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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após reunião de cúpula do Brics - Ufa/Rússia

por Portal Planalto publicado 09/07/2015 16h26, última modificação 09/07/2015 16h26

Ufa-Rússia, 09 de julho de 2015

 

 

Presidenta: Quero dizer que é uma reunião dos Brics com muito sucesso. Nós definimos, há um ano e meio, dois anos atrás, a formação do Banco de Desenvolvimento dos Brics e do Acordo Contingente de Reservas. E, nesse processo, o Brics tem uma grande preocupação em concretizar a parceria. Nesse processo, nós conseguimos, nesse período, construir as duas instituições. Ambas tiveram todos os seus processos aprovados pelos países, cada um dos países-membros. Depois, foi constituído tanto o Conselho de Governadores quanto o de Diretores. E agora foi escolhida, também, toda a alta administração do banco, que é composta por um presidente hindu, que é o primeiro, não é? E depois vai ser rodiziado, que é o senhor Kamath, e por quatro presidentes [vice-presidentes] dos outros países. O nosso representante é o Paulo Nogueira Batista, que integra, então, a direção do banco de forma permanente.

Além disso, o que eu acho que é importante destacar, é que nós assinamos, como suporte ao banco também, um acordo entre nossos bancos de desenvolvimento. E isso vai ser importante porque amplia o funding. E o funding, nós sabemos que tem uma escassez na área de infraestrutura. Sem investimento em infraestrutura, você não tem infraestrutura.

Qual é o grande obstáculo? Qual o grande gargalo, para qualquer país do mundo? É um funding de longo prazo. O que é o objetivo do banco, o novo banco dos Brics? É prover, ser uma das fontes. Não é a única, e ele não é substituto de nenhum outro banco. Ele é complementar. Assim como o Acordo Contingente de Reservas, que é a primeira iniciativa, no sentido de ter um instrumento regional, interregional, desculpa, de garantia da, vamos dizer assim, da estabilidade financeira. É um remédio contra a volatilidade financeira.

            E, portanto, acredito que esses dois, o arranjo foi feito, já os bancos centrais de cada um dos cinco países Brics assinaram um acordo, ele está estruturado. Esses dois fatores, eu acho que são as principais realizações que a gente comemora nessa reunião. Ele vem da reunião de Fortaleza, foi na reunião de Fortaleza que nós definimos os prazos e as condições, quem seriam os primeiros, como é que se daria, e desembocou aqui, com esse resultado, que eu considero muito positivo.

            Além disso, nós estabelecemos agora uma estratégia global de parceria, uma espécie de mapa do caminho, no que se refere às relações entre os Brics. Obviamente nosso foco é muito relações econômicas, mas, crescentemente, algumas questões têm estado na pauta. Eu quero destacar aqui uma que foi bastante enfatizada, tanto na reunião privada como no debate entre os presidentes, como também na reunião pública, eu acho que foi mencionada. Trata-se da questão da cooperação na área cultural. Os Brics consideram isso muito importante. E uma área específica foi: houve o compromisso de a gente aprofundar e fazer uma cooperação de forma mais intensa, para desembocar na próxima reunião, que é a área do cinema. Considerando que toda a indústria do entretenimento é uma indústria que agrega muito valor, que tem valor econômico, social e cultural, nós vamos convergir para uma cooperação forte, na área do cinema. E também considerando que vários países Brics têm uma tradição nessa área, tem Bollywood, há toda a indústria cinematográfica chinesa, tem a indústria russa, e nós também temos. Aliás, eu acredito que na América Latina, no Mercosul, está havendo uma grande… uma revigoração do cinema, como tanto o cinema brasileiro como o cinema argentino, o uruguaio, que tem tido, assim, uma produção intensa. Essas duas coisas se destacam.

            Agora, a palavra está com vocês. Ah, e só uma coisa: eu fiz, ainda, várias reuniões bilaterais, com a China, com a Índia, com a África do Sul e com a Belarus.

 

Jornalista: Presidente, justamente com a bilateral que a senhora teve com o presidente da China. A senhora sabe que hoje continua havendo a degringolada da bolsa, o Brasil é um grande exportador…

 

Presidenta: Não é verdade. Hoje, a bolsa abriu e houve uma recuperação bastante significativa.

