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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após reunião de Cúpula Extraordinária da Unasul - Quito/Equador

por Portal Planalto publicado 05/12/2014 20h25, última modificação 05/12/2014 20h25

Quito-Equador, 05 de dezembro de 2014

 

 

Presidenta: Eu não sei o quê que vocês…

 

Jornalista: Nós passamos muito frio aqui.

 

Presidenta: Vocês também? Eu estou aqui virada num pinguim.

 

Jornalista: Presidente, se quiser continuar com o xale branco... Porque a senhora já vem com ele

 

Presidenta: Deixa eu ficar um pouquinho mais bonitinha?

 

Jornalista: Presidente, é a mesma blusa de ontem?

 

Presidenta: O quê?

 

Jornalista: Essa blusa é a mesma de ontem?

 

Presidenta: Não. A minha ontem era azul. Ela está com fuso. Bom, deixa eu falar rápido. Foi uma reunião, fundamentalmente, para definir, eu acho, o plano de ação daqui para frente. E nessa reunião, algumas coisas eu gostaria de registrar. Primeiro, eu gostaria de registrar que assumiu o Secretário-Geral que nós esperamos que, com o Secretário-Geral essa nova sede haja, a partir de agora, uma sistemática atuação na Unasul. O ex-presidente Samper que assumiu, Ernesto Samper, ex-presidente da Colômbia que assumiu agora a Secretaria-Geral da Unasul, qualifica a Unasul para uma ação muito mais vigorosa. E ele fez uma proposta, apresentada para os chanceleres, mas ainda não aprovada por nós, por uma agenda de vários pontos, se eu não em engano, sete pontos. Você podia pegar ela para mim, que eu vou falar ela em geral para eles.

            É uma agenda, primeiro, baseada em algumas ações que nós devemos empreender. Primeira ação: é na área da infraestrutura. E, ao invés de escolher, tinham 33 projetos que eram considerados os projetos principais da Comissão de Planejamento da Unasul. Agora, se resolveu reduzir esse número de projetos, é o que nós vamos agora escolher: quais são os projetos. E escolhê-los em torno de cinco a sete projetos e, de fato, implementá-los.

            A segunda questão diz respeito… Então, seriam sete projetos multinacionais de infraestrutura. A segunda questão seria uma ação, no sentido da Unasul ter um banco de preços de medicamentos para viabilizar a melhor compra possível pelos seus países. Porque os preços dos medicamentos, muitos países reclamam disso, entre outros a Colômbia, o Brasil já passou por isso, o Uruguai já passou por isso, a Argentina, e todos os países, a questão do preço dos medicamentos. Então se propõe um banco de preços de medicamentos; também um fundo para bolsas entre interregionais no sentido de que a questão da ciência e tecnologia passa a ser uma questão fundamental para a Unasul; também uma grande cooperação no que se refere à gestão de riscos de desastres naturais. Cada um dos países têm incorporado uma prática nesse sentido. O Brasil tem, tanto é que nós criamos o Cemaden. Então, trocar essas práticas; avaliar a possibilidade de uma abertura dos céus dentro da Unasul; depois, aprovação - isso já ocorreu - aprovação da Escola Sulamericana de Defesa; e também, algo que eu acho muito importante, a sugestão da criação de uma Unidade de Apoio Eleitoral; e várias outras propostas, eu estou elencando as principais para os senhores. Algumas delas já foram aprovadas, outras estão em discussão, fazem parte do nosso roteiro de um plano…

 

Jornalista: Quais foram aprovadas?

 

Presidenta: A Escola de Defesa e essa unidade de apoio… foi aprovada? Foi aprovada. As duas foram aprovadas.

 

Jornalista: Presidente, e essa abertura dos céus? Isso tem status?

 

Presidenta: Não, não, isso é só uma discussão. Essa não foi aprovada ainda, tem de ser discutida porque cada um dos países… e ver da possibilidade.

 

Jornalista: A inflação oficial no Brasil bateu no teto…

 

Presidenta: Sabe o quê que é, querida? Eu preferia que hoje a gente não falasse sobre o Brasil. Eu preferia falar, basicamente, sobre a Unasul e lá eu prometo que faço uma entrevista para vocês.

 

Jornalista: Mas o que a senhora levantou, presidente, sobre a crise econômica internacional…

 

Presidenta: Ué, eu levantei.

 

Jornalista: (incompreensível) ...a queda do preço das commodities (incompreensível) o problema que isso traz para uma… (incompreensível)

 

Presidenta: Eu acho que o mundo inteiro vai ser afetado de uma forma ou de outra. Alguns vão ser afetados positivamente, outros vão ser afetados negativamente no que se refere à queda do preço, por exemplo, do petróleo. O petróleo vai ter repercussão sobre vários países. Alguns porque tributam o petróleo e obtém do petróleo uma das suas principais fontes de arrecadação. Nós não temos essa situação, nós não fazemos… A nossa tributação sobre petróleo, por exemplo, não é crucial para o país, mas outros têm isso. Outros têm suas receitas principais decorrentes do petróleo, outros dependem muito do petróleo, não têm produção e, portanto, são afetados até beneficamente, não é? Agora, sempre que o preço das commodities cai, impacta, tanto as minerais como as alimentícias, impacta os países dominantemente produtores de commodities. A América Latina tem uma grande participação nisso. Nesse sentido, ela vai ser impactada pela queda do preço.

            Nós devemos sempre lembrar que a gente não pode pensar os demais países como sendo economias similares, iguais às nossas. Uma economia é igual à outra, mas nós temos, por exemplo, o impacto sobre os preços das commodities, mas temos, também, uma outra diversidade: a economia brasileira…

 

Jornalista: A redução do PIB, por exemplo, a previsão do PIB para 2015?

 

Presidenta: A área econômica respondeu isso de forma exaustiva. Por favor, eu não vou repetir.

 

Jornalista: Mas a senhora está preocupada?

 

Presidenta: Olha, sempre a gente tem de ficar preocupada. Um presidente é preocupado todo santo dia, chova ou faça sol.

 

Jornalista: Mais com a inflação ou com o PIB?

 

Presidenta: Sempre a gente tem de estar preocupado com tudo, querida. Não tem algo, algo que ocorra que ele não se preocupe. Eu acho que é intrínseco da condição de presidente. Eu ri pelo seguinte: têm várias pessoas que dizem e atribuem o que eu vou falar, ora atribuem para um governador, ora atribuem para um prefeito. Mas nessa questão da preocupação teve um prefeito ou um governador que disse: “Olha, ganhar a eleição é muito bom. Então, quem ganha a eleição devia ficar quieto em casa, quem perde é que devia governar, porque ele estava bastante ansioso”. Eu não acredito que cheguemos a esse ponto, eu acho que quem ganha a eleição deve governar. Agora, sempre quem ganha a eleição tem de estar preocupado com o governo. Essa é uma questão fundamental. Eu não posso deixar de olhar a situação do país todos os dias. E aí a preocupação vai da questão menos, assim, aparentemente relevante, até a mais importante de todas.

            Então, eu agradeço a vocês. Eu estou com um frio danado. Eu não almocei. Eu estou, agora é 20 para as 7, 20 para as 7 no Brasil. Vocês me desculpem, eu…

 

Jornalista: A senhora teve algum encontro bilateral?

 

Presidenta: Não, não teve tempo. Nós tivemos uma agenda intensíssima. Vocês vejam que nós chegamos aqui e até agora a gente não almoçou, não é? Obrigada, gente. Eu estou indo. Eu sugiro que vocês vão também.

 

 Ouça a íntegra (9min06s) da entrevista da Presidenta Dilma Rousseff


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