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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após reunião com o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 - Rio de Janeiro/RJ

por Portal Planalto publicado 12/05/2015 18h28, última modificação 12/05/2015 18h29

Rio de Janeiro-RJ, 12 de maio de 2015

 

 

Presidenta: Eu estou saindo de uma reunião com os três níveis de governo: o governo federal, o governo do estado, com o governador Pezão e o governo do município, com o prefeito Eduardo Paes e com o Comitê Organizador e com o COB. Por que nós estamos aqui todos juntos? Porque um dos maiores eventos que o país vai passar, nos próximos meses, é o Jogos Olímpicos. E os Jogos Olímpicos, ele tem um papel importantíssimo, que é colocar o Brasil diante de todo o mundo. E nós temos de mostrar este país, através da organização dos jogos, da qualidade que nós dermos para a organização deles, para a segurança, para a garantia dessa beleza que é o Parque Olímpico, que está em construção perfeitamente em dia.

Então, nós tivemos uma reunião que eu considero muito produtiva. Nessa reunião, assumi um compromisso com o Nuzman. Esse compromisso que eu assumi é sistematicamente voltar aqui, ao longo dos próximos meses, sistematicamente fazer uma reunião de trabalho com o Comitê Organizador e com o COB e integrar a ação do governo federal com o governo do estado e, sobretudo, com o município. Porque, do ponto de vista federativo, a grande liderança que nós temos nesses jogos é o prefeito Eduardo Paes e o governador Pezão. Mas é muito importante que o governo federal se integre nesse grande esforço. Porque os Jogos Olímpicos é basicamente um reflexo daquilo que o esporte tem de melhor, que é encarar o desafio, trabalhar no sentido de superar esse desafio, dedicar os seus maiores esforços nesse sentido e conquistar a vitória, e nós aqui estamos com essa disposição. E a forma de nós nos integrarmos é dialogar, dialogar e dialogar. Basicamente é isso.

E estive também de manhã - e vi vocês lá,  infelizmente transferi para cá a nossa conversa - lá no Minha Casa, Minha Vida, mil quinhentas e poucas casas que nós entregamos em três residenciais, ali na região oeste da cidade. E isso para nós é muito importante, porque o programa Minha Casa, Minha Vida, ele está hoje com algo em torno de 1,6 milhão de casas em construção, apesar de nós já termos entregue 2,1 milhões. É um programa  dos maiores programas habitacionais do mundo. Quando chegar o final de 2018, nós teremos beneficiado em torno, cerca de 25 milhões a 27 milhões de pessoas. Porque serão 6,75 milhões de pessoas beneficiadas, pessoas não, desculpa, famílias. Se considerar que cada família tem em torno de três a quatro integrantes, tem famílias com mais, então dá uma média em torno disso.

É muito importante para o Brasil e, sobretudo, para o Rio de Janeiro, esse programa. Hoje nós temos aqui, já entregues, quase 40 mil casas, e em construção, mais 40 mil, totalizando 80 mil aqui na cidade do Rio de Janeiro, se eu não me engano no estado são 213 mil moradias. É um programa que não vai parar. Nós estamos de fato, o Brasil está passando por um momento de dificuldade, nós estamos fazendo ajuste fiscal, mas esse programa, como vários outros programas sociais, não vai parar.

 

Jornalista: Presidente, uma perguntinha. Se quiser trazer o microfone. Quando a senhora diz que é preciso que o governo federal se integre com o governo estadual e municipal, isso é o que se previa antes, quer dizer, em que momento aí… Houve algum tipo de, desculpe a expressão, de “desintegração” entre os governos ou apenas é um ajuste fino que vocês estão fazendo?

 

Presidenta: Você falou a palavra que eu usei lá dentro. Nós temos de fazer um ajuste fino. Agora é a hora do ajuste fino. Nós viemos sempre integrados, não é? O governo federal financiou a maioria das obras, seja o banco BNDES, seja a Caixa, seja o Banco do Brasil. Inclusive, os investidores privados que participam de todos os projetos de PPP, que estão sendo levados aqui, que transformam essa Olimpíada em algo especial, ou seja, grande participação do capital privado, o financiamento é feito pelo governo federal, mas tem uma imensa participação do setor privado e vai deixar um imenso legado. Então, ela é bastante especial nesse sentido.

Nós também estamos integrados porque estamos na APO. Nós estamos integrados em todas as áreas, mas agora chegou a hora da integração ser lá embaixo, apertar cada vez mais a integração. E mais do que apertar, vou te falar viu, é o seguinte: nós temos de buscar o problema onde ele está, a gente tem de correr atrás do problema e resolvê-lo.

 

Jornalista: E há problema?

 

Presidenta: Sempre há, meu filho. Para você fazer um evento dessa magnitude, a primeira coisa que você tem de perceber é o seguinte: você tem de resolver problemas todo santo dia e, depois, você vai ter de resolver todas as horas. Foi assim na Copa do Mundo, foi assim na Rio+20, é assim em qualquer atividade, inclusive na sua. Na hora em que você vai fazer lá a sua matéria é  que começa a coisa a apertar, não é? É ali, naquela hora. Então, é a mesma coisa.