 

Jornalista: (inaudível)

 

Presidenta: Eu vi como se vê bolsa: ela vai e volta. Ela tinha tido um pico muito grande, certo? Agora... teve uma queda, agora teve uma recuperação. Vamos esperar que a recuperação seja sistemática e contínua.

 

Jornalista: Então, só a minha pergunta: a  senhora teve então, uma encontro com o presidente da China, eu imagino que a senhora tenha conversado isso com ele, de toda maneira isso pode afetar ou não o Brasil? Ele deu alguma mensagem de tranquilidade que essa situação é passageira, transitória? Porque a China vai adotar medidas para estimular o crescimento, medidas contracíclicas? Qual foi a mensagem  que a senhora tirou sobre esse tema específico do encontro bilateral?

 

Presidenta: Olha, eu achei o presidente, nessa questão, bastante tranquilo, não mostrava nenhuma grande preocupação a esse respeito, inclusive, assim, com clareza a respeito de que o  mercado ia recuperar, a China tem suficiente recursos para assegurar isso. E a gente sabe como que é que funcionam mercados financeiros, não é?

 

Jornalista: A senhora está tranquila, não afeta em nada...

 

Presidenta: Eu estou bastante tranquila.

 

Jornalista: Presidente, (inaudível), do Estado de São Paulo. A entrevista que a senhora concedeu à Folha de São Paulo repercutiu muito no Brasil. O senador Aécio Neves disse que golpista é o PT e a oposição acusou a senhora de estar passando por cima das instituições brasileiras. Como é que a senhora responde a essas críticas?

 

Presidenta: Olha, primeiro eu acho que não se trata de eu ficar aqui debatendo o que aconteceu, o que deixou de acontecer. A verdade é a seguinte: Em momento algum da minha entrevista eu passei por cima de nenhuma instituição. Nem o TCU ainda deu um parecer definitivo sobre as minhas contas, sequer eles abriram a possibilidade de a gente explicar, e nós vamos nos explicar bem explicado, e a mesma coisa o TSE. Então, não passei por cima de nenhuma, nenhuma instituição. Nenhuma instituição se pronunciou. Nesse sentido, é estranho que pré-julguem porque, como eu estou te dizendo, não há uma decisão. Que estranho que se trate como se tendo havido uma decisão, quando não houve a decisão. E acho,  também, que é importante que a imprensa esclareça isso, que instituição que você passa por cima quando, não há decisão, não tem como discutir uma decisão que não houve e não tem como pré-julgar, posto que não se sabe qual vai ser a decisão dessa instituição. Ao contrário, quem coloca como já tendo tido uma decisão, está cometendo, eu acho, um desserviço para a instituição, um desserviço para o TCU e para o TSE, porque não há nenhuma garantia que qualquer senador da República possa, muito  menos o senhor Aécio Neves, possa pré-julgar quem quer que seja ou definir o que que uma instituição vai  fazer ou não. Respeitar  a institucionalidade, começa por respeitar as instituições, por respeitar as suas decisões e o seu caráter autônomo, soberano e independente. Então, eu quero dizer o seguinte: A gente não fica discutindo quem é ou quem não é golpista. Quem é golpista mostra, na prática, as suas tentativas, porque começa por isso: pré-julgar uma instituição. Não há dentro, nem do TCU, nem do TSE, a possibilidade de dizer qual vai ser a decisão, até  porque o futuro é algo que ninguém controla, nem eu, nem ninguém.

 

Jornalista: Presidente, (inaudível), da Folha de São Paulo. Eu queria só esclarecer uma dúvida  sobre o discurso da senhora aqui dentro. A senhora falou que o  país está preparado para o resguardo de milhões de refugiados. A gente não entendeu muito os milhões, a gente queria só esclarecer isso (inaudível).

