei da cumeeira das águas.

__________: Caixa d’água (incompreensível).

Presidenta: Que desce água para todos os outros estados deste país. Então, isso, para nós, é um valor e é uma riqueza, principalmente às vésperas da Rio + 20. Agora, você pergunta Copom, e vocês vão me desculpar, mas eu estou com fome.

Jornalista: Hoje, a ata do Copom disse que o Brasil caminha para um patamar de juros semelhante ao que já teve no passado. A partir daí, a senhora acredita que condições estão criadas no país e que medidas o governo precisa adotar, como mudanças na poupança, para evitar que investidores vão para esse tipo de investimento. O que a senhora imagina a partir daí, desse momento?

Presidenta: Eu vou te responder uma coisa que eu disse lá na Alemanha: no meu governo, fala sobre juros e política monetária o ministro do Banco Central, Alexandre Tombini. Um beijo para vocês.

 

Ouça a íntegra da entrevista (07min29s) concedida pela Presidenta Dilma