 

Jornalista: Quem a senhora vai indicar para a presidência da APO?

 

Jornalista: A senhora fala em integração…

 

Presidenta: Olha, nós estamos aqui com um mandato interino. Possivelmente esse companheiro, que está em mandato interino, será transformado em permanente.

 

Jornalista: Presidente, (incompreensível) aqui estão curiosos também. O peso da senhora… Como a senhora…

 

Presidenta: Não posso dizer. Não posso…

 

Jornalista: Eu prometo para a senhora que vou fazer uma outra pergunta…

 

Jornalista: Ela é presidenta olímpica.

 

Presidenta:Posso falar para vocês?

 

Jornalista: É presidenta atleta.

 

Presidenta: Posso falar para vocês? Olha, é o seguinte, gente: vocês sabem que eu não... a minha idade, vocês podem olhar em qualquer… vocês entram lá no google, colocam “Dilma Rousseff”, vai aparecer a minha idade, por isso eu vou falar para vocês: eu tenho 67 anos. Assim sendo, qualquer pessoa... Era bom que eu tivesse feito isso ali pelos 40, não fiz. Aliás, eu era mais magra, sempre fui mais magra, mas engordei. O que tem de fazer? Você tem de manter uma alimentação saudável, sobretudo tem de fazer exercício físico. Por que você tem de fazer exercício físico? Você vai evitar uma doença de coração, você vai melhorar a sua qualidade de vida, você vai gastar menos dinheiro com remédio, e andar, ninguém cobra para você andar.  Então, é algo que é possível fazer. Então eu estou aqui fazendo uma campanha, estou, sim fazendo, porque eu acho que as pessoas ficam melhores, em termos da saúde delas. Eu estou melhor, eu tomava uma série de remédios. Reduzi os meus remédios, praticamente eu parei de tomar remédios, tomo vitamina. Agora, sinto muito, meninas, mas um pouquinho tem de fechar, equilibrar a comida e fazer uma ginasticazinha, uma caminhadinha. Não tem regime fácil, é que nem aquela: não tem jantar grátis, nem almoço, nem café da manhã.

 

Jornalista: Essa nova versão “Dilminha Olímpica”.

 

Jornalista:Presidente, uma pergunta, agora, de outro peso, por gentileza. É sobre o pacote de concessões. Eu  quero perguntar para a senhora o seguinte: falou-se muito, nos últimos dias, sobre a necessidade de alguns ajustes finos para esse pacote de concessões. Efetivamente, quando é que ele vai acontecer e que ajuste fino é esse que está sendo necessário para que o pacote venha a posteriori. Pode ser que a aprovação do pacote fiscal, do ajuste fiscal, ou seja, que o que esteja retardando ou postergando um pouco mais esse pacote de concessões, presidente?

 

Presidenta: Olha não é bem isso não. Vou te explicar o que é: esse pacote de concessões, ele implica em avaliações muito minuciosas a respeito daquilo que cabe conceder, e daquilo que não cabe conceder. Porque há coisas que você não consegue conceder,  porque o custo da tarifação será muito alto. Dependendo da quantidade de tráfego de uma rodovia, se você conceder você vai ter um pedágio muito elevado. Quanto menos tráfego, maior o pedágio e vice-versa. Em uma ferrovia, se faz uma avaliação que precisa de um certo volume de carga  para ela ser viável em termos de concessão. Então, o que nós estamos fazendo? Nós estamos finalizando, nós estamos conversando também com empresas, no sentido de ver quais são os interesses existentes. E estamos finalizando, também, as formas de financiamento possíveis. Elas ainda não vão ser as mais definitivas, mas a gente está fazendo toda uma modelagem. Nós temos condição, nas próximas semanas, de lançar esse grande programa de concessões de logística, nós temos condições. Na sequência nós iremos lançar todo nosso programa de energia elétrica para os próximos anos, e na sequência vamos lançar também o Minha Casa Minha Vida 3. Serão três etapas, que nós vamos cumprir, todas elas estão em andamento.

 

Jornalista: Nada com o ajuste fiscal? Não tem nada a ver?

 

Presidenta: Não, porque a concessão, eu sei, mas a concessão ela não é um gasto do governo federal, no sentido de que ela não é Orçamento Geral da União. Agora, para nós é importantíssimo que se aprove o ajuste fiscal, porque sem ele, o impacto maior é em outras áreas. Nós vamos poder fazer sempre mais, quanto mais o ajuste fiscal aprovado se aproximar daquele que nós enviamos. Isso é verdade.

 

Jornalista: Presidenta, a Lava-Jato preocupa para as obras olímpicas?

 

Presidenta: Eu não vejo qual é o impacto que a Lava-Jato terá nas obras olímpicas. Eu não tenho nenhuma avaliação que mostre que exista algum impacto. Gente, eu agradeço a vocês, mas tenho que voltar para Brasília, daonde eu saí hoje às…

 

Jornalista: Só mais uma, só mais uma.

 

Presidenta: Não querida, de uma em uma a galinha enche o papo.

 


Ouça a íntegra (12min20s) da entrevista da Presidenta Dilma