 

Presidenta: Eu me referi ao fato que nós, de uma  certa forma, por exemplo,  todos nós  que temos nome de Pereira, o meu, o da minha avó, por exemplo, Coimbra, somos refugiados de alguma forma. O Brasil é um país que sempre acolheu, na sua história, refugiados. Os judeus que fugiram, por  exemplo, da inquisição em Portugal. Eu tenho certeza que uma parte dos portugueses que foram para o Brasil, integravam… foram refugiados da inquisição. Eu tenho  certeza que uma série de pessoas procuraram, principalmente durante a Segunda Guerra  Mundial, o meu pai, procurou o Brasil porque o Brasil era um lugar que era… você se sentia protegido. Recentemente, 60 mil haitianos entraram no Brasil, nós somos um país que convivemos com isso, nós não achamos que ninguém deve ser punido ou deve sofrer as consequências de tentar ir para um país. E também tivemos uma atitude bastante, eu diria, cooperativa, com toda a população que quis vir via Síria. Então quero dizer o seguinte: nós sempre recebemos sim, milhões e milhões de pessoas, não é porque somos 200 milhões. Nós  somos 200, mas eu quero dizer que  essa tradição  é uma tradição que nós preservamos.

 

Jornalista: ...já teve os imigrantes que existem principalmente aqui na Europa, com todos os imigrantes que estão sendo resgatados, o Brasil pretende abrir barreira para eles?

 

Presidenta: Olha, eu não tenho nada… Eu acho que o tratamento das questões migratórias tem de ser feito não no âmbito da repressão. Nós temos de ver: por que esses migrantes vão para a Europa? Porque eles foram colonizados por países europeus, é por isso que eles vão, eles têm uma proximidade cultural. A mesma coisa é o que acontece conosco: por que os haitianos vão? Também tem uma proximidade geográfica. Então, você não resolve a questão das migrações, pura e simplesmente fazendo barreiras. As barreiras produzem catástrofes. Eu acho que a ONU - só um pouquinho - a ONU precisa tratar a questão da migração no mundo como uma questão séria, como um problema sério. E, aí, o Brasil está disposto a participar de uma ação concertada entre todos os países, no sentido de tratar essa questão de uma forma humana, de uma forma que seja, de fato, não preconceituosa e que não estigmatize pessoas.

            Agora, essa não é uma questão que um país sozinho resolve. Essa é uma questão que eu acho fundamental. A reforma da ONU é justamente por isso, porque essa é uma questão que tem de ser resolvida num fórum de cooperação internacional.

 

Jornalista: Como a senhora recebeu a votação do Senado sobre o reajuste do mínimo, a senhora vai vetar?

 

Presidenta: Do reajuste de quê?

 

Jornalista: Das aposentadorias. Como é que vai ser daqui para frente?

 

Presidenta: Olha, eu não discuto veto assim, vou te explicar o porquê, senão fica meio esquisito. Eu não discuto veto, porque o veto tem implicações. Eu tenho de olhar toda a lei, eu tenho de ver do que se trata. Muitas vezes, inclusive, nós fizemos o seguinte, vou lembrar do Código Florestal: muitas vezes nós vetamos. Mas nós vetamos e botamos uma proposta na mesa. Vou dar outro exemplo: fator previdenciário. Vetamos e botamos uma proposta na mesa. Então, eu ainda não avaliei completamente isso e não vou poder, agora, te dar uma resposta.

 

Jornalista: Presidente, hoje foram divulgados novos índices negativos, em relação à economia brasileira: o FMI reduziu a sua expectativa, que era de menos 1% para menos 1,5%. E o desemprego chegou a 8,1% por cento, o maior índice em três anos. Nós já chegamos ao pior momento da crise, ao chamado “fundo do poço”? E quanto essas notícias negativas, ou cada vez piores, vão parar de surgir?

 

Presidenta: Olha, eu acho que o mundo está passando por um processo bastante complicado. Todas as estatísticas do FMI estão reduzindo para baixo, todas, em qualquer lugar do mundo. Vários  países passam  por crises muito graves. O Brasil, eu acredito, tem uma característica específica: nós, de fato, estamos passando por um momento extremamente duro. A preocupação do governo com  essa questão é tanta, que nós lançamos há pouco  o Programa de Proteção ao Emprego. Eu acredito que o Programa de Proteção ao Emprego, ele é bastante interessante pelo seguinte: sempre se construiu mecanismos de proteção ao desemprego. O que nós estamos fazendo - e, óbvio, não inventamos a roda, nós olhamos as melhores experiências internacionais. Consideramos que a melhor experiência internacional nessa matéria era alemã. E, por isso, construímos o Programa de Proteção ao Emprego, tentando garantir a presença das condições de recuperação. Por que nós fazemos isso? Porque  a gente acha, que o Brasil tem, estruturalmente, fundamentos para se recuperar rápido. Não é só uma questão de eu achar ou não. Nós apostamos nisso, não porque temos uma visão rósea da situação, não temos não.

Nós achamos que o Brasil tem fundamentos sólidos, por quê?  Nós sabemos que o que empurra a inflação é conjuntural, não é estrutural. A inflação está sendo empurrada pelo reajuste de preços relativos. Ninguém, no mundo, faz ou sofre uma desvalorização cambial como nós sofremos, sem efeitos inflacionários. Agora, ela não tem, não se espera que essa desvalorização cambial continue sistematicamente. Ela vai diminuir de intensidade. Você vai ter oscilações, mas é isso que o mundo espera. Além disso, o Brasil tem uma forte base de reservas, que nunca teve na vida. No passado, as crises pegavam o Brasil naquilo que o Simonsen, o ministro Simonsen dizia, que “a inflação aleija e o câmbio mata”. Eu  acho que nós não vamos ser nem aleijados pela inflação, nem mortos pelo câmbio. Pelo contrário, eu acho que o Brasil vai recuperar as condições de competitividade que ele tem e isso já está expresso no aumento das exportações, que não é tanto devido, como alguns querem, por redução de importações. Não, eu acho que, inclusive, um trabalho que nós fazemos aqui nas bilaterais é ampliar a capacidade do Brasil exportar. Hoje por exemplo, nós definimos uma série de relações de alto nível, por exemplo, com a Índia, no sentido de aumentar e ampliar, tanto o nosso comércio, como os nossos investimentos. E também propusemos, entre nós, um fórum de CEOs.

            Então, eu espero, e estamos fazendo e trabalhando diuturnamente para isso, que nós sairemos rápido dessa crise. Temos uma grande preocupação, porque, de fato, o que se vê é que acabou o superciclo das commodities. Isso, nós temos de ter certeza que acabou o superciclo das commodities. Então, a partir de agora, vai ter de, todos os países da América Latina, vão ter de fazer um grande esforço, no sentido de diversificar as suas atividades econômicas. E nós temos uma vantagem também. Nós temos uma economia diversificada. Ela não é uma economia só baseada em um produto, ou dois, ou três. Então, eu tenho a expectativa de que nós vamos ter uma recuperação rápida dessa situação adversa por que passamos.

Agora, não é consolo, mas ela é uma situação generalizada no mundo. A China tem, hoje, a menor taxa de crescimento dos últimos 25 anos. Você tem problemas em vários lugares do mundo. E a Europa não tem conseguido sair da crise. A boa notícia é que a recuperação americana, apesar de não ser aquilo que se esperava, ela continua firme. Então, espero que também essa situação internacional ajude, de forma importante, a todos os países do mundo, a ter uma saída maior da crise.

 

Jornalista: Presidente, a senhora acredita que essa situação econômica brasileira é resultado só de influência externa ou, como comandante, líder do país há mais de quatro anos, a senhora faz algum tipo de mea culpa? Houve algum erro na condução econômica do país?

 

Presidenta: Olha, é uma visão um tanto, eu diria, religiosa, essa do mea culpa.  A questão não é essa, a questão é a seguinte: o Brasil está enfrentando um momento extremamente adverso, em termos de situação internacional, nós não estamos com o vento a favor. Ao mesmo tempo, nós enfrentamos a maior seca dos últimos tempos.

            Você pegue todos os dados macroeconômicos e vai ver que houve uma aceleração imensa da perda de força em vários indicadores, vários indicadores. Em que período? Você tem de junho, de junho/julho de 2014 até agora. Um acentuado declínio entre outubro, novembro e dezembro, foi o acentuado declínio. Isso vale para qualquer índice que você for olhar, tanto os internos quanto os externos, tem uma combinação. Ninguém passa por uma seca da proporção que nós passamos, e que é engraçado, nós subestimamos, não é?

            Outro dia o governador Alckmin me disse que na região de São Paulo, em 1953 houve a pior seca, e que 2014, segundo semestre de 2014, teve 50% menos que a pior seca, o nível de hidrologia. O Brasil é um pouco menos que isso. O Brasil teve uma hidrologia bastante ruim, mas eu acho que é algo em torno de 30, 35, 40%. Isso provocou duas coisas: um imenso, um imenso aumento no custo da energia e preço dos alimentos.

            Outra coisa que aconteceu é o seguinte: nós fizemos de tudo para que as consequências da crise de 2008 não atingissem fortemente o Brasil. O que nós fizemos? Nós absorvemos todas as possibilidades, dentro do Orçamento da União. Então, nós fizemos: subsídio ao crédito para a indústria, generalizado, taxa de 2,5% no Programa de Sustentação do Investimento. Nós desoneramos, como se nunca se desonerou no Brasil impostos, para tentar fazer duas coisas: para tentar impedir que a política de ajuste dos Estados Unidos e da Europa, que foi feita em cima de salário dos trabalhadores e da renda impactasse a produtividade brasileira, no que se refere à competitividade, então, desoneramos imposto. Quando nós fazemos isso, nós perdemos receita e formos perdendo receita, e mantendo toda a política de incentivo, para diminuir o impacto da crise. Foi isso que nós fizemos.

            Bom, tem alguns que criticam isso fortemente. Falam que nós exageramos, que não podíamos ter feito assim. Agora, esse “se” tem de discutir uma questão: se é assim, vamos perguntar quando é que essa crise teria nos atingido. Muito tempo antes.

            Então, o que eu estou dizendo é o seguinte: agora nós não temos condição para continuar fazendo a mesma política anticíclica. O que nós fizemos? Vamos fazer um ajuste para reequilibrar o fiscal. Esse ajuste, dele fazem parte algumas medidas que são estruturais, que não é ajuste fiscal só, são estruturais, tinham de ser feitas em quaisquer circunstâncias, mas são boas por quê? O que que elas fazem? Elas diminuem os desequilíbrios em alguns segmentos.

            Além disso, o que mais fizemos? Nós reduzimos desonerações de imposto. Nós não acabamos com elas, nós reduzimos. Então, algumas que estavam em 25 bilhões, nós estamos tentando passar para 10 bilhões. Outra coisa que nós fizemos: nós ampliamos os juros, nós aumentamos os juros. Não, eu não estou falando da Selic, eu estou falando dos juros, por exemplo, para o Plano Safra. O Plano Safra tinha juros baixíssimos. Nós demos uma calibrada nos juros. Eles, inclusive, continuam subsidiados, o problema é que o subsídio é menor, o problema, não, a vantagem é que o subsídio é menor. E assim sucessivamente, com várias coisas, mesmo com o financiamento de longo prazo. Nós recalibramos completamente. Por quê? Porque a crise dura mais do que nós, e nós não temos condições de manter o mesmo nível de incentivo.

            A indústria não pode queixar: nós fizemos um programa de incentivo amplo para a indústria. Agora, nós reduzimos um pouco, porque o Brasil não segura, o Orçamento não segura. A queda na arrecadação não ocorreu só na União. Olhe os governadores, e vai ver que eles tiveram brutais quedas de arrecadação.

            Gente, eu agradeço, porque eu tenho, agora, vou repetir: ela chama Organização de Cooperação de Xangai. É OCX. E a outra é: União Europeia Asiática. Por que eu estou falando isso, para finalizar? Porque eu acho que nós temos de intensificar relações comerciais com regiões do mundo com as quais nós não comercializamos na proporção que podemos. Então, são esses tipos de contato que vai permitir que a gente, depois, envie nossos ministros da Agricultura, de Ciência e Tecnologia, de Indústria e Comércio, para abrir, cada vez mais, os mercados.

            Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra(26min09s) da entrevista da Presidenta Dilma


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